Sabe aquela vontade de expressar o seu amor pelo seu òrìṣà, mas que você sempre quis fazer em Yorùbá e não sabia? Então, Vamos resolver isso agora mesmo. Quem sabe vire tatuagem! Já pensou?
Nesta aula, que está no vídeo abaixo, você verá como é fácil. E nessa postagem irei complementar com mais explicações e exemplos.
Nesta aula de yoruba básica você aprenderá comigo, Olùkọ́ Vander, alguns fundamentos básicos do idioma do candomblé. Forma de pronúncia, pontuação embaixo da vogal, colocação de pronome possessivo e como declarar seu amor ao seu òrìṣà de iniciação, de devoção!
Como falamos “Eu Amo Meu Orixá” em Yorùbá?
Então, vamos à prática e conforme ensinado no vídeo, começamos com a estrutura básica que é: Eu Amo.
Mo fẹ́
A pronúncia é : Mô Fé
Mo = eu, primeira pessoa do singular do caso reto;
Fẹ́ = verbo amar, com outros significados como gostar, casar, desejar (Acostume-se, pois uma mesma palavra possui diversos significados)
Repita umas três vezes essas duas palavras e coloque na cabeça que ela significa EU AMO… Outra coisa importante, o ponto embaixo do E é que dá o som aberto e não o acento em cima. Tudo bem? Entendido isso?
Agora podemos entrar nas variantes que usei no vídeo. Diremos em Yorùbá, EU AMO MEU ORIXÁ, EU AMO MEU PAI EXU, EU AMO MEU PAI OGUM, EU AMO MINHA MÃE OXUM, EU AMO MINHA MÃE OYÁ. Mas antes virá a parte Mo Fé
MO FÉ ÒRÌṢÀ MI;
MO FÉ BÀBÁ MI ÈṢÙ;
MO FÉ BÀBÁ MI ÒGÚN;
MO FÉ ÌYÁ MI Ọ̀ṢUN;
MO FÉ ÌYÁ MI ỌYA;
Todas estas frases acima significam respectivamente:
EU AMO MEU ORIXÁ;
EU AMO MEU PAI EXÚ;
EU AMO MEU PAI OGUM;
EU AMO MINHA MÃE OXUM;
EU AMO MINHA MÃE OYÁ.
Outra forma
Eu sempre costumo falar de uma característica fantástica do idioma: sua plasticidade, ou seja, o idioma consegue se moldar e transformar de maneira bem fácil.
Podemos dizer eu amo meu òrìṣà de outra forma: mo nífẹ́ òrìṣà mi. Nesta caso estamos falando literalmente que “temos amor” pelo òrìṣà:
Mo = eu;
Nífẹ́ = ter amor (ní = ter/ìfẹ́ = amor);
Òrìṣà mi = meu orixá
Caso você queira usar o nome de outro òrìṣà basta substituir o final. Bem simples, não é? Mas podemos melhorar isso! Que tal sermos ainda mais específicos? Digamos que você seja iniciado a Ògún e tem o seu orúkọ òrìṣà ou orúkọ t’òrìṣà dado pelo seu zelador ou zeladora. Basta incluir ele ao final. Vou dar um exemplo com um orúkọ hipotético:
MO FÉ BÀBÁ MI ÒGÚNKÉYE (Nome significa: Ògún trouxe honra e prestígio)
Novamente, você vê que seguindo essa estrutura; seguindo essa fórmula você consegue expressa o amor ao seu òrìṣà.
Espero que tenha gostado dessa curta aula e breve haverá mais.
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6 Filmes Sobre Candomblé Que Você Tem Que Assistir.
Filmes sobre Candomblé e Umbanda existem há um bom tempo, na verdade podemos dizer que atualmente há poucos filmes ou documentários sobre o assunto e antigamente, haviam mais. Não por ter se esgotado o assunto: impossível se esgotar quando o assunto é a cultura afro religiosa. Atualmente tem se o Documentário – Eu, Oxum – Leia Sobre Aqui!
Em outra postagem falei sobre os bons livros sobre o Candomblé – 7 Livros Sobre Candomblé Que Você Tem Que Ler. Muito bom por sinal o feedback que obtive de pessoas que realmente buscavam aprender mais sobre a religião.
