Tag: umbanda e candomblé

  • Ebômi X Ẹ̀gbọ́n mi. Compreendendo a diferença além da grafia!!

    Ebômi X Ẹ̀gbọ́n mi. Compreendendo a diferença além da grafia!!

    Mo júbà

    E aqui estamos com mais uma postagem de conteúdo que irá ajudar você em sua caminhada em aprender o idioma Yorùbá e usá-lo em seu dia a dia no Candomblé, Ifá, Rito Tradicional e até Umbanda.

    Hoje irei tratar da palavra comumente usada no Candomblé, mas erroneamente associada a um determinado tempo ou à uma determinada obrigação.

    Ebômi – Os famosos 7 anos!

    Vejo, ouço e leio constantemente sobre o tal “ebômi”. Funciona essa palavra para duas situações (Como as pessoas falam por aí. Não sou eu quem está determinando isso, deixar claro!!!):

    1. A pessoa que já passou de 7 anos de iniciado;
    2. Pessoas que tomou a obrigação de 7 anos e com isso passa a receber alguns privilégios, como entrar em determinadas rodas, segurar determinados objetos e etc. Curioso de quem segue essa norma da obrigação, é que mesmo que você possua 10 anos de iniciação, caso não tenha tomado a obrigação, não será considerado “ebômi”.

    Essas duas situações é como costuma ser visto o “ebômi”. Há situações que se tornam cargos ou postos. Novamente, apenas replicando o que falam por ai. Comum alguém falar que tem o cargo de “ebômi” na casa, que tem posto de  “ebômi” no àṣẹ e por ai vai.

    Ser “ebômi” acarreta muitas responsabilidades, obrigações e alguns alívios. Começa-se a poder fazer outras coisas antes proibidas, pode-se usar vestimentas antes vetadas por não ter tomado a obrigação. Mas tudo isso é um costume brasileiro, vindo com a organização do Candomblé. Não se trata de uma tradição nigeriana ou beninense!

    O vídeo abaixo explica detalhadamente a palavra, seu uso errado e seu uso e grafia corretos. Assista e depois continue a leitura.

    Ẹ̀gbọ́n mi: o irmão(ã) mais velho(a)!

    Então, curtiu o vídeo? Gostou das explicações? Acho que consegui esclarecer melhor o equívoco com a palavra e o que praticam, correto?

    Ẹ̀gbọ́n é a palavra em Yorùbá que significa irmão mais velho ou irmã mais velha. Isso dentro de um contexto familiar nigeriano, onde quem nascer antes dos outros é o mais velho. Não tem nem uma ligação com obrigação ou sete anos cravados. Uma pessoa com 2 anos a mais que outra, sempre será ẹ̀gbọ́n mi de quem estiver depois dele.

    O “mi” é um pronome possessivo, como tal ele indica que algo é de quem está usando esse pronome. ẹ̀gbọ́n mi é uma palavra que só eu posso usar quando estou indicando que o irmão é meu. Não posso falar que Pedrinho é seu ẹ̀gbọ́n mi! Fica uma frase errada, ẹ̀gbọ́n mi = meu irmão mais velho/ minha irmã mais velha!

    Há também o irmão mais novo ou irmã mais nova, cuja palavra é àbúrò e segue a mesma lógica a colocação do pronome possessivo. Àbúrò mi = meu irmão mais novo ou minha irmão mais nova!

    Para indicar que alguém é “nosso irmão mais velho“, eu digo: Ẹ̀gbọ́n wa. Wa é o pronome possessivo nosso, da 1° pessoa do plural – Nós!

    Ará: O irmão nem mais velho e nem mais novo!

    Mas há uma situação corriqueira: chega uma pessoa ao barracão. Você sabe que ela é da religião, mas não sabe a idade de iniciação dela. O que fazer?

    Os evangélicos chamam uns aos outros de irmão, são irmãos na fé. No candomblé também podemos e devemos usar o mesmo conceito, por mais que a origem no cristianismo seja diferente (Deus é pai e as pessoas filhos dele, logo irmão).

    Ará é a palavra em Yorùbá que significa irmandade, parente e pode ser usada conotativamente para irmão ou irmã sem especificar idade, logo ideal para casos em que não se sabe se alguém é mais novo ou mair velho que você, mas que você sabe ser um irmão na fé!

    “Mi” entra novamente como pronome possessivo que sempre, disse sempre, deve ser usado após o objeto possuído. Então, diante de uma pessoa que desconhece-se a idade: Ará mi = meu irmão ou minha irmã!

    Conclusão

    Bom, chegamos ao fim dessa postagem com vídeo  e texto, espero que tenha gostado!

    Chegamos a conclusão que o termo “ebômi” é erroneamente usado, dando-se significados que não condiz com o real sentido da palavra.

    Aprendemos as formas corretas de uso e mais uma vez nota-se a importância de saber o idioma Yorùbá, que passa a ser um manancial de conhecimento também cultural e não somente linguístico.

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  • Kọ́jọ́dá – O Calendário Yorùbá Dedicando Cada Dia a Um Òrìsà!

    Kọ́jọ́dá – O Calendário Yorùbá Dedicando Cada Dia a Um Òrìsà!

    No mundo atual, nós estamos acostumados com o calendário de 7 dias na semana e 12 meses no ano, conhecido como calendário Gregoriano. Esse calendário foi quase que imposto pela igreja Católica, é o calendário promulgado pelo Papa Gregório XIII em 1582 e adotado imediatamente por Espanha, Itália, Portugal, Polônia e, posteriormente, por todos os países ocidentais e consequentemente suas colônias.

