Tag: candomblé orixás

  • Ìyáwó – A Origem da Palavra e Seu Real Significado.

    Ìyáwó – A Origem da Palavra e Seu Real Significado.

    Ìyáwó é o segundo grande centro das atenções do Candomblé, só perdendo para o òrìṣà. Mas a grande roda do Candomblé gira em torno dessa figura tão importante para a religião, sua iniciação e as chamadas obrigações de ano. Antes do ìyáwó, há o abíyàn, e todos um dia foram um abíyàn.

    Toda ìyálórìṣà ou bàbálórìṣà, palavra que designa a pessoa que possui conhecimento para manipular as energias do òrìṣà, são em algum estágio de sua vida religiosa um ìyáwó, pois é neste período que ele adquire os conhecimentos mais básicos do culto. Até mesmo, pode-se dizer que uma pessoa sempre será ìyáwó diante de uma pessoa mais velha. Bem, são as guerras de Ego dentro da religião.

    A palavra significa esposa, essa é uma verdade já bem comum, mas há duas origens para o uso dela: Uma está atrelada à formação do candomblé no Brasil; outra se dá pelo corpus literário de Ọ̀rúnmìlà-Ifá, um culto à parte e com suas raízes bem fincadas na Nigéria e Benin.

    Ìyáwó no Candomblé

    A palavra foi usada pela origem da religião ter se dado inicialmente por mulheres, era um culto matriarcal. Esta origem podemos ver claramente em muitos pontos, como vestimentas (Gèlè – pano de cabeça, Aṣọ oke – pano da costa) e acessórios litúrgicos (Ààjà – sineta).

    No início, não havia manifestação pública masculina de òrìṣà, somente as mulheres que incorporavam esta energia divinizada da natureza. Aos homens cabiam a parte mais bruta dos terreiros, o ilé òrìṣà, a Pequena África, como também era conhecido. E sempre havia, como há, muito trabalho para todos em uma casa de òrìṣà!

    Nisso, a mulher ao se iniciar, firmava um compromisso com as divindades, um casamento, com elas figurando como as esposas (Àwọn ìyáwóàwọn é o formador de plural no idioma Yorùbá). E um tempo antigo, a dedicação era bem maior do que hoje, a abnegação da vida profana era enorme, com algumas simplesmente morando nos terreiros e se quer casando.

    Mas, com o passar dos tempos, os homens passaram também a serem iniciados da mesma forma que as mulheres e suas saídas serem públicas, mas o termo continuou: Ìyáwó. Porém, agora com o sentido de iniciado ao
    òrìṣà, conotativamente. Tornou-se uma palavra sem gênero definido, podendo tanto ser usado para a pessoa do sexo masculino, quanto para a pessoa do sexo feminino.

    A palavra foi usada por causa deste sentido de compromisso que as mulheres tinham com o òrìṣà. No entanto, há muitas outras palavras em Yorùbá que podem ser usadas para definir um iniciado, alguns cultos possuem palavras próprias:

    • Ọmọ òrìṣà = filho de òrìṣà;
    • Ẹlẹ́gùn = aquele que é possuído por energias (Não é aquele que é montado por espírito!!);
    • Ẹlẹ́sìn = devoto, religioso (Oní + èsin/ Aquele que possui + religião, culto);
    • Abòrìṣà = cultuador de òrìṣà, aquele que cultua òrìṣà.

    E muitos outros, mas usando qualquer um desses, torna-se facilmente compreendido que estamos falando de uma pessoa iniciada ao culto de òrìṣà.

    Ìyáwó – Segundo o Corpus Literário de Ifá

    Qualquer dicionário decente de idioma Yorùbá irá traduzir a palavra ìyáwó como esposa, disso não tenho sombra de dúvidas. Mas qual a origem desta palavra? Todos sabem que sou fã de etimologia das palavras, elas nos guiam para caminhos mais seguros quanto às traduções. Nunca engoli ìyáwó sendo – mãe do segredo.

    Segredo em Yorùbá é awo, sem acentuação indicando tom alto ao final. Só isso já denuncia, assim quando falam que òrìṣà significa guardião da cabeça (Orí é cabeça e não òrì!!).