Listei aqui alguns filmes e documentário sobre o Candomblé, Umbanda e Cultura Afro Religiosa em Geral. Claro, há outros por ai, às vezes faltando uma boa divulgação. Não somos responsáveis pelos canais onde se encontram os vídeos, por isso, podem sair do ar por algum motivo caso esteja lendo esta postagem muito tempo depois.
Lembrando também que nem todos os filmes falam diretamente sobre o Candomblé, mas a religião está inserida no contexto.
Lista de Filmes e Documentários Sobre Candomblé e Umbanda:
Este documentário não figura aqui na posição 01 por qualidade ou conteúdo. Na verdade, as posições que estarei colocando não indicam nada. Apenas uma organização em lista.
“O documentário “Eu, Oxum” , dirigido e roteirizado por Héloa e sua mãe Martha Sales, conta a sua história e sua relação com o orixá Oxum, e com outras cinco mulheres “filhas” do mesmo orixá, incluindo a Yalorixá Maria José de Santana, responsável pelo “Ilê Axé Omin Mafé, mais conhecida como “Mãe Bequinha”, que, também conta sua história, como a mais antiga “filha de Oxum” do município de Riachuelo, localizado na região do Vale do Cotinguiba-SE.
São 25 minutos de uma narrativa de imagens e memórias do processo individual e diferenciado de cada uma dessas mulheres, em idade, tempo de inserção na religião, relações de parentesco e as funções que ocupam dentro desse espaço sagrado, onde Héloa imergiu e se encontrou em sua busca de espiritualidade, força ancestral, e reafirmação da mulher negra, sergipana em uma caminhada religiosa e ancestral.
O filme possui a trilha sonora assinada por Vinícius Bigjohn e Klaus Sena, com canções dedicadas ao Orixá Oxum por artistas contemporâneos a Héloa, trazendo o retrato do sagrado feminino personificado na figura do orixá Oxum e a natureza dos rios e mares, baseada na imagética, arquétipo, características e elementos da natureza, da simplicidade estonteante do lugar representado no filme.”
Filme bem antigo, dos anos 60. Teve como direção José Hipolito Trigueirinho Neto. A trama gira em torno de um grupo de amigos inconformados com o marasmo e a vida monótona da capital baiana, na época da ditadura de Getúlio Vargas.
Tonho, um jovem rejeitado pelos pais que vive de pequenos furtos no porto de Salvador, vive conflitos sociais, políticos e religiosos. Sua amante inglesa quer afastá-lo dos companheiros, mas ele se envolve num atrito entre grevistas e a polícia, terminando por roubar a amante para ajudar os perseguidos. Insatisfeita, ela o denuncia, comprometendo-o politicamente. Ele é preso e, quando volta para a família, seu drama permanece.
Com certeza um dos mais envolventes do filmes. Particularmente gosto muito. Trama muito bem amarrada e com gostinho de quero mais.
Jardim das Folhas Sagradas conta a história de Bonfim, negro baiano que tem sua vida virada pelo avesso com a revelação de que precisa abrir um terreiro de candomblé. Com os espaços disponíveis cada vez mais raros, ele acaba procurando um lugar na periferia empobrecida e degradada. Afastado da tradição e questionando fundamentos como o sacrifício de animais, Bonfim cria um terreiro modernizado e descaracterizado, o que lhe trará graves conseqüências.
Numa época em que o crescimento urbano acelerado e a favelização transformam as cidades em espaços cada vez menos habitáveis, o candomblé, religião ancestral trazida pelos escravos africanos, tem uma grande lição de convívio e preservação da natureza a oferecer. A Bonfim e a toda cidade de Salvador.
Documentário musical sobre a Cultura Afro Brasileira, cuja estrutura narrativa se traduz por um jogo de búzios, onde nossa protagonista Ana (Taís Araújo) chega atraída pelo “chamado do tambor” em busca de seu auto- conhecimento e seu caminho.
