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  • Cresce o Número de Candomblecistas Que Não Possuem Casa de Santo!

    Cresce o Número de Candomblecistas Que Não Possuem Casa de Santo!

    O Candomblé é uma religião brasileira com raízes africanas, disso todos sabem, apesar de alguns afirmarem ser uma religião puramente africana. Ele nasce durante o vergonhoso período de escravidão onde os escravos eram comprados na Costa da Mina, sendo vítimas principalmente nativos de Benim e Daomé (século XIX – 1815), mas também  Yorùbá, Jèjè, Minas, Haussás, Tapas e Bornus.

    O Candomblé nasce como uma forma de resistência, uma maneira de manter viva, aqui no Brasil,  a memória ancestral tão forte daquele povo que foi arrancado de sua terra às duras penas. Claro que essa não é uma definição que finaliza o assunto por aqui, apenas uma introdução!

    O Candomblé: Uma Comunidade

    Aqui no Brasil, quando se fala em Candomblé, logo vem à mente a figura de uma comunidade unida em torno de uma figura de liderança conhecida como Bàbálórìṣà ou Ìyálórìṣà, também conhecidos como Pai de Santo ou Mãe de Santo. Há também a expressão zelador ou zeladora de santo.

    Essa é a figura principal de um ilé òrìà (casa de santo ou barracão), abaixo somente dos próprios àwon òrìṣà. Logo em seguida, há os seus auxiliares, como pai pequeno, ọ̀gá, èkéjì e vários outros postos e cargos com funções definidas nessa grande comunidade que tem como foco cultuar os deuses africanos.

    Por fim, há duas figuras menores, são os que estão começando a caminhada neste mundo: o abíyán e o ìyáwó.

    O Abíyán

    Figura importantíssima dentro do Candomblé, mas que por vezes é marginalizada pelos que já são “feitos” no òrìṣà, o abíyán é aquela pessoa que está iniciando no caminho, mas que ainda não teve sua iniciação formalizada e o òrìṣà manifestado ao público. Seu corpo ainda não foi sacralizado para o transe ou incorporação.

    No Candomblé, há o ato de tirar o nome do òrìṣà, o dia do orúkọ, onde o abíyán deixar de o ser e solta o seu nome de iniciado para o público presente tornando-se então em ìyáwó – uma pessoa oficialmente iniciado ao òrìṣà.

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    Mas antes desse dia super importante, o abíyán conhece a casa, realiza algumas tarefas e enfim vai conhecendo mais da rotina da religião. Ele também é observado para que a liderança possa sentir se ele tem jeito ou não para ser um devoto. O Candomblé não é para qualquer um, muitos dizem!

    O Ìyáwó – Um Casamento Com o Òrìṣà

    Após iniciado, enfim a pessoa torna-se um ìyáwó e deve acostumar-se com essa posição por um bom tempo, pois você sempre será um ìyáwó aos olhos de pessoas mais velhas que vocês, os ẹ̀gbọ́n .

    Ìyáwó significa esposa em alusão ao “casamento” que a pessoa tem com seu òrìṣà de cabeça. Com este òrìṣà, a pessoa irá caminhar até o dia de sua morte. Como ìyáwó, você é filho de santo de alguém, pois alguma pessoa iniciou você.

    Não existe ìyáwó que se autoinicia. Impossível!! Você precisa ser iniciado através das mãos de outra pessoa mais velha que irá lhe transferir àṣẹ e assim você passa a pertencer à uma casa de santo, um ilé òrìṣà!

    Mas…

    Os Ìyáwó Sem Casa de Santo

    Para que você pudesse compreender melhor o que ocorre hoje, tinha que mostrar como funciona, por alto, sem esmiuçar todos os termos e assuntos, uma casa de Candomblé.

    Viu que um iniciado é ligado à uma casa que geralmente é a casa de quem o iniciou, mas hoje, cresce o número de pessoas que após a iniciação, seguem suas vidas sem ter nenhuma ligação mais com casas, pais ou mães de santo.


    Entrevistei algumas pessoas que pediram o anonimato e em sua maioria preferiram esta vida, sem nenhuma ligação com casas, por decepções com o que ocorre dentro e também fora das casas, coisas que vão de assédio até mesmo à agressões físicas!

    Renata do Rio de Janeiro disse que se encantou com o Candomblé, juntou dinheiro e logo se iniciou. Era encantada com tudo e adorava seu zelador e seu àṣẹ, até o dia em que foi agredida na frente de seus irmãos de santo, ela diz:

    – Sempre amei meu orixá e o orixá patrono da casa onde fui iniciada, mas o dia em que fui jogada ao chão e chamada de lixo imprestável, vi que ali não era o meu lugar. Tomei todas as minhas obrigações em outra casa onde somente vou, pago o chão, compro os materiais e pronto, está feito. Não tenho outro vínculo ou obrigação como de ir ajudar em dia de feitura ou algum evento.

    Maurício, advogado de São Paulo, disse que a casa onde frequentava mais parecia um motel e que quem fosse “algo mais do zelador” tinha muitos favores e sempre estava à frente. Quem tivesse mais dinheiro também tinha regalias e tinha um tratamento diferenciado, alguns nem sentavam no chão.