    Mas, sabemos que há outros modos de se contar o tempo e esse caso se aplica também ao povo Yorùbá e seu Kójódá. Geralmente ao perguntar para um nigeriano os dias da semana, ele irá responder assim: Aiku, Aje, Isegun, Ojoru, Ojobo, Eti e Abameta. Esses dias da semana inclusive são ensinado nos Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá – Curso com mais de 15 módulos com videoaulas e apostilas em PDF. Ao final tem certificado de conclusão.

    Mas há uma outra forma!

    O ano do calendário iorubá (Kójódá) vai de 3 de junho a 2 de junho do ano seguinte. De acordo com este calendário, o ano Gregoriano de 2018 é o ano 10061 da cultura Yorùbá. A semana tradicional de iorubá tem quatro dias e não os sete mencionados acima que são adaptações do nosso.

    Os quatro dias dedicados aos Òrìsà são os seguintes:

    Ojo Ògún;

    Ojo Jakuta;

    Ojo Ose;

    Ojo Awo.

    O Significado das Semanas

    Veremos agora o significado de cada dia e a quem, qual é o òrìsà é dedicado. Lembrando que não é um significado fixo, pois em cada cidade o significado muda e isso nos remonta ao que sempre digo: não há donos da verdade, há verdades diferentes para cada pessoa.

    Ojo Ògún

    Os Yorùbá contam esses quatro dias da semana a partir de Ojo Ògún (Dia de Ogum, o deus do ferro). Ojo Ògún é o primeiro dia da tradicional semana Yorùbá e é o dia em que o Ològún ou os adoradores e devotos de Ògún adoram esta divindade em particular.

    Em Ojo Ògún, os Ològúns adoram e comemoram com vários alimentos considerados os favoritos de Ogum. Estes incluem ekuru (um tipo de pudim de feijão cozido no vapor), ewa (feijão) e iyan (inhame picado). No entanto, o item mais importante do sacrifício em Ojo Ògún é o cão – Ajá. Já que Ògún gosta de dieta balanceada, parece que Ojo Ògún será meu dia favorito da semana.

    A propósito, em algumas outras partes das terras Yorùbá, também é chamado Ojo Osoosi, em homenagem a outro deus, Osoosi, que é considerado como o irmão de Ogum e Sango.

    Esse dia também pode ser dedicado aos òrìsà: Sopanna, Iyaami, and the Egungun.

    Ojo Jakuta

    Depois de Ojo Ogun vem o segundo dia da semana. Ojo Jakuta também é chamado Ojo Sàngó. Sàngó é o deus yorùbá do trovão, raio e (eletricidade). O dia em algumas partes das terras Yorùbá é chamado Ojo Oya. Neste dia dedicado a Sàngó, seus adoradores saem vestindo roupas vermelhas e brancas brilhantes como essas são as cores favoritas de Sàngó e fazem o culto apresentando itens comestíveis como amala com sopa gbegiri, obí amargo e guguru. (Tudo isso em terras nigerianas e nenhuma relação com o Candomblé no Brasil).

    Orixá - Xangô

    Para Sàngó, o animal sacrificial mais importante é o carneiro. Jakuta significa “alguém que lutou com pedras”.

    Ojo Ose

    Este é o terceiro dia e é reservado para a adoração de Òrìsà Nlá (A Grande Deidade). O alimento favorito usado para este dia é o ake, mas os caracóis também são usados ​​para os sacrifícios. É um dia de grande respeito e que cada ato é bem planejado, respeitando principalmente o uso do branco e evita-se consumo de azeite de dendê e outras coisas que são èwo!

    Neste dia especial, todos os adoradores de Òrìsà Nlá usam roupas brancas e limpam todas as suas casas e arredores. Este mesmo dia pode ser dedicado à adoração de Obatala, Sonponna (deus da varíola), Iyaami (as Mães ou Grandes Bruxas) e os Egungun (Máscaras).

    Ojo Awo

    Ojo Awo (Dia da Divindade) é o dia reservado para Ifá (Oráculo) e, assim como Òrìsà Nlá, Ifá também prefere iguarias feitas com a carne. Este mesmo dia também pode ser dedicado para a adoração de Èsù, Òsun e Orunmila.

    Para se reconciliar com o calendário gregoriano, os yorùbá também medem o tempo em sete dias por semana e quatro semanas por mês. O calendário de quatro dias foi dedicado aos Òrìsà e o calendário de sete dias é para fazer negócios.

    Mas os sete dias também possuem significado para cada Òrìsà ou para determinadas atividades, vejamos:

    •  Domingo – ọjọ́ Àìkú/ọjọ́-ọ̀sẹ̀/àko-ọjọ́:
      • Dia da imortalidade – primeiro dia da semana.
    • Segunda-feira – ọjọ́ Ajé:
      • Dia do lucros, juros, ganhos. Dia em que Ajé veio a Terra.
    • Terça-feira – ọjọ́ Ìṣẹ́gun:
      • Dia da Vitória.
    • Quarta-feira – ọjọ́ rírú:
      • Dia do sacrifício.
    • Quinta-feira – ọjọ́ rúbọ;ọjọ́bọ:
      • Dia da nova criação, novo amanhecer.
    •  Sexta-feira – ọjọ́ Ẹtì:
      • Dia de impasses.
    • Sábado – ọjọ́ Àbámẹ́ta:
      • Dia de três moções, dia das sugestões.

