E aqui estamos com mais uma postagem de conteúdo que irá ajudar você em sua caminhada em aprender o idioma Yorùbá e usá-lo em seu dia a dia no Candomblé, Ifá, Rito Tradicional e até Umbanda.
Hoje irei tratar da palavra comumente usada no Candomblé, mas erroneamente associada a um determinado tempo ou à uma determinada obrigação.
Ebômi – Os famosos 7 anos!
Vejo, ouço e leio constantemente sobre o tal “ebômi”. Funciona essa palavra para duas situações (Como as pessoas falam por aí. Não sou eu quem está determinando isso, deixar claro!!!):
A pessoa que já passou de 7 anos de iniciado;
Pessoas que tomou a obrigação de 7 anos e com isso passa a receber alguns privilégios, como entrar em determinadas rodas, segurar determinados objetos e etc. Curioso de quem segue essa norma da obrigação, é que mesmo que você possua 10 anos de iniciação, caso não tenha tomado a obrigação, não será considerado “ebômi”.
Essas duas situações é como costuma ser visto o “ebômi”. Há situações que se tornam cargos ou postos. Novamente, apenas replicando o que falam por ai. Comum alguém falar que tem o cargo de “ebômi” na casa, que tem posto de “ebômi” no àṣẹ e por ai vai.
Ser “ebômi” acarreta muitas responsabilidades, obrigações e alguns alívios. Começa-se a poder fazer outras coisas antes proibidas, pode-se usar vestimentas antes vetadas por não ter tomado a obrigação. Mas tudo isso é um costume brasileiro, vindo com a organização do Candomblé. Não se trata de uma tradição nigeriana ou beninense!
O vídeo abaixo explica detalhadamente a palavra, seu uso errado e seu uso e grafia corretos. Assista e depois continue a leitura.
Ẹ̀gbọ́n mi: o irmão(ã) mais velho(a)!
Então, curtiu o vídeo? Gostou das explicações? Acho que consegui esclarecer melhor o equívoco com a palavra e o que praticam, correto?
Ẹ̀gbọ́n é a palavra em Yorùbá que significa irmão mais velho ou irmã mais velha. Isso dentro de um contexto familiar nigeriano, onde quem nascer antes dos outros é o mais velho. Não tem nem uma ligação com obrigação ou sete anos cravados. Uma pessoa com 2 anos a mais que outra, sempre será ẹ̀gbọ́n mi de quem estiver depois dele.
O “mi” é um pronome possessivo, como tal ele indica que algo é de quem está usando esse pronome. ẹ̀gbọ́n mi é uma palavra que só eu posso usar quando estou indicando que o irmão é meu. Não posso falar que Pedrinho é seu ẹ̀gbọ́n mi! Fica uma frase errada, ẹ̀gbọ́n mi = meu irmão mais velho/ minha irmã mais velha!
Há também o irmão mais novo ou irmã mais nova, cuja palavra é àbúrò e segue a mesma lógica a colocação do pronome possessivo. Àbúrò mi = meu irmão mais novo ou minha irmão mais nova!
Para indicar que alguém é “nosso irmão mais velho“, eu digo: Ẹ̀gbọ́n wa.Wa é o pronome possessivo nosso, da 1° pessoa do plural – Nós!
Ará: O irmão nem mais velho e nem mais novo!
Mas há uma situação corriqueira: chega uma pessoa ao barracão. Você sabe que ela é da religião, mas não sabe a idade de iniciação dela. O que fazer?
Os evangélicos chamam uns aos outros de irmão, são irmãos na fé. No candomblé também podemos e devemos usar o mesmo conceito, por mais que a origem no cristianismo seja diferente (Deus é pai e as pessoas filhos dele, logo irmão).
Ará é a palavra em Yorùbá que significa irmandade, parente e pode ser usada conotativamente para irmão ou irmã sem especificar idade, logo ideal para casos em que não se sabe se alguém é mais novo ou mair velho que você, mas que você sabe ser um irmão na fé!
“Mi” entra novamente como pronome possessivo que sempre, disse sempre, deve ser usado após o objeto possuído. Então, diante de uma pessoa que desconhece-se a idade: Ará mi = meu irmão ou minha irmã!
Conclusão
Bom, chegamos ao fim dessa postagem com vídeo e texto, espero que tenha gostado!
Chegamos a conclusão que o termo “ebômi” é erroneamente usado, dando-se significados que não condiz com o real sentido da palavra.
Aprendemos as formas corretas de uso e mais uma vez nota-se a importância de saber o idioma Yorùbá, que passa a ser um manancial de conhecimento também cultural e não somente linguístico.
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Aqui Olùkọ́ Vander trazendo uma postagem que na verdade é a resposta para um e-mail que recebi, recentemente, de um zelador que iniciou seu barracão – Ilê Orixá ou Ilé òrìṣà!
Basicamente, ele indagou-me como ele poderia ajudar no crescimento de seus filhos de santo, ọmọ òrìṣà. Ele não queria apenas um barracão cheio e toques, festas lotadas e luxuosas, saídas e obrigações cheias de pessoas e com muita bebida (Parece que para alguns isso seria a definição do sucesso como zelador ou zeladora, não é?).
Então, listei para ele, deixando claro que é somente uma opinião e baseada no contato que tenho com milhares de pessoas ligadas ao Candomblé e Umbanda que andam muito insatisfeitas, com seus filhos prósperos, as 7 principais lições.
As 7 lições para ser bom líder em um Candomblé se baseiam um pouco em outras postagem que já fiz…
Mas são:
Seja Íntegro;
Humildade;
Não Fale o Que Não Sabe;
Conheça Sua Religião;
Honre Suas Raízes (Quando Possível);
Seja Exemplo Dentro e Fora do Barracão;
Busque Conhecimento Sempre.
7 Lições Que Todo Bàbá/ Ìyálórìṣà Deveria Passar Para o Ìyáwó
1 – Seja Íntegro
Integridade, segundo o site Wikipedia: “Integridade vem do latim integritate, significa a qualidade de alguém ou algo a ser íntegre, de conduta reta, pessoa de honra, ética, educada, brioso, pundonoroso , cuja natureza de ação nos dá uma imagem de inocência, pureza ou castidade, o que é íntegro, é justo e perfeito, é puro de alma e de espírito.”
