Categoria: Candomblé

Assuntos relacionados ao Candomblé e Umbanda.

  • Aula de Língua Yorùbá – Ponto Embaixo das Letras!

    Mo júbà! Nessa aula de yorùbá, iremos aprender como pronunciar corretamente o ponto embaixo que costuma vir nas vogais E e O, assim como debaixo da consoante S. O conhecimento dessa regra de pronúncia é muito importante para que não haja confusão nos significados das palavras em yorùbá.

    O ponto embaixo, o ponto diacrítico, também chamado de aabo aarin em yorùbá, possui a função de abrir os sons das vogais E e O, assim como mudar a som da consoante S para o som de X. Assista à aula e aprenda mais sobre esses conceitos da língua yorùbá.

    Quer aprender mais sobre a língua Yorùbá, então, acesse o link abaixo:

    Quer Aprender Mais Sobre a Língua Yorùbá?

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  • 7 Palavras Usadas no Candomblé Que Não São Yorùbá

    7 Palavras Usadas no Candomblé Que Não São Yorùbá

    Mo júbà!

    No Candomblé, assim como na Umbanda, costumamos escutar várias palavras em idioma que não é o Português e como nossa especialidade é o ensino do idioma Yorùbá, é comum sempre nos perguntarem se determinada palavra está em Yorùbá.

    Alguns alunos sempre nos enviam dúvidas sobre o que ouvem nos seus barracões – ilé òrìsà, mas nem tudo é Yorùbá.

    Uma Pequena História Sobre a Fundação do Candomblé

    Geralmente, por falta de pesquisa dos adeptos, as pessoas desconhecem a história da fundação do candomblé. Fundação é apenas um modo de falar, pois não houve nenhum evento de formalização do culto, que na verdade, podemos falar em organização do candomblé.

    No vergonhoso período da escravidão no Brasil, pessoas de diversas nacionalidades e tribos chegaram ao Brasil. Os povos Bantus foram um dos primeiros e quando falamos desse povo falamos daqueles que mais influenciaram a língua portuguesa.

    Esse povo teve muita dificuldade em estabelecer cultos aqui. Não diminuindo o sofrimento dos demais, mas esses passaram por coisas terríveis: pesquisem!

    Depois, devido a N fatores, como guerras internas na própria África, outros povos foram chegando, mas o povo Bantu foi o que mais tempo permaneceu e que o pior período pegou.

    O povo Yorùbá foi o último, já pegando palavras enraizadas e um contexto mais brando para estabelecimento dos cultos, podendo assim, organizar os rituais aos òrìsà.

    E, claro, não podemos esquecer dos povos Fon, ou Jèjè, e tantos outros que aqui chegaram, cada qual com sua devida contribuição. Mas nenhuma influenciou tanto nosso idioma quanto os povos bantus.

    Acredite, isso foi uma pequena pincelada, com muitas lacunas, sobre a organização do Candomblé no Brasil, mas apenas para que entenda que os períodos dos povos foram diferentes, assim como a pressão sobre eles.

    Essas Palavras Não São Yorùbá

    Há muitas palavras usadas no Candomblé, até mesmo de raiz Ketú, que não são Yorùbá. Trago aqui aquelas que mais recebo por e-mail como dúvida de tradução. Há muitas outras, claro.

    • Dendê;
    • Maionga;
    • Dofono (Variantes e Sequência);
    • Mukuiu;
    • Izô;
    • Vodun;
    • Maleme.

    1 – Dendê

    Elemento fundamental usados nos cultos aos òrìsa, a palavras, repito: a palavra dendê não é de origem Yorùbá. Trata-se de uma palavra Bantu.

    Em Yorùbá, a palavra que designa o azeite originário palmeira é Epo Pupa (Azeite Vermelho, Óleo Avermelhado)

    2 – Maionga

    Maionga é o banho ritual que faz uso de diversos elementos, como ervas, isso dentro da cultura Bantu.