    O meses em Yorùbá – Awon Oshu tabi OṢU KójóDÁ

    1. ṠḔRḔ -Janeiro
    2. ÈRÉLE (Irele) – Fevereiro
    3. ḔRḔNA -Março
    4. IGBE -Abril
    5. ḔBÍBÍ -Maio
    6. ÒKÙDÚ -Junho
    7. AGḖMṐ (Agẹmọ) -Julho
    8. ÒGÚN -Agosto
    9. OWḖRḖ (Owewe) -Setembro
    10. ṐWARO (Owara) -Outubro
    11. BḔLU (Bẹlu) -Novembro
    12. ṐPḖ (Ọpẹ) -Decembro

    Acima podemos ver os meses em Yorùbá e abaixo deixo a disposição um calendário Yorùbá – Kójódá antigo, do ano de 2017, mas você pode notar como são divididos os dias e meses e as semanas! Isso ajuda muito quem joga e precisa fazer as oferendas nos momentos certos, principalmente quem é do culto a Ifá ou Culto Tradicional Yorùbá.

    Finalizamos

    E então espero que tenha gostado de aprender como são os dias da semana e os meses do ano em Yorùbá, assim como ter conhecido o calendário Yorùbá de quatro dias.

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  • Cresce o Número de Candomblecistas Que Não Possuem Casa de Santo!

    Cresce o Número de Candomblecistas Que Não Possuem Casa de Santo!

    O Candomblé é uma religião brasileira com raízes africanas, disso todos sabem, apesar de alguns afirmarem ser uma religião puramente africana. Ele nasce durante o vergonhoso período de escravidão onde os escravos eram comprados na Costa da Mina, sendo vítimas principalmente nativos de Benim e Daomé (século XIX – 1815), mas também  Yorùbá, Jèjè, Minas, Haussás, Tapas e Bornus.

    O Candomblé nasce como uma forma de resistência, uma maneira de manter viva, aqui no Brasil,  a memória ancestral tão forte daquele povo que foi arrancado de sua terra às duras penas. Claro que essa não é uma definição que finaliza o assunto por aqui, apenas uma introdução!

    O Candomblé: Uma Comunidade

    Aqui no Brasil, quando se fala em Candomblé, logo vem à mente a figura de uma comunidade unida em torno de uma figura de liderança conhecida como Bàbálórìṣà ou Ìyálórìṣà, também conhecidos como Pai de Santo ou Mãe de Santo. Há também a expressão zelador ou zeladora de santo.

    Essa é a figura principal de um ilé òrìà (casa de santo ou barracão), abaixo somente dos próprios àwon òrìṣà. Logo em seguida, há os seus auxiliares, como pai pequeno, ọ̀gá, èkéjì e vários outros postos e cargos com funções definidas nessa grande comunidade que tem como foco cultuar os deuses africanos.

    Por fim, há duas figuras menores, são os que estão começando a caminhada neste mundo: o abíyán e o ìyáwó.

    O Abíyán

    Figura importantíssima dentro do Candomblé, mas que por vezes é marginalizada pelos que já são “feitos” no òrìṣà, o abíyán é aquela pessoa que está iniciando no caminho, mas que ainda não teve sua iniciação formalizada e o òrìṣà manifestado ao público. Seu corpo ainda não foi sacralizado para o transe ou incorporação.

    No Candomblé, há o ato de tirar o nome do òrìṣà, o dia do orúkọ, onde o abíyán deixar de o ser e solta o seu nome de iniciado para o público presente tornando-se então em ìyáwó – uma pessoa oficialmente iniciado ao òrìṣà.

    A respeito dos nomes em Yorùbá, temos um curso sobre os significados desses nomes em Yorùbá, traduções, criações e tudo mais – Clique Aqui e Conheça o Curso Orúko – Nomes Sagrados dos Òrìsà!

    Mas antes desse dia super importante, o abíyán conhece a casa, realiza algumas tarefas e enfim vai conhecendo mais da rotina da religião. Ele também é observado para que a liderança possa sentir se ele tem jeito ou não para ser um devoto. O Candomblé não é para qualquer um, muitos dizem!

    O Ìyáwó – Um Casamento Com o Òrìṣà

    Após iniciado, enfim a pessoa torna-se um ìyáwó e deve acostumar-se com essa posição por um bom tempo, pois você sempre será um ìyáwó aos olhos de pessoas mais velhas que vocês, os ẹ̀gbọ́n .

    Ìyáwó significa esposa em alusão ao “casamento” que a pessoa tem com seu òrìṣà de cabeça. Com este òrìṣà, a pessoa irá caminhar até o dia de sua morte. Como ìyáwó, você é filho de santo de alguém, pois alguma pessoa iniciou você.

    Não existe ìyáwó que se autoinicia. Impossível!! Você precisa ser iniciado através das mãos de outra pessoa mais velha que irá lhe transferir àṣẹ e assim você passa a pertencer à uma casa de santo, um ilé òrìṣà!

    Mas…

    Os Ìyáwó Sem Casa de Santo

    Para que você pudesse compreender melhor o que ocorre hoje, tinha que mostrar como funciona, por alto, sem esmiuçar todos os termos e assuntos, uma casa de Candomblé.

    Viu que um iniciado é ligado à uma casa que geralmente é a casa de quem o iniciou, mas hoje, cresce o número de pessoas que após a iniciação, seguem suas vidas sem ter nenhuma ligação mais com casas, pais ou mães de santo.


