Tag: Candomblé

  • Formas de Agradecer em Yorùbá – Indo além do A dúpẹ́!

    Formas de Agradecer em Yorùbá – Indo além do A dúpẹ́!

    Mo júbà gbogbo!

    O idioma Yorùbá é complexo em suas possibilidades de uso. Nem sempre há apenas uma forma para no expressarmos, isso acontece principalmente na área de saudações, felicitações e pêsames.

    É comum eu explicar sobre determinado assunto, bênção por exemplo, e os alunos virem me questionar que eles aprenderam de outra forma e qual seria o correto. Mas isso se deve ao fato de manterem-se presos às estruturas fixas, o que não ocorre com o Yorùbá, idioma muito plástico e expansível.

    Nesta postagem iremos aprender formas de agradecer, indo além do famoso a dúpẹ́ ou mo dúpẹ́! Mas claro que esses serão explicados em por menores. Vamos aprender Yorùbá?

    Mo dúpẹ́

    Essa talvez seja a mais conhecida, sua tradução se faz de fácil explicação. Usaremos um pouquinho de gramática, por mais que muitos alunos acham que possam fugir dela para entender o idioma dos àwọn òrìṣà:

    Mo = Eu (Forma reduzida, pois há também Èmi com mesmo significado);

    Dúpẹ́ = verbo agradecer. É um verbo chamado de composto, pois nasce da união de + ọpẹ́, respectivamente “fazer algo” + “gratidão”.

    Ou seja, é o ato de ser grato, de se mostrar grato. Ele sozinho significa: eu agradeço, mas podemos melhorar essa expressão.

    Mo dúpẹ́ o/ Mo dúpẹ́ ẹ/ Mo dúpẹ́ gbogbo/ Mo dúpẹ́ fún gbogbo/ Mo dúpẹ́, bàbá mi/ Mo dúpẹ́, ìyá mi!

    Essas construções acima nos mostram as possibilidades fora do que todos usam o tempo todo. Vejamos as traduções:

    • Mo dúpẹ́ o = Obrigado(a) a você;
    • Mo dúpẹ́ ẹ = Obrigado(a) a vocês;
    • Mo dúpẹ́ gbogbo = Obrigado(a) a todos;
    • Mo dúpẹ́ fún gbogbo = Obrigado(a) por tudo;
    • Mo dúpẹ́, bàbá mi = Obrigado(a), meu pai;
    • Mo dúpẹ́, ìyá mi =Obrigado(a), minha mãe.

    Adúpẹ́ ou A dúpẹ́

    Muitas pessoas usam essa expressão como se significasse, “eu agradeço” ou “obrigado”. Certo e errado. Há um dicionário “famoso” que grafa junto, o que é errado.

    A = Nós, em sua forma reduzida. Normalmente é Àwa;

    Dúpẹ́ = agradecer.

    Se realmente conjugarmos o verbo, teremos: “nós agradecemos” e não “eu agradeço”. Mas pode ser usado como “eu agradeço em nome deles“, ou seja, como se estivesse agradecendo em nome de um grupo.


    Ọpẹ́

    Gratidão – Isso que significa. Mas aqui entramos em uma parte conceitual.

    Gratidão é um substantivo, mas usado com a intenção de agradecer por algo. Inclusive você poder chegar até o igbá òrìṣà e dizer:

    • Ọpẹ́, bàbá mi/ ìyá mi! Ọpẹ́ fún ire gbogbo!! (Gratidão meu pai/ minha mãe! Gratidão por toda sorte!)

    Digo conceitual pois há um grupo que critica uso dessas expressões que estão muito ligadas ao esoterismo, lei da atração, budismo e etc. OPINIÃO DELES!!!!!


    Ẹ ṣe o!/ Ẹ ṣe é o!

    De agora em diante começaremos a fazer uso de algumas expressões que se perdem no tempo e não tem como, por hora, ficar explicando a etimologia delas.

    Sempre que faço uso dela, percebo que as pessoas ficam confusas e perguntam o que significa: Todas elas a mesma coisa, “Obrigado(a)!”.

    Ẹ ṣe o! – Obrigado (Pronúncia: É XÊ Ô!)

    Variações:

    • Ẹ ṣe gbogbo!! – Obrigado por tudo!
    • Ẹ ṣe é o!! – Obrigado!
    • Ẹ ṣe púpọ̀!! – Muito obrigado!


    Ẹ ṣe gan!

    Essa foi a primeira expressão que aprendi como obrigado, tirando Mo dúpẹ́. Estou falando dos idos de 2003. Um noviço no aprendizado do idioma dos àwon òrìsà!!!

    Como o mesmo propósito das outras, visa tão somente agradecer por algo feito.

    • Ẹ ṣe gan!! – Obrigado! (Pronúncia: É XÊ GON!)