    No corpus literário de Ifá, encontramos as explicações de tudo que nos rodeia, a origem de muitas coisas. Ele é a enciclopédia do povo Yorùbá e seu registro se deu todo de forma oral. Cada odù, ou filhos, omo odù, conta uma história, um ìtàn em seu ẹ̀sẹ̀, poemas divinatórios de Ọ̀rúnmìlà. Lá encontramos a origem da palavra ìyáwó, no odù Ogbè – Sùúrù!

    Conta o mito que: Uma bela princesa, filha do Ọba de Ìwó, estava disponível para o casamento. Ela era imensamente bela. Nenhum homem comum poderia desposá-la, apenas um homem com enorme qualificação e que ela mesma escolhesse. Mas a princesa também não estava tão disposta a casar, iria fazer de tudo para afugentar seus pretendentes.

    Ògún, Ọ̀sányìn e Ọ̀rúnmìlà souberam da fama e da beleza da princesa, logo se colocaram prontos para a missão. Ògún foi o primeiro a se arriscar na tarefa e após constatar a exuberante beleza da mulher, usou toda sua determinação para conquistá-la.

    A princesa, ardilosa, exigiu como acordo para o casamento, que ele ficasse na casa do pai dela e lhe contasse seus àwọn èèwọ̀ (interditos, tabus). Embebecido com a beleza da mulher, Ògún contou que era àdín e ver sangue menstrual – àṣẹ́. Passado um tempo, a princesa preparou um prato com àdín para Ògún e sentou-se ao seu lado sem conter seu sangue menstrual.

    Ògún ao saborear a comida, sentiu o gosto do àdín, assustou-se. A princesa se levantou e ele viu o ẹ̀jẹ̀ no assento. Ele enfureceu-se e atacou a princesa que correu para os aposentos do pai. Este, com seu poder, transformou Ògún em um malho para ferreiros. E assim Ògún fracassou. Ele havia deixado de fazer os sacrifícios indicados pelo bàbaláwo.

    Ọ̀sányìn caiu na mesma armadilha e quando tudo ocorreu conforme havia ocorrido com Ògún, o rei o transformou em um pote de água, quando a princesa correu para seus aposentos pedindo socorro.

    Ọ̀rúnmìlà foi instruído a fazer sacrifício antes de ir: um Òbúkọ para Èṣù e a ter muita paciência (Sùúrù), de nada reclamar ou se exaltar. Assim ele fez e seguiu em busca dos irmãos e para desposar a princesa.

    Ele disse à princesa que seus interditos eram: èkútè, ẹjá, ewurẹ́, adìẹ, bucho de cabra e àṣẹ́ (sangue menstrual), quando havia perguntado. Somente o àṣẹ́ é seu interdito, todos os outros são comidas favoritas de
    Ọ̀rúnmìlà. E assim, começou a princesa de Ìwó maquinar contraỌ̀rúnmìlà.

    Usando as desculpas de que não havia comida em casa, dia pós dia, ela foi oferecendo todas as comidas que ela pensava serem àwọn èèwọ̀ deỌ̀rúnmìlà e ele, mostrando-se calmo e compreensivo, dizia que por amor ele iria comer aquilo que ela oferecia. Ela nada entendia, pois o candidato não perdia a cabeça. Então, ela usou sua última arma: o sangue menstrual.

    Mas, apesar de por dentro enfurecido, Ọ̀rúnmìlà recordou-se do conselho de Ifá e surpreendeu a princesa indo lavar as roupas dela sujas de sangue, assim como a almofada onde ela se encontrava. Ela ficou confusa e recorreu a algo ainda mais provocador, pois não conseguira tirar Ọ̀rúnmìlà de seu centro: arrumou um amante para se deitar perante a presença dele!

    Havia chegado a hora, é dito que a Testemunha do Destino leva até 3 anos para se enfurecer e quando isso ocorre, faz uso das forças mais poderosas para se vingar e era agora. Ọ̀rúnmìlà foi buscar água para que o amante da da noiva se banhar pois já ia embora; invocou Èṣù fora da cidade quando o homem já ia embora e Èṣù deu uma cabeçada forte nele, nisso, Ọ̀rúnmìlà apontou seu ìrúkẹ̀rẹ̀ para o azarado que o transformou em ìgbín. O paciente noivo quebrou o ìgbín e com seu líquido, ẹ̀jẹ̀ funfun, lavou a mulher, purificando seu corpo dos atos tido com o amante.