    Quando cheguei e era abiã, eu era super bem tratado e achava isso o máximo. Com o tempo percebi que os outros não eram assim tão bem tratados. Logo depois de minha saída como ìyawó, entrou uma empresária bem rica e ela então só faltava sentar na cadeira do zelador.
    Algumas noites percebia um entra e sai de rapazes na casa, gemidos e às vezes muitas camisinhas no lixo… às vezes no lixo da cozinha, onde são feitas as refeições do àse, as comidas dos santos e os ebós.
    Depois de 4 anos meu olhos se abriram e então conseguir ver onde tinha me metido. Conhecedor de direito que sou, levei todas as minhas coisas de santo, pois tinha as notas fiscais e tudo mais.
    Hoje falta somente minha obrigação de 7 anos que irei tomar na casa de um amigo, mas apenas isso, sem nenhuma ligação a mais com o àsé!!
    O orixá é belo, os humanos podres que estão acabando com a religião!

    Letícia, da Bahia, disse que o sua zeladora a fez de empregada por um bom tempo e ela achava que estava servindo ao santo.

    Quando entrei vi que era normal as pessoas cozinharem, pois há ebó, comidas para o santo, comidas para a função… enfim, era normal. Com o tempo a zeladora pediu para ir até a casa dela ajudar em algumas coisas.

    Faxinava, cozinhava, lavava quintal… mas acredite professor, tudo eu fazia com enorme felicidade, pois estava sempre cantarolando para o santo, treinando passos. Até que um dia a ficha caiu quando ela foi grossa comigo por eu não ter feito algo direito. Foi quando vi que eu não era mais filha de santo, mas empregada da zeladora.

    Falta pagar meus 3 anos. Não sei como irei fazer, mas com certeza não fico mais em casa nenhuma. Não acredito nessa que o òrìsà irá castigar, orìsà é muito mais que isso e vê tudo isso que acontece. Cuido do meu santo do jeito que posso e tenho saúde, emprego, uma família maravilhosa, coisa que antes estava afastada por estar sempre cuidando das coisas da zeladora.

    Só Pode Cultuar Òrìsà se Estiver Ligado à Uma Casa?

    O receio de muitas pessoas que entrevistei, que querem sair de suas casas mas têm medo, é o famoso castigo do òrìṣà, medo esse que muitos dos entrevistados superaram. Conversei com mais pessoas e não coloquei todas as respostas aqui para não ficar uma postagem longa.

    Eles aprenderam que não ficarão em falta com seu òrìṣà se mantiverem suas energias espirituais em dia. Continuam fazendo suas obrigações, e ẹbọrí, cortes para entidades de rua, mas tudo isso sem estar ligado a qualquer casa que seja. Pagam, fazem o que tem que ser feito e bola para frente!

    Infelizmente, muitas pessoas não possuem maturidade para liderar uma casa, liderar pessoas, cuidar da saúde espiritual e também delas. Percebemos que não todos, mas uma parte dos zeladores e zeladoras se aproveitam da posição para inflar seus egos, desviar seus filhos de suas funções e, à base do medo, mantê-los cativos, presos ao barracão!

    O Candomblé, sim, suga bastante as pessoas, as funções são corridas, com muitas coisas para se limpar, cozinhar, carregar e etc. Isso é normal, mas algumas coisas que vemos por aí são fora do normal. Por vezes um zelador ou zeladora pode agir com certa aspereza, mas não há a necessidade de agressões físicas e psicológicas.

    Cresce o número de pessoas que não querem estar ligadas à uma casa pois sabem que ali o ambiente é terrivelmente viciado, onde as regras não são bem claras, onde há privilegiados e os desafortunados. Sabem que em algumas casas quem possui mais dinheiro vira queridinho do pai ou mãe de santo; outras vezes, manter um relacionamento, muitas vezes clandestino com o zelador ou zeladora, também rende benefícios…

    Enfim, o Candomblé, assim também como a Umbanda precisa amadurecer mais em alguns aspectos. São as lideranças que levam essas religiões para frente. Falta hoje um pouco mais de seriedade, foco, pesquisa e estudo.

    Ainda vivemos na época de que Candomblé bom é Candomblé com casa cheia, não importando a qualidade. Cuidado ao escolher uma casa para frequentar e não se deixe ser abusado de nenhuma forma, faça valer as leis vigentes e não tenha medo de denunciar.

    O dábò!!

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  • Obrigação no Candomblé: Tudo Que Você Precisa Saber!

    Obrigação no Candomblé: Tudo Que Você Precisa Saber!

    Mo júbà, Báwo ni o? (Saudações, Como vai?)

    O assunto de hoje será obrigações de santo, ou também chamada de obrigações de anos no Candomblé. As obrigações geralmente determinam o grau de um iniciado, alguns até as usam para determinar uma certa hierarquia, pois após os 7 anos de iniciada, a pessoa passa a poder fazer algumas coisas que antes não poderia, passam a ter certa superioridade que os demais irmãos de santo.

    Não se sabe ao certo a origem dessas obrigações, posto que na grande matriz, nos países de onde o Candomblé é originado não se têm notícia de obrigação de 1 ano de santo, obrigação de 3 anos de orixá ou a mais querida de todas, a mais almejada: obrigação de 7 anos, onde muitos passam erroneamente serem chamados de “Êbomi”.

