A ìyálórìṣà Branca de Yemọjá deu entrevista em um programa de Tv portuguesa onde contou sua história no Candomblé. Sua trajetória passa por momentos de enganação, gastos com charlatões até chegar ao sacerdócio.
Além disso, ela abriu sua casa para a reportagem, mostrou os Òrìṣà falando de cada um, mostrou o salão e até abriu um jogo para repórter.
Somos os mensageiros do Òrìṣà na terra!!
Quando tudo começou?
Desde de nova a zeladora sentia uma sensibilidade espiritual mais apurada, tentou buscar caminho para conhecer e desenvolver mais esta área, porém só gastava e era enganada, coisa infelizmente comum em nosso meio.
Tinha visões, desmaios, incorporava espíritos desconhecidos e ninguém conseguia explicar o que era, como manipular e controlar aquela força. Até que no ano 2000 conheceu seu zelador, bàbálórìṣà, e esse a orientou da forma correta. Neste encontro soube de sua missão para ser também uma zeladora de santo!
Branca recorda-se, como se fosse hoje, do primeiro dia em que o baralho de tarot lhe foi passado para as mãos: – Fiquei apavorada porque não percebia nada daquilo. De certa forma, ainda não tinha confiança em mim e na minha intuição.
Mas o pai-de-santo sabia o que fazia: -Tinha as minhas dúvidas mas a verdade é que, logo na primeira vez que deitei cartas, aquilo que eu interpretei e que na altura não me fazia sentido algum acabou mesmo por acontecer. – diz a zeladora.
Com o Candomblé Aprendeu a Ajudar ao Próximo!
A ìyálórìṣà Branca de Yemọja diz que através do candomblé consegue ajudar as pessoas em todas as áreas de sua vida. Diz que na função de ser a intermediária entre os homens e os òrìṣà, busca equilibrar a vida do consulente e explicou sobre o jogo de búzios:
E fala principalmente sobre a influência de “eguns” na vida das pessoas e como estes podem influenciar negativamente a vida das pessoas, sugando as energias positivas que faz a vida fluir.
“Eu uso o pano da costa não é para ficar mais bonita, é porque nosso ventre, das mulheres, é sagrado !”(sic)
Por fim, mãe Branca fala sobre o tarot e o jogo de búzios. Explicou sobre odù e os elementos de sua mesa de jogo, como funciona uma consulta e etc. Fala sobre seu òrìṣà de cabeça: Yemọjá!
Uma entrevista bem interessante mostrando um pouco de nossa religião além mar, deixando claro que a fé e o respeito ao sagrado vai além das terras brasileiras e africanas.
Veja o último trecho:
Gostou da postagem? Deixei sue comentário abaixo com sugestão,crítica ou elogio.
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Aqui Olùkọ́ Vander trazendo uma postagem que na verdade é a resposta para um e-mail que recebi, recentemente, de um zelador que iniciou seu barracão – Ilê Orixá ou Ilé òrìṣà!
Basicamente, ele indagou-me como ele poderia ajudar no crescimento de seus filhos de santo, ọmọ òrìṣà. Ele não queria apenas um barracão cheio e toques, festas lotadas e luxuosas, saídas e obrigações cheias de pessoas e com muita bebida (Parece que para alguns isso seria a definição do sucesso como zelador ou zeladora, não é?).
Então, listei para ele, deixando claro que é somente uma opinião e baseada no contato que tenho com milhares de pessoas ligadas ao Candomblé e Umbanda que andam muito insatisfeitas, com seus filhos prósperos, as 7 principais lições.
As 7 lições para ser bom líder em um Candomblé se baseiam um pouco em outras postagem que já fiz…
Mas são:
Seja Íntegro;
Humildade;
Não Fale o Que Não Sabe;
Conheça Sua Religião;
Honre Suas Raízes (Quando Possível);
Seja Exemplo Dentro e Fora do Barracão;
Busque Conhecimento Sempre.
