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  • Obrigação no Candomblé: Tudo Que Você Precisa Saber!

    Obrigação no Candomblé: Tudo Que Você Precisa Saber!

    Mo júbà, Báwo ni o? (Saudações, Como vai?)

    O assunto de hoje será obrigações de santo, ou também chamada de obrigações de anos no Candomblé. As obrigações geralmente determinam o grau de um iniciado, alguns até as usam para determinar uma certa hierarquia, pois após os 7 anos de iniciada, a pessoa passa a poder fazer algumas coisas que antes não poderia, passam a ter certa superioridade que os demais irmãos de santo.

    Não se sabe ao certo a origem dessas obrigações, posto que na grande matriz, nos países de onde o Candomblé é originado não se têm notícia de obrigação de 1 ano de santo, obrigação de 3 anos de orixá ou a mais querida de todas, a mais almejada: obrigação de 7 anos, onde muitos passam erroneamente serem chamados de “Êbomi”.

    Hoje irei falar sobre:

    1 – Por que chamam de “Êbomi” quem faz 7 anos de santo?

    2 – Por que “Pagar Obrigação” e Por Que Essa Cobrança Toda?

    3 – Odu ou Odum? Como é a forma correta de falar a obrigação de anos?

    4 – Números em Yorùbá Para Comemoração de Iniciação Ao Òrìsà.

    Mas porque erroneamente, você deve estar se perguntando.

    Muitas coisas, muitas coisas mesmo são criadas, inventadas aqui no Brasil. Não há na Nigéria, Togo ou Benin vestígios de muitos absurdos que vemos hoje por ai. Claro que algumas coisas foram criadas, ou adaptadas, para melhor organizar as pequenas Áfricas, assim eram chamados os terreiros, as casas de Candomblé.

    Mas tantas outras não há fundamento, sendo que baila nos lábios de quem quiser criar conjecturas a respeito do que vem a significar ou de onde surgiu alguma coisa, sendo muitas coisas relegadas aos Ìtàn – Lendas. E nas lendas, não as do corpo de Ifá, mas aquelas que se quer sabem a origem, lá é onde nascem explicações para alguns absurdos.

    Mas vamos entender o erro do termo “Êbomi”. Não é um cargo, não é um posto e pasme, uma pessoa com um ano de santo pago ou não, pode ser “Êbomi” de outra. Você não precisa ter 7 anos de santo para ser “Êbomi”!

    O termo correto é Ègbón mi e significa meu irmão mais velho. Podemos reduzir ainda mais para Ègbón = irmão mais velho. Onde também há o seu antônimo, Àbúrò, que significa irmão mais novo. O termo Ègbón não é taxativo, não vem dizendo que só podem ser considerados tal quem tiver mais de 7 anos de santos pagos.

    Caso um Ìyáwo A tenha 1 ano de santo e um Ìyáwo B tenha 9 meses de iniciado, A é Ègbón de B e B passa a chamá-lo de Ègbón mi (Meu irmão mais velho). Simples assim! E o Ìyáwo A chama o Ìyáwo com 9 meses de iniciado de Àbúrò mi (Meu Irmão mais novo).

    Tem se um outro costume errado de chamar quem tem menos de 7 anos de Ìyáwo e quem tem 7 ou mais de “Êbomi”. ERRADO. Todos são Ìyáwo. Todos são filhos de alguém e são “casados”, assumiu um compromisso com seu Òrìsà.

    Ègbón = Irmão mais velho;

    Ègbón mi = Meu irmão mais velho (Quando seu irmão de santo tem mais tempo de santo que você).

    Àbúrò = Irmão mais novo.

    Àbúrò mi = Meu irmão mais novo (Quando seu irmão de santo tem menos tempo de santo que você).

    Pagar A Obrigação

    Há quem discorde, mas pelas pesquisas tudo indica que essa tal “pagar a obrigação” nasceu de uma época em que comprava-se a carta de alforria dos escravos e esse então passava a ter uma “Obrigação” com quem o libertou.

    Livre para poder trabalhar, o escravo pagava uma parte no primeiro ano solto, depois outra parte 3 anos após e 7 anos após, onde enfim, estava livre de verdade. Mas não irei jogar a responsabilidade disso em cima de nenhum itan ou algo assim, pois carece de mais fontes históricas.