    Hoje irei falar sobre:

    1 – Por que chamam de “Êbomi” quem faz 7 anos de santo?

    2 – Por que “Pagar Obrigação” e Por Que Essa Cobrança Toda?

    3 – Odu ou Odum? Como é a forma correta de falar a obrigação de anos?

    4 – Números em Yorùbá Para Comemoração de Iniciação Ao Òrìsà.

    Mas porque erroneamente, você deve estar se perguntando.

    Muitas coisas, muitas coisas mesmo são criadas, inventadas aqui no Brasil. Não há na Nigéria, Togo ou Benin vestígios de muitos absurdos que vemos hoje por ai. Claro que algumas coisas foram criadas, ou adaptadas, para melhor organizar as pequenas Áfricas, assim eram chamados os terreiros, as casas de Candomblé.

    Mas tantas outras não há fundamento, sendo que baila nos lábios de quem quiser criar conjecturas a respeito do que vem a significar ou de onde surgiu alguma coisa, sendo muitas coisas relegadas aos Ìtàn – Lendas. E nas lendas, não as do corpo de Ifá, mas aquelas que se quer sabem a origem, lá é onde nascem explicações para alguns absurdos.

    Mas vamos entender o erro do termo “Êbomi”. Não é um cargo, não é um posto e pasme, uma pessoa com um ano de santo pago ou não, pode ser “Êbomi” de outra. Você não precisa ter 7 anos de santo para ser “Êbomi”!

    O termo correto é Ègbón mi e significa meu irmão mais velho. Podemos reduzir ainda mais para Ègbón = irmão mais velho. Onde também há o seu antônimo, Àbúrò, que significa irmão mais novo. O termo Ègbón não é taxativo, não vem dizendo que só podem ser considerados tal quem tiver mais de 7 anos de santos pagos.

    Caso um Ìyáwo A tenha 1 ano de santo e um Ìyáwo B tenha 9 meses de iniciado, A é Ègbón de B e B passa a chamá-lo de Ègbón mi (Meu irmão mais velho). Simples assim! E o Ìyáwo A chama o Ìyáwo com 9 meses de iniciado de Àbúrò mi (Meu Irmão mais novo).

    Tem se um outro costume errado de chamar quem tem menos de 7 anos de Ìyáwo e quem tem 7 ou mais de “Êbomi”. ERRADO. Todos são Ìyáwo. Todos são filhos de alguém e são “casados”, assumiu um compromisso com seu Òrìsà.

    Ègbón = Irmão mais velho;

    Ègbón mi = Meu irmão mais velho (Quando seu irmão de santo tem mais tempo de santo que você).

    Àbúrò = Irmão mais novo.

    Àbúrò mi = Meu irmão mais novo (Quando seu irmão de santo tem menos tempo de santo que você).

    Pagar A Obrigação

    Há quem discorde, mas pelas pesquisas tudo indica que essa tal “pagar a obrigação” nasceu de uma época em que comprava-se a carta de alforria dos escravos e esse então passava a ter uma “Obrigação” com quem o libertou.

    Livre para poder trabalhar, o escravo pagava uma parte no primeiro ano solto, depois outra parte 3 anos após e 7 anos após, onde enfim, estava livre de verdade. Mas não irei jogar a responsabilidade disso em cima de nenhum itan ou algo assim, pois carece de mais fontes históricas.

    Mas uma coisa é certa, seu Orí, fonte de sua força, pensamentos, idéias… esse deve estar forte e merece comer todo ano. Somente com seu Orí forte é que seu Òrìsà pode atuar com mais precisão por você.

    Importante salientar que essa “Obrigação” é com seu Òrìsà e não com o povo que nada tem com sua vida espiritual. Ou seja, não precisa torrar rios de Dinheiro com festas, convites e comilanças sem fim.

    Há quem discorde, mas há muitas pessoas que não são adeptas das obrigações festivas. Dão de comer ao seu Òrìsà todo ano e estão com suas vidas prósperas e seguindo em frente.

    Sei que há quase uma lenda urbana que diz que quem não paga as obrigações perde emprego, Òrìsà larga a cabeça, perde amo, saúde e corre até mesmo o risco de morrer. Como dizem: – Òrìsà cobra!

    Sou contra tal ideia!

    Mas se sua casa prega tal ideia, respeite seu zelador ou zeladora e bola para frente. Mas sempre que houver espaço, pois muitos zeladores não dão espaço para uma conversa com seus iniciados, busque aprender mais sobre obrigações!

    Odú, Odún, Odum…. Como se Fala Obrigações de Anos Em Yorùbá

    O motivo dessa postagem sem sombra de dúvidas foi essa parte. Onde nasceu a ideia de postar sobre como escrever corretamente “Obrigação de X anos” em Yorùbá. Recebo e-mails com muitas dúvidas e escrever corretamente um convite de comemoração de anos de iniciação é o campeão.

    Vejo que as pessoas escrevem ao seu bel prazer. Colocam acentos onde não existe, pronunciam como querem e dão significados trocados ou errados às palavras.