Pela estrada da percussão nas locações de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, Ana encontra diferentes ritmos, grupos musicais e coreográficos, experienciando sua integração na sociedade brasileira. O material filmado em Angola, África, onde no séc. XVII viveu e reinou a Rainha Nzinga, guerreira famosa, cujo nome serve de batismo à protagonista do filme, é uma referência e ilustra o passado da história do negro no Brasil.
Casa de Santo, documentário dirigido por Antonio Pastori, traz como tema chave esta influência a partir dos rituais desses terreiros de Candomblé, preservados pelo povo negro que acredita na força de sua religião. As quatro nações da religiosidade de matriz africana estão retratadas com fidelidade e emoção.
O filme percorre os principais terreiros das nações Jeje, Ketu e Angola e registra uma Festa de Caboclo, onde a raiz africana se mistura a influências indígenas e européias. Uma engenhosa tradução da diversidade étnica e cultural desta região da Bahia. O filme tem cenas inéditas de rituais que nunca haviam sido mostradas de forma tão fiel, em uma reconstituição histórica.
Terreiros que não haviam aberto as portas mesmo para os fotógrafos, deram licença para as câmeras deste documentário que mostra como os segmentos de cada nação são diferenciados pelo dialeto utilizado nos rituais, a liturgia e o toque dos atabaques.
É em Casa de Santo que Pastori documenta pela primeira vez, o Terreiro do Pinho, que segue os preceitos Jeje e foi fundado em 25 de dezembro de 1658 numa área que hoje pertence ao município de Maragojipe, a 133 km de Salvador. A equipe pôde registrar o lugar onde fica o que pode ser o terreiro mais antigo do Brasil, de linhagem Jeje – o que muda a forma de contar a história da diáspora africana.
O filme está na lista editada pelo Jornal da PUC-Campinas como um dos registros indicados para entender as relações raciais. (realizado em 2005)
Documentário simples com entrevista/ depoimentos onde as pessoas falam de suas experiência com a religião da Umbanda.
“Quando descobrimos o motivo de estar onde estamos e de ser o que realmente somos, nossa vida muda. A percepção das vivências, os sabores que experimentamos no paladar, o significado da natureza e das cores, tudo fica mais intenso.
Muitos falam e definem o que é a Umbanda. Uns dizem que é coisa do Diabo. Outros, que é a religião mais linda que existe na Terra. Venho pensando a muito tempo sobre isso, até que surgiu uma indagação: Por que estou na Umbanda?
Não consegui responder de imediato. Pensei então, por que outros irmãos estão na Umbanda? É preciso dedicação, disciplina, fundamento e amor, muito amor. Salve a Umbanda. Saravá o povo de Branco. Saravá!”
Termina Aqui?
Absolutamente não. Há alguns clássicos como “Pierre Verger – Mensageiro de Dois Mundos” que com certeza emociona muitas pessoas pelo conteúdo, imagens, depoimentos. Há documentário sobre a saudosa Gisèle Omindarewa... enfim, há outros e não queria deixá-lo perdidos em tantas opções!
O que importa é a mensagem de que sim temos uma cultura forte, presente em livros, filmes e documentário. Não tenha vergonha da sua fé. Seja de Àse e mostre que é.
Ó dàbò!
Olùkó Vander
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O Candomblé é uma religião que sofre muitos ataques indevidos e intolerantes. Apagado em seu canto e com seus segredos, muitas pessoas escondem os seus sentimentos em relação ao Orixá de cabeça (Òrìsà t’orí). Diferente dos evangélicos que sempre estão batendo no peito, dando depoimentos e se orgulhando de sua fé.
Sim, há pessoas no Candomblé e na Umbanda, que também são orgulhosas de suas crenças e práticas religiosas, mas sabemos que são poucas. E dessas poucas nasceu um documentário que mostra a beleza de nossa fé: o curta Eu, Oxum.
Trata-se de um curta independente dirigido por Héloa e Martha Sales. Ele narra o dia-a-dia de seis filhas de santo de Oxum, orixá do amor e tantas outras qualidades e atributos!
Acompanhando o terreiro Ilê Axé Omin Mafé, na pequena cidade de Riachuelo (SE), as diretoras contam as histórias de inserção na religião, respeito às hierarquias, fé e os preconceitos sofridos pelas personagens.