    Durante o ritual de iniciação no Candomblé Ketú, é muito comum, quase que obrigatório ouvirmos essa palavra, mas em Yorùbá, não a encontramos.

    Basicamente, em Yorùbá, banho significa ìwè e banho de ervas we àgbo (leia aqui a postagem que falamos sobre àgbo e o que de fato do que se trata. Clique Aqui!)

    3 – Dofono (Variantes e Sequência)

    Esse é meio problemático de tratar, pois sempre causa problemas e discordância, mas não estamos falando de ideologias, mas sim de idiomas e o que é, é… O que não é, não é! Simples!

    Dofono, Fomo, Gamo, sua sequência e variantes (dofona, por exemplo) são palavras de origem do povo Jèjè, povo do Daomé – Benin, cuja língua é o ewe fòn (endônimoEʋegbe).

    A palavra trata da ordem que os iniciados acordam após o ato de iniciação e não uma ordem de acordo com o òrìsà que é iniciado.

    Tratei melhor sobre o tema numa postagem somente sobre esse tema, mesmo assim muitas pessoas não compreenderam rs. Clique aqui e saiba tudo sobre Dofono e etc

    4 – Mukuiu/ Makuiu! O que significa Mukuiu?

    Quando estudamos Yorùbá, muitas formas de expressar uma palavra surgem, muitas vezes por total desconhecimento de pronúncia e escrita.

    Isso ocorre também com as línguas de tronco Bantu, mas há certa variante de pronúncia, por conta do que chamamos de dialetos, variantes regionais.

    Mukuiu, forma correta Muku iu, é um pedido de benção dentro das nações bantus, mas não se trata de um pedido de bênção nos Candomblé Ketú.

    Àwúre é a palavra correta, sem tirar e nem por, para pedir bênção em Yorùbá. Sua resposta é Wúre mi (Minha bênção!)

    5 – Izô

    Uma curta história: estava eu em um candomblé, quando um rapaz começou a falar que a Oya dele havia passado por um tal teste do izô.

    Segundo ele, esse era um ritual praticado em terras Yorùbá e que somente quem de fato estava com Oya poderia passar ileso. Fiquei curioso e perguntei qual era o nome do ritual. Ele reafirmou que era Oya Izô.

    Bom, eu o informei que em Yorùbá não falamos fogo com a palavra Izô. Ele pegou fogo (rs) e disse que era impossível e o resto foi a turma do deixa disso ajudando a coisa não pegar mais fogo. Rs!

    De fato, Izô não se trata de idioma Yorùbá. Em Yorùbá não fazemos uso da letra Z, sequer temos a sonoridade dessa palavra. Ou seja, qualquer palavra que você ouvir e tiver “Z” não se trata de Yorùbá.

    Fogo em Yorùbá é Iná (Lê-se: Inôn)!

    6 – Vodun

    É comum ouvirmos de mais velhos frases que incluem o nome vodun no meio. Até mesmo havia um programa de rádio chamado: “Acorda Vondunci“. A nova geração não vai saber do que se trata. Rs!

    Bom, acontece que associam vodun a òrìsà, vondunci a quem é iniciado ao òrìsà.

    Vodun é uma coisa, òrìsà é outra coisa. Assim como nkinse é uma coisa e òrìsà é outra.

    Voduns são as divindades cultuadas pelo povo Jèjè, possuindo lendas, fundamentos e elementos próprios. Vemos hoje algumas postagens que tentam simplificar essas divindades como se fossem a mesma coisa que òrìsà. Muito perigo nisso!

    Mais um adendo importante para dissociar a palavra vodun do povo Yorùbá: no idioma da Nigéria, não fazemos uso da letra “V” nem temos o som dessa letra.

    Gente, falar de vodun merece uma postagem só sobre esse assunto e não sou a pessoa com competência para tal, mesmo com muita pesquisa.

    7 – Maleme!!! O que Significa Maleme?