    Atônita, a princesa contou ao pai os atos de bravura, paciência e sabedoria de Ọ̀rúnmìlà, escolhendo-o como seu marido para sempre. O Oba de Iwó concedeu a mão da filha e após ela ficar grávida, ele retornou para casa com a esposa. Após toda a aflição passada na casa de Iwó, Ọ̀rúnmìlà conseguiu sua bela esposa e daí o nome: Ìyáwó = ìyà = aflição, = em, no, na, ilé = casa, habitação, Ìwó = cidade onde a princesa morava, fica em Ìbàdàn.

    Ìyà ++ ilé + Ìwó = ìyáwó (Note como ìyà perde a acentuação indicativa de entonação baixa para e ilé, com o “a” de ìyáwó ganhando entonação e acentuação alta).

    Professor Vander – 2020
    @educayoruba

    Espero que tenha gostado e não esqueça dos direitos autorais antes de copiar e colar nos grupos dos Facebook e WhatsApp! Plágio é crime, não atribua a autoria do texto a quem não é de direito!

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  • Seu Candomblé é Corretamente Ecológico?

    Seu Candomblé é Corretamente Ecológico?

    Adeptos praticantes do candomblé, também Umbanda, costumam sempre falar que os àwọn òrìṣà são cultuados na natureza, assim como determinadas entidades, como caboclos. Seriam pessoas que viveram em um passado distante e hoje são divinizados em fragmentos da natureza.


    Ọ̀ṣun divinizada nos rios de água doce, Yemọjá nos mares, Nàná nos mangues, Ògún nas estradas de ferro e rodovias, Ọ̀ṣọ́ọ̀si nas matas juntamente com Òsányìn e assim por diante.

    Mas e a natureza, ela é respeitada? O seios dos àwọn òrìṣà é preservado?

    Sujeira Pelos Caminhos

    Cena bem comum hoje em dia nas cidades brasileiras é o famoso despacho – nome popularmente dado aos apetrechos, comidas e oferendas deixadas em esquinas e outros locais – que dependendo da localidade e o que contenham, chama bastante a atenção de quem passa de carro ou condução pública.

    Por vezes, nada vemos que possa ofender visualmente alguém, pois trata-se de alguidar com maçã, flores, cigarros, pimenta; mas em outros momentos, o que se vê são animais praticamente inteiros, porém decapitados; ou aos pedaços espalhados pela encruzilhada ou estrada, criando uma imagem bem negativa da religião. Ou como na imagem acima, impactante.

    Claro que, em algumas situações, antes estava tudo arrumado e os animais, como urubus e cachorros, acabam bagunçando tudo. Mas até mesmo para quem é da religião fica uma cena medonha. Sujeira mesmo espalhada pelo caminho; odor horrivelmente desagradável e claro, objetos aos cacos, vidro, barro, papelão.

    Uma outra coisa também traz grande preocupação: garrafas e plástico.

    Estamos Destruindo o Trono dos Àwọn Òrìṣà

    Onde fica o trono de Ọ̀ṣun? Seu habitat, onde sua força responde com maior poder? O símbolo de sua majestade e beleza?

    Rio, cachoeiras, riachos. Essa é uma resposta quase unanime. Mas, por que a maioria não está respeitando esses locais?

    Hoje é sabido, muito mais que tempos atrás, que o plástico e vidro, demoram a se decompor na natureza. Sem contar que causam grande poluição nas matas, rios e mares, além do risco de lesão como cortes profundos.

    Exemplo clássico são os festejos para Yemọjá, onde costumam ir um cardápio farto de poluição para as praias: espelhos, vidros de perfumes, pentes e etc. Mas acredite, essa preocupação ecológica ainda é criticada pelo próprios adeptos. Muitos chamam de frescura moderna, como ouvi certa vez!

    Comum até mesmo empurrarem a obrigação de de limpar os locais para os poderes municipais, que realmente possuem a competência constitucional de isso o fazerem. Não obstante, e nossa atitude diante do sagrado e como cidadãos? Pois a natureza é sagrada para o povo de Candomblé; ao menos deveria ser.

    Como Agir Então?

    Há várias soluções para minimizar esse impacto e hoje há terreiros que nem mais levam as coisas para a rua; reutilizam alguns utensílios, parte orgânica vira adubo após serem oferecidas às entidades e colocam os líquidos em pequenas cabaças, que logo depois de um período, são lavadas e reutilizadas.