Um zelador íntegro seria aquele que o nome não está na praça (injustamente, claro); que age de maneira justa com seus iniciados e futuros iniciados, clientes. Não ataca a casa ou o nome alheio.
Um Pai de Santo ou Mãe de Santo que realmente tenha filhos e não somente números. Que faça o básico dentro da religião: iniciar pessoas que desejam ou que devam ser iniciadas ao òrìṣà, ser honesto nas respostas dos búzios não criando situações para tirar ẹbọ caros, consequentemente cobrar mais e não inventar fundamentos e coisas no orí dos outros.
Não agir com interesses escusos, tramando coisas para tirar filhos de santo de outros barracões; não ficar com fofocas principalmente se for de outros líderes de outro barracões. Muito comum ver o zelador difamando outros líderes das outras casas, até mesmo menosprezando as práticas de lá.
Ser justo e não passar a mão na cabeça de uns enquanto outros aprontam e nada é feito ou falado. Assim como evitar tratar melhor quem tem mais dinheiro em relação a quem tem menos, motivo que tira muita gente de barracões – Leia aqui sobre >>> Filhos de Santos Sem Barracão.
Integridade deve ser a máxima até mesmo na vida profana, comum e não somente quando se veste a farda religiosa para a batalha espiritual.
2 – Humildade
Estar na posição que se está – Pai de Santo ou Mãe de Santo – não é um prêmio que te faça melhor que ninguém.
Não há pedestal enquanto se está na lida diária, louvando os òrìṣà, ajudando os filhos de santo, os clientes, enxugando as lágrimas daqueles que lhe confiaram o orí, lhe confiaram problemas por vezes sérios.
A humildade está presente em grandes nomes do Candomblé, tanto os vivos quantos o que já se foram e, o que você verá, será uma pessoa simples que apenas é endeusada pelos que estão ao redor, pois eles mesmos se sentem pessoas comuns.
Pai de Santo ou Mãe de Santo deve sempre lembrar que quando vira, incorpora em seus orixás, fica de pés nos chão, em contato com a terra. Não há salto, tamanco, plataforma…. pedestal: os pés estão no chão.
Então, por mais tempo que se tenha dentro da religião, demostre a humildade de quem sempre tem a aprender, a conhecer. Sempre há alguém acima. Se não for na terra, é lá no ọ̀run. Reflita e passe isso para seus iniciados, pois eles terão suas casas também.
Humildade não é ser menos, infelizmente muitos trazem essa imagem na cabeça. Mas só os humildes são os fortes e poderosos.
3 – Não Fale o Que Não sabe
Sempre haverá quem saiba mais que você em algum assunto, compreenda isso.
Não é vergonha não deter todo o conhecimento do mundo dos Orixás. Por mais que jogue búzios há anos, sempre tem os Bàbáláwo, conhecedores dos segredos dos oráculos. Sempre há alguém com uma visão melhor, base melhor.
Por mais que você ache que saiba tudo de ervas, cuidado, há conhecedores maiores ainda na Nigéria e até no Brasil. Muitos desses conhecedores não levantam bandeiras de maiorais… são humildes!
Mantenha isso em mente e sempre explique isso a seu filhos, é importante que também eles não endeusem sua imagem.
Eu dou aulas de Yorùbá e por vezes os alunos do Curso de Fundamentos do Idioma Yorùbáme fazem perguntas de coisas que não sei, mas vou em busca para poder responder. Há doutores no idioma, mestres que têm o idioma de berço. Não posso me colocar como melhor nessa área, por mais que esteja desde 2008 dando aulas e desde 2003 estudando.
Há uma prática errada nos Candomblés hoje em dia: os líderes não querendo perder poder, inventam, alteram e espalham coisas que não são verdades. Vejo isso em lendas de orixás (ìtàn), cantigas (orin), fundamentos (orò) e por aí vai. Tudo pelo medo de dizer: – Não sei isso!
Tudo para não ficarem com a cara de quem não sabe de algo: Não Fale o Que Não Sabe.
Se não sabe, deixe claro para seu filho de santo que irá buscar saber a respeito ou até mesmo indique quem saiba, não tenha medo de perder um filho só por causa disso. Ele pode, justamente por esta atitude, lhe admirar ainda mais.
4 – Conheça Sua Religião
Dentro do Candomblé e também da Umbanda é comum se ver explicações bizarras para coisas que com simples pesquisa se responde. Hoje temos a internet, antes tínhamos/temos os livros e antes os mais velhos, mas nunca esqueça o senso crítico.
Um coisa que vejo hoje são as pessoas da religião, não todas, tendo aversão às explicações muito técnicas e longas. Preferem explicações curtas e romantizadas. E isso é ruim quando se tem uma cultura tão forte, com tantas nuances, fases e personagens como a cultura negra aqui no Brasil. Sem contar a história lá na África, com suas batalhas, revoltas, golpes, reinos em queda e tudo o mais.
Tudo elas acham que uma conversa na saída de um Candomblé (geralmente sob efeito do álcool)se explica, ou um comentário no Facebook com as famosas enquetes.
Nem tudo se explica com religião, com òrìṣà, com lendas e etc. Há fatos históricos, há questões que estudando se entende. E se isso fosse aplicado, no mínimo estudado, entenderiam porque tantos homens usam por exemplo: pano de cabeça e ààjà (Adjá quando aportuguesado).
Entenderiam como um Bàbáláwo influenciou o jogo de búzios que temos hoje no Candomblé e isso geraria ainda mais discussões, quebrando por exemplo a questão: Ògá ou èkéjì podem jogar búzios?
Então, busque, pesquise sobre o candomblé. Quem foram as três senhoras que mudaram o rumo do Candomblé (Não, não tem nada a haver com as bruxas… pense em questões históricas, fatos históricos). Deixem um pouco o folclore de lado e busquem literaturas históricas.
Um pai/ mãe de santo tem que buscar ser um manancial de informações de sua religião e hoje, com internet e sebos, você pode aprender muito e passar o conhecimento adiante.
Informação está lá, só buscar. Conheça sua religião… faça esse favor a você mesmo(a)!
5 – Honre Suas Raízes Quando Possível.
Qual a sua linhagem religiosa? Quem é seu avô de santo e a história dele? Qual seu axé/ àṣẹ e o que nele não é bem visto? Quais os fundamentos do seu àṣẹ?