    Entrevistei algumas pessoas que pediram o anonimato e em sua maioria preferiram esta vida, sem nenhuma ligação com casas, por decepções com o que ocorre dentro e também fora das casas, coisas que vão de assédio até mesmo à agressões físicas!

    Renata do Rio de Janeiro disse que se encantou com o Candomblé, juntou dinheiro e logo se iniciou. Era encantada com tudo e adorava seu zelador e seu àṣẹ, até o dia em que foi agredida na frente de seus irmãos de santo, ela diz:

    – Sempre amei meu orixá e o orixá patrono da casa onde fui iniciada, mas o dia em que fui jogada ao chão e chamada de lixo imprestável, vi que ali não era o meu lugar. Tomei todas as minhas obrigações em outra casa onde somente vou, pago o chão, compro os materiais e pronto, está feito. Não tenho outro vínculo ou obrigação como de ir ajudar em dia de feitura ou algum evento.

    Maurício, advogado de São Paulo, disse que a casa onde frequentava mais parecia um motel e que quem fosse “algo mais do zelador” tinha muitos favores e sempre estava à frente. Quem tivesse mais dinheiro também tinha regalias e tinha um tratamento diferenciado, alguns nem sentavam no chão.

    Quando cheguei e era abiã, eu era super bem tratado e achava isso o máximo. Com o tempo percebi que os outros não eram assim tão bem tratados. Logo depois de minha saída como ìyawó, entrou uma empresária bem rica e ela então só faltava sentar na cadeira do zelador.
    Algumas noites percebia um entra e sai de rapazes na casa, gemidos e às vezes muitas camisinhas no lixo… às vezes no lixo da cozinha, onde são feitas as refeições do àse, as comidas dos santos e os ebós.
    Depois de 4 anos meu olhos se abriram e então conseguir ver onde tinha me metido. Conhecedor de direito que sou, levei todas as minhas coisas de santo, pois tinha as notas fiscais e tudo mais.
    Hoje falta somente minha obrigação de 7 anos que irei tomar na casa de um amigo, mas apenas isso, sem nenhuma ligação a mais com o àsé!!
    O orixá é belo, os humanos podres que estão acabando com a religião!

    Letícia, da Bahia, disse que o sua zeladora a fez de empregada por um bom tempo e ela achava que estava servindo ao santo.

    Quando entrei vi que era normal as pessoas cozinharem, pois há ebó, comidas para o santo, comidas para a função… enfim, era normal. Com o tempo a zeladora pediu para ir até a casa dela ajudar em algumas coisas.

    Faxinava, cozinhava, lavava quintal… mas acredite professor, tudo eu fazia com enorme felicidade, pois estava sempre cantarolando para o santo, treinando passos. Até que um dia a ficha caiu quando ela foi grossa comigo por eu não ter feito algo direito. Foi quando vi que eu não era mais filha de santo, mas empregada da zeladora.

    Falta pagar meus 3 anos. Não sei como irei fazer, mas com certeza não fico mais em casa nenhuma. Não acredito nessa que o òrìsà irá castigar, orìsà é muito mais que isso e vê tudo isso que acontece. Cuido do meu santo do jeito que posso e tenho saúde, emprego, uma família maravilhosa, coisa que antes estava afastada por estar sempre cuidando das coisas da zeladora.

    Só Pode Cultuar Òrìsà se Estiver Ligado à Uma Casa?

    O receio de muitas pessoas que entrevistei, que querem sair de suas casas mas têm medo, é o famoso castigo do òrìṣà, medo esse que muitos dos entrevistados superaram. Conversei com mais pessoas e não coloquei todas as respostas aqui para não ficar uma postagem longa.

    Eles aprenderam que não ficarão em falta com seu òrìṣà se mantiverem suas energias espirituais em dia. Continuam fazendo suas obrigações, e ẹbọrí, cortes para entidades de rua, mas tudo isso sem estar ligado a qualquer casa que seja. Pagam, fazem o que tem que ser feito e bola para frente!

    Infelizmente, muitas pessoas não possuem maturidade para liderar uma casa, liderar pessoas, cuidar da saúde espiritual e também delas. Percebemos que não todos, mas uma parte dos zeladores e zeladoras se aproveitam da posição para inflar seus egos, desviar seus filhos de suas funções e, à base do medo, mantê-los cativos, presos ao barracão!

    O Candomblé, sim, suga bastante as pessoas, as funções são corridas, com muitas coisas para se limpar, cozinhar, carregar e etc. Isso é normal, mas algumas coisas que vemos por aí são fora do normal. Por vezes um zelador ou zeladora pode agir com certa aspereza, mas não há a necessidade de agressões físicas e psicológicas.

    Cresce o número de pessoas que não querem estar ligadas à uma casa pois sabem que ali o ambiente é terrivelmente viciado, onde as regras não são bem claras, onde há privilegiados e os desafortunados. Sabem que em algumas casas quem possui mais dinheiro vira queridinho do pai ou mãe de santo; outras vezes, manter um relacionamento, muitas vezes clandestino com o zelador ou zeladora, também rende benefícios…

    Enfim, o Candomblé, assim também como a Umbanda precisa amadurecer mais em alguns aspectos. São as lideranças que levam essas religiões para frente. Falta hoje um pouco mais de seriedade, foco, pesquisa e estudo.