    Essa reutilização é criticada por muitos, pois acham que a entidade irá achar ruim. Muitas “receitas de ẹbọ” são bem claras em dizer que determinado conteúdo deve ser servido em utensílios virgens.

    Outra questão: se o terreiro tiver determinados òrìṣà assentados, por que levar, por exemplo, uma oferenda até um encruzilhada, se pode ser ofertada aos pés de Èṣù?

    O alguidar tem um substituto conhecido: folha de mamona. Não precisa de alguidar, louças, vidros e etc! Cachaças e similares não precisam ir em copos de vidros, usemos cabaças ou apenas derrame no chão. Sendo que há até uma forma de se fazer copos com folha de bananeira.

    Muitas outras atitudes podem deixar nosso Candomblé e Umbanda muito mais ecológico. Em muitos aspectos a própria religião se sabota, além do aspecto social, como pode ver em nossa outra postagem (Clique Aqui e Leia); também nos sabotamos sujando a natureza, mostrando total descaso com o trono dos àwọn òrìṣà.

    Não adianta falar que o animal antes dos àwọn orò foi sacralizado, parte da carne será consumida e todo aquele discurso que não muda, se nas esquinas as pessoas presenciam um animal decapitado e sem as patas tudo espalhado. Há uma certa incongruência.

    Podemos fazer nossa parte também. Ao encontrarmos coisas espalhadas por uma trilha, boiando em um rio, retirar de lá e destinar ao lugar melhor: Lixo!

    -Ai! Aí estaremos mexendo na oferenda e a entidade pode nos castigar!

    Será???

    Esta postagem não é para encerrar uma verdade, mas para refletirmos e debatermos qual o papel das religiões afro-brasileiras diante da natureza que é justamente de onde emanam as energias do òrìsà.

    Vamos refletir! Não custa nada! Deixe seu comentário a respeito do assunto!

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  • Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?

    Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?

    Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?

    Ao iniciar no Candomblé e até mesmo na Umbanda, nos segredos do culto ao orixás (Àwon Òrìsà), o filho de santo entra em uma rígida rotina. O Candomblé e a Umbanda possuem códigos próprios para o bem andar do culto, que é sempre levado com seriedade e responsabilidade, afinal de contas, está se lidando com energias espirituais fortes.

    O pai de santo ou a mãe de santo, também chamados de bàbálórìsà ou ìyálórìsá, são os grande responsáveis por manter e conduzir de maneira harmônica todo o culto. A eles que os deuses africanos enviam, direta ou indiretamente, as mensagens de como deve ou pode ser conduzida uma comemoração de anos de iniciação (odún òrìsà) por exemplo ou a iniciação de um novo Ìyáwò, etc.

    Esses líderes espirituais escolhidos, sim escolhidos, pois não é qualquer um que possui o dom de ser pai ou mãe de santo, devem ser a base de ensinamento dos filhos de santos, aqueles que a eles confiaram a vida espiritual que muitas vezes vem atrelada à a vida amorosa, profissional, familiar e até mesmo sexual.

    Mas até onde vai o “poder” do zelador ou zeladora de santo? Qual o limite na relação filho de santo e o pai/mãe de santo?

    O Que Pode Um Zelador ou Zeladora?

    Quando uma pessoa entra para o culto ao orixá, busca soluções, alívio, um caminho e muitas vezes um reencontro. Quantos não se sentiam vazios antes de entrar para o Candomblé ou Umbanda, mas depois se sentiam fazendo parte de algo maior, se sentiam em contato com algo mais forte e que lhe dava direção na vida, base?

    A figura do pai ou mãe de santo entra nessas horas como aquela que guia, aconselha, transmite. Ao zelador cabe a transferência de àse, a transferência de conhecimento para que o noviço possa caminhar com mais segurança. A segurança espiritual para momento tribulados que sempre surgem na vida dos filhos de santo.

    Manter o ìyáwò fortalecido, informado e seguro espiritualmente deveria ser uma das funções de um zelador, pois na iniciação está havendo uma entrega de corpo, alma e mente. Ao filho de santo cabe respeitar e zelar por tudo que lhe é fornecido, gratidão constante.

    Um zelador pode sugerir ao filho de santo que não faça determinada ação, pois o pai de santo, conhecedor pela experiência de vida, sabe que aquilo pode influenciar o àse do filho, pode fazer o òrìsà reagir de uma maneira ruim, pode desandar o que está bem encaminhado!