7 Lições Que Todo Bàbá/ Ìyálórìṣà Deveria Passar Para o Ìyáwó
1 – Seja Íntegro
Integridade, segundo o site Wikipedia: “Integridade vem do latim integritate, significa a qualidade de alguém ou algo a ser íntegre, de conduta reta, pessoa de honra, ética, educada, brioso, pundonoroso , cuja natureza de ação nos dá uma imagem de inocência, pureza ou castidade, o que é íntegro, é justo e perfeito, é puro de alma e de espírito.”
Um zelador íntegro seria aquele que o nome não está na praça (injustamente, claro); que age de maneira justa com seus iniciados e futuros iniciados, clientes. Não ataca a casa ou o nome alheio.
Um Pai de Santo ou Mãe de Santo que realmente tenha filhos e não somente números. Que faça o básico dentro da religião: iniciar pessoas que desejam ou que devam ser iniciadas ao òrìṣà, ser honesto nas respostas dos búzios não criando situações para tirar ẹbọ caros, consequentemente cobrar mais e não inventar fundamentos e coisas no orí dos outros.
Não agir com interesses escusos, tramando coisas para tirar filhos de santo de outros barracões; não ficar com fofocas principalmente se for de outros líderes de outro barracões. Muito comum ver o zelador difamando outros líderes das outras casas, até mesmo menosprezando as práticas de lá.
Ser justo e não passar a mão na cabeça de uns enquanto outros aprontam e nada é feito ou falado. Assim como evitar tratar melhor quem tem mais dinheiro em relação a quem tem menos, motivo que tira muita gente de barracões – Leia aqui sobre >>> Filhos de Santos Sem Barracão.
Integridade deve ser a máxima até mesmo na vida profana, comum e não somente quando se veste a farda religiosa para a batalha espiritual.
2 – Humildade
Estar na posição que se está – Pai de Santo ou Mãe de Santo – não é um prêmio que te faça melhor que ninguém.
Não há pedestal enquanto se está na lida diária, louvando os òrìṣà, ajudando os filhos de santo, os clientes, enxugando as lágrimas daqueles que lhe confiaram o orí, lhe confiaram problemas por vezes sérios.
A humildade está presente em grandes nomes do Candomblé, tanto os vivos quantos o que já se foram e, o que você verá, será uma pessoa simples que apenas é endeusada pelos que estão ao redor, pois eles mesmos se sentem pessoas comuns.
Pai de Santo ou Mãe de Santo deve sempre lembrar que quando vira, incorpora em seus orixás, fica de pés nos chão, em contato com a terra. Não há salto, tamanco, plataforma…. pedestal: os pés estão no chão.
Então, por mais tempo que se tenha dentro da religião, demostre a humildade de quem sempre tem a aprender, a conhecer. Sempre há alguém acima. Se não for na terra, é lá no ọ̀run. Reflita e passe isso para seus iniciados, pois eles terão suas casas também.
Humildade não é ser menos, infelizmente muitos trazem essa imagem na cabeça. Mas só os humildes são os fortes e poderosos.
3 – Não Fale o Que Não sabe
Sempre haverá quem saiba mais que você em algum assunto, compreenda isso.
Não é vergonha não deter todo o conhecimento do mundo dos Orixás. Por mais que jogue búzios há anos, sempre tem os Bàbáláwo, conhecedores dos segredos dos oráculos. Sempre há alguém com uma visão melhor, base melhor.
Por mais que você ache que saiba tudo de ervas, cuidado, há conhecedores maiores ainda na Nigéria e até no Brasil. Muitos desses conhecedores não levantam bandeiras de maiorais… são humildes!
Mantenha isso em mente e sempre explique isso a seu filhos, é importante que também eles não endeusem sua imagem.
Eu dou aulas de Yorùbá e por vezes os alunos do Curso de Fundamentos do Idioma Yorùbáme fazem perguntas de coisas que não sei, mas vou em busca para poder responder. Há doutores no idioma, mestres que têm o idioma de berço. Não posso me colocar como melhor nessa área, por mais que esteja desde 2008 dando aulas e desde 2003 estudando.
Há uma prática errada nos Candomblés hoje em dia: os líderes não querendo perder poder, inventam, alteram e espalham coisas que não são verdades. Vejo isso em lendas de orixás (ìtàn), cantigas (orin), fundamentos (orò) e por aí vai. Tudo pelo medo de dizer: – Não sei isso!