Elas deram uma entrevista para o site Brasil de Fato, estaremos reproduzindo aqui para os leitores e alunos da Educa Yoruba.
Brasil de Fato: Como surgiu a vontade de fazer este curta e abordar histórias de mulheres de Oxum?
O desejo de fazer esse filme partiu da minha própria experiência de conexão com este lugar e essas mulheres e isso foi se tornando cada vez mais forte, no retorno, em vários retornos que eu fiz para Sergipe, para me cuidar espiritualmente e conviver nesse Ilê, que é o Ilê Axé Mafé.
Quais foram as maiores dificuldades?
As dificuldades foram algumas. É um filme produzido de maneira independente. Então eu passei 20 dias na estrada, em busca de retratar esse filme, pegando os diálogos, pegando os depoimentos e até mesmo registrando as condições do espaço, do lugar. As dificuldades maiores foram de perpetuar esse espaço. Eu, enquanto filha da casa, em um outro papel, enquanto diretora do filme junto com a minha mãe Martha Sales, e entender toda relação de hierarquia que se constrói, de respeito aos espaços sagrados, até onde a gente poderia filmar, o que poderia ser registrado.
Qual a importância que você vê no documentário em relação a questão da intolerância religiosa, já que tivemos tantos casos este ano?
Nós estamos vivendo um momento de muito retrocesso no país, de muito racismo religioso, que vai para além da intolerância religiosa, que é a relação de tudo que vem dessa matriz africana, principalmente as religiões de matriz africana: a umbanda, o nagô, o candomblé. São vistas também através dessa perspectiva do racismo religioso, onde nós não podemos professar a nossa fé porque tudo aquilo que é de negro, que é advindo da África, é visto como ruim, muitas vezes como algo demonizado.
Eu acho que trazer a tona essa coisa mais pura, mais leve, como eu tentei trazer no documentário, junto com a minha mãe, Martha Sales, que assina o roteiro e a direção do filme, é uma forma de quebrar paradigmas, uma forma de até mesmo acolher e de provocar., para que outras pessoas possam se apropriar desse discurso e falar desse lugar de fala de quem vivencia, de quem nasceu ou de quem perpetua a força através do candomblé ou das religiões de matrizes africanas.
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No Candomblé Èsù é um dos Òrìsà primordial nos ritos. Muitos ainda erroneamente associam ele a coisas ruins, a vinganças e a maldades. Nesta entrevista que em outro momento foi postado em um antigo blog meu, leremos como o sumo sacerdote do culto a Èsù na Nigéria vê esse lindo e poderoso Òrìsà!
Chefe Kayode Idowu Esuleke, Baale Èsù de Osogbo
Quando ele menciona seu sobrenome, arrepios prontamente tomam conta de todo o seu corpo. E como ele explica, tocando a mão ao solo – esse é o òrìsà das reviravoltas e aquele que fica plantado a frente da sua casa.
Conheça Chefe Kayode Idowu Esuleke, Baale Èsù de Osogbo e chefe de todos os adoradores Èsù e Egungun na capital do estado de Osun. E ao contrário do que reza algumas lendas, quem é de Èsù não necessariamente tem a cabeça em forma cônica como já se ouviu falar por ai em alguns Candomblés!
Baale, uma cidade Yorùbá, é o governante tradicional e líder da comunidade.
Esta tarde, ele está em um tradicional ágbada branco e azul. Uma marca verde em que Baale Èsù de Osogbo é corajosamente inscrito paira sobre seu pescoço em um espécie de colar.
Entre os cristãos e muçulmanos, Èsù, a divindade, o òrìsà que este homem serve tão respeitosamente, é considerado como Satanás, o diabo, a mais vil das criaturas. Então, por que alguém iria orgulhosamente ostentar um título que ele anuncia como líder de homens e mulheres que adoram o diabo? Ainda mais em uma terra que possui tantos cristãos e muçulmanos.