    Ainda vivemos na época de que Candomblé bom é Candomblé com casa cheia, não importando a qualidade. Cuidado ao escolher uma casa para frequentar e não se deixe ser abusado de nenhuma forma, faça valer as leis vigentes e não tenha medo de denunciar.

    O dábò!!

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  • Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?

    Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?

    Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?

    Ao iniciar no Candomblé e até mesmo na Umbanda, nos segredos do culto ao orixás (Àwon Òrìsà), o filho de santo entra em uma rígida rotina. O Candomblé e a Umbanda possuem códigos próprios para o bem andar do culto, que é sempre levado com seriedade e responsabilidade, afinal de contas, está se lidando com energias espirituais fortes.

    O pai de santo ou a mãe de santo, também chamados de bàbálórìsà ou ìyálórìsá, são os grande responsáveis por manter e conduzir de maneira harmônica todo o culto. A eles que os deuses africanos enviam, direta ou indiretamente, as mensagens de como deve ou pode ser conduzida uma comemoração de anos de iniciação (odún òrìsà) por exemplo ou a iniciação de um novo Ìyáwò, etc.

    Esses líderes espirituais escolhidos, sim escolhidos, pois não é qualquer um que possui o dom de ser pai ou mãe de santo, devem ser a base de ensinamento dos filhos de santos, aqueles que a eles confiaram a vida espiritual que muitas vezes vem atrelada à a vida amorosa, profissional, familiar e até mesmo sexual.

    Mas até onde vai o “poder” do zelador ou zeladora de santo? Qual o limite na relação filho de santo e o pai/mãe de santo?

    O Que Pode Um Zelador ou Zeladora?

    Quando uma pessoa entra para o culto ao orixá, busca soluções, alívio, um caminho e muitas vezes um reencontro. Quantos não se sentiam vazios antes de entrar para o Candomblé ou Umbanda, mas depois se sentiam fazendo parte de algo maior, se sentiam em contato com algo mais forte e que lhe dava direção na vida, base?

    A figura do pai ou mãe de santo entra nessas horas como aquela que guia, aconselha, transmite. Ao zelador cabe a transferência de àse, a transferência de conhecimento para que o noviço possa caminhar com mais segurança. A segurança espiritual para momento tribulados que sempre surgem na vida dos filhos de santo.

    Manter o ìyáwò fortalecido, informado e seguro espiritualmente deveria ser uma das funções de um zelador, pois na iniciação está havendo uma entrega de corpo, alma e mente. Ao filho de santo cabe respeitar e zelar por tudo que lhe é fornecido, gratidão constante.

    Um zelador pode sugerir ao filho de santo que não faça determinada ação, pois o pai de santo, conhecedor pela experiência de vida, sabe que aquilo pode influenciar o àse do filho, pode fazer o òrìsà reagir de uma maneira ruim, pode desandar o que está bem encaminhado!

    Uma zeladora deve, com toda certeza, proibir o filho de coisas que possam influenciar o barracão, ele próprio e os demais filhos do ilé. Imagina o filho de santo trazer energias ruins para o barracão. Imagina mexer onde não deve, sujando espiritualmente determinados locais!

    Dever do zelador nos momentos oportunos, aquele onde há tempo e maturidade espiritual, transmitir conhecimentos e práticas ao ìyáwò que somente os de mais tempo de casa podem saber (Aqui ìyáwò me refiro a qualquer pessoa que o pai de santo iniciou, não importa se tem 20 anos de santo 😉 ).

    Um babalorixá/ Yalorixá com certeza irá focar em ter um axé forte, unido e com capacidade de crescimento espiritual que transborda e influência positivamente a vida de todos que fazem parte daquele todo. E isso só se consegue com orientação, educação e muito zelo ao sagrado e aos ser humano.

    Os orixás daquela casa com certeza serão gratos, fortes, com muito axé e a vida de seus filhos com muita prosperidade, paz e harmonia.

    Mas…

    O Que Não Pode Um Zelador ou Zeladora?

    Fiz recentemente uma postagem sobre a violência dentro dos barracões, então será por aí mesmo que iremos começar: nenhum zelador ou zeladora pode, usando o nome da religião ou do òrìsà, agredir seu filho de santo. Se quiser ler mais sobre esta postagem – Clique Aqui. E mesmo não usando o nome de religião ou òrìsà não deve agredir um ìyáwò, e vise-versa.

    O zelador ou zeladora não é dono do corpo do iniciado, não é proprietário de sua vida. O contrário disso é escravidão, só nessa época vergonhosa que uma pessoa era proprietária de outras pessoas e nelas mandavam e desmandavam.

    Dessa forma, também não deve o zelador se meter na vida amorosa dos filhos, proibindo namoros, relações. Claro, se o jogo, em uma consulta mostrar que aquela escolha não trará boas consequências, já é outro assunto. Ai vai até mesmo um conselho.

    O título se refere a proibição que muitas casas têm de que seus iniciados não podem visitar outras casas, salvo em companhia do zelador ou de um ègbón da casa. Essa proibição se dá pela maldade que há no meio, pois é, não deveria, mas há maldade entre os candomblecistas que muitas vezes querem queimar (Influenciar com energia ruim) a casa alheia.

    Neste ponto, super compreensivo um zelador aconselhar o filho não andar por algumas casas. Vai que seja a casa de um rival do pai ou mãe de santo e o filho desavisado foi convidado para uma saída ou obrigação de ano.

    Mas é natural as amizades, fortes laços de amizades entre filhos de ilé diferentes. Nesse caso pode o zelador não deixar o filho ir na casa do outro? Como foi dito, não pode ninguém proibir ninguém de nada, mas deve o zelador informar, deixar o ìyáwò consciente da escolha que irá fazer.