    Vamos então começar a entender por partes:

    Obrigação em Yorùbá

    A palavra “Obrigação” em Yorùbá, segundo o Dicionário são as seguintes:

    Oore – Obrigação

    Igbese oore – Obrigação

    Idè – Obrigação

    Logo podemos notar que o termo comumente usado atualmente em nada se aproxima ao termo “Obrigação” em Yorùbá. Mas na verdade, o que ocorre, é que o povo Yorùbá é muito festivo e nota-se isso em seus festivais muitos públicos, apesar de muitas vezes serem religiosos.

    Então podemos entrar na próxima explicação:

    Odù, Odum ou Odún … O que é o que?

    Vamos conhecer cada palavra para podermos analisar melhor essa questão. Lembrando que estarei escrevendo como geralmente escrevem em redes sociais, convites e afins!

    Odù – Signos de Ifá, sinais que trazem mensagem sobre a vida de uma pessoa. Alguns traduzem como destino, mas assim como a palavra àse, essa palavra também merece por vezes longas explicações.

    Odún – Festa, festividade, festival, aniversário. Também significa: ano, idade.

    Odum – Palavra inexistente nos dicionários de Yorùbá.

    Bem, de posse das duas palavras mais próximas do que queremos dizer (comemorar algo), podemos concluir que a segunda chega mais próximo do que realmente queremos, indicar que estamos comemorando um marco (1 ano, 3 anos, 7 anos etc).

    Mas caso você saiba seu Odù e em determinada data você quer fazer algo para poder comemorar a data, pode dizer: Irei comemorar o meu Odù (No caso, como disse, que saiba após consultar um Bàbáláwo e não o Odù da mesa de um zelador ou zeladora.).

    Mas se estamos falando realmente da comemoração de por exemplo 3 anos de santo, já sabemos que a palavra é Odún , pois esta significa uma comemoração, uma festa e até mesmo idade. Porém, precisamos aprender algo mais nessa lição: os números em Yorùbá.

    No Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá (Clique Aqui e Conheça Mais), você aprender todos os números em Yorùbá, mas para essa lição basta apenas saber 3 números: 1, 3 e 7. E novamente caímos em alguns erros bem comuns.

    Números em Yorùbá

    Assim como no português, em idioma Yorùbá os números se classificam em Ordinais (indicam ordem, colocação), Cardinal (indicam contagem), Fracionários e etc..

    Aqui teremos algumas considerações importantes: Há uma forma quase correta e outra corretíssima.

    Números Cardinais (Não especifica o que): 1 = Okan, 3 = E, 7 = Eje;

    Números Ordinais (Ordem): 1 = Kíni ou Ekini, 3 = Ekéta ou Kéta, 7 = Ekéje ou Kéje;

    Números Totais (Indicam quantidade de algo especificado): 1 = Kan, 3 = Méta, 7 = Méje.

    Os números totais são os corretos para usarmo em nosso caso, pois eles é que especificam o que está sendo contato. Gramaticalmente, eles que modificam o substantivo “anos”.

    Agora vamos ver como fica então a síntese, o resumo disso tudo:

    Um ano = Odún kan

    Três anos = Odún méta

    Sete anos = Odún Méje

    Em um convite impresso ou postado em alguma rede social, poderíamos escrever assim:

    “Gostaria de Convidá-los para meu Odún Méta, onde estarei recebendo todos em…”

    ou

    “Dia XX/XX acontece o meu Odún Méje t’Òrìsà. Venha louvar o Òrìsà na Rua…”

    Conclusão

    Chegamos ao fim da postagem onde aprendemos que esse termo “pagar Obrigação” é mais pejorativo do que outra coisa, sendo, possivelmente, reflexo histórico da época da escravatura, apesar de faltas de provas históricas.

    Vimos também que estão usando o termo errado, mais um termo errado, dentro do Candomblé. Mas podemos aprender a forma correta, mas apropriada, para “Obrigação de ano”, que na verdade significa “comemoração de ano”.

    Espero que tenha gostado e tenha visto como é importante aprender mais sobre essa linda cultura e também sobre o idioma Yorùbá, pois a maioria do Candomblé se utiliza deste idioma, de forma errada, mas usa muito.

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  • Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?

    Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?

    Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?

    Ao iniciar no Candomblé e até mesmo na Umbanda, nos segredos do culto ao orixás (Àwon Òrìsà), o filho de santo entra em uma rígida rotina. O Candomblé e a Umbanda possuem códigos próprios para o bem andar do culto, que é sempre levado com seriedade e responsabilidade, afinal de contas, está se lidando com energias espirituais fortes.

    O pai de santo ou a mãe de santo, também chamados de bàbálórìsà ou ìyálórìsá, são os grande responsáveis por manter e conduzir de maneira harmônica todo o culto. A eles que os deuses africanos enviam, direta ou indiretamente, as mensagens de como deve ou pode ser conduzida uma comemoração de anos de iniciação (odún òrìsà) por exemplo ou a iniciação de um novo Ìyáwò, etc.

    Esses líderes espirituais escolhidos, sim escolhidos, pois não é qualquer um que possui o dom de ser pai ou mãe de santo, devem ser a base de ensinamento dos filhos de santos, aqueles que a eles confiaram a vida espiritual que muitas vezes vem atrelada à a vida amorosa, profissional, familiar e até mesmo sexual.