Tudo para não ficarem com a cara de quem não sabe de algo: Não Fale o Que Não Sabe.
Se não sabe, deixe claro para seu filho de santo que irá buscar saber a respeito ou até mesmo indique quem saiba, não tenha medo de perder um filho só por causa disso. Ele pode, justamente por esta atitude, lhe admirar ainda mais.
4 – Conheça Sua Religião
Dentro do Candomblé e também da Umbanda é comum se ver explicações bizarras para coisas que com simples pesquisa se responde. Hoje temos a internet, antes tínhamos/temos os livros e antes os mais velhos, mas nunca esqueça o senso crítico.
Um coisa que vejo hoje são as pessoas da religião, não todas, tendo aversão às explicações muito técnicas e longas. Preferem explicações curtas e romantizadas. E isso é ruim quando se tem uma cultura tão forte, com tantas nuances, fases e personagens como a cultura negra aqui no Brasil. Sem contar a história lá na África, com suas batalhas, revoltas, golpes, reinos em queda e tudo o mais.
Tudo elas acham que uma conversa na saída de um Candomblé (geralmente sob efeito do álcool)se explica, ou um comentário no Facebook com as famosas enquetes.
Nem tudo se explica com religião, com òrìṣà, com lendas e etc. Há fatos históricos, há questões que estudando se entende. E se isso fosse aplicado, no mínimo estudado, entenderiam porque tantos homens usam por exemplo: pano de cabeça e ààjà (Adjá quando aportuguesado).
Entenderiam como um Bàbáláwo influenciou o jogo de búzios que temos hoje no Candomblé e isso geraria ainda mais discussões, quebrando por exemplo a questão: Ògá ou èkéjì podem jogar búzios?
Então, busque, pesquise sobre o candomblé. Quem foram as três senhoras que mudaram o rumo do Candomblé (Não, não tem nada a haver com as bruxas… pense em questões históricas, fatos históricos). Deixem um pouco o folclore de lado e busquem literaturas históricas.
Um pai/ mãe de santo tem que buscar ser um manancial de informações de sua religião e hoje, com internet e sebos, você pode aprender muito e passar o conhecimento adiante.
Informação está lá, só buscar. Conheça sua religião… faça esse favor a você mesmo(a)!
5 – Honre Suas Raízes Quando Possível.
Qual a sua linhagem religiosa? Quem é seu avô de santo e a história dele? Qual seu axé/ àṣẹ e o que nele não é bem visto? Quais os fundamentos do seu àṣẹ?
Candomblé não tem nomes como pai, mãe, filho e etc à toa. É uma família e apesar de hoje em dia isso não ter muito valor, perdermos valores morais até mesmo nas famílias sanguíneas, busque saber mais da sua espiritual.
Tente não fazer coisas que dentro de seu àṣẹ não seja permitido. Isso se chama respeitar o àṣẹ, a história dele e sua energia espiritual. Conheça e tente manter contato com as pessoas de seu àṣẹ, não só o barracão.
Um iniciativa interessante seria um grupo no Facebook com todos não só do barracão, mas do àṣẹ inteiro. Unindo barracões, zeladores e zeladoras que sejam todos do mesmo seguimento.
Por que “Quando Possível”?
Eu sei que hoje em dia, talvez antigamente também, as pessoas não se fixam em casas de santo, rodam de mão em mão. Mas quando sair de uma casa ou de um àṣẹ, não chegue no outro falando cobras e lagartos. Até porque, se você faz isso com o que saiu, quem garante que não irá fazer com o atual quando sair?
Todos são falhos, então se tiver alguma insatisfação, tente manter para sí e mostre a parte boa (deve ter tido, por favor).
6 – Seja Exemplo Dentro e Fora do Barracão
O que adianta você ser um exemplo de zelador dentro do barracão; tratar todos com educação e zelo, mas na rua humilhar um mendigo? No trânsito xingar a todos e se achar o dono da rua? Viver devendo e podendo pagar, mas evitando o fazer.
Eu sei, aqui algumas pessoas já deve estar assim: – Nossa, Olùkọ́ Vander achar que ser pai/ mãe de santo é ser um anjo de candura, não é?