    Lembra de uma das atribuições do pai ou mãe de santo – informar – nessa hora que ela entra. Infelizmente muitos se sentem deuses e acham que tudo pode sem nada poder lhes impedir. Não, um zelador não é um ser supremo e solitário. Tanto que quando seu òrìsà toma sua cabeça, coloca os pés no chão.

    Zelador não é dono de ninguém, nem mesmo do òrìsà que ajudou a iniciar na cabeça do ìyáwò.

    Não pode o zelador se apropriar de bens comprados pelos filhos de santo e isso gera assunto para uma outra postagem em breve.

    Claro que aqui estamos falando da imaturidade de algumas pessoas que alcançaram essa posição de líder espiritual. Essa mesma atitude há também em outras religiões, infelizmente. Ou seja, é uma mau do ser humano e não do pai ou mãe de santo.

    Ìyáwò X Bàbá / Ìyálórìsá?

    Claro que não deve haver rivalidade entre as partes, em hipótese nenhuma. Assim como em uma família sanguínea, a desavença e brigas em uma família de santo só traz desarmonia, energias ruins e rupturas.

    Deve haver um diálogo constante entre as partes. Cada ponto deve ser debatido. Um ìyáwò bem informado, doutrinado sempre será compreensivo com seu axé. Haverá muitas vezes ingratidão, todo zelador ou zeladora sabe disso. Quanto suas mãos não ajudaram a levantar e se foram após estarem lá em cima?

    Deve o ìyáwò buscar a união com seu axé e zelador/ zeladora.

    Deve o zelador cuidar, educar e soltar as amarras de seus filhos, iniciados sobre suas mãos.

    E você, acha que o zelador ou zeladora pode proibir o filho de santo de visitar outras casas? Deixe sua opinião nos comentários!!

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  • Adamus Òrìsà – A Verdade Que Nunca Contaram a Você!

    Adamus Òrìsà – A Verdade Que Nunca Contaram a Você!

    O Festival de Eyo – História e Características

    Na Nigéria há diversos festivais, em sua maioria alegre e colorido. Alguns outros tristes, mas sempre com um forte significado para o povo. Os mais conhecidos festivais são: Festival de Egungun (Sim, é um festival aberto ao público), Festival de Òsun Osogbo e o Eyo. Há muitos outros, claro. Não conhece este último?

    O festival Eyo, também conhecido como Adamus Orisa, é um festival colorido que expressa e exibe a cultura e as tradições da cidade de Lagos, na Nigéria. É amplamente esperado e assistido por todos que lá vivem e também por visitantes de toda a Nigéria e estrangeiros também. Não há nada parecido no Candomblé, acredite!

    As suas esplêndidas e expansivas exibições teatrais realçam e exibem a história nativa dos habitantes de Lagos e, através de uma pitoresca variedade de regalias e fantasias, forma desfiles na ilha de Lagos. Isso é amplamente considerado como um dia de alegria e esplendor.

    O festival evoluiu ao longo de três séculos, e é geralmente realizado para celebrar a vida e os tempos de um Oba, ou em comemoração da passagem (morte) ou ascensão ao trono de um Oba (rei) de Lagos. Igualmente, o festival de Eyo é encenado na memória de um indivíduo digno e ilustre falecido. Uma grande forma de homenagear uma pessoa que foi grande destaque na vida da comunidade

    Considera-se que constitui a maior honra que Lagos pode fazer para pagar um cidadão pela eminência e serviço público. Apesar de suas origens terem um propósito ritualístico, também houve incidentes quando o Festival de Eyo foi realizado para coincidir com a homenagem a dignitários estrangeiros.

    Geralmente, não há data definida para a realização do Festival de Eyo. Assim, a ansiedade em Lagos e além, uma vez que as datas de sua performance foram selecionadas e anunciadas é imensa. O festival abrange uma série de atividades que duram uma semana e culmina em uma procissão impressionante de milhares de homens vestidos de branco e usando uma variedade de chapéus coloridos, chamados Aga Eyo e também cajados – Opa Eyo. Esses cajados e chapéus são o que identificam os grupos de mascarados. Veja no vídeo um pequeno trecho:

    A procissão que dança e celebra nas ruas de Lagos passa por vários locais e monumentos cruciais da cidade, incluindo o Palácio de Oba. Os Eyo são considerados relacionados aos espíritos dos mortos que retornaram para limpar Lagos do mal e rezar por sua contínua prosperidade e existência pacífica.  Alguns consideram que quando chove durante o festival é um bom sinal, pois tudo foi lavado e está limpo, sem espíritos ruinsO festival começa do anoitecer ao amanhecer e acontece aos sábados desde tempos imemoriais.

    O Festival Eyo essencialmente admite pessoas altas, e é por isso que é descrito como Agogoro Eyo (que significa literalmente o mascarado alto de Eyo). Na maneira de um espírito estar visitando a terra com um propósito, a pessoa mascarada de Eyo fala com uma voz meio de ventríloquo, sugestiva de seu outro mundo; e quando cumprimentado, responde: “Mo yo fun e, moyo fun’ra mi” (“Eu me regozijo por você, e me alegro por mim mesmo). Essa resposta, sempre ditas em língua Yorùbá,  denota que os bailes de máscaras se regozijam com a pessoa que a cumprimenta para o testemunho do dia e com sua própria alegria em assumir a sagrada responsabilidade da limpeza.