Candomblé não tem nomes como pai, mãe, filho e etc à toa. É uma família e apesar de hoje em dia isso não ter muito valor, perdermos valores morais até mesmo nas famílias sanguíneas, busque saber mais da sua espiritual.
Tente não fazer coisas que dentro de seu àṣẹ não seja permitido. Isso se chama respeitar o àṣẹ, a história dele e sua energia espiritual. Conheça e tente manter contato com as pessoas de seu àṣẹ, não só o barracão.
Um iniciativa interessante seria um grupo no Facebook com todos não só do barracão, mas do àṣẹ inteiro. Unindo barracões, zeladores e zeladoras que sejam todos do mesmo seguimento.
Por que “Quando Possível”?
Eu sei que hoje em dia, talvez antigamente também, as pessoas não se fixam em casas de santo, rodam de mão em mão. Mas quando sair de uma casa ou de um àṣẹ, não chegue no outro falando cobras e lagartos. Até porque, se você faz isso com o que saiu, quem garante que não irá fazer com o atual quando sair?
Todos são falhos, então se tiver alguma insatisfação, tente manter para sí e mostre a parte boa (deve ter tido, por favor).
6 – Seja Exemplo Dentro e Fora do Barracão
O que adianta você ser um exemplo de zelador dentro do barracão; tratar todos com educação e zelo, mas na rua humilhar um mendigo? No trânsito xingar a todos e se achar o dono da rua? Viver devendo e podendo pagar, mas evitando o fazer.
Eu sei, aqui algumas pessoas já deve estar assim: – Nossa, Olùkọ́ Vander achar que ser pai/ mãe de santo é ser um anjo de candura, não é?
Não, estou apenas dizendo que a pessoa deve ser sim um exemplo para a sociedade e para quem lhe confiou a vida espiritual. O cargo, posto, função sobe à cabeça e a pessoa acha que além de mandar dentro do barracão, também manda nos da rua, se acha superior aos da rua. Faça uma pequena pesquisa de como deve ser a conduta dos devotos de òrìṣà na Nigéria e depois me diga!
Você diria para seu filho de santo não trair a esposa, mas manteria um caso extraconjugal? Isso se chama incongruência. Exigir respeito dos iniciados, mas na rua desrespeitar os demais. Incongruência!
Vejo muitos adolescente que pegam todos os trejeitos, falas e características de seus pais de santo. Bom isso, mas e quando ele traz as características erradas: agressões ao filhos recolhidos, humilhações em público, mentiras e etc? O filho, aqui o adulto mesmo, não precisa ser criança, acaba seguindo as atitudes do zelador e não as palavras.
Lembrando que há ìyáwó que realmente cultua mais seus zeladores do que o seu próprio òrìṣà. Leia mais sobre isso na postagem que fiz recentemente – A Fé Dentro do Candomblé: Quem você Cultua?
7 – Busque Conhecimento Sempre
Citei duas dicas que envolvem conhecimento, estudo – Não Fale o Que NãoSabe e Conheça Sua Religião – e aqui eu gostaria de sintetizar melhor isso.
Que o Candomblé é uma religião de prática, de mão na massa, disso sabemos. Não é uma religião teórica. Porém, isso não quer dizer que não tenha conhecimentos teóricos para se obter e que sim, ele pode ser de muita valia para o pai de santo ou mãe de santo.
Há um preconceito vigente na religião, o de que o que se aprende em cursos e apostilas é algo sem valor. Só é certo o que se aprende de um zelador. Nada mais equivocado!!!
Caso por exemplo: como o Candomblé surge no Brasil? Caso seu zelador não saiba, você não pode pegar um livro para estudar???
É simples para qualquer um falar que foi através do tráfico negreiro ocorrido no período colonial e que assim eles mantiveram suas práticas e cultura aqui como forma de resistência e também sobrevivência.
Mas complica se a pessoa perguntar sobre o porque de haver diferentes nações e por que se chamam nações de Candomblé?
Se perguntarem sobre o sincretismo religioso? Sei, vão responder sobre disfarçar imagens pois eram proibidos de praticar a própria religião. Será que é só isso? Busque aprender mais!
Dentro do Candomblé não se canta em Português, mas sim nas línguas nativas da região de onde veio aquele culto. As pessoas cantam, respondem e dançam, mas você sabe o real significado? De cada 100, apenas uns 6 diriam que sim e olhe lá.
Não conhecer o idioma em que se canta para mim sempre foi o que mais não entrou na cabeça. Não tem a ver com religião, com tempo de santo, com obrigações tomadas ou não… tem a ver com querer saber o que é aquilo. Conhecimento cultural!
Nomes de Ìyáwó são em Yorùbá, nome dos barracões em Yorùbá, os utensílios em sua maioria Yorùbá, os cargos e postos também estão em Yorùbá. Rezas, cantigas, saudações, os nomes dos Orixás em Yorùbá e você… Sabe Yorùbá?? Claro que há outros idiomas, mas minha área é o Yorùbá. A sua qual é? Ewe Fòn, Bantu?? Busque! Estude!
E não, não digo saber os termos que é dito dentro de barracão que carregam vícios medonhos. Muitos acham que conhecendo as gírias de barracão as fazem conhecedoras do idioma… ledo engado!!
Como bom pai de santo, você deveria ser um conhecedor intermediário/ avançado do idioma. Saber no mínimo como pronunciar algo ao ler! Conseguir passar para seu filho um pouquinho daquilo que ele pode até mesmo usar quando for defender a religião.
Recentemente fiz uma postagem fazendo uma pergunta sobre o idioma, coisa simples. Uma menina marcou seu zelador e perguntou a respeito. Sua resposta foi drasticamente errada e para piorar, justificou dizendo que o que ele disse foi aprendido com seus mais velhos e assim por diante.
Bom, essas dicas acima dei para meu amigo e ele ficou muito feliz. Delas nasceu essa postagem que inclusive foi uma ideia dele e não estou tentando aparecer como alguém superior, mas quem olha de fora com o senso mais crítico e que converso com muitas pessoas insatisfeitas com a religião que andam destruindo com o ego!!
Por aqui fico… Ó dàbọ̀!!!
