Tag: apostila de yoruba

  • Abẹ̀bẹ̀ não é espelho – Aula de Yorùbá

    Abẹ̀bẹ̀ não é espelho – Aula de Yorùbá

    No Candomblé, um objeto tido como sagrado pelos praticantes e muito usado pelas àwọn ìyá àgbá é o abẹ̀bẹ̀ – lê-se abébé. Dentro das liturgias brasileiras, o abẹ̀bẹ̀ é um espelho de mão, que a depender de qualidades atribuídas ao òrìṣà, pode ser usado também como arma de corte.

    Também são atribuídos, no candomblé, atos ao uso desse objeto, como por exemplo, a dança de Ọ̀ṣun, onde ela se banha e se admira perante o espelho de mão, o abẹ̀bẹ̀, como falam no Brasil.

    Na mesma pegada, criam-se lendas, àwọn ìtàn, também usando o abẹ̀bẹ̀ como espelho, como por exemplo, uma lenda que Yemọjá usa os espelhos para confundir inimigos.

    Perceba, esse uso, essa atribuição, acontece no Brasil. É comum a pessoa ao pedir um espelho para algum uso, tipo ẹbọ, ìgbá òrìṣà e etc, fazer o uso do nome abẹ̀bẹ̀, dando a entender que sejam sinônimos (Abẹ̀bẹ̀ = espelho, para as pessoas do Brasil e desconhecedoras do idioma Yorùbá.).

    Abẹ̀bẹ̀ não é espelho – Por quê?

    Primeiramente, em nenhum dicionário de idioma Yorùbá sério, você encontrará a palavra Abẹ̀bẹ̀ com o significado de espelho. “Dicionário sério?” – Sim, pois há dicionários por aí que são tendenciosos, puxam mais para a parte religiosa, com seus vícios de linguagem, do que para o idioma e cultura yorùbá em si.

    Outra, a palavra que de fato significa espelho em yorùbá é dígí – lê-se digui. E aqui entra um questionamento insano de algumas pessoas que lutam para não admitirem que falam errado:

    – Mas será que em algum aldeia perdida da Nigéria alguém fale Abẹ̀bẹ̀ como sendo espelho?

    Onde percebo um enorme esforço de manter um erro, do que admiti-lo. Não, não há aldeia perdida onde a palavra corrobore com os erros cometidos no Brasil com o idioma Yorùbá.

    O Real Significado de Abẹ̀bẹ̀

    Para entendermos o real significado da palavra abẹ̀bẹ̀, temos que olhar com mais atenção, e tirando a mente da caixinha, para os festivais anuais e outros eventos que ocorrem em terras nigerianas, como casamentos, pois ali veremos um abẹ̀bẹ̀ com seu uso original e desmistificado.

    Abẹ̀bẹ̀ significa abano de mão, ou mais comumente chamado por nós de leque. Isso mesmo, abẹ̀bẹ̀ significa leque e nunca foi um espelho.

    Seu uso se dava, ou se dá, pelo forte calor da região nigeriana. Ainda hoje, nos festivais, verá as àwọn ìyálóde se abanando com ornados àwọn abẹ̀bẹ̀. O ornamento é que faz toda diferença, pois ali se mostra a capacidade financeira da pessoa, seu status.

    Nos casamentos, seu uso é ainda mais explorado, havendo até mesmo lojas especializadas nesses objetos. Alguns usam plumagens de pavão, outros de garça, pérolas, fios de ouro, peças de marfim… A criatividade é quem determina o limite, o que precisa é estar belo e consoante com a roupa da noiva ou madrinha.

    E o uso religioso? Ọ̀ṣun não usa Abẹ̀bẹ̀?

    O litúrgico e profano andam quase de mãos dadas em terra nigerianas, na verdade, eles vivem o culto ao òrìsà 24 horas por dia. Muito diferente de nós, que muitas vezes separamos o momento religioso do momento profano e por isso há muito choque em compreender algumas coisas.