    Essa é a campeã de e-mails, directs, messenger que recebo de pessoa buscando o verdadeiro significado.

    Uns dizem ser um pedido de desculpas, outro pedido de bênção, outros é um pedido de socorro, de ajuda. Ainda há um tipo de cantiga que se chama Maleme! Ufa! Difícil!

    Não achei nenhuma fonte confiável, confesso e não confio em informações desencontradas.

    O que se sabe é que sua origem está no idioma kikongo, língua africana falada pelo povo bacongo nas províncias de Cabinda, do Uíge e do Zaire, no norte de Angola; e na região do baixo Congo. Segundo a informaçaõ popular,  Maleime são cânticos entoados para se suplicar ajuda ou perdão. Também chamado de malembe ou maleme.

    Segundo Anderson Barbosa Junior, vem do quicongo ma-lembe, “voto de saúde, paz, etc.”, relacionado ao quimbundo ma-lembe “suave”.

    Ainda há quem diga que a expressão “Valei-me, Deus!” venha dessa palavra africana.

    Conclusão

    A verdade é que o Candomblé é uma linda e enorme colcha de retalhos culturais, onde não prevalece determinada cultura.

    Cada uma teve um papel fundamental para o que conhecemos hoje, cada qual com seu grau de importância. Mas não podemos, também, descaracterizar cada por conta do todo.

    Por isso, hoje em dia é importante sim o resgate de cada cultura e se você é de Jèjè, aprenda o idioma de sua “nação”; se você é de candomblé Angola, vá aprender os idioma de tronco Bantu.

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  • Àbáyọ̀mi- O Mistério das Bonecas de Pano de Ọya!

    Àbáyọ̀mi- O Mistério das Bonecas de Pano de Ọya!

    Há um tempo, eu havia feito uma postagem no Facebook falando sobre Àbáyọ̀mi. Antes, eu havia noticiado que faria postagem, o que fez muitos enviarem mensagens perguntando se eu iria revelar um awo, que não estava certo falar sobre o assunto, pois estaria mexendo com égún!

    Mas, por que essas pessoas ficaram tão assustadas assim? O que há por trás dessas bonecas feitas de tiras de panos e alguns nós? Vamos entender melhor esse assunto nessa postagem!

    Àbáyọ̀mi- A Boneca de Pano de Ọya

    É dito que Àbáyọ̀mi, no Candomblé, é o nome dado às bonecas que vão atadas às vestimentas de Ọya, especificamente nas vestes de Ọya Igbalé, uma qualidade.

    E dito também que algumas casas sequer buscam mexer com tais bonecas, por causa que elas representam os noves filhos de Ọya, que são égún e necessita-se de muito conhecimento de fundamento para mexer com ela! Somente a pessoa responsável pelo quarto desse Òrìsà é que pode confeccionar essas bonecas Isso é o que dizem!

    Não se sabe exatamente como essa tradição chegou ao Candomblé, mas é algo bem respeitado e temido.

    Mas, há mais sobre a boneca e o nome Àbáyòmi. Continue lendo, me acompanhe.

    Àbáyọ̀mi- Uma História Mal Contada…

    Porém, há mais duas versões!

    “Historicamente”, Àbáyọ̀mi eram bonecas feitas durante as navegações que traziam escravos para cá. Como a viagem era longa e tediante, as mães faziam as bonecas de pedaços de suas vestes para dar aos filhos e poder assim distraí-los. São pequenas bonecas feitas de tiras de pano, alguns nós e sempre na cor negra.

    História não confirmada por nenhum historiador e totalmente romantizada, demonstrando diversos erros históricos e suavizando o inferno que era dentro dos navios negreiros.

    “Não há indícios históricos que mostrem que as mães faziam qualquer coisa do tipo nos navios negreiros. Inclusive, na maior parte das vezes, mães e filhos eram separados e os filhos ficavam para trás, porque crianças muito pequenas não eram rentáveis. Quando eram trazidas, as crianças já tinham por volta dos 8 anos, constituindo força de trabalho. Essas, sim, eram até mesmo procuradas”, afirmou o historiador Marcelo Rezende.

