Categoria: Candomblé

Assuntos relacionados ao Candomblé e Umbanda.

  • Candomblé – O Que Se Espera de Um Bàbá/Ìyálórìsà?

    Candomblé – O Que Se Espera de Um Bàbá/Ìyálórìsà?

    As Qualidades Desejadas Em Um Líder de Uma Casa de Òrìsà.

    Quando foi postado sobre as qualidades de um bom ìyáwo, choveram críticas que apenas se exigem dos filhos de santo, mas que sobre os zeladores e zeladoras nada falam. Leia esse post aqui – 5 Qualidades de Um Bom Filho de Santo Mas como prometido, pesquisei com alguns filhos de santos de varias idades diferentes sobre o que desejavam em um zelador ou zeladora. Atenção, este post é a reprodução de uma pesquisa informal e não reflete a opinião total do autor – professor vander!

    Zelar pelo òrìsà, pelo orí de uma pessoa, pelas suas expectativas espirituais é uma das responsabilidades mais gigantesca que tem. Compara-se ao médico que tem confiado à si um paciente necessitando de cuidados especiais. Pode parecer exagero, mas uma mão pode suspender muito uma pessoa, mas também pode levar abaixo do fundo do poço. E tem aí vários e vários casos disso que falo.


    pai de santo que se quer

    Mas o que essa figura principal dentro do Candomblé precisa ter para ser bem sucedido, para ter uma casa de àse e com filhos, não em número, mas em qualidade e disciplina? Espantei-me com as respostas? Um termômetro de que hoje mais se segue um líder ou uma líder por medo, de que por respeito.

    1 – Humildade

    No Candomblé e Umbanda é a palavra mais ouvida, quase que 100% gostariam que seus zeladores fossem mais humildes (Não entenda por baixar a cabeça pra o ìyáwo). Que muitas vezes o zelador ou zeladora cometem alguns erros e não assumem para poder corrigir, mas sim deixa ir, pois o orgulho fala mais alto e não permiti admitir que falhou em um detalhe ou ou outro. Acredite, um filho ou filha de santo não quer um pai ou mãe de santo que saiba tudo, mas que não sabendo, diga: vou buscar saber o que é isso. Humildade não torna ninguém pequeno, mas agiganta: vide Mahatma Gandhi e Madre Tereza.

    2 – Respeito

    Alguns que me relataram sobre o se sentir nada dentro do lugar onde buscou ajuda. Que quando eram clientes e iam consultar búzios eram tidos como reis ou rainhas, mas agora que a roupa de santo está no corpo, estão abaixo de nada. Que por vezes são desrespeitados até perante familiares… bem, esse não é o candomblé que conheço. Certa vez fui a um barracão que o zelador tinha verdadeiro carinho pelos seus… era enérgico sim, mas tinha carinho e zelo por aqueles que estavam na sua acolhida espiritual. Um ìyáwo respeitado é o zelador respeitador de amanhã. Xingamentos, agressões físicas, humilhações não são os caminhos para ensinar ou doutrinar.

    3 – Eu Não Sei Tudo

    É isso mesmo? Você zelador ou zeladora pode até passar a imagem que sabe tudo, mas hoje temos uma massa um pouco mais crítica que antigamente; conhecimentos que antes se diziam sagrados, hoje já se sabem que são culturais (Não estou falando de awo- segredo, tem sim conhecimentos sagrados que somente devem ser passados por um zelador ou zeladora). Um exemplo clássico é o Idioma Yorùbá. Ainda hoje tem pessoas que acham que não se pode aprender fora do barracão e que ensino vindo de fora é errado, o famoso: Yorùbá se aprende no dia a dia do barracão! Ledo engano! Veja o post sobre os erros em aprender Yorùbá e entenderá. – Os 3 Erros ao Aprender Yorùbá.  Mas como foi dito na quesão humildade, sabe-se que um zelador mais humano e que busca, que pesquisa terá muito mais valor que aquele que não sabendo algo, usa da ignorância e diz pro ìyáwo para ele se por no lugar dele e que ainda não é hora de ele saber sobre o que perguntou.