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Báwo ni o??? (Como vai?) Chegamos em nossa primeira postagem de 2019. Esse assunto já tinha vontade de tratar há um tempo, mas parece que ele quis vir neste ano mesmo.
Não há dúvida que o Candomblé é originalmente um cultos aos àwọn òrìṣà, aos deuses Yorubanos e outros mais. Esse culto que nasce da resistência de escravos, lhes dando força para suportar o momento tenebroso da escravidão, é sem dúvida dado por uma forte característica de louvar a natureza sagrada e seu elementos, todos com sua devida representação em uma figura personificada: o òrìṣà.
Cada pessoa, devido à semelhança energética, possui um que o protege, que o guia, sem necessariamente ser obrigado a se iniciar ao culto. Sim, há pessoas que não têm a necessidade de raspar o santo, apesar de muitos bàbálórìsà e ìyálórìsà caçarem cabeças desesperadamente, impondo uma iniciação à pessoa.
Candomblé um Culto ao Pai/ Mãe de Santo?
Hoje, com um pouco de pesquisa, você encontra o Candomblé polarizado: de um lado estão as pessoas que abandonaram a religião devido às decepções e amarguras; algumas pessoas abandonaram também o próprio òrìṣà, descrentes de que esses possam lhes ajudar em algo.
Há uma postagem que falo sobre os Ìyáwó Sem Barracão – Um movimento de pessoas que não estão e nem querem se ligar à casa alguma. Clique Aqui e leia sobre.
Do outro lado, temos aqueles seguidores cegos de zeladores que geralmente se auto-intitulam conhecedores de todas as verdades do Candomblé. Fazem longas postagens nas redes sociais explicando aspectos espirituais e claro, alfinetando os que pensam o contrário, pois somente eles conhecem “A Verdade” sobre a religião.
E o pior, seus seguidores são verdadeiros marketeiros dos pais de santo, enchem o barracão de amigos convidados, que logo se tornam filhos de santos e mais tarde… seguidores marketeiros.
Mas pera ai? Há algo de ruim nisso? Não seria bom um filho falar bem de seu zelador e convidar pessoas?
Não há mal algum, desde que, explique-se a esta pessoa que a casa de santo, o ilé-àṣẹ é um local de culto aos òrìṣà e eles são os donos daquele lugar. É difícil aceitar, mas o zelador ou zeladoras como o nome diz, apenas zelam pelo templo e encaminham os iniciados… encaminham, não são eles, o pai ou mãe de santo o caminho em si. O Caminho é o òrìṣà, a devoção ao òrìṣà.
Candomblé, um culto ao òrìṣà e a espiritualidade!!!
Longe de mim vir aqui definir o Candomblé, pois o que mais vejo hoje são detentores da verdade e seus rápidos dedos nas redes sociais tentando desmoralizar qualquer tipo de informação que não sejam as que eles acreditam ou propagam.
Porém, de certo podemos falar que o Candomblé é o culto aos òrìṣà. E quem são os òrìṣà? Novamente, longe de mim definir òrìṣà, há livros e mais estudos para isso.
Òrìṣà são os deuses yorubanos. Foram guerreiros, reis, rainhas, amazonas e grandes líderes que realizaram atos de bravura quando em terra, mesmo em tempos muito distantes; logo após sua desencarnação passaram a ser cultuados e possuem representação com algum elemento da natureza ou local específico da natureza.
No Candomblé, como havia dito acima, cada òrìṣà se responsabiliza por uma pessoa e então essa pessoa passa a ser de determinado “santo”. Ele pede ou não a iniciação, apesar de hoje a totalidade das casas exigirem iniciação.
A eles que as pessoas devem seu culto, sua fé, sua crença, dua devoção Ao surgir de problemas, e todos teremos problemas na vida, muitas pessoas esquecem, acredite, de seu próprio òrìṣà e muitas vezes pedem ajuda mentalmente ao òrìṣà do pai/ mãe de santo.
Sim, o zelador/zeladora deveriam ser os grandes amigos de seus filhos na hora dos problemas, mas sabemos que isso há bastante não mais ocorre, devido aos filhos terem virado clientes e logo, nada se resolve se não gastar. Mesmo o filho tendo a ferramenta poderosa de por a cabeça no chão, pedir ao seu òrìṣà sabedoria e lucidez para resolver a questão, ainda assim, muitos preferem o culto ao pai ou mãe de santo!!!!
Conclusão:
O seu bàbálórìṣà/ ìyálórìṣà é uma pessoa importante em sua caminhada dentro do Candomblé, ele que no início lhe mostrou o caminho, jogou, rezou, fez os rituais necessários que não são poucos e enfim, seu òrìṣà nasceu. Muito se deve ao pai ou mãe de santo.
Mas não mude a ordem e nem a natureza da religião, pois ao seu òrìṣà que você deve sempre por a cabeça no chão e pedir, clamar, suplicar por ajuda. Quando em terra ele pode ser novo, mas espiritualmente ele pode muito.
Aprenda a manter um diálogo com seu òrìṣà, torne-se íntimo dele e não um estranho que ocupa seu corpo às vezes. Lembre-se, seu zelador ou zeladora é uma pessoa importante, mas não é a ela que você deve culto.
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No mundo atual, nós estamos acostumados com o calendário de 7 dias na semana e 12 meses no ano, conhecido como calendário Gregoriano. Esse calendário foi quase que imposto pela igreja Católica, é o calendário promulgado pelo Papa Gregório XIII em 1582 e adotado imediatamente por Espanha, Itália, Portugal, Polônia e, posteriormente, por todos os países ocidentais e consequentemente suas colônias.
Mas, sabemos que há outros modos de se contar o tempo e esse caso se aplica também ao povo Yorùbá e seu Kójódá. Geralmente ao perguntar para um nigeriano os dias da semana, ele irá responder assim: Aiku, Aje, Isegun, Ojoru, Ojobo, Eti e Abameta. Esses dias da semana inclusive são ensinado nos Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá – Curso com mais de 15 módulos com videoaulas e apostilas em PDF. Ao final tem certificado de conclusão.
Mas há uma outra forma!
O ano do calendário iorubá (Kójódá) vai de 3 de junho a 2 de junho do ano seguinte. De acordo com este calendário, o ano Gregoriano de 2018 é o ano 10061 da cultura Yorùbá. A semana tradicional de iorubá tem quatro dias e não os sete mencionados acima que são adaptações do nosso.