    Mas uma coisa é certa, seu Orí, fonte de sua força, pensamentos, idéias… esse deve estar forte e merece comer todo ano. Somente com seu Orí forte é que seu Òrìsà pode atuar com mais precisão por você.

    Importante salientar que essa “Obrigação” é com seu Òrìsà e não com o povo que nada tem com sua vida espiritual. Ou seja, não precisa torrar rios de Dinheiro com festas, convites e comilanças sem fim.

    Há quem discorde, mas há muitas pessoas que não são adeptas das obrigações festivas. Dão de comer ao seu Òrìsà todo ano e estão com suas vidas prósperas e seguindo em frente.

    Sei que há quase uma lenda urbana que diz que quem não paga as obrigações perde emprego, Òrìsà larga a cabeça, perde amo, saúde e corre até mesmo o risco de morrer. Como dizem: – Òrìsà cobra!

    Sou contra tal ideia!

    Mas se sua casa prega tal ideia, respeite seu zelador ou zeladora e bola para frente. Mas sempre que houver espaço, pois muitos zeladores não dão espaço para uma conversa com seus iniciados, busque aprender mais sobre obrigações!

    Odú, Odún, Odum…. Como se Fala Obrigações de Anos Em Yorùbá

    O motivo dessa postagem sem sombra de dúvidas foi essa parte. Onde nasceu a ideia de postar sobre como escrever corretamente “Obrigação de X anos” em Yorùbá. Recebo e-mails com muitas dúvidas e escrever corretamente um convite de comemoração de anos de iniciação é o campeão.

    Vejo que as pessoas escrevem ao seu bel prazer. Colocam acentos onde não existe, pronunciam como querem e dão significados trocados ou errados às palavras.

    Vamos então começar a entender por partes:

    Obrigação em Yorùbá

    A palavra “Obrigação” em Yorùbá, segundo o Dicionário são as seguintes:

    Oore – Obrigação

    Igbese oore – Obrigação

    Idè – Obrigação

    Logo podemos notar que o termo comumente usado atualmente em nada se aproxima ao termo “Obrigação” em Yorùbá. Mas na verdade, o que ocorre, é que o povo Yorùbá é muito festivo e nota-se isso em seus festivais muitos públicos, apesar de muitas vezes serem religiosos.

    Então podemos entrar na próxima explicação:

    Odù, Odum ou Odún … O que é o que?

    Vamos conhecer cada palavra para podermos analisar melhor essa questão. Lembrando que estarei escrevendo como geralmente escrevem em redes sociais, convites e afins!

    Odù – Signos de Ifá, sinais que trazem mensagem sobre a vida de uma pessoa. Alguns traduzem como destino, mas assim como a palavra àse, essa palavra também merece por vezes longas explicações.

    Odún – Festa, festividade, festival, aniversário. Também significa: ano, idade.

    Odum – Palavra inexistente nos dicionários de Yorùbá.

    Bem, de posse das duas palavras mais próximas do que queremos dizer (comemorar algo), podemos concluir que a segunda chega mais próximo do que realmente queremos, indicar que estamos comemorando um marco (1 ano, 3 anos, 7 anos etc).

    Mas caso você saiba seu Odù e em determinada data você quer fazer algo para poder comemorar a data, pode dizer: Irei comemorar o meu Odù (No caso, como disse, que saiba após consultar um Bàbáláwo e não o Odù da mesa de um zelador ou zeladora.).

    Mas se estamos falando realmente da comemoração de por exemplo 3 anos de santo, já sabemos que a palavra é Odún , pois esta significa uma comemoração, uma festa e até mesmo idade. Porém, precisamos aprender algo mais nessa lição: os números em Yorùbá.

    No Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá (Clique Aqui e Conheça Mais), você aprender todos os números em Yorùbá, mas para essa lição basta apenas saber 3 números: 1, 3 e 7. E novamente caímos em alguns erros bem comuns.

    Números em Yorùbá

    Assim como no português, em idioma Yorùbá os números se classificam em Ordinais (indicam ordem, colocação), Cardinal (indicam contagem), Fracionários e etc..

    Aqui teremos algumas considerações importantes: Há uma forma quase correta e outra corretíssima.