    Ọ̀ṣun é considerada uma ìyálóde, uma senhora importante numa sociedade, vemos isso em algumas cantigas, àwọn orin e por isso, encontramos o abẹ̀bẹ̀ fazendo parte de suas paramentas, como na foto abaixo:

    Este é um abẹ̀bẹ̀ que foi usado por um sacerdote de Ọ̀ṣun e é feito de latão com uma alça presa a ele. O leque possui uma pátina de bronze, decorações geométricas e também pontiagudas e no meio um pássaro, símbolo do mensageiro. Os furos nas bordas é onde ficavam presas as ornamentações, logo, não era usado para guerra, para cortar ou outras coisas que inventam!

    Abaixo, outro antigo abẹ̀bẹ̀ de Ọ̀ṣun:

    Havendo outros mais modernos, mostrando a evolução que até mesmo em terras yorubanas ocorre. O abẹ̀bẹ̀ abaixo já é feito de madeira, costuras e aplicações de búzios. Não há uso de espelho, sendo ele encontrado somente quando confeccionado no Brasil ou Cuba.

    Conclusão:

    A palavra em yorùbá que representa espelho é dígí – leia-se digui.

    Abẹ̀bẹ̀, leia-se abébé, significa abano de mão ou leque, seu uso se dá pela cultura yorùbá, não sendo objeto de corte ou espelho.

    Durante as pesquisas, não foram encontrados esse objeto com atribuição à Yemọjá, muito menos Lógun Ẹdẹ, todos os artefatos antigos são do culto à Ọ̀ṣun. E estamos falando de terras yorubanas.

    Mas um coisa é certa: abẹ̀bẹ̀, pelos motivos expostos, não significa espelho!

    Curso de Língua Yorùbá – Venha Aprender a língua do Òrìà

    Conheça nosso cursos abaixo: Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá! O que está incluso no curso:

    • Aulas em vídeos;
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    http://eko.educayoruba.com/fundamentos-do-idioma-yoruba-oluko-vander/
  • Yorùbá Para Criança – Saiba mais acerca desse projeto!

    Yorùbá Para Criança – Saiba mais acerca desse projeto!

    Mo júbà gbogbo!

    ATENÇÃO: PROJETO DESCONTINUADO!

    Demos inicio ao projeto Yorùbá fún ọmọdé , que significa Yorùbá para criança, com o intuito de fortalecer a cultura do òrìṣà e garantir uma melhor transmissão de conhecimento à nova geração.

    O projeto não tem o foco em gramática intrincada, frases longas e explicações mil; o escopo é o ensinamento de palavras de uso do dia a dia dos pequenos e pequenas. Que eles saibam pronunciar da maneira correta e saibam o verdadeiro significado.

    As postagens estarão concentradas no Instagram, onde o pai ou a mãe dos pequenos podem ouvir a palavra, repetir e pedir que eles façam o mesmo. Brevemente, traremos músicas, jogos e tudo que possam incrementar o aprendizado, mas nunca fugindo da temática cultural Yorùbá.

    Siga o perfil: @yorubafunomode

    A ideia não é inédita no mundo do ensino do idioma Yorùbá, havendo movimentos que buscam essa forma de ensino focada nas crianças, a base, o futuro de qualquer nação.

    Atualmente vemos muitos adultos recalcitrando diante do aprendizado do idioma: acham difícil, acham desnecessário, creem que aprendem dentro das liturgias, acham que o sacerdotes/ sacerdotisas irão ensina em momento oportuno. Enfim, ao final, resta a frustração de nada saber e quando o sabem, muitas vezes, está errado.

    Qual a didática?

    Por hora, nos concentraremos no vocabulário básico, ensinando-o através de vídeos curtos, onde mostraremos uma figura seguida do som; logo após a figura, o som e a palavra. Breve, iremos tratar do alfabeto e números, mas por hora, já estão pronunciando cada letra do alfabeto: A – Ajá; B – Bàbá; D – Dígí, etc.