    Uma zeladora deve, com toda certeza, proibir o filho de coisas que possam influenciar o barracão, ele próprio e os demais filhos do ilé. Imagina o filho de santo trazer energias ruins para o barracão. Imagina mexer onde não deve, sujando espiritualmente determinados locais!

    Dever do zelador nos momentos oportunos, aquele onde há tempo e maturidade espiritual, transmitir conhecimentos e práticas ao ìyáwò que somente os de mais tempo de casa podem saber (Aqui ìyáwò me refiro a qualquer pessoa que o pai de santo iniciou, não importa se tem 20 anos de santo 😉 ).

    Um babalorixá/ Yalorixá com certeza irá focar em ter um axé forte, unido e com capacidade de crescimento espiritual que transborda e influência positivamente a vida de todos que fazem parte daquele todo. E isso só se consegue com orientação, educação e muito zelo ao sagrado e aos ser humano.

    Os orixás daquela casa com certeza serão gratos, fortes, com muito axé e a vida de seus filhos com muita prosperidade, paz e harmonia.

    Mas…

    O Que Não Pode Um Zelador ou Zeladora?

    Fiz recentemente uma postagem sobre a violência dentro dos barracões, então será por aí mesmo que iremos começar: nenhum zelador ou zeladora pode, usando o nome da religião ou do òrìsà, agredir seu filho de santo. Se quiser ler mais sobre esta postagem – Clique Aqui. E mesmo não usando o nome de religião ou òrìsà não deve agredir um ìyáwò, e vise-versa.

    O zelador ou zeladora não é dono do corpo do iniciado, não é proprietário de sua vida. O contrário disso é escravidão, só nessa época vergonhosa que uma pessoa era proprietária de outras pessoas e nelas mandavam e desmandavam.

    Dessa forma, também não deve o zelador se meter na vida amorosa dos filhos, proibindo namoros, relações. Claro, se o jogo, em uma consulta mostrar que aquela escolha não trará boas consequências, já é outro assunto. Ai vai até mesmo um conselho.

    O título se refere a proibição que muitas casas têm de que seus iniciados não podem visitar outras casas, salvo em companhia do zelador ou de um ègbón da casa. Essa proibição se dá pela maldade que há no meio, pois é, não deveria, mas há maldade entre os candomblecistas que muitas vezes querem queimar (Influenciar com energia ruim) a casa alheia.

    Neste ponto, super compreensivo um zelador aconselhar o filho não andar por algumas casas. Vai que seja a casa de um rival do pai ou mãe de santo e o filho desavisado foi convidado para uma saída ou obrigação de ano.

    Mas é natural as amizades, fortes laços de amizades entre filhos de ilé diferentes. Nesse caso pode o zelador não deixar o filho ir na casa do outro? Como foi dito, não pode ninguém proibir ninguém de nada, mas deve o zelador informar, deixar o ìyáwò consciente da escolha que irá fazer.

    Lembra de uma das atribuições do pai ou mãe de santo – informar – nessa hora que ela entra. Infelizmente muitos se sentem deuses e acham que tudo pode sem nada poder lhes impedir. Não, um zelador não é um ser supremo e solitário. Tanto que quando seu òrìsà toma sua cabeça, coloca os pés no chão.

    Zelador não é dono de ninguém, nem mesmo do òrìsà que ajudou a iniciar na cabeça do ìyáwò.

    Não pode o zelador se apropriar de bens comprados pelos filhos de santo e isso gera assunto para uma outra postagem em breve.

    Claro que aqui estamos falando da imaturidade de algumas pessoas que alcançaram essa posição de líder espiritual. Essa mesma atitude há também em outras religiões, infelizmente. Ou seja, é uma mau do ser humano e não do pai ou mãe de santo.

    Ìyáwò X Bàbá / Ìyálórìsá?

    Claro que não deve haver rivalidade entre as partes, em hipótese nenhuma. Assim como em uma família sanguínea, a desavença e brigas em uma família de santo só traz desarmonia, energias ruins e rupturas.

    Deve haver um diálogo constante entre as partes. Cada ponto deve ser debatido. Um ìyáwò bem informado, doutrinado sempre será compreensivo com seu axé. Haverá muitas vezes ingratidão, todo zelador ou zeladora sabe disso. Quanto suas mãos não ajudaram a levantar e se foram após estarem lá em cima?