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    4 – Mais Compreensivo

    Quem não erra? Todos somos passíveis de erros, falhas e desvios. Mas alguns filhos  e filhas de santo sentem uma pressão muito forte quando o assunto é erro, falhas. Eu mesmo já presenciei esporro monumentais e com direito a agressões físicas, sem contar a psicológica e moral, por conta às vezes de uma letra errada em uma cantiga ou de esquecer algum ato ou algum ingrediente de um ebo. Ou seja, total falta de compreensão. Mas sim, há os compreensivos, que se mostram chateados pelo erro, mas releva e foca no afazer do momento.

    5 – Imparcialidade

    Apadrinhados estão em todos só cantos. Sempre há um queridinho, sempre há um protegido. Alguns ìyáwo reclamam desse tipo de parcialidade dentro do barracão, um peso e duas medidas como dizia Sócrates. Às vezes um ilé t’òrìsà se assemelha a um reino, onde você tem a figura do rei sendo o Bàbálórísà ou ìyálórísà (rainha) e a corte composta por ògá, ekéjì, bàbákèkère e assim por diante. Ou seja, uns podem outros não podem e o diferencial não está no tempo de casa ou de santo, mas no grau de intimidade que há com o zelador. Muitos filhos de santo inclusive cita isso como motivo para sair de uma casa, assim que entra nela.

    6 – Liderança

    Liderar já foi considerado um dom, coisa que se nasce com ou esquece. Mas a realidade mostra outra coisa. Liderar é uma capacidade aprendida através de técnicas e padrões aplicados a situações. Muita gente abraça a responsabilidade de dirigir um barracão, mas não tem noção de liderança… surgem situações e a pessoa não sabe como agir. Liderados sabem quando seu líder está perdido. Pior ainda quando a resposta a isso é a violência, ignorância e por ai vai. Hoje um zelador ou zeladora não só inicia uma pessoa, mas passa a ter um laço com ela de parentesco, onde muitas vezes é confiado a ele segredos da pessoa que nem seu cônjuge sabe. Zelar pelo espiritual por vezes se mistura com o pessoal, e estando o zelador ou zeladora com mente fraca e espiritual fraco, vem a padecer e se sentir exaurido.


    Lei Também:
    *Terreiro de Candomblé Tombado no Rio de Janeiro;

    *Aula Grátis de Yorùbá Para Candomblé #1;

    *Aula Grátis de Yorùbá Para Candomblé #2


    7 – Mostrar o Caminho

    Você entra cru dentro de um barracão, apenas com os disse me disse de rodas de amigos ligados à religião. O correto é o que é ensinado dentro do seu barracão para o seu barracão. Muitos ìyáwo reclamam da falta de ensinamentos por vezes básicos sobre o Candomblé. Faltam as rodas de estudo, onde a figura do Bàbálórísà ou Ìyálórísà venha a ensinar ao seus seguidores o beabá da religião; as figuras grandes do seu àse, fundadores, sua história e outra informações que por vezes deixa o iniciado com a sensação de fazer parte de algo maior. Por que hoje há mais troca troca de casa do que antigamente? Ensinar o iniciado é a melhor maneira de fidelizar ele a sua casa.

    Conclusão:

    Ninguém é perfeito e sabemos disso mais do que ninguém, pois o candomblé lida com muitas personalidades diferentes. Mas sabemos que determinadas características e atitude ajudam e muito a levar o dia a dia dentro de um barracão da melhor forma possível. Ao receber os sete anos, uma pessoa ainda não está 100% pronta para ser um zelador, há muito que se cuidar, aprimorar, aprender… tanto sobre a religião, sobre o sagrado, quanto sobre o ser humano, sobre aqueles que ficaram sobre a sua tutela espiritual. Muitas outras coisas as pessoas criticaram sobre atitudes de zeladoras e zeladores, mas por vezes senti que era pessoal e não algo produtivo para o debate.