    Muito importante, voltamos a frisar, a participação dos pais nesse processo. A eles ficará incumbida a função de, caso necessário, explicar algo a mais, porém sem sair da temática básica. Fazer associações foram do perfil, usando coisas de casa, como exemplo: apontar um cachorro em casa, na rua ou na televisão, repetindo a palavra correspondente – Ajá!

    Temos diversos desafios, exemplo: Iremos fazer a postagem da palavra “dígí” que significa espelho e íamos usar a imagem de um espelho mesmo, de mão.

    No entanto, para não haver conflito de crenças, pois esse espelho é erradamente chamado de abẹ̀bẹ̀ dentro dos Candomblé, demos preferência por usar um espelho maior, de penteadeira.

    Ainda temos que ser sensíveis quanto ao conteúdo para não ofender raça, gênero e etc. Temos que manter o foco no ensino de idioma Yorùbá para crianças e quiçá um dia poderemos levar esse projeto ao ensino presencial, dando suporte aos professores e professoras que lidam diariamente com os pequeninos e pequeninas?

    Como você pode ajudar?

    Seguindo o perfil, @yorubafunomode, curtindo e comentando as postagens (Isso aumenta a visibilidade perante o algorítimo da rede social). Indicando aos amigos que possuem filhos; incentivando os filhos a seguirem o perfil. Breve, iremos dar início ao canal no YouTube e também a fanpage.

    Por enquanto, neste projeto, será de tudo de forma gratuita, mas sabemos que breve virão as despesas, mas isso deixemos para o futuro!

    Aos que quiserem opinar, sugerir, criticar ou até mesmo elogiar: contato@educayoruba.com

    Ó dàbò gbogbo!!

    Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá

    Quer aprender mais sobre o idioma mágico do Candomblé? O idioma do
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  • A Grande Diferença Entre Ògún – Oogun e Ogún!

    A Grande Diferença Entre Ògún – Oogun e Ogún!

    Mo júbà e mais uma vez estamos aqui para aprender mais desse lindo idioma que é o idioma Yorùbá, o idioma do Candomblé e dos àwon òrìsà.

    Hoje, sem mais delongas, irei trazer uma lição simples e que mostra a importância de saber a forma correta de escrever os nomes em Yorùbá, sempre digo que isso é essencial a todos os candomblecistas. Quase inadmissível um zelador, ou até mesmo um ògá escrevendo errado justamente o idioma da religião.

    Irei pegar hoje três palavras em Yorùbá e que já vi as pessoas escrevendo como se fossem a mesma coisa e não, são palavras diferentes! E essa busca pelo detalhe é que faz um bom aluno e um bom filho de santo!!

    Pegarei a palavra Ògún, Oogun e Ogún. Normalmente as pessoas pensam se tratar da mesma coisa, pois não percebem as acentuações (Que todo aluno do Curso de Yorùbá sabe que muda a entonação também – seja um aluno, clique aqui!) e a outra pensam ser um mero floreio na palavra, pois é comum as pessoas hoje escreverem ao seu bel-prazer, pontuando onde achar mais bonito.

    Ògún

    A palavre Ògún se refere ao Òrìsà. Possui entonação baixa na primeira sílaba e na segunda possui entonação mais baixa. No curso mostrando como é quase cantado. Possui um certo ritmo.

    Essa palavra pelas minhas pesquisas é a mais difícil de ser encontrada escrita da forma certa, isso pelo fato de as pessoas não darem atenção aos acentos de entonação.

    Inclusive há uma outra confusão: é comum as pessoas falarem que Ògún também significa luta, guerra, briga e por isso esse Òrìsà é guerreiro. Mas o grande erro está justamente nas acentuações. A palavra guerra em Yorùbá é ogun, sem acento nenhum e é assim que escrevem o nome erroneamente do Òrìsà.

    Então, òrìsà é Ògún! Lembrando que uma forma muito comum, porém aportuguesada é Ogum, com M ao final. Neste caso, em se tratando de língua portuguesa está correto, mas em Yorùbá não!