    Mas até onde vai o “poder” do zelador ou zeladora de santo? Qual o limite na relação filho de santo e o pai/mãe de santo?

    O Que Pode Um Zelador ou Zeladora?

    Quando uma pessoa entra para o culto ao orixá, busca soluções, alívio, um caminho e muitas vezes um reencontro. Quantos não se sentiam vazios antes de entrar para o Candomblé ou Umbanda, mas depois se sentiam fazendo parte de algo maior, se sentiam em contato com algo mais forte e que lhe dava direção na vida, base?

    A figura do pai ou mãe de santo entra nessas horas como aquela que guia, aconselha, transmite. Ao zelador cabe a transferência de àse, a transferência de conhecimento para que o noviço possa caminhar com mais segurança. A segurança espiritual para momento tribulados que sempre surgem na vida dos filhos de santo.

    Manter o ìyáwò fortalecido, informado e seguro espiritualmente deveria ser uma das funções de um zelador, pois na iniciação está havendo uma entrega de corpo, alma e mente. Ao filho de santo cabe respeitar e zelar por tudo que lhe é fornecido, gratidão constante.

    Um zelador pode sugerir ao filho de santo que não faça determinada ação, pois o pai de santo, conhecedor pela experiência de vida, sabe que aquilo pode influenciar o àse do filho, pode fazer o òrìsà reagir de uma maneira ruim, pode desandar o que está bem encaminhado!

    Uma zeladora deve, com toda certeza, proibir o filho de coisas que possam influenciar o barracão, ele próprio e os demais filhos do ilé. Imagina o filho de santo trazer energias ruins para o barracão. Imagina mexer onde não deve, sujando espiritualmente determinados locais!

    Dever do zelador nos momentos oportunos, aquele onde há tempo e maturidade espiritual, transmitir conhecimentos e práticas ao ìyáwò que somente os de mais tempo de casa podem saber (Aqui ìyáwò me refiro a qualquer pessoa que o pai de santo iniciou, não importa se tem 20 anos de santo 😉 ).

    Um babalorixá/ Yalorixá com certeza irá focar em ter um axé forte, unido e com capacidade de crescimento espiritual que transborda e influência positivamente a vida de todos que fazem parte daquele todo. E isso só se consegue com orientação, educação e muito zelo ao sagrado e aos ser humano.

    Os orixás daquela casa com certeza serão gratos, fortes, com muito axé e a vida de seus filhos com muita prosperidade, paz e harmonia.

    Mas…

    O Que Não Pode Um Zelador ou Zeladora?

    Fiz recentemente uma postagem sobre a violência dentro dos barracões, então será por aí mesmo que iremos começar: nenhum zelador ou zeladora pode, usando o nome da religião ou do òrìsà, agredir seu filho de santo. Se quiser ler mais sobre esta postagem – Clique Aqui. E mesmo não usando o nome de religião ou òrìsà não deve agredir um ìyáwò, e vise-versa.

    O zelador ou zeladora não é dono do corpo do iniciado, não é proprietário de sua vida. O contrário disso é escravidão, só nessa época vergonhosa que uma pessoa era proprietária de outras pessoas e nelas mandavam e desmandavam.

    Dessa forma, também não deve o zelador se meter na vida amorosa dos filhos, proibindo namoros, relações. Claro, se o jogo, em uma consulta mostrar que aquela escolha não trará boas consequências, já é outro assunto. Ai vai até mesmo um conselho.

    O título se refere a proibição que muitas casas têm de que seus iniciados não podem visitar outras casas, salvo em companhia do zelador ou de um ègbón da casa. Essa proibição se dá pela maldade que há no meio, pois é, não deveria, mas há maldade entre os candomblecistas que muitas vezes querem queimar (Influenciar com energia ruim) a casa alheia.

    Neste ponto, super compreensivo um zelador aconselhar o filho não andar por algumas casas. Vai que seja a casa de um rival do pai ou mãe de santo e o filho desavisado foi convidado para uma saída ou obrigação de ano.

    Mas é natural as amizades, fortes laços de amizades entre filhos de ilé diferentes. Nesse caso pode o zelador não deixar o filho ir na casa do outro? Como foi dito, não pode ninguém proibir ninguém de nada, mas deve o zelador informar, deixar o ìyáwò consciente da escolha que irá fazer.

    Lembra de uma das atribuições do pai ou mãe de santo – informar – nessa hora que ela entra. Infelizmente muitos se sentem deuses e acham que tudo pode sem nada poder lhes impedir. Não, um zelador não é um ser supremo e solitário. Tanto que quando seu òrìsà toma sua cabeça, coloca os pés no chão.

    Zelador não é dono de ninguém, nem mesmo do òrìsà que ajudou a iniciar na cabeça do ìyáwò.

    Não pode o zelador se apropriar de bens comprados pelos filhos de santo e isso gera assunto para uma outra postagem em breve.

    Claro que aqui estamos falando da imaturidade de algumas pessoas que alcançaram essa posição de líder espiritual. Essa mesma atitude há também em outras religiões, infelizmente. Ou seja, é uma mau do ser humano e não do pai ou mãe de santo.