    O Eyo possui códigos estritos que proíbem a transgressão, de modo que outros desempenhos da peça não são permitidos fora de seu objetivo projetado, tudo é muito bem supervisionado pela polícia. Para que uma peça de Eyo seja iniciada, diz-se que a permissão é tradicionalmente buscada no Oba de Lagos, por uma pessoa que acredita que seu ancestral falecido merece ser honrado por sua contribuição a Lagos.

    Posteriormente, o Oba vai, com sua equipe, dirige a um de seus mensageiros para convidar o Akinsiku de Lagos (o chefe de todos os Eyos) para o palácio para uma consulta. É o Akinsiku quem expõe e especifica o Ikaro – as oferendas e os presentes exigidos da família solicitante antes que a peça possa ser encenada. Como tal, o Oba é a fonte de autoridade que é passada para os Akinsiku, que então distribui os presentes para as famílias das divindades em Lagos.

    No entanto, também pode-se dizer que, para a peça de Eyo ser encenada, a permissão é solicitada ao Awe Adimu, a base do grupo Eyo sênior, e então a Akinsiku informa ao Oba e ao respectivo conselho de anciãos, então os arranjos para o festival começa assim que a permissão é concedida.

    Uma outra curiosidade é que o Festival por não ter uma data certa para acontecer, sempre ocorre em situações bem diferentes. Já ficou 21 anos sem ocorrer, assim como já ocorreu 3 vezes no ano. Então tem que se colocar na cabeça que o Festival serve para comemorar a memória de uma pessoa muito importante para a Nigéria.

    Enquanto o festival de Eyo, também conhecido como o jogo de Adamus Òrìsà, é o principal evento cultural em Lagos, a sua história e origens foram articuladas numa série de versões bastante divergentes, mas que falam da sua aceitação apaixonada pelo povo de Lagos.

    Uma fonte proeminente da história do festival Eyo é da família Isokun Onilegbale Chieftaincy, alegando que o festival é de lbefun, e diz respeito à história de Olori Olugbale, esposa do rei Ado de Lagos, cujos dois irmãos (ou primos), Ejilu e Malaki vieram visitá-la em Lagos, mas descobriram-na morta quando chegaram. Posteriormente, eles retornaram para lbefun para trazer o Eyo Mascarados para Lagos para comemorar sua morte.

    Independente da versão, sabe-se que é um festival lindo, alegre e muito movimentado. Não existe Orixá Eyo, iniciação a Eyo. Podemos o mais próximo de comparação aqui no Brasil é dizer que é similar ao Afose Filhos de Gandhi.

    Então, gostou da postagem? Já conhecia o Adamus Òrìsà – Eyo? Deixe seu comentário!!

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  • [Especial] Ògún não é São Jorge. Entenda porque dessa associação.

    [Especial] Ògún não é São Jorge. Entenda porque dessa associação.

     Salve Jorge. Salve o Santo Guerreiro.

    No dia 23 de Abril se comemora o dia de São Jorge. Às 5:00 da manhã há um ato chamado Alvorada, onde soltam se fogos. Pessoas passam a usar vermelho, cor do martírio do santo. Acende-se vela diante da imagem do santo ou de seu altar. Nas ruas há cavaleiros com seu animais ornados com muito vermelho. É o dia do Santo Guerreiro.

    As igrejas dedicadas ao santo chegam-se a criar filas enormes com seus devotos querendo pagar promessas feitas anteriormente, ou aqueles que visam fazer a sua primeira promessa tocando o manto ou a imagem do santo matador de dragões (Mito já superado. O dragão – o demônio – simbolizaria a idolatria destruída com as armas da Fé. Já a donzela que o santo defendeu representaria a província da qual ele extirpou as heresias.).

    Mas é um dia que não somente os devotos católicos se dedicam a louvar o santo. Há Candomblecistas e Umbandistas que também se dedicam sua fé neste dia; alguns barracões servem uma farta mesa de café da manhã especial e todo um ritual se segue, como um ato de silêncio que representa uma passagem da vida de Ògún.

    A esta mistura de crenças damos o nome de sincretismo, vamos entender isso e porque algumas pessoas não gostam desse sincretismo hoje.

    Sincretismo Religioso – Enganando os Senhores de Escravos. Compreenda!

    Sincretismo é a reunião de doutrinas diferentes, com a manutenção embora de traços perceptíveis das doutrinas originais. Possui, por vezes, um certo sentido pejorativo na questão da artificialidade da reunião de doutrinas teoricamente incongruentes entre si.[1] Frequentemente, quando se fala em sincretismo, se pensa no sincretismo entre diferentes religiões, no chamado sincretismo religioso. (Wikipedia)

    Muito comum assim que qualquer pessoa entra para o Candomblé, principalmente Umbanda, ficar a par do sincretismo que há entre os santos católicos e os orixás (àwon òrìsà). Sabido é que os escravos passavam por um processo de catequização ou cristianização forçada, um processo que chegava a mudar seus nomes através de batismo e adoção de nomes comumente europeus. – Veja nesta Postagem Sobre Mudança de Nome e Cultura!

    No processo religioso não era diferente, suas crenças foram proibidas permitindo somente a crença cristã católica. Inteligentemente, no intuito de manter sua fé em seus deuses nativos, os negros escravos começaram a fazer associações para enganar os senhores. Invocavam os orixás, voduns e Nkisis (Inkises) através das imagens dos santos católicos: Oxóssi na forma de São Sebastião, Ogum como São Jorge, Oxalá como Jesus Cristo, Ibejis como Cosme e Damião, Iansã como Santa Bárbara, os fios de contas como Nossa Senhora do Rosário, entre outros(Essa relação depende de localidade, pois mudam).