    Ẹ ṣeun!

    Mais uma estrutura estranha de explicar, porém presente em muitos cursos de Yorùbá pelo mundo. Possui a mesmo intenção: agradecer por algo feito!

    Ẹ ṣeun! – Obrigado(a)! Pronúncia: É Xê UN!)

    Note que em todos você pode fazer um incremento já aprendido, como por exemplo: gbogbo, fún gbogbo, púpọ̀, etc!!

    • Ẹ ṣeun púpọ̀ – Muito obrigado(a)!;
    • Ẹ ṣeun fún gbogbo – Obrigado(a) por tudo!;
    • Ẹ ṣeun gbogbo – Obrigado(a) a todos!

    Kò tọ́pẹ́ o!

    Finalizando com o famoso “não há de quê!“.

    Sempre que alguém lhe agradecer por algo, não precisa ir ao lugar comum que todos dizem indiscriminadamente: àse! A expressão que melhor podemos usar neste caso é:

    • Kò tọ́pẹ́ o!/ Kò tọ́pẹ́! – Não há de quê!

    Essa expressão ela ao pé da letra fica estranha, pois estou dizendo que “eu não fiz nada o suficiente para você ser grato”. Mas pode-se entender como: “não há necessidade disso!”.

    = advérbio de negação, não;

    = suficiente;

    Ọpẹ́ = gratidão como aprendemos acima.

    Há outras formas também de se dizer “não há de quê!” em Yorùbá, mas a postagem ficaria imensa e embolaria mais a cabeça do aprendiz!!

    Finalizamos

    E então espero que tenha gostado de aprender essas formas diferentes de dizer obrigado, indo muito além de mo dúpé ou a dúpé!

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  • Principais Tipos de Religião na Nigéria!

    Principais Tipos de Religião na Nigéria!

    Embora existam muitas religiões na Nigéria, este país africano é dividido principalmente entre as duas mais dominantes do mundo, o Islã e o Cristianismo. É difícil nomear a proporção exata. Segundo algumas estimativas, essa proporção é de 53% a 45% ou 50% a 49%. A diferença não é tão alta.

    Vamos falar sobre os diferentes tipos de religião na Nigéria para melhor entender a fé deste país que tanto influenciou e influencia o Candomblé aqui no Brasil!

    Porque lá na África… Lá Na Nigéria é Assim, é Diferente… Etc!!

    É comum em conversas em roda de Candomblé a famosa frase: – “Porque na África não é assim… É assado… É diferente… Blá, blá, blá!”

    Apesar da enxurrada de informações presentes hoje em dia, as comparações do Candomblé às religiões nigerianas continuam em alta, todavia as pessoas esqueceram que os tempos passaram e hoje a Nigéria é dominada por islamismo e cristianismo.

    Porém, com mais de 180 milhões de pessoas, a Nigéria responde, não apenas pelo cristianismo e pelo islamismo, mas também por outros tipos de crenças. Como o país possui mais de 371 grupos étnicos e mais de 520 dialetos, entende-se que uma única religião não pode unir tantas diversidades de crenças, etnias, culturas e filosofias.


    Lista de religiões na Nigéria

    Diferentes partes do país apoiam diferentes religiões, lembra um pouco nosso Brasil, um pouco. Aqui está uma lista completa de todos os tipos de religiões na Nigéria:

    Cristianismo:

    • Protestante;
    • Anglicano;
    • Católico Ortodoxo;
    • Outros ramos da igreja cristã;

    Islamismo:

    • Sunni;
    • Sharia;
    • Sufi;
    • Shia;
    • Mahdiyya;
    • Ahmadiyya;
    • Izala;
    • Quraniyoon.

    Outras religiões:

    • Hinduísmo (Isso mesmo!);
    • Ateísmo (Não é uma religião, mas em resposta às pergunta: Qual sua religião? O ateísmo entra como resposta!)
    • Religiões e crenças tradicionais (Aqui entra Ifá, Egungun, Òsun, Sàngó e etc).

    Cristianismo na Nigéria

    Muitos cristãos se originaram na parte sul do país. Essa religião é popular entre: povo Yorùbá , povo Igbo (principalmente na região leste), povo Ijaw (região sul) e algumas pessoas das áreas do Cinturão Médio.

    A maioria dos cidadãos cristãos é protestante. O protestantismo foi introduzido e começou a ganhar popularidade na Nigéria nos anos 90. Quais são as igrejas mais reconhecidas entre os protestantes locais? Esta lista inclui definitivamente a Igreja da Nigéria, com mais de dezessete milhões de seguidores. Também inclui a Igreja Católica da Nigéria, que tem quase dezenove milhões de membros, bem como a Convenção Batista da Nigéria, que possui vários milhões de seguidores.