    Ìyáwò X Bàbá / Ìyálórìsá?

    Claro que não deve haver rivalidade entre as partes, em hipótese nenhuma. Assim como em uma família sanguínea, a desavença e brigas em uma família de santo só traz desarmonia, energias ruins e rupturas.

    Deve haver um diálogo constante entre as partes. Cada ponto deve ser debatido. Um ìyáwò bem informado, doutrinado sempre será compreensivo com seu axé. Haverá muitas vezes ingratidão, todo zelador ou zeladora sabe disso. Quanto suas mãos não ajudaram a levantar e se foram após estarem lá em cima?

    Deve o ìyáwò buscar a união com seu axé e zelador/ zeladora.

    Deve o zelador cuidar, educar e soltar as amarras de seus filhos, iniciados sobre suas mãos.

    E você, acha que o zelador ou zeladora pode proibir o filho de santo de visitar outras casas? Deixe sua opinião nos comentários!!

    Ó dàbò!

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  • Adamus Òrìsà – A Verdade Que Nunca Contaram a Você!

    Adamus Òrìsà – A Verdade Que Nunca Contaram a Você!

    O Festival de Eyo – História e Características

    Na Nigéria há diversos festivais, em sua maioria alegre e colorido. Alguns outros tristes, mas sempre com um forte significado para o povo. Os mais conhecidos festivais são: Festival de Egungun (Sim, é um festival aberto ao público), Festival de Òsun Osogbo e o Eyo. Há muitos outros, claro. Não conhece este último?

    O festival Eyo, também conhecido como Adamus Orisa, é um festival colorido que expressa e exibe a cultura e as tradições da cidade de Lagos, na Nigéria. É amplamente esperado e assistido por todos que lá vivem e também por visitantes de toda a Nigéria e estrangeiros também. Não há nada parecido no Candomblé, acredite!

    As suas esplêndidas e expansivas exibições teatrais realçam e exibem a história nativa dos habitantes de Lagos e, através de uma pitoresca variedade de regalias e fantasias, forma desfiles na ilha de Lagos. Isso é amplamente considerado como um dia de alegria e esplendor.

    O festival evoluiu ao longo de três séculos, e é geralmente realizado para celebrar a vida e os tempos de um Oba, ou em comemoração da passagem (morte) ou ascensão ao trono de um Oba (rei) de Lagos. Igualmente, o festival de Eyo é encenado na memória de um indivíduo digno e ilustre falecido. Uma grande forma de homenagear uma pessoa que foi grande destaque na vida da comunidade

    Considera-se que constitui a maior honra que Lagos pode fazer para pagar um cidadão pela eminência e serviço público. Apesar de suas origens terem um propósito ritualístico, também houve incidentes quando o Festival de Eyo foi realizado para coincidir com a homenagem a dignitários estrangeiros.

    Geralmente, não há data definida para a realização do Festival de Eyo. Assim, a ansiedade em Lagos e além, uma vez que as datas de sua performance foram selecionadas e anunciadas é imensa. O festival abrange uma série de atividades que duram uma semana e culmina em uma procissão impressionante de milhares de homens vestidos de branco e usando uma variedade de chapéus coloridos, chamados Aga Eyo e também cajados – Opa Eyo. Esses cajados e chapéus são o que identificam os grupos de mascarados. Veja no vídeo um pequeno trecho:

    A procissão que dança e celebra nas ruas de Lagos passa por vários locais e monumentos cruciais da cidade, incluindo o Palácio de Oba. Os Eyo são considerados relacionados aos espíritos dos mortos que retornaram para limpar Lagos do mal e rezar por sua contínua prosperidade e existência pacífica.  Alguns consideram que quando chove durante o festival é um bom sinal, pois tudo foi lavado e está limpo, sem espíritos ruinsO festival começa do anoitecer ao amanhecer e acontece aos sábados desde tempos imemoriais.

    O Festival Eyo essencialmente admite pessoas altas, e é por isso que é descrito como Agogoro Eyo (que significa literalmente o mascarado alto de Eyo). Na maneira de um espírito estar visitando a terra com um propósito, a pessoa mascarada de Eyo fala com uma voz meio de ventríloquo, sugestiva de seu outro mundo; e quando cumprimentado, responde: “Mo yo fun e, moyo fun’ra mi” (“Eu me regozijo por você, e me alegro por mim mesmo). Essa resposta, sempre ditas em língua Yorùbá,  denota que os bailes de máscaras se regozijam com a pessoa que a cumprimenta para o testemunho do dia e com sua própria alegria em assumir a sagrada responsabilidade da limpeza.

    O Eyo possui códigos estritos que proíbem a transgressão, de modo que outros desempenhos da peça não são permitidos fora de seu objetivo projetado, tudo é muito bem supervisionado pela polícia. Para que uma peça de Eyo seja iniciada, diz-se que a permissão é tradicionalmente buscada no Oba de Lagos, por uma pessoa que acredita que seu ancestral falecido merece ser honrado por sua contribuição a Lagos.