    Números Cardinais (Não especifica o que): 1 = Okan, 3 = E, 7 = Eje;

    Números Ordinais (Ordem): 1 = Kíni ou Ekini, 3 = Ekéta ou Kéta, 7 = Ekéje ou Kéje;

    Números Totais (Indicam quantidade de algo especificado): 1 = Kan, 3 = Méta, 7 = Méje.

    Os números totais são os corretos para usarmo em nosso caso, pois eles é que especificam o que está sendo contato. Gramaticalmente, eles que modificam o substantivo “anos”.

    Agora vamos ver como fica então a síntese, o resumo disso tudo:

    Um ano = Odún kan

    Três anos = Odún méta

    Sete anos = Odún Méje

    Em um convite impresso ou postado em alguma rede social, poderíamos escrever assim:

    “Gostaria de Convidá-los para meu Odún Méta, onde estarei recebendo todos em…”

    ou

    “Dia XX/XX acontece o meu Odún Méje t’Òrìsà. Venha louvar o Òrìsà na Rua…”

    Conclusão

    Chegamos ao fim da postagem onde aprendemos que esse termo “pagar Obrigação” é mais pejorativo do que outra coisa, sendo, possivelmente, reflexo histórico da época da escravatura, apesar de faltas de provas históricas.

    Vimos também que estão usando o termo errado, mais um termo errado, dentro do Candomblé. Mas podemos aprender a forma correta, mas apropriada, para “Obrigação de ano”, que na verdade significa “comemoração de ano”.

    Espero que tenha gostado e tenha visto como é importante aprender mais sobre essa linda cultura e também sobre o idioma Yorùbá, pois a maioria do Candomblé se utiliza deste idioma, de forma errada, mas usa muito.

    Quer aprender mais sobre o idioma mágico do Candomblé? O idioma do òrìṣà, mas de uma maneira correta e sem misticismo? Conheça nosso cursos abaixo: Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá! O que está incluso no curso:

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  • O que significa Dofono, Dofonotin, etc?? (Não é Yorùbá)

    O que significa Dofono, Dofonotin, etc?? (Não é Yorùbá)

     

    O Candomblé e As Posições nos Barcos de Òrìsà

    Muitas pessoas, muitas mesmo… e isso faz tempo, sempre me perguntam sobre vários significados de várias palavras que são ditas dentro do Candomblé. Estranham quando em curso eu não cito algumas e logo perguntam sobre as mesmas. Hoje nós entenderemos sobre isso.

    Mas antes, um adendo: essa explicação foi dada por um professor de idioma Fon. Em outra vez um hater (Essas pessoas que usam a internet para atacar tudo e todos) disse que estava sendo copiado de um blog de um amigo. Mas não sabia ele que no orkut eu já havia explicado isso, ano de 2008, e o blog do amigo postou em 2011. Voltando ao assunto!!

    Ficar sem entender a fundo pelo menos o significado de algumas palavras era algo extremante irritante pra mim no começo dentro do Candomblé… me sentia como um cego numa avenida movimentada, muito barulho sem nada entender.

    Depois de muito estudo e contatos com pessoas diversas, algumas de outras religiões(Evangélicos Nigerianos, Muçulmanos Nigerianos), a cabeça começou a se abrir em relação ao idioma. Se você quiser, pode aprender um pouco nas aulas gratuitas que postei aqui no blog a tempos atrás, clique nos links abaixo que irá para cada aula dada:

    Aula 1Aula 2Aula 3Aula 4Aula 5

     

    Dofono – Dofotin – Gamo – Gamotin

    Uma das expressões mais usada dentro do Candomblé são essas acima, indicando geralmente a ordem de barco, que está associada ao òrìsà que a pessoa será inciada. Havendo uma pessoa para ser iniciada de Èsù e outra de Oyá…. quem for de Èsù será Dofono e de Oyá Dofonotinho… e havendo uma terceira pessoa de Ìyémojá, essa será Fomo.

    Tem muito mais, algumas casas adotam essa ordem também para pedir benção, comer e todos os outros afazeres. Por que digo algumas casas? Há aquelas que não seguem essa ordem. Assim como tem casa que a benção deve ser pedida por todo o barco que foi iniciado juntos.

     

    Mas Olùkó, o que significa essas expressões??? Qual a tradução do Yorùbá para Português?