Não, estou apenas dizendo que a pessoa deve ser sim um exemplo para a sociedade e para quem lhe confiou a vida espiritual. O cargo, posto, função sobe à cabeça e a pessoa acha que além de mandar dentro do barracão, também manda nos da rua, se acha superior aos da rua. Faça uma pequena pesquisa de como deve ser a conduta dos devotos de òrìṣà na Nigéria e depois me diga!
Você diria para seu filho de santo não trair a esposa, mas manteria um caso extraconjugal? Isso se chama incongruência. Exigir respeito dos iniciados, mas na rua desrespeitar os demais. Incongruência!
Vejo muitos adolescente que pegam todos os trejeitos, falas e características de seus pais de santo. Bom isso, mas e quando ele traz as características erradas: agressões ao filhos recolhidos, humilhações em público, mentiras e etc? O filho, aqui o adulto mesmo, não precisa ser criança, acaba seguindo as atitudes do zelador e não as palavras.
Lembrando que há ìyáwó que realmente cultua mais seus zeladores do que o seu próprio òrìṣà. Leia mais sobre isso na postagem que fiz recentemente – A Fé Dentro do Candomblé: Quem você Cultua?
7 – Busque Conhecimento Sempre
Citei duas dicas que envolvem conhecimento, estudo – Não Fale o Que NãoSabe e Conheça Sua Religião – e aqui eu gostaria de sintetizar melhor isso.
Que o Candomblé é uma religião de prática, de mão na massa, disso sabemos. Não é uma religião teórica. Porém, isso não quer dizer que não tenha conhecimentos teóricos para se obter e que sim, ele pode ser de muita valia para o pai de santo ou mãe de santo.
Há um preconceito vigente na religião, o de que o que se aprende em cursos e apostilas é algo sem valor. Só é certo o que se aprende de um zelador. Nada mais equivocado!!!
Caso por exemplo: como o Candomblé surge no Brasil? Caso seu zelador não saiba, você não pode pegar um livro para estudar???
É simples para qualquer um falar que foi através do tráfico negreiro ocorrido no período colonial e que assim eles mantiveram suas práticas e cultura aqui como forma de resistência e também sobrevivência.
Mas complica se a pessoa perguntar sobre o porque de haver diferentes nações e por que se chamam nações de Candomblé?
Se perguntarem sobre o sincretismo religioso? Sei, vão responder sobre disfarçar imagens pois eram proibidos de praticar a própria religião. Será que é só isso? Busque aprender mais!
Dentro do Candomblé não se canta em Português, mas sim nas línguas nativas da região de onde veio aquele culto. As pessoas cantam, respondem e dançam, mas você sabe o real significado? De cada 100, apenas uns 6 diriam que sim e olhe lá.
Não conhecer o idioma em que se canta para mim sempre foi o que mais não entrou na cabeça. Não tem a ver com religião, com tempo de santo, com obrigações tomadas ou não… tem a ver com querer saber o que é aquilo. Conhecimento cultural!
Nomes de Ìyáwó são em Yorùbá, nome dos barracões em Yorùbá, os utensílios em sua maioria Yorùbá, os cargos e postos também estão em Yorùbá. Rezas, cantigas, saudações, os nomes dos Orixás em Yorùbá e você… Sabe Yorùbá?? Claro que há outros idiomas, mas minha área é o Yorùbá. A sua qual é? Ewe Fòn, Bantu?? Busque! Estude!
E não, não digo saber os termos que é dito dentro de barracão que carregam vícios medonhos. Muitos acham que conhecendo as gírias de barracão as fazem conhecedoras do idioma… ledo engado!!
Como bom pai de santo, você deveria ser um conhecedor intermediário/ avançado do idioma. Saber no mínimo como pronunciar algo ao ler! Conseguir passar para seu filho um pouquinho daquilo que ele pode até mesmo usar quando for defender a religião.
Recentemente fiz uma postagem fazendo uma pergunta sobre o idioma, coisa simples. Uma menina marcou seu zelador e perguntou a respeito. Sua resposta foi drasticamente errada e para piorar, justificou dizendo que o que ele disse foi aprendido com seus mais velhos e assim por diante.
