[Polêmica do Turbante] Quem pode usar afinal de contas?

 

Está Proibido Pessoas Brancas Usar Turbante – Saiba Porque!

Nos últimos dias uma grande polemica inflou os ânimos pela internet. Uma menina branca foi criticada e ainda o é durante por algumas pessoas do movimento negro por usar um turbante. Segundo essas pessoas ela estaria fazendo apropriação de uma cultura. Isso mesmo, ela estaria se apropriando de uma cultura ao ser branca e fazer uso de uma peça associada a cultura negra.

Não para por ai. A menina estava usando o turbante como uma forma de esconder a ausência de cabelos por causa de um tratamento de câncer. Thuane Cordeiro estava no metro quando foi fuzilada por olhares de reprovação por um grupo de meninas e recebendo comentário de que era “ uma branquinha se apropriando da cultura negra”.

A íntegra dessa matéria pode ser vista aqui – Clique Aqui e Saiba Mais!

 

A guerra virtual

Não acabou aí, logo a guerra virtual através dos meios digitais começou. A guerra do turbante impressiona pelos comentários e raciocínio das que acham o uso do turbante uma apropriação cultural, esquecendo inclusive da condição da menina. Vejam os prints:

E numa guerra sempre há dois lados, sendo que quem é contra esse tipo de preconceito, está indagando sobre um monte de situações. Um exemplo: a maioria das usuárias que são contra a apropriação usam cabelos loiros, lisos, platinados e uma série de outras característica “branca”.

Ainda fazem uso de toda uma cultura americana de origem (rede social, internet, celular, notebook ou computador). Mas a essas críticas não responderam tendo algumas até mesmo cancelando seus perfis nas redes sociais devido as enxurrada de críticas.

 

A Origem do Turbante

Logo muitas pessoas começaram a fazer pesquisas sobre a origem do turbante. Seu uso é feito em larga escala, em várias culturas, em épocas diferentes e por pessoas em níveis culturais diferentes. Ou seja, não há um dono do turbante ou um cultura dona do turbante.

O turbante tem origem exata imprecisa, mas consegue se rastrear uma zona mais ampla e pouco definida de suas origens.

Persas, anatólios, lídios, árabes, argelinos, judeus, tunisianos aparecem com turbantes, utilizados de várias maneiras, bem antes da era cristã. Na Índia, o turbante também foi amplamente usado através dos séculos e ainda o é. O interessante é que entre os povos antigos, o adereço era predominantemente exibido por homens, apenas de uns tempos para cá que passou a ser amplamente usado por mulheres.

No brasil chegou a ser usado por Carlota Joaquina devido ao surto de piolhos que houve na embarcação. Negros escravos também usavam para carregar utensílios na cabeça como ainda é feito em alguns locais da África. Também sabe-se que havia uma série de imposição aos escravos, inclusive de vestimentas.

 

Marieta Severo interpretando Carlota Joaquina

Os guerreiros indianos sikh também fazem o uso milenar do turbante, alguns sendo enormes e bem chamativos. Tivemos também novelas onde a personagem fazia uso de um turbante e até então ninguém havia comentado, criticado ou algo do gênero.

 

 

Os significados de um turbante podem variar muito: pode indicar a origem, tribo ou casta da pessoa, identificar a religião (como o Ojá africano usado por pessoas do Candomblé e Umbanda) ou a posição social.

O comércio tratou de estabelecer as relações entre Oriente e Ocidente, facilitando as trocas de costumes e culturas. A Europa também aderiu ao turbante, primeiramente entre marinheiros e navegadores. Mas, há referências ao uso de turbantes como item de moda pelas mulheres francesas já no século XVIII. Feito com grande quantidade de tecidos leves arranjados cuidadosamente na cabeça das damas, o turbante foi sucesso até meados do próximo século.

Resumindo: O turbante é uma expressão cultural mais que religiosa, visto o fato de turbantes serem moderadores da temperatura – que nas regiões africanas e do oriente é altíssima – corporal e de status. Após a expansão do Islamismo, os turbantes chegaram ao Norte e ao Oeste do continente Africano e ao Sul da Ásia, “viralisando”, por assim dizer, entre os povos dominados pelo Islã. Depois disso, várias outras etnias e culturas africanas começaram a utilizar-se da prática de enfaixar a cabeça, tanto como símbolo sociocultural quanto como religioso. Desde então, os turbantes entraram na “moda”.

 

Turbante e a Apropriação Cultural

O termo é carregado de conotação negativa, pois a muitos remete a apropriação indevida ou como se significasse tomar a força. A palavra “apropriar” significa tomar para si. O termo “apropriação cultural” é um conceito da antropologia e se refere ao momento em que alguns elementos específicos de uma determinada cultura são adotados por pessoas ou um grupo cultural diferente. Somente isso.

Mas afinal, outras etnias utilizarem turbantes é um ultraje a apropriação cultural? Afinal, apropriação cultural de quem?