    Cerca de 25% de todos os cristãos nigerianos frequentam a igreja católica. Alguns cidadãos são seguidores da Igreja Ortodoxa; outros são crentes de diferentes ramos autodeterminados, como presbiterianos, pentecostais, evangélicos, apostólicos, Aladura e outros movimentos.

    Islã na Nigéria

    Esta religião foi originalmente apresentada à população local no século XI. Primeiro ganhou terreno na parte norte do país. O Islã lentamente chegou ao cinturão do meio. Mais tarde, a religião também se tornou reconhecida em algumas regiões do sudoeste.

    A religião ainda domina no norte. Também possui um grande número de apoiadores entre os diferentes grupos culturais: parte hausa do povo Yorùbá. Lembrando que historicamente as guerras na Nigéria foram as que trouxeram boa parte do escravos para o Brasil!!

    É verdade que a Nigéria possui a maior população muçulmana da África Ocidental. A religião está espalhada por diferentes seitas locais. Muitos seguidores pertencem à escola de direito de Maliki (sunita), mas alguns pertencem à madhab de Shafi’i. Muitos crentes sunitas participam de movimentos religiosos.

    Eles apoiam Mouride, Qadiriyya e Tijaniyyah – todas essas tradições fazem parte do que é chamado de ordens sufis que misturam a religião com dança e canto. Existem muitos movimentos minoritários que seguem as leis xiitas, sharia, Izala e tradições messiânicas de Quraniyyun, Mahdiyya e Ahmadiyya.

    A maioria desses movimentos não é popular em todo o país. Por exemplo, seguidores xiitas (cerca de três milhões de pessoas) podem ser encontrados principalmente no estado de Sokoto, enquanto muitas comunidades do norte são seguidores do grupo Kala-Kato. Alguns movimentos divulgam seus próprios jornais. Por exemplo, o grupo Ahmadiyya criou o jornal “A Verdade”, que é publicado uma vez por semana. Essa fonte de mídia religiosa foi a primeira a representar o Islã na Nigéria.

    Existem movimentos radicais? Extremistas? Sim, eles também fazem parte do Islã . Diferentes seitas extremistas costumam se chamar seguidores de Maitatsine. Esses movimentos existem separadamente da religião ortodoxa do Islã. Boko Haram se encontra aí, mas seu alvo é o cristianismo e não os cultos tradicionais!

    Religião tradicional na Nigéria – Iee Lagba

    A religião tradicional da Nigéria é principalmente étnica, tribal. Esta não é uma tradição baseada em escrituras, pois não existe um livro base como o Corão ou a Bíblia. É principalmente oral.

    Os nigerianos acreditam em espíritos, magia, poderes supremos, um deus superior (Ọlọ́run), divindades “menores” (Òrìṣà), ancestralidade, etc. Eles praticam vários rituais, acreditam em símbolos, organizam festivais e recontam mitos, acontecimentos mitológicos de pessoas que hoje são divinizados na natureza.

    Muitos nigerianos seguem as regras morais e éticas das crenças tradicionais. Essa tradição começou muito antes da introdução do cristianismo e do islamismo. Seu foco é proporcionar bem-estar aqui e agora. Não promete uma vida após a morte, como fazem outras religiões. Os seguidores tradicionais da religião acreditam que, se violarem tabus e diferentes normas sociais, poderão trazer doenças e dificuldades à sua comunidade.

    Acredita-se que diferentes rituais tragam de volta a harmonia da vida e o bem-estar humano. Muitos nigerianos honram seus antepassados ​​através de cerimônias e rituais. Muitos deles preferem visitar curandeiros tradicionais (mestres em raízes e ervas, Òògùn) em vez de médicos quando ocorrem doenças. Muitos cidadãos, a propósito, seguem a religião tradicional junto com uma das principais religiões do mundo (Islã, Cristianismo etc.).

    Comum, mesmo em famílias cristã ou islâmica, os pais consultarem Ifá, dar o nome conforme a tradição Yorùbá (Ikomojade/ Isomoloruko) e seguirem os tabus impostos pelos àwọn odù de nascimento!!

    Outras religiões

    Existem muitos movimentos religiosos na Nigéria, além do Islã, do Cristianismo e das crenças tradicionais.

    Vários… Milhares de nigerianos seguem o hinduísmo, pasmem!!! Os imigrantes trouxeram essa religião da Índia. A maioria dos fiéis está em Lagos, que já foi a cidade mais importante do país e ainda é um grande centro financeiro africano. Também há pessoas que acreditam em Chrislam. É uma mistura de Islã e Cristianismo, baseada no Alcorão e na Bíblia. Alguns cidadãos seguem a Mensagem do Graal, Ogboni e uma diversidade de credos que dão uma aula de coexistência que o Brasil precisa aprender e muito!

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  • Olúbájẹ́/ Olùbàjẹ ou Olùgbàjẹ? Qual o Correto?