Bom, essas dicas acima dei para meu amigo e ele ficou muito feliz. Delas nasceu essa postagem que inclusive foi uma ideia dele e não estou tentando aparecer como alguém superior, mas quem olha de fora com o senso mais crítico e que converso com muitas pessoas insatisfeitas com a religião que andam destruindo com o ego!!
Por aqui fico… Ó dàbọ̀!!!
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Báwo ni o??? (Como vai?) Chegamos em nossa primeira postagem de 2019. Esse assunto já tinha vontade de tratar há um tempo, mas parece que ele quis vir neste ano mesmo.
Não há dúvida que o Candomblé é originalmente um cultos aos àwọn òrìṣà, aos deuses Yorubanos e outros mais. Esse culto que nasce da resistência de escravos, lhes dando força para suportar o momento tenebroso da escravidão, é sem dúvida dado por uma forte característica de louvar a natureza sagrada e seu elementos, todos com sua devida representação em uma figura personificada: o òrìṣà.
Cada pessoa, devido à semelhança energética, possui um que o protege, que o guia, sem necessariamente ser obrigado a se iniciar ao culto. Sim, há pessoas que não têm a necessidade de raspar o santo, apesar de muitos bàbálórìsà e ìyálórìsà caçarem cabeças desesperadamente, impondo uma iniciação à pessoa.
Candomblé um Culto ao Pai/ Mãe de Santo?
Hoje, com um pouco de pesquisa, você encontra o Candomblé polarizado: de um lado estão as pessoas que abandonaram a religião devido às decepções e amarguras; algumas pessoas abandonaram também o próprio òrìṣà, descrentes de que esses possam lhes ajudar em algo.
Há uma postagem que falo sobre os Ìyáwó Sem Barracão – Um movimento de pessoas que não estão e nem querem se ligar à casa alguma. Clique Aqui e leia sobre.
Do outro lado, temos aqueles seguidores cegos de zeladores que geralmente se auto-intitulam conhecedores de todas as verdades do Candomblé. Fazem longas postagens nas redes sociais explicando aspectos espirituais e claro, alfinetando os que pensam o contrário, pois somente eles conhecem “A Verdade” sobre a religião.
E o pior, seus seguidores são verdadeiros marketeiros dos pais de santo, enchem o barracão de amigos convidados, que logo se tornam filhos de santos e mais tarde… seguidores marketeiros.
Mas pera ai? Há algo de ruim nisso? Não seria bom um filho falar bem de seu zelador e convidar pessoas?
Não há mal algum, desde que, explique-se a esta pessoa que a casa de santo, o ilé-àṣẹ é um local de culto aos òrìṣà e eles são os donos daquele lugar. É difícil aceitar, mas o zelador ou zeladoras como o nome diz, apenas zelam pelo templo e encaminham os iniciados… encaminham, não são eles, o pai ou mãe de santo o caminho em si. O Caminho é o òrìṣà, a devoção ao òrìṣà.
Candomblé, um culto ao òrìṣà e a espiritualidade!!!
Longe de mim vir aqui definir o Candomblé, pois o que mais vejo hoje são detentores da verdade e seus rápidos dedos nas redes sociais tentando desmoralizar qualquer tipo de informação que não sejam as que eles acreditam ou propagam.
Porém, de certo podemos falar que o Candomblé é o culto aos òrìṣà. E quem são os òrìṣà? Novamente, longe de mim definir òrìṣà, há livros e mais estudos para isso.
Òrìṣà são os deuses yorubanos. Foram guerreiros, reis, rainhas, amazonas e grandes líderes que realizaram atos de bravura quando em terra, mesmo em tempos muito distantes; logo após sua desencarnação passaram a ser cultuados e possuem representação com algum elemento da natureza ou local específico da natureza.
No Candomblé, como havia dito acima, cada òrìṣà se responsabiliza por uma pessoa e então essa pessoa passa a ser de determinado “santo”. Ele pede ou não a iniciação, apesar de hoje a totalidade das casas exigirem iniciação.