    Eu digo: nenhuma. As palavras são do Fongbè, idioma do Candomblé Jèjè. Breve trarei outras palavras do Fon que as pessoas pensam ser Yorùbá, inclusive nomes de Òrìsà e as tidas qualidades. Mas lembro que a muito tempo atrás em contato com um amigo que leciona o idioma, ele me passou melhor o que viria a ser cada palavra e seu profundo simbolismo religioso.

    Tudo se concentra em cima da palavra “Fon” que vem a ser a cerimônia de acordar de cada iniciado e conforme vão dando os nomes. Essa ordem tem haver como disse a acima, com o òrìsà, no caso vodún que será iniciado o neófito.

    Seguem as ordens e os nomes:

    • 1-Donfonnu– Aquele que está “longe de ser um Fon”;
    • 2-Donfonnu tiin– Aquele que está “muito longe de ser um Fon”;
    • 3-Fonmu– É o “fon cru”;
    • 4-Fonmutiin– É o “fon muito cru”;
    • 5-Gànmu– Assimilado ao “ferro cru”;
    • 6-Gànmutiin– “ferro muito cru”;
    • 7-Vimu– A “ criança crua”;
    • 8-Vimutiin– É a “criança muito crua”.

    Algumas pessoas tem dificuldades em compreender o conceito por trás dessa classificação, não compreende que quando se diz “cru” é como se fosse uma criança que acaba de nascer.

    Mu” é o estado cru do iniciado, pois todos sabemos que a iniciação é um renascimento. Bom lembrar que assim como no Yorùbá, essas palavras foram sendo aportuguesadas, ganhando peso de gênero e tamanho.

    Dofono (masculino) e dofona (feminino). Temos também o tamanho: Dofono e Dofonotinho, não tendo na verdade uso lógico.

    Mas por que isso Olùkó, por que idiomas diferentes dentro do Candomblé?

    Ora, simples. O Candomblé pode ser considerado uma colcha de retalhos cultural. Uma forma de resistência cultural e religiosa que abrigou africanos de diversas etnias, aldeias, cidades e reinos. Natural foi a mistura de divindades, idiomas e costumes.

    Essa organização aconteceu num momento histórico que favorecia os da nação Ketú, mas lembre-se que antes já haviam candomblés acontecendo pela Bahia e Rio de Janeiro. Mas isso é assunto para outra postagem rs.

    Ficou curioso em aprender mais sobre o Idioma Yorùbá e aprender mais e mais…. No Youtube temos aulas gratuitas onde você pode aprender sem pagar nada. Venha e conheça o canal da Educa Yorùbá.

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  • 5 Qualidades de Um Bom Filho de Santo

    5 Qualidades de Um Bom Filho de Santo

    filho-desanto

    No Candomblé, Ìyáwo é nome dado ao iniciado aos cultos de determinado òrìsà, o chamado filho de santo. O termo vem do idioma Yorùbá, significa esposa, referência ao casamento, ao elo com o òrìsà iniciado. Ele é a base do culto, aquele que acumula muitas tarefas e quando o dever religioso chama, seu òrìsà toma sua cabeça e é louvado num festejo. Mas nem só de receber òrìsà é a vida de um ìyáwo e todos os grandes de hoje, um dia foram ìyáwò.

    A vida dentro de um terreiro de santo, dentro de um barracão é por vezes bem corrida e puxada. O ritmo de àse ensina muita disciplina e começa cedo. Mas todo zelador sabe o quanto alguns filhos lhe causam dor de cabeça e chateações. Assim como em uma família sanguínea, na família de santo também necessita-se ser educado e seguir regras para o bem andar da carruagem.

    Vejamos algumas características que alguns bàbálórìsà e ìyálórìsà admiram e buscam em um ìyáwo.

    1 – Respeito 

    Quando se diz respeito, envolve-se muitas coisas. Respeito ao próprio zelador somente não basta. Deve-se ter respeitos ao preceitos, aos mais velhos (ègbón) e também aos mais novos (àbúrò), pois sim, os mais novos também merecem seu devido respeito.

    Fundamentalmente respeito ao sagrado, ao àse, aos òrìsà. Cada dia mais vemos pessoas denegrindo a religião e achando que tudo pode ser burlado. Tem ìyáwo que estando numa casa, fala mau do próprio zelador em outra. Ou ìyáwo que espera o zelador virar as costas para agir totalmente contrário ao que foi pedido ou orientado. Os que fingem estar de santo. Os que mentem.