Os quatro dias dedicados aos Òrìsà são os seguintes:
Ojo Ògún;
Ojo Jakuta;
Ojo Ose;
Ojo Awo.
O Significado das Semanas
Veremos agora o significado de cada dia e a quem, qual é o òrìsà é dedicado. Lembrando que não é um significado fixo, pois em cada cidade o significado muda e isso nos remonta ao que sempre digo: não há donos da verdade, há verdades diferentes para cada pessoa.
Ojo Ògún
Os Yorùbá contam esses quatro dias da semana a partir de Ojo Ògún (Dia de Ogum, o deus do ferro). Ojo Ògún é o primeiro dia da tradicional semana Yorùbá e é o dia em que o Ològún ou os adoradores e devotos de Ògún adoram esta divindade em particular.
Em Ojo Ògún, os Ològúns adoram e comemoram com vários alimentos considerados os favoritos de Ogum. Estes incluem ekuru (um tipo de pudim de feijão cozido no vapor), ewa (feijão) e iyan (inhame picado). No entanto, o item mais importante do sacrifício em Ojo Ògún é o cão – Ajá. Já que Ògún gosta de dieta balanceada, parece que Ojo Ògún será meu dia favorito da semana.
A propósito, em algumas outras partes das terras Yorùbá, também é chamado Ojo Osoosi, em homenagem a outro deus, Osoosi, que é considerado como o irmão de Ogum e Sango.
Esse dia também pode ser dedicado aos òrìsà: Sopanna, Iyaami, and the Egungun.
Ojo Jakuta
Depois de Ojo Ogun vem o segundo dia da semana. Ojo Jakuta também é chamado Ojo Sàngó. Sàngó é o deus yorùbá do trovão, raio e (eletricidade). O dia em algumas partes das terras Yorùbá é chamado Ojo Oya. Neste dia dedicado a Sàngó, seus adoradores saem vestindo roupas vermelhas e brancas brilhantes como essas são as cores favoritas de Sàngó e fazem o culto apresentando itens comestíveis como amala com sopa gbegiri, obí amargo e guguru. (Tudo isso em terras nigerianas e nenhuma relação com o Candomblé no Brasil).
Para Sàngó, o animal sacrificial mais importante é o carneiro. Jakuta significa “alguém que lutou com pedras”.
Ojo Ose
Este é o terceiro dia e é reservado para a adoração de Òrìsà Nlá (A Grande Deidade). O alimento favorito usado para este dia é o ake, mas os caracóis também são usados para os sacrifícios. É um dia de grande respeito e que cada ato é bem planejado, respeitando principalmente o uso do branco e evita-se consumo de azeite de dendê e outras coisas que são èwo!
Neste dia especial, todos os adoradores de Òrìsà Nlá usam roupas brancas e limpam todas as suas casas e arredores. Este mesmo dia pode ser dedicado à adoração de Obatala, Sonponna (deus da varíola), Iyaami (as Mães ou Grandes Bruxas) e os Egungun (Máscaras).
Ojo Awo
Ojo Awo (Dia da Divindade) é o dia reservado para Ifá (Oráculo) e, assim como Òrìsà Nlá, Ifá também prefere iguarias feitas com a carne. Este mesmo dia também pode ser dedicado para a adoração de Èsù, Òsun e Orunmila.
Para se reconciliar com o calendário gregoriano, os yorùbá também medem o tempo em sete dias por semana e quatro semanas por mês. O calendário de quatro dias foi dedicado aos Òrìsà e o calendário de sete dias é para fazer negócios.
Mas os sete dias também possuem significado para cada Òrìsà ou para determinadas atividades, vejamos:
Domingo – ọjọ́ Àìkú/ọjọ́-ọ̀sẹ̀/àko-ọjọ́:
Dia da imortalidade – primeiro dia da semana.
Segunda-feira – ọjọ́ Ajé:
Dia do lucros, juros, ganhos. Dia em que Ajé veio a Terra.
Acima podemos ver os meses em Yorùbá e abaixo deixo a disposição um calendário Yorùbá – Kójódá antigo, do ano de 2017, mas você pode notar como são divididos os dias e meses e as semanas! Isso ajuda muito quem joga e precisa fazer as oferendas nos momentos certos, principalmente quem é do culto a Ifá ou Culto Tradicional Yorùbá.
Finalizamos
E então espero que tenha gostado de aprender como são os dias da semana e os meses do ano em Yorùbá, assim como ter conhecido o calendário Yorùbá de quatro dias.
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Atenção: este é um texto informativo e com o intuito de levantar questionamentos. Não somos os donos da verdade e tudo aqui escrito não é a última opinião, a opinião máxima sobre o assunto. Não buscamos também aprofundamento no assunto, por tanto, para alguns o texto pode ser supérfluo. Muitos pontos, questionamentos e comparações podem também não ser do seu agrado, felizmente vivemos em um país com pluralidade de ideias e pensamentos. Respeitamos o seu, respeite o nosso!
O òrìsà Èsù é sem sombra de dúvidas o òrìsà mais conhecido no Candomblé. Repleto de lendas a seu respeito, algumas criadas por quem nem queria vê-lo da melhor forma, este deus nigeriano traz consigo muitas contradições, famas ruins e outras boas. Mas será que Èsù é um òrìsà bem compreendido?
Há muitos escritos a seu respeito e essa postagem de longe tenta ser um compêndio sobre este lindo Òrìsà. Então por favor críticos que acham minhas postagens supérfluas, essa é uma postagem básica trazendo alguns esclarecimentos e não uma pesquisa acadêmica de teologia nigeriana.
No meio de todas essas lendas, Èsù ganha algumas famas que não lhe pertencem e algumas até mesmo ocorrem por simples erros na tradução de idioma Yorùbá, um mal que ainda está grudado em muitos candomblecistas. Esta carga que este òrìsà possui, por exemplo, como sendo um òrìsà ruim, que maltrata e pune, costuma se deturpada e até mesmo usada deliberadamente por quem vê vantagem nisso!
5 Mentiras Sobre Èsù
1 – Èsù representa o Diabo, pois Òsálá representa Jesus!