    Lena Martins – Onde as Bonecas Nascem de Fato

    As bonecas na verdade surgiram no Brasil, na década de 1980, pelas mãos da artesã Lena Martins. Lena teve inspiração na mãe — costureira que fazia bonecas tradicionais — para trabalhar com a temática em defesa da mulher negra.

    Em oficinas que fazia em comunidades do Rio de Janeiro — inclusive nos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), projeto educacional para oferecer ensino público integral —, Lena começou a utilizar retalhos para formar bonecas e, depois de tempos aperfeiçoando, criou o que hoje é conhecido como Abayomi. A ideia de usar retalhos — lixo — para fazer uma coisa nova — boneca — é condizente com uma visão cíclica da vida, a de que todo fim é um novo começo.

    O nome Abayomi veio em homenagem a uma amiga grávida que queria colocar o nome de sua filha de Abayomi. Nasceu um menino, mas o nome Àbáy`òmi foi para a boneca.

    Àbáyọ̀mi Significa Encontro Precioso? Não exatamente! Entenda!

    Uma tradução errada tem sido atribuída à boneca, aqui entra nossa expertise com o idioma Yorùbá.

    Dizem que Àbáyọ̀mi significava: abay = encontro + omi = precioso. Totalmente errado. Abay não significa encontro e omi significa água. Sem contar a fonética que não bate!

    Uma outra tradução atribuída ao orúkọ Àbáyọ̀mi é aquela que traz a felicidade para mim, porém não há registro dessa tradução de maneira confiável. Um museu em Vassouras usam essa tradução errada para as bonecas lá expostas! Cuidado!

    O Que Significa Àbáyọ̀mi?

    A verdade: Àbáyọ̀mi é um orúkọ, ou seja, um nome e registrado, que possui como significado diferente do que é atribuído romanticamente aqui no Brasil. Em terras nigerianas, Àbáyọ̀mi significa: aquele que teria sido ridicularizado/ eles teriam me ridicularizado.

    Mas como assim, registrado? Bom, hoje temos diversas figuras públicas nigerianas que possui o nome Àbáyọ̀mi, como Prof Àbáyọ̀mí Barber, Adé Àbáyọ̀mí Olúfẹkọ́ e Oyinkánsọ́lá Àbáyọ̀mí.

    É um nome que necessita de um complemento, pois costuma vir indicando quem livrou da ridicularização:

    Àbáyọ̀mi Èṣùyọmi = Eu teria sido ridicularizado, mas Èṣù me salvou;

    Àbàyọ̀mi Ọ̀ṣunlágbára = Eu teria sido ridicularizado, mas Ọ̀ṣun tem o poder;

    Àbáyọ̀mi Yèyédáábòmi = Eu teria sido ridicularizado, mas a mãezinha me protegeu.

    Ou seja, tudo indica que as bonecas surgiram no Brasil e pelas mãos de uma artesã e seu nome se dá por um profundo erro de Yorùbá, além de todo o folclore criado em torno de égún e Ọya.

    A Importância do Aprendizado da Cultura Yorùbá!

    Fica cada vez mais patente a necessidade e importância do aprendizado da cultura Yorùbá, tantos suas práticas culturais, quanto de seu idioma, a língua Yorùbá!

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  • A Origem da Saudação Ògún yè e Pàtàkòrí Com Tradução Correta!

    A Origem da Saudação Ògún yè e Pàtàkòrí Com Tradução Correta!

    As saudações aos orixás (àwọn òrìṣà) é uma das características mais marcante no candomblé, herdamos isso do povo Yorùbá, onde as saudações e cumprimentos são diversos.

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    Cada òrìṣà possui sua saudação característica, essa costuma trazer algo sobre seu temperamento ou sobre sua história. Às vezes, pode até parecer algo sem lógica, mas sem lógica para nós e não para o povo yorubano.