    Òògùn

    Òògùn é remédio. Bem simples. Mas também pode ser veneno. Há uma frase em Yorùbá que diz que Òògùn é medicina e um bàbáláwo é um exímio conhecedor de Òògùn e para isso ele se utiliza de palavras de encanto para ativar os poderes das ervas, raízes e etc, são os ofò – leia mais sobre aqui!

    Um exemplo de Òògùn é o àgbo (Leia mais aqui), que são ervas maceradas ou cozidas e servem para beber, assim como também colocar em feridas. Temos com um exemplo bem clássico o chá de boldo/ sumo de boldo. Um belo de exemplo de òògùn.

    Note que foi uma forma de exemplo. Òògùn comporta uma séries de ervas, raízes, flores e até sangue de animais para poder curar doenças, melhorar condições de saúde e também envenenar.

    Ogún

    Já a palavra Ogún significa herança.

    Por incrível que pareça essa é a forma mais comum de escreverem o nome do òrìsà de forma errada e inclusive se acha escrito na frente de barracões e em placas, convites, camisetas.

    Lembre-se, o nome do Òrìsà é Ògún e ogún significa herança, aquilo que a pessoa recebe quando alguém morre e deixa bens.

    Como podem ver, é bem simples essa aula, mas com enorme poder de mudar bastante as coisas e passar a escrever de uma forma correta, valorizando a cultura Yorùbá que nos deu o Candomblé lindo que temos com os poderosos òrìsà!

    Percebo que dentro do candomblé se dá grande valor e atenção aos barracões, roupas dos òrìsà e dos integrantes da casa de santo, à quantidade de comida e bebidas… mas poucos dão valor para a parte cultural, para a raiz, a origem de tudo.

    Hoje cada vez mais vemos pessoas com desconhecimento de fundamentos básicos do idioma e também da cultura Yorùbá. Por mais que o candomblé seja brasileiro, sim, ele é; não podemos olvidar das origens que nos trouxe esses belos òrìsà, cantigas, orações e demais!

    Nos vemos na próxima postagem!

    Ó dàbò!

    Olùkó Vander

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  • [Grátis] Aula de Yorùbá Para Candomblé – Nomes de Casas de Orixá – #6

    [Grátis] Aula de Yorùbá Para Candomblé – Nomes de Casas de Orixá – #6

    Aprendendo Idioma Yorùbá Para o Candomblé

    Mo júbà gbogbo!

    Estamos aqui para mais esta aula de idioma Yorùbá, lembrando que o foco da Educa Yoruba é justamente aulas deste idioma mágico que é o idioma iorubá ou Yorùbá, não ensinamos religião.

    Cada dia mais tem sido maior o apoio de nossos alunos e seguidores para que continuemos nessa jornada árdua, criticada mas que rende frutos como alunos dedicados e seguidores que são praticantes assíduos do Candomblé, Ifá, Culto Tradicional Yorùbá ou Umbanda.

    Saiba que essa é a aula de número 6. Perdeu as outras? Sem problemas, clique nos links abaixo e leia as outras 5 aulas gratuitas:

    Aula 1  –  Aula 2  –  Aula 3  –  Aula 4  –  Aula 5

    Hoje falaremos sobre nomes de  barracões de santo ou ilé t’òrìṣà… Espaço sagrado dos orixás, àwọn òrìṣà. Esse local merece todo o nosso respeito e carinho. Nesse espaço o idioma predominante sabemos que é o idioma Yorùbá, porém em alguns casos há a presença de outros idiomas.

    E onde o aprendizado do idioma Yorùbá, ou um Curso de Yorùbá pode ajudar você a colocar um nome em sua casa de santo?

    Em muitas coisas e principalmente para não passar a vergonha de ter o nome como menstruação, peneira e por aí vai associado a sua casa. Há casos de nomes totalmente desconexos e que na verdade nada significavam.

    Irá entender até o término da matéria, aguarde!

    Entender o idioma de nossa religião, nem que seja o básico, o fundamental, é de suma importância para todo iniciado, ainda mais os que tanto batem no peito para dizer que tem mais de 10, 20… 30 anos de iniciado! A idade é primordial, ainda mais quando atrelada ao fator conhecimento de causa.