    Olúbájẹ́/ Olùbàjẹ ou Olùgbàjẹ? Qual o Correto?

    Mês de agosto chegou e com ele um dos rituais mais respeitado pois envolve uma òrìṣà temido. O grande Ọmọlu, também conhecido como
    Ọbalúwáiyè, tem sua presença anunciada. Atótóo ,Ó dé! Silêncio, ele chegou!

    É o mês do banquete do senhor da terra quente. As moléstias, febres, feridas são a ele associadas. Muito respeitado pois ele tem domínio sobre a doença e também sobre a cura. Àwọn Ìtàn (lendas) costumam falar de seu poder que causa tanto temor.

    Em tempo antigo, os mais velhos, era até mesmo repeitado o pronunciar seu nome, que jamais deveria ser feito em vão. Ọmọlu significa o filho da terra.


    Ọbalúwáiyè, o rei e dono da terra. Em suas danças costuma vir recolhendo todas energias ruins, descarregando o ambiente. Retirando as moléstias, pestes, pobreza e tudo de ruim. Jamais associe este poderoso senhor à pobreza, mendigos ou qualquer tipo de coisa similar. É ele rico e próspero!

    O Banquete do Rei

    O banquete do rei é sempre muito esperado pelos candomblecistas, principalmente os enfermos e os que se curaram de enfermidades, usando esta data como o momento de agradecer profundamente a este senhor.

    O termo “Olubajé“, aportuguesado, toma várias grafias pela internet a dentro, mas como alguém que busca o correto uso do idioma Yorùbá, buscarei tratar deste assunto de forma a esclarecer aos que têm essa curiosidade.

    Olúbàjẹ́

    Uma palavra simples, mas que traz um significado totalmente oposto de um banquete para um rei exigente, sério e perigoso.

    Olúbàjẹ́ é um substantivo que indica alguém que faz as coisas apodrecerem, estragar. Olú indica alguém que é dono de algo, senhor. Ìbàjẹ́ refere-se à podridão, corrupção, degeneração.

    A palavra também pode definir alguém corrupto, algo que temos aos montes aqui no Brasil.

    Olùbàjẹ

    Esta sim é uma das palavras que melhor define o ritual. Olùbàjẹ significa aquele que se inclina e come.

    Olù designa aquele que faz algo; é um verbo e que em suas várias acepções designa inclinar-se e jẹ é o verbo comer.

    Mas para este lindo Orò, para este lindo ritual há outra palavra, uma variante dessa que conhecemos agora

    Olùgbàjẹ

    Confesso que até mesmo eu que lido com o idioma dos àwọn òrìṣà todos os dias estranhei esta palavra, mas com pesquisas percebi que se tratava de um termo que pode ser usado sem medo.

    Olùgbàjẹ significa aquele que pega e come, fazendo alusão ao fato de Omolu vir e comer o que lhe é oferecido.

    Olù significa aquele; gbà é o verbo tomar, receber, pegar algo e jẹ o verbo comer.

    Note que Olú significa senhor e Olù aquele que faz algo.

    Conclusão

    Chegamos mais uma vez à conclusão de que o idioma Yorùbá, tão presente no Candomblé e mais ainda no culto a Ifá, deve ser sim respeitado e aprendido se possível.

    Cada dia mais surgem cursos mostrando como é importante essa ideia de aprender um idioma e honrar as raízes religiosas de nossos ancestrais. O mais importante é atentarmos para a correta preservação dessa cultura tão rica em meio a tantos ataques intolerantes aos cultos afro e seu praticantes.

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    Olùkó Vander

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  • Seu Candomblé é Corretamente Ecológico?

    Seu Candomblé é Corretamente Ecológico?

    Adeptos praticantes do candomblé, também Umbanda, costumam sempre falar que os àwọn òrìṣà são cultuados na natureza, assim como determinadas entidades, como caboclos. Seriam pessoas que viveram em um passado distante e hoje são divinizados em fragmentos da natureza.


    Ọ̀ṣun divinizada nos rios de água doce, Yemọjá nos mares, Nàná nos mangues, Ògún nas estradas de ferro e rodovias, Ọ̀ṣọ́ọ̀si nas matas juntamente com Òsányìn e assim por diante.

    Mas e a natureza, ela é respeitada? O seios dos àwọn òrìṣà é preservado?

    Sujeira Pelos Caminhos

    Cena bem comum hoje em dia nas cidades brasileiras é o famoso despacho – nome popularmente dado aos apetrechos, comidas e oferendas deixadas em esquinas e outros locais – que dependendo da localidade e o que contenham, chama bastante a atenção de quem passa de carro ou condução pública.