    Esse processo conseguiu manter viva a fé e a força por lutar por dia melhores. Através desse engenhoso meio de culto muitos locais religiosos sincréticos passaram a existir, porém com a faixada de culto a santo católico. O que ocorria ao fundo eram os louvores aos orixás.

    Destaque vai para a Irmandade da Boa Morte que sempre manteve estreito laços com os dois lados – Católico e Afro Culto. A reunião de mulheres africanas livres mantinha em seu seio mulheres todas do Candomblé (na época ainda não organizado como é hoje conhecido).

    Ògún e São Jorge. Os dois guerreiros louvados no dia 23 de Abril.

    Hoje o sincretismo já não é tão bem aceito por algumas pessoas do Candomblé. Isso porque a religião cada vez mais se firma independente, madura e com identidade própria. Não são todos que concordam com a afirmação que Ògún é o mesmo que São Jorge, assim como com outros santos.

    O mesmo se diz de muitos católicos, na verdade estes nem fazem essa associação pois estariam adorando um deus de Culto pagão animista, no entanto muitos respeitam ou pelo menos toleram a associação feita entre o santo e o orixá.

    Mas porque essa associação entre as figuras religiosas?

    Ògún é um orixá destemido, guerreiro, associado a batalhas, guerras, ao bélico, às lutas. Suas lendas sempre falam de superação, liderança e vitória. Ògún inspira força, vitória. Seus iniciados recorrem a ele para vencer batalhas cotidianas, demandas!

    Toda pessoa do Candomblé e Umbanda vê em Ògún o perfeito guerreiro, viril e sempre pronto para guerrear saindo vitorioso. A associação com São Jorge é quase automática.

    São Jorge em seu Cavalo, armadura e lança nos remete ao combate. No passado São Jorge foi soldado do Exército Romano galgando postos vindo a se tornar oficial. A própria igreja sabe que muito do que é dito sobre sua vida é de difícil verificação de veracidade.

    Lembrando que em alguns locais Ògún é sincretizado com Santo Antonio e não São Jorge.

    Vermelho é sua cor por causa do martírio. Alguns fazem essa associação de cor também a Ògún, não por martírio mas pelo seu elemento fogo(outros associam o Azul como sua cor). A principal imagem de São Jorge  e de sua vitória é contra o dragão, para poder proteger uma princesa.

    Esta clássica imagem é romantizada, emblemática, figurativa. Não houve um dragão em nem uma princesa como dito acima.

    Mãe Stella de Oxóssi – “St. Bárbara não é Iansã!”

    Como podemos ver, a associação é bem fácil. Mas como diz a Ìyálórìsà  Stella de Osoosi (Mãe Stella de Oxóssi) quando disse a célebre frase que St Bárbara não é Iansã :

    “Os Santos e imagens católicos têm seus valores. Nós não estamos a fim de deixar de acreditar, por exemplo, em Santa Bárbara. Um espírito elevado, sem dúvida. Mas sabemos que Iansã é uma outra energia, não é Sta. Bárbara. Religião não se impõe, depende da consciência de cada um. Mas queremos respeito com o Candomblé. Não tem nada a ver, por exemplo, arriar-se comida de Iansã nos pés da imagem de Sta. Bárbara. Não tem sentido. A comida é de Iansã, é outra energia, completamente diferente do que é Sta. Bárbara, entende?”

    Ou seja, são energias diferente. Ògún tem sua natureza de energia espiritual totalmente diferente da natureza de São Jorge. E o mais interessante é que é fácil o Candomblé absorver as crenças católicas, mas o oposto não o é. Não é uma relação bilateral de associação. Veja abaixo o pensamento de um católico sobre esse sincretismo:

    O que importa é a fé!

    Ao final de tudo, acredito que o que importa mesmo é a fé, pois não creio que a energia fica se auto intitulando e tenha esse senso de pertencimento. Não consigo conceber o sagrado envolvido em discussões religiosas, pois a instituição religião e toda sua contenda é criação do homem.

    O homem que intitulou, encapsulou mentalmente as energias espirituais dando-lhes lugares, nomes e enfim, uma instituição religiosa. Claro que em matéria de religião cada qual tem suas diretrizes e características, assim o homem a concebeu, mas não há nada que impeça um iniciado ao Candomblé devotar um pouco de sua fé a São Jorge e um católico ao ver Ògún dançando lançar seus pedidos a ele para vencer uma batalha da vida.

    O que podemos concluir é que hoje as religiões querem seu lugar próprio pois não há mais necessidade de se esconder. Mas sabemos que alguns hábitos e culturas se enraizaram, ficando difícil fazer a separação. No entanto que todos saibam que Ògún é um deus originário da África. É um orixá guerreiro e tem seu culto no Brasil mantido dentro do Candomblé e de certa forma na Umbanda, tendo comidas, cantos, rezas e liturgias próprias! Ele é cultuado em toda casa de Candomblé.

    São Jorge é um santo cultuado pela igreja católica, também é um guerreiro, mas segundo os preceitos da Igreja Católica, não precisa de oferendas, comidas para ser cultuado. Para ele há orações, novenas e outras formas de devoção. Possui igrejas próprias.

    Cada qual em seu lugar!

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