    Por vezes, a pessoa tem 10 anos de santo, mas com conhecimento de alguém que tem somente 1 ano. E claro, há também o caso de pessoas com 2 anos de santo e com grande conhecimento (apesar dos entraves que muitos impõem aos que buscam conhecer mais da religião, resquício antigo).

    Então, vamos dar inicio ao estudo!

    Todos estão acostumados a ver os nomes das casas de Candomblé assim: Ilê Axé…, Igba/ Ibá Axé… ou até mesmo… Ebé/Egbe Orixá…. (Nomes deixei aportuguesados mesmo). Muito antigamente, antes dessa não mais nova globalização e boom da internet, tudo isso passaria despercebido de algum erro e uns até acham bonito sair do tradicional Ilê Axé e partir para outras nomenclaturas, para de fazer mais do mesmo.

    Não obstante, isso causa uma babel de termos que muitas vezes fogem dos significados mais básicos: Casa de Energia/ Força Espiritual… Claro que não é proposital, ainda mais em tempos que o acesso ao conhecimento era muito limitado e quem o tinha trancafiava até o caixão e ia-se por terra.

    Veja a palavra Àṣẹ (Axé):

    Escrita corretamente: Àṣs. Tradução mais comumente aceita: Energia espiritual, força espiritual. Bem, não me apegarei a traduções detalhadas, pois é uma palavra que pede um livro, mas todos compreendem bem o que significa.

    Mas na falta de conhecimento básico, Àṣẹ se transforma em Àṣẹ́. Comentei em um vídeo no Youtube sobre acentuações e a mania de algumas pessoas colocarem acentos onde não há necessidade, vezes por ignorância mesmo, mas um simples acento transforma sua casa em alvo de piada… Veja esse exemplo simples: Ilé Àṣẹ́ t’Ògún, que significa:

    Casa da Menstruação de Ògún!!!

    Pois é, Àṣẹ́ ou à (Não se prenda somente a um ponto embaixo, pode ser uma vírgula, traço e etc, desde que seja uma marcação embaixo do “s” e do “e”) significa menstruação e não ficaria nada bonito estampado em uma placa na frente de seu ilé; num convite para saída de ìyáwo ou obrigação; até mesmo em um jornal como anúncio para jogo de búzios. Agora entende a importância de um básico conhecimento de acentuações e um dicionário confiável?

    Ainda há Àṣẹ̀ = Festa/ e Aṣẹ́ = peneira.

    Esses dois menos inofensivos, mas da mesma forma merecem cuidado no uso. Ou seja, aprender Yorùbá não é banalidade, não é luxo… é uma necessidade dentro de nossa religião.

    E a moda do Egbé e Igbá? Vamos analisar.

    O primeiro termo eu via muito utilizado pelas pessoas de Ifá, que após iniciadas, formavam grupos para estudos e continuar o culto aqui no Brasil após o seu sacerdote retornar para Nigéria ou outra localidade.

    Ẹgbẹ́ significa uma reunião de pessoas ou uma sociedade, comunidade. Um grupo de pessoas e organizadas, não podemos esquecer deste fator. Não é qualquer turma de baderneiros que se tornam um Ẹgbẹ́.

    Porém, de uns tempos para cá, esse termo também é usado para casas de òrìṣà praticantes de Candomblé, posto que, acredite, nem todos que se reúnem para cultuar òrìṣà podem se enquadrar como Candomblé. E isso despendem longos debates que eu particularmente não acredito que muitos estejam prontos para tal.

    Cabaça-300x196

    Igbá já é mais filosófico e envolve o simbolismo da cabaça e esse é seu significado (Igbá = Cabaça). Pequeno espaço sagrado e muito especial para se usar em vários feitiços, akoṣe, ẹbọ e N utilidades, mas aqui é o poder sagrado do objeto que possibilita usar para nomear lugares. Uma casa de santo é um local sagrado… um igbáIgbá àṣẹ… Cabaça de àṣẹ.. cabaça de energia/ força!