    Por vezes, nada vemos que possa ofender visualmente alguém, pois trata-se de alguidar com maçã, flores, cigarros, pimenta; mas em outros momentos, o que se vê são animais praticamente inteiros, porém decapitados; ou aos pedaços espalhados pela encruzilhada ou estrada, criando uma imagem bem negativa da religião. Ou como na imagem acima, impactante.

    Claro que, em algumas situações, antes estava tudo arrumado e os animais, como urubus e cachorros, acabam bagunçando tudo. Mas até mesmo para quem é da religião fica uma cena medonha. Sujeira mesmo espalhada pelo caminho; odor horrivelmente desagradável e claro, objetos aos cacos, vidro, barro, papelão.

    Uma outra coisa também traz grande preocupação: garrafas e plástico.

    Estamos Destruindo o Trono dos Àwọn Òrìṣà

    Onde fica o trono de Ọ̀ṣun? Seu habitat, onde sua força responde com maior poder? O símbolo de sua majestade e beleza?

    Rio, cachoeiras, riachos. Essa é uma resposta quase unanime. Mas, por que a maioria não está respeitando esses locais?

    Hoje é sabido, muito mais que tempos atrás, que o plástico e vidro, demoram a se decompor na natureza. Sem contar que causam grande poluição nas matas, rios e mares, além do risco de lesão como cortes profundos.

    Exemplo clássico são os festejos para Yemọjá, onde costumam ir um cardápio farto de poluição para as praias: espelhos, vidros de perfumes, pentes e etc. Mas acredite, essa preocupação ecológica ainda é criticada pelo próprios adeptos. Muitos chamam de frescura moderna, como ouvi certa vez!

    Comum até mesmo empurrarem a obrigação de de limpar os locais para os poderes municipais, que realmente possuem a competência constitucional de isso o fazerem. Não obstante, e nossa atitude diante do sagrado e como cidadãos? Pois a natureza é sagrada para o povo de Candomblé; ao menos deveria ser.

    Como Agir Então?

    Há várias soluções para minimizar esse impacto e hoje há terreiros que nem mais levam as coisas para a rua; reutilizam alguns utensílios, parte orgânica vira adubo após serem oferecidas às entidades e colocam os líquidos em pequenas cabaças, que logo depois de um período, são lavadas e reutilizadas.

    Essa reutilização é criticada por muitos, pois acham que a entidade irá achar ruim. Muitas “receitas de ẹbọ” são bem claras em dizer que determinado conteúdo deve ser servido em utensílios virgens.

    Outra questão: se o terreiro tiver determinados òrìṣà assentados, por que levar, por exemplo, uma oferenda até um encruzilhada, se pode ser ofertada aos pés de Èṣù?

    O alguidar tem um substituto conhecido: folha de mamona. Não precisa de alguidar, louças, vidros e etc! Cachaças e similares não precisam ir em copos de vidros, usemos cabaças ou apenas derrame no chão. Sendo que há até uma forma de se fazer copos com folha de bananeira.

    Muitas outras atitudes podem deixar nosso Candomblé e Umbanda muito mais ecológico. Em muitos aspectos a própria religião se sabota, além do aspecto social, como pode ver em nossa outra postagem (Clique Aqui e Leia); também nos sabotamos sujando a natureza, mostrando total descaso com o trono dos àwọn òrìṣà.

    Não adianta falar que o animal antes dos àwọn orò foi sacralizado, parte da carne será consumida e todo aquele discurso que não muda, se nas esquinas as pessoas presenciam um animal decapitado e sem as patas tudo espalhado. Há uma certa incongruência.

    Podemos fazer nossa parte também. Ao encontrarmos coisas espalhadas por uma trilha, boiando em um rio, retirar de lá e destinar ao lugar melhor: Lixo!

    -Ai! Aí estaremos mexendo na oferenda e a entidade pode nos castigar!

    Será???

    Esta postagem não é para encerrar uma verdade, mas para refletirmos e debatermos qual o papel das religiões afro-brasileiras diante da natureza que é justamente de onde emanam as energias do òrìsà.

    Vamos refletir! Não custa nada! Deixe seu comentário a respeito do assunto!

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  • 7 Lições Que Todo Bàbá/ Ìyálórìṣà Deveria Passar Para o Ìyáwó

    7 Lições Que Todo Bàbá/ Ìyálórìṣà Deveria Passar Para o Ìyáwó

    Mo júbà, como vai?

    Aqui Olùkọ́ Vander trazendo uma postagem que na verdade é a resposta para um e-mail que recebi, recentemente, de um zelador que iniciou seu barracão – Ilê Orixá ou Ilé òrìṣà!

    Basicamente, ele indagou-me como ele poderia ajudar no crescimento de seus filhos de santo, ọmọ òrìṣà. Ele não queria apenas um barracão cheio e toques, festas lotadas e luxuosas, saídas e obrigações cheias de pessoas e com muita bebida (Parece que para alguns isso seria a definição do sucesso como zelador ou zeladora, não é?).