    Deve o ìyáwò buscar a união com seu axé e zelador/ zeladora.

    Deve o zelador cuidar, educar e soltar as amarras de seus filhos, iniciados sobre suas mãos.

    E você, acha que o zelador ou zeladora pode proibir o filho de santo de visitar outras casas? Deixe sua opinião nos comentários!!

    Ó dàbò!

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  • Gèlé (Pano de Cabeça): A Coroa da Mulher Negra! (II)

    Gèlé (Pano de Cabeça): A Coroa da Mulher Negra! (II)

    Amarrando Um Pano de Cabeça No Candomblé e Na Umbanda.

    Mo júbà…

    Novamente aqui estamos para falar sobre o Gèlé, conhecido como pano de cabeça no Candomblé, ou até mesmo, Òjà.  No meu outro post, conhecemos um pouco dele e sua importância na vida da mulher nigeriana e também em outros lugares da África.

    Acredite, o assunto é longo. Caso não tenha lido, clique aqui e leia a matéria pra poder acompanhar esta! Os candomblecistas adoraram rs.

    Como havia dito, estarei postando hoje como se amarra um Gèlé. Devido a cultura inglesa que em épocas anteriores dominou a Nigéria, o termo lá é pronunciado: gay-lay.

    Antes, gostaria de fazer uma adendo ao assunto: Foi-me indagado sobre fotos de homens que usavam pano de cabeça. Em tempos antigos, escravos homens usavam pano de cabeça simplesmente para carregar peso. Este pano era símbolo da escravidão.

    Porém, devemos lembrar que aqui falo do pano de cabeça no que tange a Nigéria, pois em outras culturas, existem panos de cabeça, mas para proteção contra o Sol, principalmente em zonas desérticas e muito áridas.

    Para as mulheres, o caso é mais fashion mesmo. Dificilmente tem essa relação tão grande religiosa. Exemplo disso é que muitas mulheres evangélicas, católicas e algumas muçulmanas usam Gèlé. Fato interessante é que aqui temos salões de beleza né? Lá há salões para amarrar Gèlé, com preço de amarra beeeem altos. São profissionais requisitados e verdadeiros artistas!

    Agora um extra!!! Passo a passo com fotos de Como Amarra Seu Pano de Cabeça e Mandar Bem num “Blé”!!

    As imagens abaixo são auto-explicativas. Encorajo vocês a praticar e praticar ( A prática leva a perfeição ), não desista! Essa é uma amarração tradicional Yorùbá, talvez em seu barracão não se amarre assim. Vamos respeitar as diferenças.

    Passo 1. Dobre o Gele em 2 partes iguais (Aqui é usado metade do pano ):candomblé_orixa_2
    Passo 2. Enrole em torno de sua cabeça, a partir da testa:candomblé_orixa_3
    Passo 3.Sobreponha o Gele na parte de trás do seu pescoço e puxe a frente:candomblé_orixa_4
    Passo 4. Traga a mão do Gele pra frente e pare no meio de sua testa:candomblé_orixa_5
    Passo 5. Faça algumas dobras:candomblé_orixa_6
    Passo 6. Pegue a dobra na parte traseira:candomblé_orixa_7
    Passo 7 mudar de mãos para ajudar a criar asas:candomblé_orixa_8
    Passo 8. Dobre ao meio no pescoço , onde o outro lado está:candomblé_orixa_9
    Passo 9 Certifique-se de que você fez um aperto firme:candomblé_orixa_10
    Passo 10. Certifique-se de ambas as bordas estão agarradas firmemente:candomblé_orixa_11
    Passo 11 Em seguida, amarre apertado ( duas vezes se necessário):candomblé_orixa_12

    Prontinho… agora só encarar o Sìrè rsrs

    O que achou? Um ideia: Por que as mulheres brasileiras não fazem uns tutoriais assim… vamos lá gente rs.  Teria uma enorme satisfação de divulgar aqui! Grande abraço e ó dàbò!

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  • Como Dizer em Yorùbá – Eu Amo Meu Orixá!

    Como Dizer em Yorùbá – Eu Amo Meu Orixá!

    Mo júbà, gbogbo!

    Sabe aquela vontade de expressar o seu amor pelo seu òrìṣà, mas que você sempre quis fazer em Yorùbá e não sabia? Então, Vamos resolver isso agora mesmo. Quem sabe vire tatuagem! Já pensou?