Mas ele diz que não há correlação entre Èsù e Satanás. E que ele é sumo sacerdote de Èsù. Baale Esu diz que suas esposas praticam o cristianismo e o islamismo. Uma delas foi mesmo a Meca em peregrinação em cinco ocasiões diferentes, diz ele. E não há falta de harmonia no lar apesar de cada uma ter um culto diferente.
Èsù e o Diabo Cristão!
“Èsù não é Satanás, nem é o diabo“, explica o senhor idoso com um Inglês impecável. “Èsù é uma divindade tradicional Yorùbá. Você tem pessoas adorando Sàngó, Ògún e outros. Só pessoas ignorantes veem Èsù como Satanás. ”
Este homem relata: “A perspectiva com que vemos Èsù difere totalmente da realidade. Elegbara ou Esulaalu Laaroye difere de Satanás. Bispo Ajayi Crowther, quando estava tentando traduzir a versão em Inglês da Bíblia para Yorùbá, colocou Lúcifer, mas ele também não sabia como chamá-lo em Yorùbá. Este era um homem que tinha sido terrivelmente abusado pelos senhores de escravos. Ele tinha sido movido em torno de várias partes do mundo em navios negreiros. Ele não sabia o que estava no chão daqui, sua terra. Foi por isso que ele disse que Lúcifer é Èsù. ”
“Os cristãos dizem que Èsù deu a Adão e Eva uma fruta para comer no Jardim do Éden, a maçã no caso. Depois que Adão e Eva comeram o fruto, seus olhos se abriram e eles se tornaram civilizado. Eles sabiam que estavam nus e tinham que ir encontrar algumas roupas para vestir.”
Se esta história for verdadeira, o que estava errado com eles? O crime que Èsù cometeu foi ter ajudando as pessoas a se tornarem civilizadas? Ninguém foi capaz de responder a essa pergunta.
“Eu quero dizer-lhe que Èsù é a polícia dos òrìsà, das divindades. Ele não é segundo a nenhum deus, sempre o primeiro. Os outros deuses respeitam ele por causa de sua honestidade e decisão firme. Uma vez que ele tenha tomado uma decisão, ele não muda e nada o faz mudar.”
Você tinha pensado que este homem seria um personagem iletrado, mas você está obviamente errado. Ele ainda informa que ele é convidado regularmente para entregar trabalhos em universidades americanas e europeias. “Muito em breve, eu estarei indo para os Estados Unidos para entregar uns papéis de mestrado e doutorado“, diz ele.
Família e Religião
Uma outra coisa boa sobre Chief Esuleke é que ele não impõe sua religião em sua família. Suas esposas e filhos, diz ele, são livres para professar qualquer fé que elas queiram – um belo exemplo para seguirmos no Brasil.
“Eu tenho três esposas“, diz ao repórter. “Minha primeira esposa é cristã, minha segunda esposa é cristã também e minha terceira esposa é muçulmana. Ela é uma Alhaja. Ela foi a Meca cinco vezes. ”
Então por que ele permite que suas esposas pratiquem o islamismo e o cristianismo, quando ele não acredita nessas religiões “Por que não?“, Ele questiona. “O que isso tem a ver comigo? Eu lhes dou a liberdade de religião, liberdade de associação e liberdade de crítica construtiva. Existem mil maneiras de fazer pedidos a partir do seu Deus. Há pessoas que vão colocar um animal para baixo e dizem que é o seu deus. E Deus ainda responde suas orações. Você nunca pode compreender a Deus. É por isso que quando vejo pessoas dizendo que estão lutando por Deus, eu sei que deve estar louco e precisa urgentemente de um psiquiatra para examinar suas cabeças. ”
Se o rei de adoradores Èsù que é liberal, você quer saber por que ele não abraçar o Islã ou o cristianismo como muitas pessoas em sua cidade natal?
“Eu li a Bíblia de dentro para fora”, ele começa. “Em 1959, eu passei nos exames do Alcorão também. Então eu conheço ambos os livros.