A eles que as pessoas devem seu culto, sua fé, sua crença, dua devoção Ao surgir de problemas, e todos teremos problemas na vida, muitas pessoas esquecem, acredite, de seu próprio òrìṣà e muitas vezes pedem ajuda mentalmente ao òrìṣà do pai/ mãe de santo.
Sim, o zelador/zeladora deveriam ser os grandes amigos de seus filhos na hora dos problemas, mas sabemos que isso há bastante não mais ocorre, devido aos filhos terem virado clientes e logo, nada se resolve se não gastar. Mesmo o filho tendo a ferramenta poderosa de por a cabeça no chão, pedir ao seu òrìṣà sabedoria e lucidez para resolver a questão, ainda assim, muitos preferem o culto ao pai ou mãe de santo!!!!
Conclusão:
O seu bàbálórìṣà/ ìyálórìṣà é uma pessoa importante em sua caminhada dentro do Candomblé, ele que no início lhe mostrou o caminho, jogou, rezou, fez os rituais necessários que não são poucos e enfim, seu òrìṣà nasceu. Muito se deve ao pai ou mãe de santo.
Mas não mude a ordem e nem a natureza da religião, pois ao seu òrìṣà que você deve sempre por a cabeça no chão e pedir, clamar, suplicar por ajuda. Quando em terra ele pode ser novo, mas espiritualmente ele pode muito.
Aprenda a manter um diálogo com seu òrìṣà, torne-se íntimo dele e não um estranho que ocupa seu corpo às vezes. Lembre-se, seu zelador ou zeladora é uma pessoa importante, mas não é a ela que você deve culto.
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Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?
Ao iniciar no Candomblé e até mesmo na Umbanda, nos segredos do culto ao orixás (Àwon Òrìsà), o filho de santo entra em uma rígida rotina. O Candomblé e a Umbanda possuem códigos próprios para o bem andar do culto, que é sempre levado com seriedade e responsabilidade, afinal de contas, está se lidando com energias espirituais fortes.
O pai de santo ou a mãe de santo, também chamados de bàbálórìsà ou ìyálórìsá, são os grande responsáveis por manter e conduzir de maneira harmônica todo o culto. A eles que os deuses africanos enviam, direta ou indiretamente, as mensagens de como deve ou pode ser conduzida uma comemoração de anos de iniciação (odún òrìsà) por exemplo ou a iniciação de um novo Ìyáwò, etc.
Esses líderes espirituais escolhidos, sim escolhidos, pois não é qualquer um que possui o dom de ser pai ou mãe de santo, devem ser a base de ensinamento dos filhos de santos, aqueles que a eles confiaram a vida espiritual que muitas vezes vem atrelada à a vida amorosa, profissional, familiar e até mesmo sexual.
Mas até onde vai o “poder” do zelador ou zeladora de santo? Qual o limite na relação filho de santo e o pai/mãe de santo?
O Que Pode Um Zelador ou Zeladora?
Quando uma pessoa entra para o culto ao orixá, busca soluções, alívio, um caminho e muitas vezes um reencontro. Quantos não se sentiam vazios antes de entrar para o Candomblé ou Umbanda, mas depois se sentiam fazendo parte de algo maior, se sentiam em contato com algo mais forte e que lhe dava direção na vida, base?
A figura do pai ou mãe de santo entra nessas horas como aquela que guia, aconselha, transmite. Ao zelador cabe a transferência de àse, a transferência de conhecimento para que o noviço possa caminhar com mais segurança. A segurança espiritual para momento tribulados que sempre surgem na vida dos filhos de santo.
Manter o ìyáwò fortalecido, informado e seguro espiritualmente deveria ser uma das funções de um zelador, pois na iniciação está havendo uma entrega de corpo, alma e mente. Ao filho de santo cabe respeitar e zelar por tudo que lhe é fornecido, gratidão constante.
Um zelador pode sugerir ao filho de santo que não faça determinada ação, pois o pai de santo, conhecedor pela experiência de vida, sabe que aquilo pode influenciar o àse do filho, pode fazer o òrìsà reagir de uma maneira ruim, pode desandar o que está bem encaminhado!