    Então, listei para ele, deixando claro que é somente uma opinião e baseada no contato que tenho com milhares de pessoas ligadas ao Candomblé e Umbanda que andam muito insatisfeitas, com seus filhos prósperos, as 7 principais lições.

    As 7 lições para ser bom líder em um Candomblé se baseiam um pouco em outras postagem que já fiz…

    Mas são:

    1. Seja Íntegro;
    2. Humildade;
    3. Não Fale o Que Não Sabe;
    4. Conheça Sua Religião;
    5. Honre Suas Raízes (Quando Possível);
    6. Seja Exemplo Dentro e Fora do Barracão;
    7. Busque Conhecimento Sempre.

    7 Lições Que Todo Bàbá/ Ìyálórìṣà Deveria Passar Para o Ìyáwó

    1 – Seja Íntegro

    Integridade, segundo o site Wikipedia: “Integridade vem do latim integritate, significa a qualidade de alguém ou algo a ser íntegre, de conduta reta, pessoa de honra, ética, educada, brioso, pundonoroso , cuja natureza de ação nos dá uma imagem de inocência, pureza ou castidade, o que é íntegro, é justo e perfeito, é puro de alma e de espírito.”

    Um zelador íntegro seria aquele que o nome não está na praça (injustamente, claro); que age de maneira justa com seus iniciados e futuros iniciados, clientes. Não ataca a casa ou o nome alheio.

    Um Pai de Santo ou Mãe de Santo que realmente tenha filhos e não somente números. Que faça o básico dentro da religião: iniciar pessoas que desejam ou que devam ser iniciadas ao òrìṣà, ser honesto nas respostas dos búzios não criando situações para tirar ẹbọ caros, consequentemente cobrar mais e não inventar fundamentos e coisas no orí dos outros.

    Não agir com interesses escusos, tramando coisas para tirar filhos de santo de outros barracões; não ficar com fofocas principalmente se for de outros líderes de outro barracões. Muito comum ver o zelador difamando outros líderes das outras casas, até mesmo menosprezando as práticas de lá.

    Ser justo e não passar a mão na cabeça de uns enquanto outros aprontam e nada é feito ou falado. Assim como evitar tratar melhor quem tem mais dinheiro em relação a quem tem menos, motivo que tira muita gente de barracões – Leia aqui sobre >>> Filhos de Santos Sem Barracão.

    Integridade deve ser a máxima até mesmo na vida profana, comum e não somente quando se veste a farda religiosa para a batalha espiritual.

    2 – Humildade

    Estar na posição que se está – Pai de Santo ou Mãe de Santo – não é um prêmio que te faça melhor que ninguém.

    Não há pedestal enquanto se está na lida diária, louvando os òrìṣà, ajudando os filhos de santo, os clientes, enxugando as lágrimas daqueles que lhe confiaram o orí, lhe confiaram problemas por vezes sérios.

    A humildade está presente em grandes nomes do Candomblé, tanto os vivos quantos o que já se foram e, o que você verá, será uma pessoa simples que apenas é endeusada pelos que estão ao redor, pois eles mesmos se sentem pessoas comuns.

    Pai de Santo ou Mãe de Santo deve sempre lembrar que quando vira, incorpora em seus orixás, fica de pés nos chão, em contato com a terra. Não há salto, tamanco, plataforma…. pedestal: os pés estão no chão.

    Então, por mais tempo que se tenha dentro da religião, demostre a humildade de quem sempre tem a aprender, a conhecer. Sempre há alguém acima. Se não for na terra, é lá no ọ̀run. Reflita e passe isso para seus iniciados, pois eles terão suas casas também.

    Humildade não é ser menos, infelizmente muitos trazem essa imagem na cabeça. Mas só os humildes são os fortes e poderosos.

    3 – Não Fale o Que Não sabe

    Sempre haverá quem saiba mais que você em algum assunto, compreenda isso.

    Não é vergonha não deter todo o conhecimento do mundo dos Orixás. Por mais que jogue búzios há anos, sempre tem os Bàbáláwo, conhecedores dos segredos dos oráculos. Sempre há alguém com uma visão melhor, base melhor.

    Por mais que você ache que saiba tudo de ervas, cuidado, há conhecedores maiores ainda na Nigéria e até no Brasil. Muitos desses conhecedores não levantam bandeiras de maiorais… são humildes!

    Mantenha isso em mente e sempre explique isso a seu filhos, é importante que também eles não endeusem sua imagem.

    Eu dou aulas de Yorùbá e por vezes os alunos do Curso de Fundamentos do Idioma Yorùbá  me fazem perguntas de coisas que não sei, mas vou em busca para poder responder. Há doutores no idioma, mestres que têm o idioma de berço. Não posso me colocar como melhor nessa área, por mais que esteja desde 2008 dando aulas e desde 2003 estudando.