O sincretismo, algo que muitos religiosos hoje estão lutando contra, acabou criando essa imagem de que cada Òrìsà tem um correspondente aos santos católicos. Cada santo foi sendo associado a um òrìsà, mas quando chegaram em Èsù…
Por causa das lendas populares e outras até que realmente existem no corpo de poemas de Ifá; por causa de seu temperamento e peripécias, esse Òrìsà acabou sendo associado ao Diabo. Piorando a situação, nas giras de Exú (note como mudei a escrita), o nome do òrìsà passou a ser associado ao chamado povo de rua e suas cantigas sempre exaltando o diabo, satanás e demais demônios cristãos.
O próprio candomblecista costuma colocar a cargo de èsù tudo que costuma ser de ruim, como as queimações e aterrorizar alguém. Isso é desconhecer o quanto este òrìsà possui de bondade e humanidade.
As insígnias usadas aqui no Brasil também o colocam com certa relação com o Diabo, por mais que o tridente não seja exatamente um símbolo do mal e sim de poder!
Verdade: Èsù não é Diabo. Diabo, Satanás e outros demônios são pertencente a outra cultura. Na cultura nigeriana e no Candomblé não há a figura de um Òrìsà do mal, pois na verdade os òrìsà ajudam os humanos em terra. (Simplificando)
2 – Èsù Inimigo dos Òrìsà
Um trecho de um antigo Oríkì diz que Èsù Oota Òrìsà. No afã de traduzir a palavra, muitos logo acharam: “Èsù inimigo dos òrìsà” e logo, também, associaram inúmeras lendas para ratificar tal frase.
Ledo engano meu caros. Apesar de èsù aprontar muito, a tradução foi longe no significado. Vejamos:
Ota = pedra sagrada dos Òrìsà
Òtá = Inimigo, adversário, antagonista
Olópàá = policia.
Bom, aqui sei que irá começar um murmúrio, um certo “chororo” por parte de alguns. Compreendo e respeito. Não estou sendo aqui o dono da verdade, apenas alguém que busca e pesquisa e compartilha.
Há uma corrente que diz que a palavra foi corrompida (não moralmente gente, com o passar dos anos ela mudou) e a tradução correta seria Èsù olópàá Òrìsà – èsù polícia dos òrìsà, no sentido de ser aquele que vigia os atos, está sempre acompanhando tudo que acontece.
Não é a toa que todos temos o nosso èsù e que ele acompanha tudo que é feito em um barracão, de feitura a obrigações. Que cada òrìsà possui seu èsù correspondente e assim por diante. Temos èsù como aquele que nunca dorme e está sempre vigiando, policiando as coisas…. e tentando também, procurando ver se a pessoa incorrerá em erro.
Outra vertente refuta èsù como sendo inimigo dos Òrìsà, não haveria cabimento em tal afirmação e que ao certo o termo seria pedra sagrada. Afirmação se baseia que èsù nasce de uma rocha, a laterita.
Verdade: aqui há vertente e vertentes, mas não vejo èsù como inimigo de òrìsà… sendo ele mesmo um!
3 – Errado iniciar alguém a Èsù. Não se raspa pessoas de Èsù!
Ainda hoje essa uma questão que gera debates e até mesmo brigas. Há inclusive zeladores e zeladoras que se quer vestem uma pessoa, visitante mesmo, que vire neste lindo òrìsà.
Há muito que se diz não se possível a iniciação a este òrìsà. Uns dizem que por èsù carregar uma navalha sobre o seu orí isso impossibilita a raspagem (Ok, confesso que é um argumento fraco). Outros dizem que não há folhas para a iniciação a teste òrìsà (E será que todos os outros são iniciados com suas verdadeiras folhas?) e por fim, há os que dizem ser impossível “doutrinar essa energia”. Essa última posição diz que a iniciação a este òrìsà, feita da maneira incorreta, pode derrubar um zelador e levar à ruína um terreiro.
Não estou querendo aqui esgotar os argumentos que costumam defender por ai, apenas mostrar como alguns pensam.
Acontece que é patente que muitos zeladores e zeladoras não sabem proceder ao ato iniciatórios desse òrìsà e isso, somado ao ego, acaba fazendo com que seja mais fácil dizer que não é correto ou que não se inicia ninguém a este poderoso òrìsà. Mesmo havendo nomes vultuosos iniciados a ele.
Bom, há muitos iniciados a este òrìsà, felizes e sorridentes e prósperos e etc. Como todos os outros òrìsà, este também possui suas peculiaridades que quem não sabe e tendo em suas mãos um futuro filho dele, deve buscar com os mais velhos. Conhecimento este que impede de raspar PombaGira com direito a gargalha e tudo… sim, isso acontece!
Há em terras africanas a figura do Olupona, sumo sacerdote deste Òrìsà e lá há iniciações a Èsù. Há uma entrevista com um deles – Leia Clicando Aqui!
No Brasil tivemos a figura de um grande zelador: Djalma de Èsù Laalu!
Outro costume corriqueiro e que confesso não concordar é o famoso: dar a cabeça para Ògún e alimentar Èsù (Não entrarei no mérito da questão!).
Verdade: Sim, é possível iniciar uma pessoa a Èsù, basta buscar o conhecimento necessário para tal. E há diversas pessoas iniciadas e felizes.
4 – Iniciados a Èsù ou quem a ele deveria ser iniciado são mentirosos, briguentos, preguiçosos e um monte de coisa ruim!
Uma coisa que não concordo e nunca concordei dentro do Candomblé são os famosos arquétipos de filhos de òrìsà. Não acredito que toda a bagagem cultural e intelectual de uma pessoa seja resumida em 12 tipos de arquétipos, ou um pouco mais, e quando se fala de Èsù… assim como alguns falam dos filhos de Oyá, parece que a coisa é bem feia.
“Filhos de èsù atraem confusão”, ” filhos de èsù arrumam briga por qualquer coisa” e ainda pioram, “filhos de èsù costumam ter morte feia!”
Pensamentos como estes mostram que a pessoa tem um parco conhecimento de mitologia Yorùbá e ainda por cima, baseiam seus conhecimentos religiosos em informações sem fundamentos e baseados muitas vezes em revistas sobre Candomblé, alguns sites também propagam este tipo de conteúdo.