Uma zeladora deve, com toda certeza, proibir o filho de coisas que possam influenciar o barracão, ele próprio e os demais filhos do ilé. Imagina o filho de santo trazer energias ruins para o barracão. Imagina mexer onde não deve, sujando espiritualmente determinados locais!
Dever do zelador nos momentos oportunos, aquele onde há tempo e maturidade espiritual, transmitir conhecimentos e práticas ao ìyáwò que somente os de mais tempo de casa podem saber (Aqui ìyáwò me refiro a qualquer pessoa que o pai de santo iniciou, não importa se tem 20 anos de santo 😉 ).
Um babalorixá/ Yalorixá com certeza irá focar em ter um axé forte, unido e com capacidade de crescimento espiritual que transborda e influência positivamente a vida de todos que fazem parte daquele todo. E isso só se consegue com orientação, educação e muito zelo ao sagrado e aos ser humano.
Os orixás daquela casa com certeza serão gratos, fortes, com muito axé e a vida de seus filhos com muita prosperidade, paz e harmonia.
Mas…
O Que Não Pode Um Zelador ou Zeladora?
Fiz recentemente uma postagem sobre a violência dentro dos barracões, então será por aí mesmo que iremos começar: nenhum zelador ou zeladora pode, usando o nome da religião ou do òrìsà, agredir seu filho de santo. Se quiser ler mais sobre esta postagem – Clique Aqui. E mesmo não usando o nome de religião ou òrìsà não deve agredir um ìyáwò, e vise-versa.
O zelador ou zeladora não é dono do corpo do iniciado, não é proprietário de sua vida. O contrário disso é escravidão, só nessa época vergonhosa que uma pessoa era proprietária de outras pessoas e nelas mandavam e desmandavam.
Dessa forma, também não deve o zelador se meter na vida amorosa dos filhos, proibindo namoros, relações. Claro, se o jogo, em uma consulta mostrar que aquela escolha não trará boas consequências, já é outro assunto. Ai vai até mesmo um conselho.
O título se refere a proibição que muitas casas têm de que seus iniciados não podem visitar outras casas, salvo em companhia do zelador ou de um ègbón da casa. Essa proibição se dá pela maldade que há no meio, pois é, não deveria, mas há maldade entre os candomblecistas que muitas vezes querem queimar (Influenciar com energia ruim) a casa alheia.
Neste ponto, super compreensivo um zelador aconselhar o filho não andar por algumas casas. Vai que seja a casa de um rival do pai ou mãe de santo e o filho desavisado foi convidado para uma saída ou obrigação de ano.
Mas é natural as amizades, fortes laços de amizades entre filhos de ilé diferentes. Nesse caso pode o zelador não deixar o filho ir na casa do outro? Como foi dito, não pode ninguém proibir ninguém de nada, mas deve o zelador informar, deixar o ìyáwò consciente da escolha que irá fazer.
Lembra de uma das atribuições do pai ou mãe de santo – informar – nessa hora que ela entra. Infelizmente muitos se sentem deuses e acham que tudo pode sem nada poder lhes impedir. Não, um zelador não é um ser supremo e solitário. Tanto que quando seu òrìsà toma sua cabeça, coloca os pés no chão.
Zelador não é dono de ninguém, nem mesmo do òrìsà que ajudou a iniciar na cabeça do ìyáwò.
Não pode o zelador se apropriar de bens comprados pelos filhos de santo e isso gera assunto para uma outra postagem em breve.
Claro que aqui estamos falando da imaturidade de algumas pessoas que alcançaram essa posição de líder espiritual. Essa mesma atitude há também em outras religiões, infelizmente. Ou seja, é uma mau do ser humano e não do pai ou mãe de santo.
Ìyáwò X Bàbá / Ìyálórìsá?
Claro que não deve haver rivalidade entre as partes, em hipótese nenhuma. Assim como em uma família sanguínea, a desavença e brigas em uma família de santo só traz desarmonia, energias ruins e rupturas.
Deve haver um diálogo constante entre as partes. Cada ponto deve ser debatido. Um ìyáwò bem informado, doutrinado sempre será compreensivo com seu axé. Haverá muitas vezes ingratidão, todo zelador ou zeladora sabe disso. Quanto suas mãos não ajudaram a levantar e se foram após estarem lá em cima?