Essas pessoas vem e banalizam nossos cérebros. Eles levaram tudo da nossa cultura e da nossa herança para longe e nos deu alguns livros para ler. Essas são coisas que não são muito peculiares para nós na África. Depois eu fui para a esquerda e para a direita, mas permaneço no centro. Tudo isso a corrupção, o nepotismo, o ódio e outros atos anti-sociais, não temos isso em nosso próprio sistema. Se você vai ser honesto, você está fora. Se você não jogar o jogo deles, vão jogá-lo fora. Se você olhar ao seu redor, existem mil e uma mesquitas em todo o lugar. Igrejas estão surgindo todos os dias. E ainda, o que você tem? Assassinato, assalto à mão armada, apenas menciono alguns. Vá e olhe para a igreja e a mesquita. Confira os nomes. Você nunca vai ver Esuleke, Ifabunmi, Ifadayisi e assim por diante. Os nomes que você ouve na igreja e mesquitas são as mesmas pessoas que roubam o dinheiro público. É por isso que tomei uma decisão que eu e toda a minha família vai ficar onde há transparência e honestidade “.
Chefe Esuleke tem uma sugestão para os líderes nigerianos, serve bastante para nosso país também que passa por um momento tenso: a corrupção e outros males que assolam o país deve terminar, em seguida, os nigerianos devem parar de jurar pela Bíblia ou o Alcorão.
“Se você é realmente sério sobre o combate à corrupção e outros crimes, você tem que jurar por Ògún, Èsù ou Sàngó. Estes três deuses não estão perdoando. Se você jurar por Òsun, Òsun é uma mulher. Ela perdoa. Mas se você jurar por Èsù agora, o dia que você roubar um lápis do escritório, Èsù vai atacar quase que imediatamente. Se você jurar por Sàngó e você roubar, assim que você vê relâmpagos no céu, você se torna apavorado. Se você jurar por Ògún, uma vez que você vê um carro vindo em sua direção, você se fica nervoso. O dia que você começar a jurar assim, a corrupção vai acabar imediatamente. ”
“Quando as pessoas juram, o que deveriam dizer é que, se eu roubar ou me matar, Deus deve punir-me. Em vez disso, eles vão mesmo dizer, então Deus me ajude. Você quer que Deus o ajude a cometer crime? Esse é o problema. Deixe as pessoas começarem a jurar por Ògún, Èsù e Sàngó. Eu lhe digo, a corrupção começará a diminuir no país. ”
Ele cita um exemplo pronto. Em meados de 1990, o Chefe Esuleke diz que foi a cerimônia de posse de um vereador em Osogbo, Governo Local. Na tomada de posse, ele se recusou a lhe entregar a Bíblia ou o Alcorão. “Pedi-lhes para trazer uma lâmina ou algo assim. Eu atrasei o evento para cerca de duas horas. Ele disse que ninguém iria remover um lápis do escritório, jurando por Èsù sobre a lâmina. E isso aconteceu. Ninguém roubou nada do governo local. Basta experimentá-lo. Corrupção será uma coisa do passado, na Nigéria. ”
E essa foi a entrevista dada pelo supremo sacerdote de Èsù. Ela não é atual, mas mostra como o culto é levado a sério em outras localidades e nota-se também a harmonia que esse senhor conseguiu por entre as religiões com suas esposas. Abaixo o site pessoal deste homem espetacular: (site não está mais no ar).
Uma outra característica é como ele é uma pessoa culta, não abitolada em ideias e acima de tudo com senso crítico respeitoso.
Ó dàbò!
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No Candomblé Ketú, na Umbanda, muito se fala de encantamentos, palavras certas para ativar determinado elemento ou para gerar alguma ação; que deve se evitar falar algumas coisas pois o vento pode levar as palavras e aquilo acontecer. Chama-se o poder da palavra.
Dentro do culto a Ifá isso é mais visto, mas no Candomblé tem sua importância também. As palavras são também um dos grande fundamentos do Candomblé. No jogo de búzios elas são proferidas, no preparo das ervas, durante a cachoeira e outros atos iniciatórios elas são fundamentais. Essas palavras, quase sempre em Yorùbá, o mágico é ativado, abrindo um canal para as energias agirem, atuarem ali no ato litúrgico.
Mas será que devemos simplesmente ir falando as palavras? Há alguma regra? Por que por vezes um banho com ervas não surte o efeito desejado? Vamos agora entender o poder dos Àwon Ofò – Encantamentos Yorùbá.