    Por fim, deixe sua opinião para que possamos entender o rumo que  a coisa anda tomando!

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    Ó dàbọ́

    Olùkọ́ Vander

  • Casa de Candomblé Promove Lavagem das Escadarias da Assembleia Legislativa

    Casa de Candomblé Promove Lavagem das Escadarias da Assembleia Legislativa

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    Assembleia Legislativa – CE

    O Candomblé Contra o Ódio

    O Candomblé e a Umbanda muitas vezes se mostra atuante em questões políticas e sociais. O Terreiro de Candomblé Ilé Àse Omo Tifé promove, nesta quinta-feira, 7 de julho, uma lavagem das escadarias da Assembleia Legislativa do Ceará(AL-CE). Mas diferente da lavagem das escadas da igreja do Bonfim na Bahia, a ação terá como objetivo “a limpeza do ódio, fundamentalismo e discriminação”.

    Sabemos que atualmente vivemos, não só na questão religiosa, mas também sexual e racial, uma grande onda de violência gratuita. Claro que tem pessoas que apenas sabem o que acontece através dos telejornais convencionais. Porém, quem acompanha as mídias digitais, sabe das barbáries que ocorrem pelo país a fora.

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    A concentração do ato está marcada para às 8 horas, na Praça da Imprensa, no bairro Aldeota. Com parceria do Fórum Cearense de Mulheres (FCM), Tambores de Safo, Instituto Negra do Ceará (Inegra), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Levante Popular da Juventude e outros movimentos sociais.

    Lavagem de Escadarias na Bahia
    Lavagem de Escadarias na Bahia

    “Dançaremos e ergueremos nossos braços em sinal de rompimento com a moralidade excludente dos bons, a defesa do nosso povo e dos seus direitos são bandeiras que não negociamos”, explica afirma Ìuiálórìsà Valéria de Logun Edé, líder do terreiro, que está localizado no bairro Jangurussu.

    “Não serão as nossas lágrimas que lavarão aquelas escadas… Serão águas de cheiro! Nosso povo produz amor! Nosso povo tem mão fértil. Não se deve esquecer, bem sei, que Oyá estará lá”, afirma a liderança.

    A ação surgiu durante o “1º Ijesá para a Democracia“, uma iniciativa da Casa que reuniu representantes de movimentos sociais, povos de terreiro, lideranças comunitárias e coletivos autônomos, no último dia 11 de junho. O evento marcou o início de uma série de ações que o Ilé Àse Omo Tifé pretende realizar contra o impeachment de Dilma e em defesa dos direitos das Casas de Candomblé.


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    Eu particularmente defendo muito essas ações. Acho sim que nossos líderes religiosos deveriam se aproximar da política de maneira mais atuante. Que ato como este se repita pelo Brasil, mostrando a força do Candomblé.

    E você? O que acha disso? Deixe sua opinião abaixo, você sabe que ela é importante né?

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  • 5 Qualidades de Um Bom Filho de Santo

    5 Qualidades de Um Bom Filho de Santo

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    No Candomblé, Ìyáwo é nome dado ao iniciado aos cultos de determinado òrìsà, o chamado filho de santo. O termo vem do idioma Yorùbá, significa esposa, referência ao casamento, ao elo com o òrìsà iniciado. Ele é a base do culto, aquele que acumula muitas tarefas e quando o dever religioso chama, seu òrìsà toma sua cabeça e é louvado num festejo. Mas nem só de receber òrìsà é a vida de um ìyáwo e todos os grandes de hoje, um dia foram ìyáwò.