Uma série de fatores forma a personalidade de uma pessoa, não seria esta baseada em ser iniciado a um òrìsà ou a outro. Claro que a presença de determinadas energias atraem situações, por isso mesmo não podemos pensar que tudo se baseia nos òrìsà, quando há por exemplo: odù e seus caminhos!
Verdade: Não acredite em esterótipos ou arquétipos de Òrìsà, há muitas outras energias na vida de uma pessoa que podem influenciar. Traços de personalidades são adquiridos em vivência, genética e educação!!
5 – Quem é de Èsù e o próprio Èsù não possui ewò, quizila.
Eis uma coisa comum de se ouvir nas rodas de candomblé as pessoas debatendo. Dizem que èsù é a boca que tudo come, logo não teria ewò com nenhum elemento. Ewò ou quizila, é uma proibição de ter algo, tocar em algo ou consumir algo. Basicamente é uma proibição, um tabu.
Outro pensamento é que os filhos desse òrìsà, subtendendo que já pacificamos este assunto de iniciação, também não teriam nenhum tipo de problemas com ewò de nenhum tipo.
O primeiro erro nestas afirmações se encontra em pouca pesquisa, desconhecimento dos òrìsà. Este òrìsà realmente aceita diversos tipos de oferendas, mas cuidado, pois o adin, óleo do caroço de dendê, é seu verdadeiro inferno. Inclusive há magias que atiçam èsù como este óleo e depois apaziguam com mel ou azeite de dendê (Não entrarei no mérito, mas conhecedores de magia de Ifá sabem do que se trata).
O adin é muito conhecido, mas há quem diga que assobio, limão e até chuva são quizilas deste òrìsà. O principal mesmo é o adin! Ele é um óleo originário do caroço do dendê, não confundir com o azeite de dendê.
Quanto aos filhos? Bem, um mero e também comum erro de confundir iniciado com o òrìsà. As quizilas, aversões, interditos são pessoais e tem a ver com a energia que você porta.
Nenhuma pessoa é como outra, cada qual tem seu odù, cada qual tem seu caminho e suas lições a serem aprendidas. As quizilas são energias incompatíveis com a energias da pessoa em si; são energias que acabam minando as energias boas da pessoa e sujando sua espiritualidade, atrasando o que de bom poderia vir!
Verdade: Èsù possui seu ewó, que é o adin e outras casas associam outros elementos. Os iniciados têm suas quizilas pessoais e também devem respeitar a principal do òrìsà.
Conclusão:
espero que você meu caro leitor tenha chegado até esta conclusão, pois sei que é um assunto espinhoso e que mexe com diversas áreas da vida religiosa de quem lê. Primeiro devemos saber que neste texto não se encerra tudo e nem foi exposto tudo sobre o assunto. Caso ache uma postagem supérflua, sinto não ter atendido o intento de lhe informar coisas novas. Mas caso tenha gostado agradeço!
A principal conclusão é que devemos pesquisar bastante quando o assunto é candomblé. Não aceite nada como pronto, cuidado com o que leva a diante, com o que tem como verdade absoluta. Lembre como as bruxas foram queimadas na Inquisição Espanhola, Inglesa e Francesa.
Minhas postagem nunca são o fim, mas a forma de levantar debate. Muita coisa aqui se quer falei pois sei escandalizaria os leitores mais… ortodoxo. Mas caso queira expressar sua opinião, com respeito é claro, use o espaço abaixo.
Mo dúpé àti o dábò!!
Olùkó Vander
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O Candomblé é uma religião brasileira com raízes africanas, disso todos sabem, apesar de alguns afirmarem ser uma religião puramente africana. Ele nasce durante o vergonhoso período de escravidão onde os escravos eram comprados na Costa da Mina, sendo vítimas principalmente nativos de Benim e Daomé (século XIX – 1815), mas também Yorùbá, Jèjè, Minas, Haussás, Tapas e Bornus.
O Candomblé nasce como uma forma de resistência, uma maneira de manter viva, aqui no Brasil, a memória ancestral tão forte daquele povo que foi arrancado de sua terra às duras penas. Claro que essa não é uma definição que finaliza o assunto por aqui, apenas uma introdução!
O Candomblé: Uma Comunidade
Aqui no Brasil, quando se fala em Candomblé, logo vem à mente a figura de uma comunidade unida em torno de uma figura de liderança conhecida como Bàbálórìṣà ou Ìyálórìṣà, também conhecidos como Pai de Santo ou Mãe de Santo. Há também a expressão zelador ou zeladora de santo.
Essa é a figura principal de um ilé òrìṣà (casa de santo ou barracão), abaixo somente dos próprios àwon òrìṣà. Logo em seguida, há os seus auxiliares, como pai pequeno, ọ̀gá, èkéjì e vários outros postos e cargos com funções definidas nessa grande comunidade que tem como foco cultuar os deuses africanos.
Por fim, há duas figuras menores, são os que estão começando a caminhada neste mundo: o abíyán e o ìyáwó.
O Abíyán
Figura importantíssima dentro do Candomblé, mas que por vezes é marginalizada pelos que já são “feitos” no òrìṣà, o abíyán é aquela pessoa que está iniciando no caminho, mas que ainda não teve sua iniciação formalizada e o òrìṣà manifestado ao público. Seu corpo ainda não foi sacralizado para o transe ou incorporação.
No Candomblé, há o ato de tirar o nome do òrìṣà, o dia do orúkọ, onde o abíyán deixar de o ser e solta o seu nome de iniciado para o público presente tornando-se então em ìyáwó – uma pessoa oficialmente iniciado ao òrìṣà.
Mas antes desse dia super importante, o abíyán conhece a casa, realiza algumas tarefas e enfim vai conhecendo mais da rotina da religião. Ele também é observado para que a liderança possa sentir se ele tem jeito ou não para ser um devoto. O Candomblé não é para qualquer um, muitos dizem!
O Ìyáwó – Um Casamento Com o Òrìṣà
Após iniciado, enfim a pessoa torna-se um ìyáwó e deve acostumar-se com essa posição por um bom tempo, pois você sempre será um ìyáwó aos olhos de pessoas mais velhas que vocês, os ẹ̀gbọ́n .
Ìyáwó significa esposa em alusão ao “casamento” que a pessoa tem com seu òrìṣà de cabeça. Com este òrìṣà, a pessoa irá caminhar até o dia de sua morte. Como ìyáwó, você é filho de santo de alguém, pois alguma pessoa iniciou você.