    Posteriormente, o Oba vai, com sua equipe, dirige a um de seus mensageiros para convidar o Akinsiku de Lagos (o chefe de todos os Eyos) para o palácio para uma consulta. É o Akinsiku quem expõe e especifica o Ikaro – as oferendas e os presentes exigidos da família solicitante antes que a peça possa ser encenada. Como tal, o Oba é a fonte de autoridade que é passada para os Akinsiku, que então distribui os presentes para as famílias das divindades em Lagos.

    No entanto, também pode-se dizer que, para a peça de Eyo ser encenada, a permissão é solicitada ao Awe Adimu, a base do grupo Eyo sênior, e então a Akinsiku informa ao Oba e ao respectivo conselho de anciãos, então os arranjos para o festival começa assim que a permissão é concedida.

    Uma outra curiosidade é que o Festival por não ter uma data certa para acontecer, sempre ocorre em situações bem diferentes. Já ficou 21 anos sem ocorrer, assim como já ocorreu 3 vezes no ano. Então tem que se colocar na cabeça que o Festival serve para comemorar a memória de uma pessoa muito importante para a Nigéria.

    Enquanto o festival de Eyo, também conhecido como o jogo de Adamus Òrìsà, é o principal evento cultural em Lagos, a sua história e origens foram articuladas numa série de versões bastante divergentes, mas que falam da sua aceitação apaixonada pelo povo de Lagos.

    Uma fonte proeminente da história do festival Eyo é da família Isokun Onilegbale Chieftaincy, alegando que o festival é de lbefun, e diz respeito à história de Olori Olugbale, esposa do rei Ado de Lagos, cujos dois irmãos (ou primos), Ejilu e Malaki vieram visitá-la em Lagos, mas descobriram-na morta quando chegaram. Posteriormente, eles retornaram para lbefun para trazer o Eyo Mascarados para Lagos para comemorar sua morte.

    Independente da versão, sabe-se que é um festival lindo, alegre e muito movimentado. Não existe Orixá Eyo, iniciação a Eyo. Podemos o mais próximo de comparação aqui no Brasil é dizer que é similar ao Afose Filhos de Gandhi.

    Então, gostou da postagem? Já conhecia o Adamus Òrìsà – Eyo? Deixe seu comentário!!

    Ó dàbò!

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  • Gèlé (Pano de Cabeça): A Coroa da Mulher Negra! (II)

    Gèlé (Pano de Cabeça): A Coroa da Mulher Negra! (II)

    Amarrando Um Pano de Cabeça No Candomblé e Na Umbanda.

    Mo júbà…

    Novamente aqui estamos para falar sobre o Gèlé, conhecido como pano de cabeça no Candomblé, ou até mesmo, Òjà.  No meu outro post, conhecemos um pouco dele e sua importância na vida da mulher nigeriana e também em outros lugares da África.

    Acredite, o assunto é longo. Caso não tenha lido, clique aqui e leia a matéria pra poder acompanhar esta! Os candomblecistas adoraram rs.

    Como havia dito, estarei postando hoje como se amarra um Gèlé. Devido a cultura inglesa que em épocas anteriores dominou a Nigéria, o termo lá é pronunciado: gay-lay.

    Antes, gostaria de fazer uma adendo ao assunto: Foi-me indagado sobre fotos de homens que usavam pano de cabeça. Em tempos antigos, escravos homens usavam pano de cabeça simplesmente para carregar peso. Este pano era símbolo da escravidão.

    Porém, devemos lembrar que aqui falo do pano de cabeça no que tange a Nigéria, pois em outras culturas, existem panos de cabeça, mas para proteção contra o Sol, principalmente em zonas desérticas e muito áridas.

    Para as mulheres, o caso é mais fashion mesmo. Dificilmente tem essa relação tão grande religiosa. Exemplo disso é que muitas mulheres evangélicas, católicas e algumas muçulmanas usam Gèlé. Fato interessante é que aqui temos salões de beleza né? Lá há salões para amarrar Gèlé, com preço de amarra beeeem altos. São profissionais requisitados e verdadeiros artistas!

    Agora um extra!!! Passo a passo com fotos de Como Amarra Seu Pano de Cabeça e Mandar Bem num “Blé”!!

    As imagens abaixo são auto-explicativas. Encorajo vocês a praticar e praticar ( A prática leva a perfeição ), não desista! Essa é uma amarração tradicional Yorùbá, talvez em seu barracão não se amarre assim. Vamos respeitar as diferenças.

    Passo 1. Dobre o Gele em 2 partes iguais (Aqui é usado metade do pano ):candomblé_orixa_2
    Passo 2. Enrole em torno de sua cabeça, a partir da testa:candomblé_orixa_3
    Passo 3.Sobreponha o Gele na parte de trás do seu pescoço e puxe a frente:candomblé_orixa_4
    Passo 4. Traga a mão do Gele pra frente e pare no meio de sua testa:candomblé_orixa_5
    Passo 5. Faça algumas dobras:candomblé_orixa_6
    Passo 6. Pegue a dobra na parte traseira:candomblé_orixa_7
    Passo 7 mudar de mãos para ajudar a criar asas:candomblé_orixa_8
    Passo 8. Dobre ao meio no pescoço , onde o outro lado está:candomblé_orixa_9
    Passo 9 Certifique-se de que você fez um aperto firme:candomblé_orixa_10
    Passo 10. Certifique-se de ambas as bordas estão agarradas firmemente:candomblé_orixa_11
    Passo 11 Em seguida, amarre apertado ( duas vezes se necessário):candomblé_orixa_12

    Prontinho… agora só encarar o Sìrè rsrs

    O que achou? Um ideia: Por que as mulheres brasileiras não fazem uns tutoriais assim… vamos lá gente rs.  Teria uma enorme satisfação de divulgar aqui! Grande abraço e ó dàbò!