    Há uma prática errada nos Candomblés hoje em dia: os líderes não querendo perder poder, inventam, alteram e espalham coisas que não são verdades. Vejo isso em lendas de orixás (ìtàn), cantigas (orin), fundamentos (orò) e por aí vai. Tudo pelo medo de dizer: – Não sei isso!

    Tudo para não ficarem com a cara de quem não sabe de algo: Não Fale o Que Não Sabe.

    Se não sabe, deixe claro para seu filho de santo que irá buscar saber a respeito ou até mesmo indique quem saiba, não tenha medo de perder um filho só por causa disso. Ele pode, justamente por esta atitude, lhe admirar ainda mais.

    4 – Conheça Sua Religião

    Dentro do Candomblé e também da Umbanda é comum se ver explicações bizarras para coisas que com simples pesquisa se responde. Hoje temos a internet, antes tínhamos/temos os livros e antes os mais velhos, mas nunca esqueça o senso crítico.

    Um coisa que vejo hoje são as pessoas da religião, não todas, tendo aversão às explicações muito técnicas e longas. Preferem explicações curtas e romantizadas. E isso é ruim quando se tem uma cultura tão forte, com tantas nuances, fases e personagens como a cultura negra aqui no Brasil. Sem contar a história lá na África, com suas batalhas, revoltas, golpes, reinos em queda e tudo o mais.

    Tudo elas acham que uma conversa na saída de um Candomblé (geralmente sob efeito do álcool)se explica, ou um comentário no Facebook com as famosas enquetes.

    Nem tudo se explica com religião, com òrìṣà, com lendas e etc. Há fatos históricos, há questões que estudando se entende. E se isso fosse aplicado, no mínimo estudado, entenderiam porque tantos homens usam por exemplo: pano de cabeça e ààjà (Adjá quando aportuguesado).

    Leia sobre o pano de Cabeça nessa postagem – Clique Aqui!

    Entenderiam como um Bàbáláwo influenciou o jogo de búzios que temos hoje no Candomblé  e isso geraria ainda mais discussões, quebrando por exemplo a questão: Ògá ou èkéjì podem jogar búzios?

    Então, busque, pesquise sobre o candomblé. Quem foram as três senhoras que mudaram o rumo do Candomblé (Não, não tem nada a haver com as bruxas… pense em questões históricas, fatos históricos). Deixem um pouco o folclore de lado e busquem literaturas históricas.

    Um pai/ mãe de santo tem que buscar ser um manancial de informações de sua religião e hoje, com internet e sebos, você pode aprender muito e passar o conhecimento adiante.

    Informação está lá, só buscar. Conheça sua religião… faça esse favor a você mesmo(a)!

    5 –  Honre Suas Raízes Quando Possível.

    Qual a sua linhagem religiosa? Quem é seu avô de santo e a história dele? Qual seu axé/ àṣẹ e o que nele não é bem visto? Quais os fundamentos do seu àṣẹ?

    Candomblé não tem nomes como pai, mãe, filho e etc à toa. É uma família e apesar de hoje em dia isso não ter muito valor, perdermos valores morais até mesmo nas famílias sanguíneas, busque saber mais da sua espiritual.

    Tente não fazer coisas que dentro de seu àṣẹ não seja permitido. Isso se chama respeitar o àṣẹ, a história dele e sua energia espiritual. Conheça e tente manter contato com as pessoas de seu àṣẹ, não só o barracão.

    Um iniciativa interessante seria um grupo no Facebook com todos não só do barracão, mas do àṣẹ inteiro. Unindo barracões, zeladores e zeladoras que sejam todos do mesmo seguimento.

    Por que “Quando Possível”?

    Eu sei que hoje em dia, talvez antigamente também, as pessoas não se fixam em casas de santo, rodam de mão em mão. Mas quando sair de uma casa ou de um àṣẹ, não chegue no outro falando cobras e lagartos. Até porque, se você faz isso com o que saiu, quem garante que não irá fazer com o atual quando sair?

    Todos são falhos, então se tiver alguma insatisfação, tente manter para sí e mostre a parte boa (deve ter tido, por favor).

    6 – Seja Exemplo Dentro e Fora do Barracão

    O que adianta você ser um exemplo de zelador dentro do barracão; tratar todos com educação e zelo, mas na rua humilhar um mendigo? No trânsito xingar a todos e se achar o dono da rua? Viver devendo e podendo pagar, mas evitando o fazer.

    Eu sei, aqui algumas pessoas já deve estar assim: – Nossa, Olùkọ́ Vander achar que ser pai/ mãe de santo é ser um anjo de candura, não é?