Não existe ìyáwó que se autoinicia. Impossível!! Você precisa ser iniciado através das mãos de outra pessoa mais velha que irá lhe transferir àṣẹ e assim você passa a pertencer à uma casa de santo, um ilé òrìṣà!
Mas…
Os Ìyáwó Sem Casa de Santo
Para que você pudesse compreender melhor o que ocorre hoje, tinha que mostrar como funciona, por alto, sem esmiuçar todos os termos e assuntos, uma casa de Candomblé.
Viu que um iniciado é ligado à uma casa que geralmente é a casa de quem o iniciou, mas hoje, cresce o número de pessoas que após a iniciação, seguem suas vidas sem ter nenhuma ligação mais com casas, pais ou mães de santo.
Entrevistei algumas pessoas que pediram o anonimato e em sua maioria preferiram esta vida, sem nenhuma ligação com casas, por decepções com o que ocorre dentro e também fora das casas, coisas que vão de assédio até mesmo à agressões físicas!
Renata do Rio de Janeiro disse que se encantou com o Candomblé, juntou dinheiro e logo se iniciou. Era encantada com tudo e adorava seu zelador e seu àṣẹ, até o dia em que foi agredida na frente de seus irmãos de santo, ela diz:
– Sempre amei meu orixá e o orixá patrono da casa onde fui iniciada, mas o dia em que fui jogada ao chão e chamada de lixo imprestável, vi que ali não era o meu lugar. Tomei todas as minhas obrigações em outra casa onde somente vou, pago o chão, compro os materiais e pronto, está feito. Não tenho outro vínculo ou obrigação como de ir ajudar em dia de feitura ou algum evento.
Maurício, advogado de São Paulo, disse que a casa onde frequentava mais parecia um motel e que quem fosse “algo mais do zelador” tinha muitos favores e sempre estava à frente. Quem tivesse mais dinheiro também tinha regalias e tinha um tratamento diferenciado, alguns nem sentavam no chão.
– Quando cheguei e era abiã, eu era super bem tratado e achava isso o máximo. Com o tempo percebi que os outros não eram assim tão bem tratados. Logo depois de minha saída como ìyawó, entrou uma empresária bem rica e ela então só faltava sentar na cadeira do zelador. Algumas noites percebia um entra e sai de rapazes na casa, gemidos e às vezes muitas camisinhas no lixo… às vezes no lixo da cozinha, onde são feitas as refeições do àse, as comidas dos santos e os ebós. Depois de 4 anos meu olhos se abriram e então conseguir ver onde tinha me metido. Conhecedor de direito que sou, levei todas as minhas coisas de santo, pois tinha as notas fiscais e tudo mais. Hoje falta somente minha obrigação de 7 anos que irei tomar na casa de um amigo, mas apenas isso, sem nenhuma ligação a mais com o àsé!! O orixá é belo, os humanos podres que estão acabando com a religião!
Letícia, da Bahia, disse que o sua zeladora a fez de empregada por um bom tempo e ela achava que estava servindo ao santo.
–Quando entrei vi que era normal as pessoas cozinharem, pois há ebó, comidas para o santo, comidas para a função… enfim, era normal. Com o tempo a zeladora pediu para ir até a casa dela ajudar em algumas coisas.
Faxinava, cozinhava, lavava quintal… mas acredite professor, tudo eu fazia com enorme felicidade, pois estava sempre cantarolando para o santo, treinando passos. Até que um dia a ficha caiu quando ela foi grossa comigo por eu não ter feito algo direito. Foi quando vi que eu não era mais filha de santo, mas empregada da zeladora.
Falta pagar meus 3 anos. Não sei como irei fazer, mas com certeza não fico mais em casa nenhuma. Não acredito nessa que o òrìsà irá castigar, orìsà é muito mais que isso e vê tudo isso que acontece. Cuido do meu santo do jeito que posso e tenho saúde, emprego, uma família maravilhosa, coisa que antes estava afastada por estar sempre cuidando das coisas da zeladora.
Só Pode Cultuar Òrìsà se Estiver Ligado à Uma Casa?
O receio de muitas pessoas que entrevistei, que querem sair de suas casas mas têm medo, é o famoso castigo do òrìṣà, medo esse que muitos dos entrevistados superaram. Conversei com mais pessoas e não coloquei todas as respostas aqui para não ficar uma postagem longa.
Eles aprenderam que não ficarão em falta com seu òrìṣà se mantiverem suas energias espirituais em dia. Continuam fazendo suas obrigações, e ẹbọrí, cortes para entidades de rua, mas tudo isso sem estar ligado a qualquer casa que seja. Pagam, fazem o que tem que ser feito e bola para frente!
Infelizmente, muitas pessoas não possuem maturidade para liderar uma casa, liderar pessoas, cuidar da saúde espiritual e também delas. Percebemos que não todos, mas uma parte dos zeladores e zeladoras se aproveitam da posição para inflar seus egos, desviar seus filhos de suas funções e, à base do medo, mantê-los cativos, presos ao barracão!
O Candomblé, sim, suga bastante as pessoas, as funções são corridas, com muitas coisas para se limpar, cozinhar, carregar e etc. Isso é normal, mas algumas coisas que vemos por aí são fora do normal. Por vezes um zelador ou zeladora pode agir com certa aspereza, mas não há a necessidade de agressões físicas e psicológicas.
Cresce o número de pessoas que não querem estar ligadas à uma casa pois sabem que ali o ambiente é terrivelmente viciado, onde as regras não são bem claras, onde há privilegiados e os desafortunados. Sabem que em algumas casas quem possui mais dinheiro vira queridinho do pai ou mãe de santo; outras vezes, manter um relacionamento, muitas vezes clandestino com o zelador ou zeladora, também rende benefícios…
Enfim, o Candomblé, assim também como a Umbanda precisa amadurecer mais em alguns aspectos. São as lideranças que levam essas religiões para frente. Falta hoje um pouco mais de seriedade, foco, pesquisa e estudo.
Ainda vivemos na época de que Candomblé bom é Candomblé com casa cheia, não importando a qualidade. Cuidado ao escolher uma casa para frequentar e não se deixe ser abusado de nenhuma forma, faça valer as leis vigentes e não tenha medo de denunciar.
O dábò!!
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