    A vida dentro de um terreiro de santo, dentro de um barracão é por vezes bem corrida e puxada. O ritmo de àse ensina muita disciplina e começa cedo. Mas todo zelador sabe o quanto alguns filhos lhe causam dor de cabeça e chateações. Assim como em uma família sanguínea, na família de santo também necessita-se ser educado e seguir regras para o bem andar da carruagem.

    Vejamos algumas características que alguns bàbálórìsà e ìyálórìsà admiram e buscam em um ìyáwo.

    1 – Respeito 

    Quando se diz respeito, envolve-se muitas coisas. Respeito ao próprio zelador somente não basta. Deve-se ter respeitos ao preceitos, aos mais velhos (ègbón) e também aos mais novos (àbúrò), pois sim, os mais novos também merecem seu devido respeito.

    Fundamentalmente respeito ao sagrado, ao àse, aos òrìsà. Cada dia mais vemos pessoas denegrindo a religião e achando que tudo pode ser burlado. Tem ìyáwo que estando numa casa, fala mau do próprio zelador em outra. Ou ìyáwo que espera o zelador virar as costas para agir totalmente contrário ao que foi pedido ou orientado. Os que fingem estar de santo. Os que mentem.

    2 – Assiduidade

    Uma casa de candomblé funciona como uma engrenagem e cada par de braços ali presente faz com  que essa engrenagem rode com mais facilidade. É muito importante que um iniciado esteja presente na casa para ajudar nas tarefas dos bastidores… antes, durante e após os festejos. Em nosso próprio ilé não se fica de visitante, se serve quem visita.

    Roupas para se passar e engomar; alimentos e oferendas para serem preparadas; pátio para ser varrido e limpo; animais para se limpar e preparar àse e por ai vai. Durante os festejos: servi os convidados, auxiliar os que recebem seu òrìsà, orientar quem não conhece a casa.

    Um casa de candomblé para quem apenas visita, tudo parece lindo, mas tem os bastidores corrido e agitado, que quando os filhos estão presente flui perfeitamente bem. Porém, quando o número é pequeno…. as tarefas ficam árduas e complicadas.

    3 – Interesse Pelo Àse

    Não adianta ter um corpo presente no ilé, faz-se necessário que o Ìyáwo seja membro atuante, cabeça pensante e que saiba promover bem seu ilé, os serviço religiosos do bàbálórìsà ou ìyálórìsà. Isso não só faz bem ao próprio barracão como a religião. Ìyáwo consciente é um ìyáwo que junto com o zelador ajuda a levantar a moral da casa.

    Claro, há terreiros que são levados meio que na ditadura, onde o/a líder não deixa ninguém debaixo se meter em assuntos da casa, infelizmente há boas lideranças e más lideranças, sejamos francos.

    4 – Lealdade à Casa e ao Zelador

    Claro que aqui não entra a lealdade cega.  Mas cada dia mais nota-se um movimento de troca de casa e troca de àse que confunde a cabeça das pessoas. Um coisa é você trocar de casa, de zelador por problemas seríssimos com desavenças pessoais ou algo que o valha, falecimento, encerramento da casa, etc; agora, trocar de casa só porque a casa do amiguinho ou amiguinha vive mais cheia, o pessoal sai pra beber final de semana e coisas parecidas… aí vira bagunça. Aí não está sendo leal.

    Se o seu zelador ou sua zeladora age de forma correta com você, se a situação está tranquila, não precisa ficar trocando de àse, de ilé, de pai de santo por modismos.

    Outro perigo que atinge quem não é leal, é o famoso “santo errado”. Esse assunto ainda merece ser extensamente debatido entre o povo de santo, mas caso surja esses boatos com você, sente-se com seu zelador e só saia quando esclarecido.

    5 – Ajudar a Casa Financeiramente

    Momento crítico – dinheiro e candomblé sempre causam arrepios – mas uma casa não se paga sozinha, há contas, há gastos. Num post no antigo blog que falo sobre profissão bàbálórìsà (veja neste link), expliquei sobre tudo que um barracão gasta e que sim, se faz necessário uma mensalidade ou ajuda de custo por partes dos participantes daquele ilé.