    Ainda temos igbá òrìsà, igbá orí e a contração igbádu! Mas cuidado, veja a imagem abaixo:

    Vamos então deixar as palavras bem explicadas para ajudar no nome de seu Ilé. Claro que a intenção não é ensinar a você como colocar um nome em sua casa, pois cada àṣẹ age de uma maneira. Porém, é dar uma luz nos principais termos e também impedir que determinadas palavras estranhas vão parar em convites de saídas de ìyáwó, Fan Pages, Instagram, placas de barracões e até tatuagens, como já vi.

    Ilé (lê-se: ilê) = Casa, Moradia, habitação. Aportuguesado: Ilê. Não confundir com ilẹ̀ (lê-se: ilé) = terra!!!!!

    Àṣẹ = Energia espiritual. Aportuguesado: Axé.

    Ẹgbẹ́é= Sociedade, comunidade, associação, grupo. Aportuguesado: Egbé ou Ebé.

    Igbá = Cabaça. Aportuguesado, porém incorre em muito erro de tradução: Ibá. E a saudação é Ìbà!

    Lembrando que vejo muitas junções de três elementos: Ilé
    Àṣẹ Igbá…. ou Ilé Àṣẹ Ẹgbẹ́…

    Ou seja, agora basta você construir conforme a sua necessidade

    Ilé Àṣẹ…

    Ẹgbẹ́ Àṣẹ…

    Igbá Àṣẹ…

    Gostou do Que Aprendeu? Então Continue Seu Aprendizado!

    Imagine poder dominar todo este conhecimento e não mais cometer erros grosseiros de idioma e cultura Yorùbá. Ter a segurança de estar escrevendo e falando corretamente os termos básico do idioma do Candomblé.

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  • Adamus Òrìsà – A Verdade Que Nunca Contaram a Você!

    Adamus Òrìsà – A Verdade Que Nunca Contaram a Você!

    O Festival de Eyo – História e Características

    Na Nigéria há diversos festivais, em sua maioria alegre e colorido. Alguns outros tristes, mas sempre com um forte significado para o povo. Os mais conhecidos festivais são: Festival de Egungun (Sim, é um festival aberto ao público), Festival de Òsun Osogbo e o Eyo. Há muitos outros, claro. Não conhece este último?

    O festival Eyo, também conhecido como Adamus Orisa, é um festival colorido que expressa e exibe a cultura e as tradições da cidade de Lagos, na Nigéria. É amplamente esperado e assistido por todos que lá vivem e também por visitantes de toda a Nigéria e estrangeiros também. Não há nada parecido no Candomblé, acredite!

    As suas esplêndidas e expansivas exibições teatrais realçam e exibem a história nativa dos habitantes de Lagos e, através de uma pitoresca variedade de regalias e fantasias, forma desfiles na ilha de Lagos. Isso é amplamente considerado como um dia de alegria e esplendor.

    O festival evoluiu ao longo de três séculos, e é geralmente realizado para celebrar a vida e os tempos de um Oba, ou em comemoração da passagem (morte) ou ascensão ao trono de um Oba (rei) de Lagos. Igualmente, o festival de Eyo é encenado na memória de um indivíduo digno e ilustre falecido. Uma grande forma de homenagear uma pessoa que foi grande destaque na vida da comunidade

    Considera-se que constitui a maior honra que Lagos pode fazer para pagar um cidadão pela eminência e serviço público. Apesar de suas origens terem um propósito ritualístico, também houve incidentes quando o Festival de Eyo foi realizado para coincidir com a homenagem a dignitários estrangeiros.