    2 – Assiduidade

    Uma casa de candomblé funciona como uma engrenagem e cada par de braços ali presente faz com  que essa engrenagem rode com mais facilidade. É muito importante que um iniciado esteja presente na casa para ajudar nas tarefas dos bastidores… antes, durante e após os festejos. Em nosso próprio ilé não se fica de visitante, se serve quem visita.

    Roupas para se passar e engomar; alimentos e oferendas para serem preparadas; pátio para ser varrido e limpo; animais para se limpar e preparar àse e por ai vai. Durante os festejos: servi os convidados, auxiliar os que recebem seu òrìsà, orientar quem não conhece a casa.

    Um casa de candomblé para quem apenas visita, tudo parece lindo, mas tem os bastidores corrido e agitado, que quando os filhos estão presente flui perfeitamente bem. Porém, quando o número é pequeno…. as tarefas ficam árduas e complicadas.

    3 – Interesse Pelo Àse

    Não adianta ter um corpo presente no ilé, faz-se necessário que o Ìyáwo seja membro atuante, cabeça pensante e que saiba promover bem seu ilé, os serviço religiosos do bàbálórìsà ou ìyálórìsà. Isso não só faz bem ao próprio barracão como a religião. Ìyáwo consciente é um ìyáwo que junto com o zelador ajuda a levantar a moral da casa.

    Claro, há terreiros que são levados meio que na ditadura, onde o/a líder não deixa ninguém debaixo se meter em assuntos da casa, infelizmente há boas lideranças e más lideranças, sejamos francos.

    4 – Lealdade à Casa e ao Zelador

    Claro que aqui não entra a lealdade cega.  Mas cada dia mais nota-se um movimento de troca de casa e troca de àse que confunde a cabeça das pessoas. Um coisa é você trocar de casa, de zelador por problemas seríssimos com desavenças pessoais ou algo que o valha, falecimento, encerramento da casa, etc; agora, trocar de casa só porque a casa do amiguinho ou amiguinha vive mais cheia, o pessoal sai pra beber final de semana e coisas parecidas… aí vira bagunça. Aí não está sendo leal.

    Se o seu zelador ou sua zeladora age de forma correta com você, se a situação está tranquila, não precisa ficar trocando de àse, de ilé, de pai de santo por modismos.

    Outro perigo que atinge quem não é leal, é o famoso “santo errado”. Esse assunto ainda merece ser extensamente debatido entre o povo de santo, mas caso surja esses boatos com você, sente-se com seu zelador e só saia quando esclarecido.

    5 – Ajudar a Casa Financeiramente

    Momento crítico – dinheiro e candomblé sempre causam arrepios – mas uma casa não se paga sozinha, há contas, há gastos. Num post no antigo blog que falo sobre profissão bàbálórìsà (veja neste link), expliquei sobre tudo que um barracão gasta e que sim, se faz necessário uma mensalidade ou ajuda de custo por partes dos participantes daquele ilé.

    Temos que lembrar também que um barracão às vezes é morada de filhos mais desprovidos, ou aqueles que estão passando momento de crise precisando de um amparo.

    Um bom Ìyáwo está sempre chegando junto nas mensalidades e vaquinhas para festejos ou famosa lista de feitura quando se tem uma obrigação de alguém da casa ou entrada de algum ìyáwo que não tem condições de pagar a feitura.

    Conclusão e observações:

    Não termina aqui as qualidades necessárias para se ser um bom filho de santo, eu sei, mas essas com certeza faz diferença.

    Sim, um ìyáwo é o braço forte de um bàbálórìsà ou ìyálórìsà, a base e o alicerce da casa de santo, pois imagina um barracão sem iyawo. Seria possível? Seria possível ter um terreiro atuante, mas sem ìyáwo? Pode se afirmar que sem Ìyáwo, sem candomblé.

    Mas muita coisa que foi dita aqui esbarra em uma coisa ou em uma pessoa: o bàbálórìsà ou ìyálórìsà intransigentes, aqueles que não dão espaço para que nada seja dito ou feito. Então quando vejo algum iniciado indo contra o que foi dito acima, muitas vezes vejo aquele zelador general e carrasco. Lembre-se, escravidão acabou!!

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