Quando a pessoa começa a filosofar muito sobre a situação, começamos a entrar na área de povo dominado e povo dominante. E alguns movimentos começam a enxergar tudo isso como uma grande ofensa (uma menina branca – povo dominante, usar algo do povo negro – povo dominado).

Alguns reclamam de fazer uso de algo sem saber o seu conceito ou significado, dizem que as pessoas não tem consciência do significado daquela peça.

 

Mas então nos remetemos a várias coisas que usamos e se quer sabemos seu conceito (calça jeans por exemplo que era uma peça pra presidiários americanos, depois usadas por cowboys ou seja, sempre referenciando pessoas que não eram da alta).

Nós brasileiros somos um grande apropriadores de culturas, já que a nossa é uma grande miscigenação de culturas, costumes que acabam se fundindo e sendo a nossa cultura. E quando falamos de cultura, não podemos esquecer da cultura religiosa – O Candomblé e a Umbanda!

 

Candomblé e Umbanda – Apropriação Cultural?

Sabemos que essa situação toda se deve a insatisfação de algumas meninas que viram em uma menina branca um afronto ao usar um turbante africano. Sabemos que ganhou mais notoriedade quando essa mesma menina postou em rede social a situação e logo virou reportagem. Mas… vamos refletir!

O Candomblé não é africano (Há quem ainda discorde disso), porém usa de vários elementos de determinadas áreas da África para ser praticado. Apesar de não ter sido criado (leia-se: organizado) por brancos e sim por negras escravas, hoje é amplamente praticado por brancos, índios, europeus, americanos…

A Umbanda de utiliza de elementos de várias culturas para poder existir. Elementos africanos, indígenas e europeus fazem parte de um todo para que a Umbanda funcione em harmonia. Candomblés de Angola tem cantos em Português que não era uma línguá praticada na Angola antes da chegada dos colonizadores.

O Candomblé Ketu (Que pensam ficar na Nigéria) faz uso de elementos de nações diferentes e até mesmo uso de elementos católicos (Ida a missa do Ìyáwo).

Se olharmos para o todo e começarmos a separar por parte, entenderemos que não há que surgiu do nada e tudo teve que se apoiar em algo… um semente… um ponto de partida! Um zeladora branca, ao ser sacerdotisa de um culto afro e usar o Ojá estaria fazendo apropriação cultural negra?

 

Saiba mais sobre uso do Ojá nos links abaixo:

 

Pode um europeu ser um zelador de santo? Estaria ele ao usar trajes religiosos de candomblé, cantar em Yorùbá e balançar seu àjà invocando Òrìsà se apropriando da cultura Brasileira? Uma série de indagações surgem a partir do momento em que as pessoas começam a se revoltar por causa de uso inconsciente de algo.

Eu sou “branco” e ensino um idioma africano, ou seja, um território negro. Ensino para negros, brancos, cafuzo, mulatos…. ensino para quem quer aprender. Estaria eu me apropriando da cultura alheia para sobreviver?

Sei de pessoas que se incomodam quando vê uma outra usando uma guia sem saber (Ou pensam que a pessoa não sabe) o significado dela, sem ter consciência do seu uso. Consciência é algo que fica internamente, como irei perguntar para cada uma se ela tem consciência de estar usando algo religioso ou algo afro?

 

Conclusão:

O que leva os extremistas a praticar esse tipo de argumentação chula talvez seja a não consciência de que a miscigenação – apesar do racismo – de povos também incluiu adereços de outras culturas numa só: a brasileira. Então esse pessoal esquece o fato que a história dos turbantes é muito mais antiga que pensam e usam o argumento de uma apropriação cultural dos negros pelos brancos.
Isso faz pensar mais: Tatuagens, comidas como pastel e macarrão, maquiagem, TUDO isso é apropriação de alguma cultura e não vejo uma árdua luta por essa “não apropriação”; não há nenhum levante lá fora contra esse uso.

E veja bem, estou me referindo a povos distintos aqui: indigenas, negros, asiáticos, europeus e árabes, basicamente as etnias que mais povoam o mundo hoje em dia.
Acredito ser de uma hipocrisia barata e baixa esse assunto apropriação cultural – nos moldes que está sendo levado – é uma popular “perda de tempo” brigar por um fato que nem verídico é (Turbante pertencer tão somente aos africanos) e sem esquecer que essas meninas são brasileiras.
A apropriação cultural, por mais que seja por simples estética é favorável ao mundo, gera um maior âmbito de conhecimento, de aceitação da cultura do próximo, devemos apoiar a apropriação conexão cultural! O que deve-se lutar contra é perante ao escárnio cultural, contra aqueles que fazem pouco caso da cultura de outrem, isso sim deve ser combatido.
Paremos de fiscalizar cultura alheia de modo a criar picuinha besta.

 

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Comments
  1. Sandra Lee
    • Olùkó Vander
      • Bartira Coutinho
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