    Geralmente, não há data definida para a realização do Festival de Eyo. Assim, a ansiedade em Lagos e além, uma vez que as datas de sua performance foram selecionadas e anunciadas é imensa. O festival abrange uma série de atividades que duram uma semana e culmina em uma procissão impressionante de milhares de homens vestidos de branco e usando uma variedade de chapéus coloridos, chamados Aga Eyo e também cajados – Opa Eyo. Esses cajados e chapéus são o que identificam os grupos de mascarados. Veja no vídeo um pequeno trecho:

    A procissão que dança e celebra nas ruas de Lagos passa por vários locais e monumentos cruciais da cidade, incluindo o Palácio de Oba. Os Eyo são considerados relacionados aos espíritos dos mortos que retornaram para limpar Lagos do mal e rezar por sua contínua prosperidade e existência pacífica.  Alguns consideram que quando chove durante o festival é um bom sinal, pois tudo foi lavado e está limpo, sem espíritos ruinsO festival começa do anoitecer ao amanhecer e acontece aos sábados desde tempos imemoriais.

    O Festival Eyo essencialmente admite pessoas altas, e é por isso que é descrito como Agogoro Eyo (que significa literalmente o mascarado alto de Eyo). Na maneira de um espírito estar visitando a terra com um propósito, a pessoa mascarada de Eyo fala com uma voz meio de ventríloquo, sugestiva de seu outro mundo; e quando cumprimentado, responde: “Mo yo fun e, moyo fun’ra mi” (“Eu me regozijo por você, e me alegro por mim mesmo). Essa resposta, sempre ditas em língua Yorùbá,  denota que os bailes de máscaras se regozijam com a pessoa que a cumprimenta para o testemunho do dia e com sua própria alegria em assumir a sagrada responsabilidade da limpeza.

    O Eyo possui códigos estritos que proíbem a transgressão, de modo que outros desempenhos da peça não são permitidos fora de seu objetivo projetado, tudo é muito bem supervisionado pela polícia. Para que uma peça de Eyo seja iniciada, diz-se que a permissão é tradicionalmente buscada no Oba de Lagos, por uma pessoa que acredita que seu ancestral falecido merece ser honrado por sua contribuição a Lagos.

    Posteriormente, o Oba vai, com sua equipe, dirige a um de seus mensageiros para convidar o Akinsiku de Lagos (o chefe de todos os Eyos) para o palácio para uma consulta. É o Akinsiku quem expõe e especifica o Ikaro – as oferendas e os presentes exigidos da família solicitante antes que a peça possa ser encenada. Como tal, o Oba é a fonte de autoridade que é passada para os Akinsiku, que então distribui os presentes para as famílias das divindades em Lagos.

    No entanto, também pode-se dizer que, para a peça de Eyo ser encenada, a permissão é solicitada ao Awe Adimu, a base do grupo Eyo sênior, e então a Akinsiku informa ao Oba e ao respectivo conselho de anciãos, então os arranjos para o festival começa assim que a permissão é concedida.

    Uma outra curiosidade é que o Festival por não ter uma data certa para acontecer, sempre ocorre em situações bem diferentes. Já ficou 21 anos sem ocorrer, assim como já ocorreu 3 vezes no ano. Então tem que se colocar na cabeça que o Festival serve para comemorar a memória de uma pessoa muito importante para a Nigéria.

    Enquanto o festival de Eyo, também conhecido como o jogo de Adamus Òrìsà, é o principal evento cultural em Lagos, a sua história e origens foram articuladas numa série de versões bastante divergentes, mas que falam da sua aceitação apaixonada pelo povo de Lagos.

    Uma fonte proeminente da história do festival Eyo é da família Isokun Onilegbale Chieftaincy, alegando que o festival é de lbefun, e diz respeito à história de Olori Olugbale, esposa do rei Ado de Lagos, cujos dois irmãos (ou primos), Ejilu e Malaki vieram visitá-la em Lagos, mas descobriram-na morta quando chegaram. Posteriormente, eles retornaram para lbefun para trazer o Eyo Mascarados para Lagos para comemorar sua morte.

    Independente da versão, sabe-se que é um festival lindo, alegre e muito movimentado. Não existe Orixá Eyo, iniciação a Eyo. Podemos o mais próximo de comparação aqui no Brasil é dizer que é similar ao Afose Filhos de Gandhi.

    Então, gostou da postagem? Já conhecia o Adamus Òrìsà – Eyo? Deixe seu comentário!!

    Ó dàbò!