Deve o ìyáwò buscar a união com seu axé e zelador/ zeladora.
Deve o zelador cuidar, educar e soltar as amarras de seus filhos, iniciados sobre suas mãos.
E você, acha que o zelador ou zeladora pode proibir o filho de santo de visitar outras casas? Deixe sua opinião nos comentários!!
Ó dàbò!
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O Candomblé é mágico, é uma religião de resistência que sofre muito mas continua bela e pulsante nos terreiros espalhados por todos o país e fora dele.
Além disso, é composta por pessoas de brilho mágico, belo e contagiante. E uma dessas pessoas é Mãe Stella e nesta entrevista ela nos brinda com belas palavras, pensamentos lindos e muita reflexão aos que são do Candomblé e até mesmo da Umbanda querida.
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Usuária do Facebook Ofende a Figura da Ìyálórìsà Beata de Yemojá em Comentário de Notícia!
Noticiamos em nossa página no Facebook (Curta Aqui) que Sábado dia 27/05 havia falecido uma das mais conhecidas e respeitadas Ìyálórìsà de nosso amado Candomblé. Desenvolveu e participou de atividades de combate à intolerância religiosa, à discriminação racial e de gênero, à violência contra a mulher, de prevenção das DSTs/HIV/Aids e câncer de mama, e de defesa do meio ambiente…
Mãe Beata era a líder do Ilê Omi Oju Arô, fundado há 32 anos no bairro Miguel Couto, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense e presidente da Ong Criola (organização de mulheres negras que atua contra o racismo e o sexismo) e integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher – CEDIM e conselheira do Projeto Ató Ire – Saúde dos Terreiros e também da Ong Viva Rio.
Mãe Beata era sem sombra de dúvidas uma das poucas religiosas afro respeitadas dentro e fora do meio afro religioso. Isso por causa de toda uma luta social não apenas ligada a religião, mostrando que o Candomblé pode sim sair do terreiro e ajudar do muro para fora.
Mas mesmo assim, isso não evitou a famigerada intolerância de atacá-la após seu falecimento. Ela que tanto lutava para o banimento dessa prática terrível, foi alvo de palavras grossas e impiedosas de uma usuária do Facebook.
“…essa macumbeira de alma sebosa…”
Patrícia Costa (Ainda não achamos o perfil.) vomitou tudo que podia abaixo da postagem do jornal Extra que compartilhou a notícia no Facebook.
“Bem feito essa macumbeira de alma sebosa irá arder eternamente nas chamas do tinhoso. Pecadores macumbeiros malditos não passarão. Quer sirva de exemplo aos demais. Deus não dorme! Amém “(sic).
Depois de ofender Mãe Beata, diz que isso serve de exemplo para todos os candomblecistas e que Deus não dorme. O ódio, a raiva da menina é patente contra os afros religiosos. Mas não para, depois começa a dizer que ouve os gritos dela no inferno e após, convida todos a buscar uma…. Igreja Universal.
Até Quando Esses Ataques?
A pergunta que não se cala… ou as perguntas: por que esses ataques e essa fúria? O que os fundamentalistas evangélicos ganham com tantos ataques e nesse nível? O que os afros religiosos fazem contra o culto alheio?
Sabe-se que não são todos. Há sim evangélicos do bem, que respeita nosso culto e digo isso por conhecer, dar aulas para alguns. Conversamos sobre vários aspectos da vida e da religião… Mas alguns parecem que vivem em uma Jihad.
Ainda não sabemos se o pessoal do Ilé de Mãe Beata está a par desse destrato a imagem dela, nem mesmo conseguimos localizar o perfil para saber se e verdadeiro ou trata-se de um fake (perfil falso), mas de qualquer forma é o pensamento de muitos fundamentalista que odeiam o Candomblé, Umbanda e qualquer outro culto que tem origem afro.
Que essa menina seja denunciada e as devidas providência tomadas. Se contra uma pessoa falecida e pela internet age assim, imagina pessoalmente contra um Ìyáwo desprotegido ou uma senhora paramentada voltando de algum Candomblé…
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