    Veja por exemplo a tradução da saudação de Ọya – Yánsàn – Clique Aqui!

    Tradução da saudação a Ogun – Ògún yè!

    Muito conhecida é a saudação desse òrìṣà, assim como a saudação de Yemọja é amplamente conhecida. As duas se encontram até mesmo em músicas populares brasileiras.

    Sua escrita correta e tradução são:

    Ògún yè – Ògún vive!

    Pode parecer estranho quando não se sabe a história por trás dessa saudação, mas ela nos remete ao odù Iwori Méjì (Na verdade, é um personagem que o representa, mas para facilitar o compreendimento, usarei o próprio odù aqui para não gerar confusão). Mas atente ao fato de que nos awọn odù ìtàn – histórias dos odù – muitos surgem como personagens viventes, com dramas normais de nós humanos.

    Conta esse ìtàn que Iwori Méjì encontrou com Ògún vindo em uma estrada com seus espólios de mais uma batalha. Vinha ele com 200 cativos a sua frente e mais duzentos cativos na retaguarda. Ele reconheceu o òrìṣà, mas o grande guerreiro estava em um estado medonho, cansado e sujo. Ògún parecia um morto vivo…

    Ògún precisava ser visto com nobreza e dignidade, não daquela forma como ele se apresentava. Ògún precisava ser visto como aquele que voltava vivo das batalhas e guerras!

    Èṣù sussurrou aos ouvidos de Ògún que exigisse de Iwori Méjì uma forma de ser visto com dignidade e nobreza. Tão logo o grande òrìṣà expressou sua vontade, Iwori Méjì mandou que todos os cativos ali fechassem os olhos!

    Pegou duas penas vermelhas de àlùkò e colocou na cabeça de Ògún. Depois, mandou que todos abrissem os olhos e vissem a nova forma que agora o òrìṣà se apresentava: Vivo, nobre, digno!

    Todos ficaram espantados e gritaram: Ògún yè! Ògún yè!!

    Saudamos Ògún dessa forma para indicar que ele está vivo, que é nobre, que é um òrìṣà com dignidade e nobreza. As penas de àlùkò possui um forte simbolismo daquilo de bom que está vindo, notícias alegres e felizes!

    = verbo que indica o fato de estar vivo, indica também o ato de sobreviver, sair incólume de algo;

    Quando as pessoas falam: “Ògún yè! Mo yè!“, elas estão querendo dizer que Ògún sobreviveu, está vivo, eu estou vivo, eu sobrevivo!

    Indica a vitória sobre as adversidades, sobre as batalhas, por mais pesadas que elas sejam.

    Por Que Usamos Pàtàkòrí Para Ògún?

    Muitas pessoas atribuíram essa palavra ao ato de Ògún corta cabeças. Mas é um ledo engano aqui!

    Pàtàkòrí fala justamente do que tratamos acima, fala da nobreza e importância do òrìṣà Ògún. Vamos destrinchar a palavra para melhor compreendermos do que se trata:

    Pàtàkì = aquilo que é importante, considerar-se importante, nobre, digno de atenção;

    Orí = cabeca (significado primário), aquilo que se destaca, compõem palavras que indicam liderança, chefe, pessoa à frente (Aṣíwájú = um dos atributos de Ògún);

    Pàtàkòrí fala de uma pessoa importante, de um líder, um chefe muito importante e digno. Uma pessoa em destaque!

    Quando falo: “Ògún yè! Pàtàkòrí Òrìṣà!“, estou falando: Ògún vive, o frisa importante, o frisa digno de nobreza e atenção!

    Tudo remete ao poder grandioso de Ògún, ao seu caráter de líder, chefe, de ir à frente nas batalhas e de sair vitorioso delas. Um òrìṣà que merece respeito e quem tem seu culto original ainda bem vivo em terras nigerianas, contrariando o que muitos dizem de cultos morrendo em terras yorubanas.