O Poder Das Palavras
Ofò são as palavras encantadas para que determinada força aja sobre um ato, para despertar um òrìsà ou grupos de espíritos que iram ajudar quem o faz, exemplo, sìgìdì! Um ofò não pode ser simplesmente lido e já ativa o que se deseja, não. Geralmente há preparos que a pessoa faz para assim estar apto a ativar as energias, para sua boca chamar o mágico e este agir, purificação do hálito.
O povo Yorùbá acredita muito no poder da palavra falada, talvez por isso mesmo a escrita tenha se desenvolvido tardiamente e mesmo assim por mãos de estrangeiros e por quem tem um dia saído e retornado a sua terra. O valor da palavra se encontra no Ofò, mas claro que há outros encantos que se utilizam de palavras… Ologbohun, afose, por exemplo.
Quando se canta durante o quinar de erva, está se ativando seu poder. Durante um Borí, está se ativando o poder dos elementos ali contidos. O Candomblé é repleto desses momentos. Mas como disse, a palavra que tem o poder, nem tanto a intenção. Sendo proferida erradamente, não surte efeito…. é, essa parte muitos não sabem ou não contam.
Se apenas a intenção valesse, dita qualquer palavra, pronto, ativei o desejado. Não há chave de abertura… basta eu ter uma intenção, nesse caso o que age é a força do pensamento. Mas para o Yorùbá não funciona assim, uma mudança de entonação, muda-se um significado da palavra… logo, passamos a dizer outra coisa.
O que Não é Ofò
Ofò não é Oríkì – louvores e elogios. Ofò não é àdúrà – Orações. Ofò não é Orin – Cantigas. Todos estes tem seus papeis muito bem delineados, mas um Ofò pode ser cantado… complexo né? Há um encantamento para a água, para o mel, para o dendê, para o vinho de palma.
Com o encantamento certo, você levanta a fúria de Èsù e ele age em seu favor. Com o encantamento certo, você clama a Òsun e ela meiga lhe socorre com seus dengos. Com as palavras certas, Sàngó faz a justiça por ti, advoga sobre sua causa… esse é o poder das palavras no Candomblé e Ifá.
Nos textos de Ifá, há muita presença de momentos em que as palavras mágicas são usadas. Os iniciados sabem bem disso. Até mesmo no culto aos ancestrais tem se a presença de Ofò.
Muito pode ser dito sobre esses encantamentos, mas deve se respeitar alguns segredos somente revelados ao iniciados neste lindo mistério que são os àwon Ofò!
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Aprender Yorùbá é algo que eu sempre disse ser possível, mesmo que tenham pessoas contra a ideia, mas fazer? Não podemos agradar a todos. No Candomblé o uso é constante e atualmente com redes sociais e sites de vídeos, onde as pessoas escrevem legendas, fica até estranho escrever tudo de qualquer maneira sabendo que há a forma correta.
Depois de muito tempo sem postar aulas em vídeos, voltei com uma série de aulas de Yorùbá – o idioma do Candomblé – totalmente gratuitas no Youtube. Havia anunciado na FanPage (Se ainda não conhece – clique aqui) e foi postada ontem tarde da noite no Youtube. Até tentei postar mais cedo, mas o editor demorou a entregar o material pronto.
[Material de Apoio] Curso de Yorùbá PDF
Assista ao vídeo e logo abaixo haverá um link para você fazer download do material que foi explicado na aula – uma apostila de yorùbá em pdf. São aulas básicas de conceitos que acredito que todos deveriam conhecer para melhor cantar, rezar e até mesmo em dar nomes aos ìyáwo e barracões. Não se esqueça de se inscrever em nosso canal no YouTube e sempre ficar por dentro das outras aulas que serão postadas – Se Inscreva Aqui!
Breve haverá outras lições com materiais para baixar e muitos exemplos usados dentro do Candomblé. Nos acompanhe nas redes sociais e fique sempre por dentro dessas novidades.
Importante também deixar sua opinião, dúvidas e sugestões – contato@educayoruba.com. Serão sempre bem vindas e acatadas no possível.
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