    Nesta aula, que está no vídeo abaixo, você verá como é fácil. E nessa postagem irei complementar com mais explicações e exemplos.

    Nesta aula de yoruba básica você aprenderá comigo, Olùkọ́ Vander, alguns fundamentos básicos do idioma do candomblé. Forma de pronúncia, pontuação embaixo da vogal, colocação de pronome possessivo e como declarar seu amor ao seu òrìṣà de iniciação, de devoção!

    Como falamos “Eu Amo Meu Orixá” em Yorùbá?

    Então, vamos à prática e conforme ensinado no vídeo, começamos com a estrutura básica que é: Eu Amo.

    Mo fẹ́

    A pronúncia é : Mô Fé

    Mo = eu, primeira pessoa do singular do caso reto;

    Fẹ́ = verbo amar, com outros significados como gostar, casar, desejar (Acostume-se, pois uma mesma palavra possui diversos significados)

    Repita umas três vezes essas duas palavras e coloque na cabeça que ela significa EU AMO… Outra coisa importante, o ponto embaixo do E é que dá o som aberto e não o acento em cima. Tudo bem? Entendido isso?

    Agora podemos entrar nas variantes que usei no vídeo. Diremos em Yorùbá, EU AMO MEU ORIXÁ, EU AMO MEU PAI EXU, EU AMO MEU PAI OGUM, EU AMO MINHA MÃE OXUM, EU AMO MINHA MÃE OYÁ. Mas antes virá a parte Mo Fé

    • MO FÉ ÒRÌṢÀ MI;
    • MO FÉ BÀBÁ MI ÈṢÙ;
    • MO FÉ BÀBÁ MI ÒGÚN;
    • MO FÉ ÌYÁ MI Ọ̀ṢUN;
    • MO FÉ ÌYÁ MI ỌYA;

    Todas estas frases acima significam respectivamente:

    • EU AMO MEU ORIXÁ;
    • EU AMO MEU PAI EXÚ;
    • EU AMO MEU PAI OGUM;
    • EU AMO MINHA MÃE OXUM;
    • EU AMO MINHA MÃE OYÁ.

    Outra forma

    Eu sempre costumo falar de uma característica fantástica do idioma: sua plasticidade, ou seja, o idioma consegue se moldar e transformar de maneira bem fácil.

    Podemos dizer eu amo meu òrìṣà de outra forma: mo nífẹ́ òrìṣà mi. Nesta caso estamos falando literalmente que “temos amor” pelo òrìṣà:

    Mo = eu;

    Nífẹ́ = ter amor ( = ter/ìfẹ́ = amor);

    Òrìṣà mi = meu orixá

    Caso você queira usar o nome de outro òrìṣà basta substituir o final. Bem simples, não é? Mas podemos melhorar isso! Que tal sermos ainda mais específicos? Digamos que você seja iniciado a Ògún e tem o seu orúkọ òrìṣà ou orúkọ t’òrìṣà dado pelo seu zelador ou zeladora. Basta incluir ele ao final. Vou dar um exemplo com um orúkọ hipotético:

    • MO FÉ BÀBÁ MI ÒGÚNKÉYE (Nome significa: Ògún trouxe honra e prestígio)

    Novamente, você vê que seguindo essa estrutura; seguindo essa fórmula você consegue expressa o amor ao seu òrìṣà.

    Espero que tenha gostado dessa curta aula e breve haverá mais.

    Quer aprender mais sobre o idioma mágico do Candomblé? O idioma do
    òrìṣà, mas de uma maneira correta e sem misticismo? Conheça nosso cursos abaixo: Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá! O que está incluso no curso:

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    • Apostilas em PDF com resumo das aulas;
    • Dicionário ao final do curso;
    • Técnicas de estudo melhorando o aprendizado do idioma;
    • Certificado ao final;
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  • Gèlé (Pano de Cabeça): A Coroa da Mulher Negra! (I)

    Gèlé (Pano de Cabeça): A Coroa da Mulher Negra! (I)

    O Pano de Cabeça no Candomblé – O Gèlé

    Mo júbà!

    Você já viu aqueles panos lindos nas cabeças das mulheres nigerianas? Já reparou que aqui no Brasil, dentro do Candomblé, ele ganhou quase que um culto e até mesmo itan para justificá-los? Pois bem, trago hoje para vocês o Gèlé – Pano de Cabeça do Candomblé!