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  • Como Dizer em Yorùbá – Eu Amo Meu Orixá!

    Como Dizer em Yorùbá – Eu Amo Meu Orixá!

    Mo júbà, gbogbo!

    Sabe aquela vontade de expressar o seu amor pelo seu òrìṣà, mas que você sempre quis fazer em Yorùbá e não sabia? Então, Vamos resolver isso agora mesmo. Quem sabe vire tatuagem! Já pensou?

    Nesta aula, que está no vídeo abaixo, você verá como é fácil. E nessa postagem irei complementar com mais explicações e exemplos.

    Nesta aula de yoruba básica você aprenderá comigo, Olùkọ́ Vander, alguns fundamentos básicos do idioma do candomblé. Forma de pronúncia, pontuação embaixo da vogal, colocação de pronome possessivo e como declarar seu amor ao seu òrìṣà de iniciação, de devoção!

    Como falamos “Eu Amo Meu Orixá” em Yorùbá?

    Então, vamos à prática e conforme ensinado no vídeo, começamos com a estrutura básica que é: Eu Amo.

    Mo fẹ́

    A pronúncia é : Mô Fé

    Mo = eu, primeira pessoa do singular do caso reto;

    Fẹ́ = verbo amar, com outros significados como gostar, casar, desejar (Acostume-se, pois uma mesma palavra possui diversos significados)

    Repita umas três vezes essas duas palavras e coloque na cabeça que ela significa EU AMO… Outra coisa importante, o ponto embaixo do E é que dá o som aberto e não o acento em cima. Tudo bem? Entendido isso?

    Agora podemos entrar nas variantes que usei no vídeo. Diremos em Yorùbá, EU AMO MEU ORIXÁ, EU AMO MEU PAI EXU, EU AMO MEU PAI OGUM, EU AMO MINHA MÃE OXUM, EU AMO MINHA MÃE OYÁ. Mas antes virá a parte Mo Fé

    • MO FÉ ÒRÌṢÀ MI;
    • MO FÉ BÀBÁ MI ÈṢÙ;
    • MO FÉ BÀBÁ MI ÒGÚN;
    • MO FÉ ÌYÁ MI Ọ̀ṢUN;
    • MO FÉ ÌYÁ MI ỌYA;

    Todas estas frases acima significam respectivamente:

    • EU AMO MEU ORIXÁ;
    • EU AMO MEU PAI EXÚ;
    • EU AMO MEU PAI OGUM;
    • EU AMO MINHA MÃE OXUM;
    • EU AMO MINHA MÃE OYÁ.

    Outra forma

    Eu sempre costumo falar de uma característica fantástica do idioma: sua plasticidade, ou seja, o idioma consegue se moldar e transformar de maneira bem fácil.

    Podemos dizer eu amo meu òrìṣà de outra forma: mo nífẹ́ òrìṣà mi. Nesta caso estamos falando literalmente que “temos amor” pelo òrìṣà:

    Mo = eu;

    Nífẹ́ = ter amor ( = ter/ìfẹ́ = amor);

    Òrìṣà mi = meu orixá

    Caso você queira usar o nome de outro òrìṣà basta substituir o final. Bem simples, não é? Mas podemos melhorar isso! Que tal sermos ainda mais específicos? Digamos que você seja iniciado a Ògún e tem o seu orúkọ òrìṣà ou orúkọ t’òrìṣà dado pelo seu zelador ou zeladora. Basta incluir ele ao final. Vou dar um exemplo com um orúkọ hipotético:

    • MO FÉ BÀBÁ MI ÒGÚNKÉYE (Nome significa: Ògún trouxe honra e prestígio)

    Novamente, você vê que seguindo essa estrutura; seguindo essa fórmula você consegue expressa o amor ao seu òrìṣà.

    Espero que tenha gostado dessa curta aula e breve haverá mais.

    Quer aprender mais sobre o idioma mágico do Candomblé? O idioma do
    òrìṣà, mas de uma maneira correta e sem misticismo? Conheça nosso cursos abaixo: Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá! O que está incluso no curso:

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