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  • Gèlé (Pano de Cabeça): A Coroa da Mulher Negra! (I)

    Gèlé (Pano de Cabeça): A Coroa da Mulher Negra! (I)

    O Pano de Cabeça no Candomblé – O Gèlé

    Mo júbà!

    Você já viu aqueles panos lindos nas cabeças das mulheres nigerianas? Já reparou que aqui no Brasil, dentro do Candomblé, ele ganhou quase que um culto e até mesmo itan para justificá-los? Pois bem, trago hoje para vocês o Gèlé – Pano de Cabeça do Candomblé!

    Um amigo, nigeriano nativo, com qual mantenho trocas culturais e linguísticas simplesmente estranhou o uso por homens aqui no Brasil no Candomblé, não só o uso do pano de cabeça, como outras vestimentas femininas em homens. Apesar das explicações dadas, para ele é algo estranho. Em outras situações se usam sim os panos de cabeça, principalmente em desertos, mas em situações sociais e festivas ele estranhou.

    “Gele” ou “Gèlé” é uma palavra Yorùbá para um envoltório usado na cabeça das mulheres, ou seja, uma espécies de indumentária feminina. Pode jogar a palavra no Google e ficará espantado com a beleza desse item feminino. As mulheres Yorùbá são conhecidas por usá-los incrivelmente bem encaixados, fixados em suas cabeças, e apesar de ser apenas um apetrecho, pode ser encontrado em quase todas as culturas Africana.

    Se deseja saber mais sobre outras vestimentas e suas explicações, saiba que no Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá, trato de vestimentas femininas e masculinas. Excelente conhecimento para ser passado dentro do Ilè.

    Gèlé é mais do que apenas uma cabeça coberta, é uma forma de arte. Um grande pano retangular amarrado na cabeça da mulher em uma variedade de formas, cores e estampas. O material usado para fazer o Gèlé é geralmente duro, mas flexível, por exemplo, Aso-oke (o verdadeiro feito em tear e de seda), Brocado (algodão) e Damasco. Aqui no Brasil se usam materiais diversos, de bordado a chita.

    Estes materiais vêm em uma ampla variedade de cores, padrões e texturas. Quanto maior o pano (e maior a habilidade) mais elaborado aparenta e até confere um certo status. É quando a mulher negra se torna a rainha em toda sua plenitude e beleza!

    Amarrando um Gèlé

    Amarrar um Gèlé é uma forma de arte que requer prática, paciência e muitas vezes um braço bem tonificado, mas uma vez amarrado, um Gèlé pode fazer qualquer mulher aparentar um certa realeza, um ar de supremacia estética. É uma bela coroa de glória e honra, e hoje eles vêm em cores surpreendentes, padrões e desenhos.

    Para eventos glamourosos, como casamentos, aniversários, batismo, inaugurações ou até mesmo funerais – aparência de uma mulher é muitas vezes considerada incompleta sem um.
    Quando se fala em Brasil, dentro do Candomblé eles quase que tem uma amarração padrão, porém, estou começando a ver algumas àwon ìyá usando de maneira mais glamourosa, sem deixar a essência religiosa e respeitosa se perder.

    cursodeyoruba_panodecabeça_candomblé (3)

    A arte de amarrar um Gèlé é como qualquer outra arte, o seu sucesso depende da criatividade e maestria. Um pano de cabeça, como é chamado aqui no Brasil, no Candomblé e Umbanda, quando devidamente amarrado, pode ser como uma coroa, porém, ao contrário, se feito de forma errada pode se tornar um desastre total. Imagine no alto de sua beleza, ele se desfazer no meio do salão? Não seria bom!!!! Apesar de acontecer por vezes.

    Cada Gele é único e não existe uma fórmula verdadeira para alcançar a aparência exata duas vezes. Se você der uma olhada mais de perto, você verá que não há dois Gèlé(s) – Àwon Gèlé –  (uma vez amarrados) iguais. O povo Yorùbá, absolutamente ama Gèlé porque não só eles são amarrados em vários estilos, mas eles são um aspecto da cultura que fazem as mulheres se sentir bonita e são em verdade, não importa a ocasião. O estilo das cores do Gèlé pode ser um reflexo do seu estado de espírito, o estilo ou personalidade. Assim como temos aqui no Brasil o tipo funkeira, pagodeira, executiva, hippie e etc. Um Gèlé tem a marca de sua dona, ou usuária. Tendo aí também reflexo de desleixo ou capricho; de luxo ou simplicidade.

    Criatividade é a chave!

    cursodeyoruba_panodecabeça_candomblé (2)

    Interessado em saber como amarrar seu próprio gele? Não perca no próximo post vídeos ensinado a marrar seu Gèlé e você chegar totalmente transformada em seu Ilè t’òrìsà!!

    Ó dàbò!!

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