    Um amigo, nigeriano nativo, com qual mantenho trocas culturais e linguísticas simplesmente estranhou o uso por homens aqui no Brasil no Candomblé, não só o uso do pano de cabeça, como outras vestimentas femininas em homens. Apesar das explicações dadas, para ele é algo estranho. Em outras situações se usam sim os panos de cabeça, principalmente em desertos, mas em situações sociais e festivas ele estranhou.

    “Gele” ou “Gèlé” é uma palavra Yorùbá para um envoltório usado na cabeça das mulheres, ou seja, uma espécies de indumentária feminina. Pode jogar a palavra no Google e ficará espantado com a beleza desse item feminino. As mulheres Yorùbá são conhecidas por usá-los incrivelmente bem encaixados, fixados em suas cabeças, e apesar de ser apenas um apetrecho, pode ser encontrado em quase todas as culturas Africana.

    Se deseja saber mais sobre outras vestimentas e suas explicações, saiba que no Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá, trato de vestimentas femininas e masculinas. Excelente conhecimento para ser passado dentro do Ilè.

    Gèlé é mais do que apenas uma cabeça coberta, é uma forma de arte. Um grande pano retangular amarrado na cabeça da mulher em uma variedade de formas, cores e estampas. O material usado para fazer o Gèlé é geralmente duro, mas flexível, por exemplo, Aso-oke (o verdadeiro feito em tear e de seda), Brocado (algodão) e Damasco. Aqui no Brasil se usam materiais diversos, de bordado a chita.

    Estes materiais vêm em uma ampla variedade de cores, padrões e texturas. Quanto maior o pano (e maior a habilidade) mais elaborado aparenta e até confere um certo status. É quando a mulher negra se torna a rainha em toda sua plenitude e beleza!

    Amarrando um Gèlé

    Amarrar um Gèlé é uma forma de arte que requer prática, paciência e muitas vezes um braço bem tonificado, mas uma vez amarrado, um Gèlé pode fazer qualquer mulher aparentar um certa realeza, um ar de supremacia estética. É uma bela coroa de glória e honra, e hoje eles vêm em cores surpreendentes, padrões e desenhos.

    Para eventos glamourosos, como casamentos, aniversários, batismo, inaugurações ou até mesmo funerais – aparência de uma mulher é muitas vezes considerada incompleta sem um.
    Quando se fala em Brasil, dentro do Candomblé eles quase que tem uma amarração padrão, porém, estou começando a ver algumas àwon ìyá usando de maneira mais glamourosa, sem deixar a essência religiosa e respeitosa se perder.

    cursodeyoruba_panodecabeça_candomblé (3)

    A arte de amarrar um Gèlé é como qualquer outra arte, o seu sucesso depende da criatividade e maestria. Um pano de cabeça, como é chamado aqui no Brasil, no Candomblé e Umbanda, quando devidamente amarrado, pode ser como uma coroa, porém, ao contrário, se feito de forma errada pode se tornar um desastre total. Imagine no alto de sua beleza, ele se desfazer no meio do salão? Não seria bom!!!! Apesar de acontecer por vezes.

    Cada Gele é único e não existe uma fórmula verdadeira para alcançar a aparência exata duas vezes. Se você der uma olhada mais de perto, você verá que não há dois Gèlé(s) – Àwon Gèlé –  (uma vez amarrados) iguais. O povo Yorùbá, absolutamente ama Gèlé porque não só eles são amarrados em vários estilos, mas eles são um aspecto da cultura que fazem as mulheres se sentir bonita e são em verdade, não importa a ocasião. O estilo das cores do Gèlé pode ser um reflexo do seu estado de espírito, o estilo ou personalidade. Assim como temos aqui no Brasil o tipo funkeira, pagodeira, executiva, hippie e etc. Um Gèlé tem a marca de sua dona, ou usuária. Tendo aí também reflexo de desleixo ou capricho; de luxo ou simplicidade.

    Criatividade é a chave!

    cursodeyoruba_panodecabeça_candomblé (2)

    Interessado em saber como amarrar seu próprio gele? Não perca no próximo post vídeos ensinado a marrar seu Gèlé e você chegar totalmente transformada em seu Ilè t’òrìsà!!

    Ó dàbò!!

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