    Por isso a Importância de se Aprender Yorùbá!

    Note como fazendo uso do conhecimento do idioma dos àwn òrìà, conseguimos desvendar o que está por trás das expressões mais usadas no Candomblé e demais culto aos deuses yorubanos.

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  • Como Dizer Bom dia em Yorùbá – Aula de Yorùbá na Prática

    Como Dizer Bom dia em Yorùbá – Aula de Yorùbá na Prática

    Nas saudações em Yorùbá, dizer bom dia em Yoruba pode até parecer simples, mas possui uma série de ensinamentos que nos ajudam e muito a melhorar nosso aprendizado do idioma Yoruba.

    A língua Yoruba possui uma série de regras, quando se aprende uma regra, você pode aplicar facilmente nas frases, mesmo que você não conheça 100% da palavra. Uma ideia pelo menos terá do que significa.

    Como dizer Bom Dia em Yoruba?

    É bem simples, porém, iremos adentrar nas regras que formam essa expressão e você poderá usar em várias saudações, até mesmo saudação aos orixás (awon orisa).

    Bom dia em Yoruba é…

    Ẹ káàkọ̀ oò!

    Há vários elementos nessa expressão. Você pode aprender de duas formas: vídeo ou continuar lendo essa postagem.

    Se quiser aprender por meio de vídeo, veja abaixo:

    Quer Aprender como dizer bom dia em Yoruba lendo? Vamos continuar então!

    Bom, já vimos que a palavra em Yoruba para essa saudação é Ẹ káàrọ̀ oò! Vamos compreender cada elemento dessa saudação em Yoruba.

    – possui variados significados, mas em saudações é usado para demonstrar respeito de uma forma ampla. Deve ser usado diante de pessoas mais velhas; com grau hierárquico superior, seja ela qual for (militar, religioso, estudantil, empregatício); diante de um grupo de pessoas, ou seja, quando vai se falar com um grupo.

    Káàrọ̀ – essa palavra é a contração de duas outras – kú + ààrọ̀. é a palavra usada em saudações em geral. Nao possui uma tradução exatamente. Ela forma par com , dessa forma Ẹ kú (Muitas saudações usam assim. Exemplo: Ẹ kú ààrọ̀). `Ààrọ̀ significa um período do dia, esse vai desde que o Sol nasce até o meio-dia, ou seja, parte da manhã. Ẹ kú ààrọ̀ = Ẹ káàrọ̀.

    – essa palavra ao final é como um intensificador do que foi dito antes, funciona como uma exclamação, mas nada impede de usar a exclamação junto essa palavra.

    Outras Saudações em Yoruba que significa Bom dia!

    Há outras saudações em Yoruba que quer dizer bom dia, são elas variacoes da que aprendemos. Vejamos:

    • Akú `aàrọ̀;
    • Ku ààrọ̀;
    • Ekú ààrọ̀;
    • A kú ààrọ̀;
    • Káàrọ̀;
    • E kaaro;
    • E kú ààrọ̀.

    E assim aprendemos a dizer bom dia em Yoruba e de uma forma fácil e rápida. Ficou interessado em aprender mais sobre as saudações em Yoruba e no idioma como um todo?

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  • Vencemos: Èṣù não é Diabo. Google Tradutor muda a tradução dada à palavra Èṣù!

    Vencemos: Èṣù não é Diabo. Google Tradutor muda a tradução dada à palavra Èṣù!

    A cena sempre se repetia, de forma triste, mas persistente: quem fosse digitar a palavra Èṣù, importante òrìṣà da cultura Yorùbá e principalmente no Candomblé, na ferramenta de tradução do Google, o Google Tradutor, acabava se deparando com traduções bem chocantes.

    Esse belo e magnífico òrìṣà estava associado, de forma errada, ao diabo, satanás e outras entidades espirituais estranhas à yorubana. Dentro da cultura Yorùbá não há a figura de um diabo, de um satanás.