    Temos que lembrar também que um barracão às vezes é morada de filhos mais desprovidos, ou aqueles que estão passando momento de crise precisando de um amparo.

    Um bom Ìyáwo está sempre chegando junto nas mensalidades e vaquinhas para festejos ou famosa lista de feitura quando se tem uma obrigação de alguém da casa ou entrada de algum ìyáwo que não tem condições de pagar a feitura.

    Conclusão e observações:

    Não termina aqui as qualidades necessárias para se ser um bom filho de santo, eu sei, mas essas com certeza faz diferença.

    Sim, um ìyáwo é o braço forte de um bàbálórìsà ou ìyálórìsà, a base e o alicerce da casa de santo, pois imagina um barracão sem iyawo. Seria possível? Seria possível ter um terreiro atuante, mas sem ìyáwo? Pode se afirmar que sem Ìyáwo, sem candomblé.

    Mas muita coisa que foi dita aqui esbarra em uma coisa ou em uma pessoa: o bàbálórìsà ou ìyálórìsà intransigentes, aqueles que não dão espaço para que nada seja dito ou feito. Então quando vejo algum iniciado indo contra o que foi dito acima, muitas vezes vejo aquele zelador general e carrasco. Lembre-se, escravidão acabou!!

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  • [Grátis] Aula de Yorùbá Para Candomblé #2

    [Grátis] Aula de Yorùbá Para Candomblé #2

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    Aula de Yorùbá Para Candomblé #2

    (Parte Integrante da apostila Intermediária de Yorùbá com áudio)

    Dando continuidade as aulas voltadas para o dia a dia do barracão de Candomblé, vamos com a segunda aula. Caso tenha perdido a primeira, veja aqui!

    Um dos ensinamentos que o neófito recebe ao fazer parte do Candomblé é o pedido para se entrar em uma parte do ilè, um quarto, sala ou até mesmo para interromper alguma conversa para falar algo de importante…enfim, a utilidade é bem variada, cada casa um caso:

    “Àgò ilé!” ou somente “Àgò!”

    A função dessa expressão é de que as pessoas dentro da casa, possam se arrumar ou aprovar a entrada caso estejam em condições de receber o visitante. Pois imagine que há alguém trocando de roupa; um zelador passando algum conhecimento que outra pessoa não sabe ou não deve/pode saber, enfim, são variados os motivos. Ou seu Bàbálórìsà ou Ìyálórìsà esteja num conversa e você precisa falar algo com ele(a), você além da postura e ato corporal correto, diz essa palavra. Usar tal expressão denota que você é uma pessoa consciente do uso correto tanto da expressão, quanto que se trata de uma pessoa educada no santo. O respeito e educação são fundamentais dentro das religiões de matrizes afro como o Candomblé e Umbanda.

    Essa expressão em Yorùbá também é usada em locais nativos para pedir abertura na rua, quando vem alguém montado a cavalo ou com algo muito pesado. Seria parecido com o que os carregadores do Mercadão de Madureira usam quando querem passar.

    “Àgò” – é uma contração de “Yàgò”, ou seja, dê espaço. Alguns dicionários grafam também “ké àgò” e a contração “k’àgò” que não fica muito belo foneticamente. Mas o significado: Licença. Dê me licença. Com licença.

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    Ago  também significa desculpas?

    Não exatamente. O idioma Yorùbá tem algumas palavras bem específicas para pedir desculpas e dentre elas não se configuram Àgò ou Agô. Motivos dessas diferença, ainda não sei ao certo, mas muitos usam diversas teorias que eu particularmente não sou adepto. Mas veja abaixo as palavras melhor usadas para pedir desculpas por algo ocorrido.

    • Pèlé para uma pessoa mais nova e também significa meus pêsames. Perdão, calma, desculpas;
    • Dáríjì mi – Perdoe-me;
    • Binuje – Perdoe-me;
    • Má bínú – Não fique chateado, desculpas.