    Èṣù faz um papel primordial dentro dessa cultura, jamais podendo ser associado a algo maligno. Èṣù é a própria existência humana, o próprio movimentar das coisas, da natureza, dos humanos. Toda interação de comunicação, trocas materiais entre o espiritual e humano está a ele associada. A ordem é estabelecida por ele, sendo o primogênito do criador universal. De longe, muito longe, anos-luz, Èṣù poderia ser associado ao diabo, figura de uma outra cultura e que nada tem a ver, desde a criação, até sua função, com o òrìṣà Èṣù!

    Google Muda a Tradução de Èṣù!

    Em 2019, após muitas reclamações de alunos e seguidores, fomos testar a ferramenta de tradução. Nunca a usamos pois sabemos que jamais podemos no basear em um algorítimo que não sabe ler contexto das frases. Lá estavam as traduções horrendas. Fizemos uma postagem sobre, clique aqui e leia – Campanha: Google, Èṣù não é o Diabo!

    Mas, após essa campanha, muita insistência, a ferramenta mudou a tradução. Não foi fácil e não é um mérito da Educa Yoruba, não é um mérito meu, Olùkọ́ Vander, mas um mérito de todos que ajudaram, todos que mesmo antes de nós foram lá e solicitaram a mudança.

    A palavra foi corretamente traduzida em 2019, mas logo depois, lá estava novamente a tradução. Caímos em cima, chamamos nossos seguidores e alunos para intervirem e nos ajudar. A intervenção era bem simples, como está explicada na campanha.

    Agora, após um mês monitorando a tradução, monitorando a ferramenta, conseguimos manter a tradução correta. Veja abaixo os testes que fizemos (Setembro de 2021):

    Essa é uma forma bem comum de escrever o nome do òrìṣà. Não está correto, mas mostra como a ferramenta mudou.

    Lembrando que a ferramenta não traz a definição da palavra por meio de um conceito, mas sim uma tradução com outra palavra. Um exemplo é a palavra Jesus que a ferramenta traduz para yorùbá como Jésù, ou seja, palavra por palavra.

    Veja uma outra tradução, dessa vez colocando a grafia correta de Èṣù em yorùbá e sua devida tradução para o português. Antes, teríamos aqui a palavra diabo:

    Também fizemos a inversão, colocando palavras que associam ao òrìṣà e pedindo a tradução em yorùbá e, hoje, a ferramenta usa outras palavras definir Satanás, Diabo e etc. Veja abaixo:

    Vencida Uma Batalha, Mas Ainda Há Uma Guerra!

    Essa foi uma batalha vencida, havendo outra e tudo sendo parte de uma guerra muito maior: a incompreensão do òrìṣà Èṣù. Há muitas mentiras contadas pelos próprios da religião, que, muitas vezes, por falta de conhecimento, acabam passando ideias erradas sobre a divindade (Leia – 5 Mentiras Sobre Òrìsà Èsù (Algumas Até Candomblecistas Acreditam).

    O algoritmo do Facebook ainda traduz de maneira errada a palavra. Algumas outras palavras como diabolico (Isso mesmo, sem acento.) são traduzidas como esu. Alguns dicionários, como Oxford, possuem uma definição popular para Èsù como sendo algo diabólico, maligno e de atitudes erradas.

    Isso tudo nos mostra que não se trata tão somente de intolerância religiosa por parte de alguns, mas um verdadeiro hábito de muitos, até mesmo de dentro da religião, de achar o òrìsà como um fazedor de maldade e vinganças. É uma guerra que envolve muitas frentes, muitas batalhas!

    Continuaremos na luta e vigilantes, pois a qualquer momento essa tradução pode mudar. Não podemos desistir!

    Ó dàbọ̀!
    (Até mais!)

    Èṣù bùsín fún yín!
    (Èsù abençoe vocês!)