    Mas aí a dúvida perdura: e a resposta Olùkó Vander, está correta? Em resposta a esse pedido, licença, as pessoas usam: “àgò yá”. Nada mais do que certo. Pois o termo “yá”indica uma aprovação sendo em alguns casos usado como um “sim”. Na verdade é uma partícula afirmativa, no entanto, não de todo errado, alguns dicionários dão o significado como: abrir, ceder. Coisas dos 21 dialetos conhecidos (há mais) do idioma Yorùbá.


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    Não confundir com “Yá” com “Ìyá” – mãe. 

    E no caso em que não pode a pessoa adentrar o recinto pois o Bàbá/Ìyá está em uma conversa ao telefone, vestindo-se? Há um costume de se dizer que quando a pessoa de dentro fica em silêncio, a permissão não foi dada, mas não é bem assim. Podemos dizer:
    “Dúró!” – Aguarde, permaneça!
    Sendo uma pessoa mais velha, reconhecendo-se isso de alguma forma, ou sendo um grupo de pessoas, dizemos:
    “E dúró!” – Aguardem. Permaneçam aí!
    Algo bem simples, mas que faz da pessoa que o usa, uma pessoa bem vista no quesito educação e informação cultural religiosa Yorùbá. Mas não se espante se isso tudo é muito novo para você.

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    O dábò gbogbo!!

  • [Grátis]Aula de Yorùbá para Candomblé – Aula #1

    [Grátis]Aula de Yorùbá para Candomblé – Aula #1

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    Aula de Yorùbá Para Candomblé #1

    Nesta série de posts irei explorar algumas palavras usadas dentro do Candomblé e suas devidas correções. Importante salientar que hoje, com as crescentes mídias sociais e a religião cada vez mais presente nelas, o uso correto dos termos nos fortifica enquanto religião e nos dá maior autoridade de conhecimento de causa.

    No Candomblé Ketu principalmente, se faz muito uso de algumas expressões que são escritas a torto e a direito. Vamos dar uma olhada em algumas. Lembrando que essa faz parte de algumas das lições que há meus Cursos de Yorùbá on line. Cada aula, cada post uma palavra para refletirmos e aprendermos mais. Caso for compartilhar, não esqueça de informar a fonte, por favor.


    Curso de Yoruba para Candomblé


    Abo/ àgbo/ àgbò

    Comumente toda casa em dia de função, principalmente, tem o seu grande “porrão” com água e ervas específicas maceradas, por vezes alguns outros elementos que tem sua serventia específica(Awo). Aqui no Brasil em nosso Candomblé essa mistura de ervas ganhou o nome de água de abô ou simplesmente abô. Mas muito cuidado!

    Abo = prefixo designador de gênero feminino, também pejorativamente o modo de chamar vagina!

    Mas àgbo é òògùn, é remédio, é medicina. Um Bàbáláwo com perfeita formação é conhecedor de muitas ervas e está apto a prescrever àgbo, que por vezes pode ser bebido, por vezes pode ser tomado o banho dessas ervas e raízes e até mesmo posto em cima de feridas. Quando tomamos o famoso chá de Boldo, nada mais é que um àgbo. Saião com leite, nada mais é que àgbo. Essa “revelação” por assim dizer me veio de um nigeriano quando estudava o idioma.

    Claro que dentro das liturgias há àgbo que devem ter um òfò ativador(caso queira saber sobre Òfò, veja neste post), isso sem sombra de dúvidas, até porque há àgbo para casos de bruxaria ou enfeitiçamento…


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    Àgbò é carneiro!

    O correto é tomarmos banho de àgbo e não de abô, até pela inexistência do acento circunflexo no idioma Yorùbá! Então veremos abaixo as possíveis palavras usadas e seus verdadeiros significados, tirem suas próprias conclusões:

    • Ààbò =  Abrigo, refúgio, escudo, toca, proteção;
    • Ààbò(Som aberto devido o acento diferencial embaixo)= Meio, metade;
    • Abo =Fêmea. Pej. de Vagina. Exemplo: Abo Pépéye/ Pata – Abo màlúù/ vaca;
    • Abò= Retorno, a volta, a vinda… a chegada;
    • Àgbo = Infusão feita com ervas e usada em banhos nas iniciações. Infusão usada para curar e/ou prevenir doenças e enfermidades.
    • Àgbò = Carneiro.

    Conclusão:

    Ou seja, acentuações são importantes para que possamos escrever da melhor forma possível. E claro, influencia na pronúncia correta também, mas no final sempre dá um caráter de mais seriedade a nossa religião quando sabemos sobre e como escrevemos as coisas. Chato escrevermos algo e vir uma pessoa quem nem dá religião, mas entendida do idioma e corrigi-la… e eu já vi isso acontecer!


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  • Vitória – Terreiro de Candomblé Tombado* no Rio de Janeiro

    Vitória – Terreiro de Candomblé Tombado* no Rio de Janeiro

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    *O ato de tombar um patrimônio é uma grande vitória ainda mais para a religião de matriz africana que sempre foi tão perseguida e incompreendida. Neste início de mês foi pela glória de Òsàlá e também pela força, garra e perseverança dos filhos do Ilé Àse Ópó Àfónjá, tombado o primeiro terreiro de Candomblé pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC) por sua importância histórica, cultural e etnográfica. Uma significante vitória para a nossa religião que sempre é achincalhada por outras religiões e por vezes pessoas que nem religião definida tem.

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    Segundo o site cultural do Governo do Estado do Rio de Janeiro: “O tombamento provisório do Terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, que foi fundado em 1886 na Pedra do Sal e transferido na década de 1940 para o bairro de Coelho da Rocha, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, foi publicado nesta quarta-feira (01/06), no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. Com isso, o Ilê Axé Opô Afonjá se tornou o primeiro terreiro de candomblé tombado no Estado do Rio de Janeiro.” – Veja aqui a Publicação na Íntegra.

    Fica a partir de agora toda a estrutura do terreiro, interna e externa, parte do imóvel e também plantas como Iroko sagrado, bambuzal protegidos por Lei contra ameaças e depredação física e cultural. Por mais que saibamos que por Lei já temos o direito de exercer nossa religião(Art. 5, inc. VI da Constituição Federal de 88), a participação efetiva do Estado nos dá a sensação que estamos chegando lá, que estamos conseguindo ter nosso lugar ao Sol. Essa luta, podemos notar, se tornou possível graças a união e esforço da comunidade daquele terreiro, mostrando como a união e esforço concentrado dão resultado.

    O terreiro tem sua história a mais de 127 anos. Tendo sua matriz na Bahia, o Ilé Àse Ópó Àfónjá no Rio de Janeiro, passou por vários bairros cariocas, até a chegada em Coelho da Rocha no município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A Primeira Geração dessa largada religiosa foi iniciada por Mãe Aninha de Sàngó Àfónjá – Ìyá Obá Biyi, no ano de 1886 com a contribuição da “família “Bamboxê””, fundando na Pedra do Sal, no bairro da Saúde, seu terreiro de Candomblé em terras cariocas. Os tempos passam e renasce uma nova era no Palácio de Xangö. O Axé muda de endereço algumas vezes. Mãe Agripina de Souza Soares, Ìyá Obá Déyí, foi a segunda geração do terreiro e iniciou a construção do novo Templo em 1947, concluindo a edificação em 1950, instalando o novo Àse em seu definitivo e atual endereço.E hoje, floresce sendo então reconhecido como patrimônio estadual e  atualmente o Ilé é liderado por Ìyá Regina. Sigamos o exemplo. União gerando resultado.


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