    Não, estou apenas dizendo que a pessoa deve ser sim um exemplo para a sociedade e para quem lhe confiou a vida espiritual. O cargo, posto, função sobe à cabeça e a pessoa acha que além de mandar dentro do barracão, também manda nos da rua, se acha superior aos da rua. Faça uma pequena pesquisa de como deve ser a conduta dos devotos de òrìṣà na Nigéria e depois me diga!

    Você diria para seu filho de santo não trair a esposa, mas manteria um caso extraconjugal? Isso se chama incongruência. Exigir respeito dos iniciados, mas na rua desrespeitar os demais. Incongruência!

    Vejo muitos adolescente que pegam todos os trejeitos, falas e características de seus pais de santo. Bom isso, mas e quando ele traz as características erradas: agressões ao filhos recolhidos, humilhações em público, mentiras e etc? O filho, aqui o adulto mesmo, não precisa ser criança, acaba seguindo as atitudes do zelador e não as palavras.

    Lembrando que há ìyáwó que realmente cultua mais seus zeladores do que o seu próprio òrìṣà. Leia mais sobre isso na postagem que fiz recentemente – A Fé Dentro do Candomblé: Quem você Cultua?

    7 – Busque Conhecimento Sempre

    Citei duas dicas que envolvem conhecimento, estudo – Não Fale o Que Não Sabe e Conheça Sua Religião – e aqui eu gostaria de sintetizar melhor isso.

    Que o Candomblé é uma religião de prática, de mão na massa, disso sabemos. Não é uma religião teórica. Porém, isso não quer dizer que não tenha conhecimentos teóricos para se obter e que sim, ele pode ser de muita valia para o pai de santo ou mãe de santo.

    Há um preconceito vigente na religião, o de que o que se aprende em cursos e apostilas é algo sem valor. Só é certo o que se aprende de um zelador. Nada mais equivocado!!!

    Caso por exemplo: como o Candomblé surge no Brasil? Caso seu zelador não saiba, você não pode pegar um livro para estudar???

    É simples para qualquer um falar que foi através do tráfico negreiro ocorrido no período colonial e que assim eles mantiveram suas práticas e cultura aqui como forma de resistência e também sobrevivência.

    Mas complica se a pessoa perguntar sobre o porque de haver diferentes nações e por que se chamam nações de Candomblé?

    Se perguntarem sobre o sincretismo religioso? Sei, vão responder sobre disfarçar imagens pois eram proibidos de praticar a própria religião. Será que é só isso? Busque aprender mais!

    Já buscou saber o que obrigações de anos no Candomblé tem de ligação por exemplo com as cartas de alforria? Sobre este assunto dei uma pincelada – Obrigação no Candomblé: Tudo Que Você Precisa Saber!

    Agora, algo que mais me deixa pasmo: a língua!

    Dentro do Candomblé não se canta em Português, mas sim nas línguas nativas da região de onde veio aquele culto. As pessoas cantam, respondem e dançam, mas você sabe o real significado? De cada 100, apenas uns 6 diriam que sim e olhe lá.

    Não conhecer o idioma em que se canta para mim sempre foi o que mais não entrou na cabeça. Não tem a ver com religião, com tempo de santo, com obrigações tomadas ou não… tem a ver com querer saber o que é aquilo. Conhecimento cultural!

    Nomes de Ìyáwó são em Yorùbá, nome dos barracões em Yorùbá, os utensílios em sua maioria Yorùbá, os cargos e postos também estão em Yorùbá. Rezas, cantigas, saudações, os nomes dos Orixás em Yorùbá e você… Sabe Yorùbá?? Claro que há outros idiomas, mas minha área é o Yorùbá. A sua qual é? Ewe Fòn, Bantu?? Busque! Estude!

    E não, não digo saber os termos que é dito dentro de barracão que carregam vícios medonhos. Muitos acham que conhecendo as gírias de barracão as fazem conhecedoras do idioma… ledo engado!!

    Como bom pai de santo, você deveria ser um conhecedor intermediário/ avançado do idioma. Saber no mínimo como pronunciar algo ao ler! Conseguir passar para seu filho um pouquinho daquilo que ele pode até mesmo usar quando for defender a religião.

    Recentemente fiz uma postagem fazendo uma pergunta sobre o idioma, coisa simples. Uma menina marcou seu zelador e perguntou a respeito. Sua resposta foi drasticamente errada e para piorar, justificou dizendo que o que ele disse foi aprendido com seus mais velhos e assim por diante.

    Bom, essas dicas acima dei para meu amigo e ele ficou muito feliz. Delas nasceu essa postagem que inclusive foi uma ideia dele e não estou tentando aparecer como alguém superior, mas quem olha de fora com o senso mais crítico e que converso com muitas pessoas insatisfeitas com a religião que andam destruindo com o ego!!

    Por aqui fico… Ó dàbọ̀!!!

    Quer aprender mais sobre o idioma mágico do Candomblé? O idioma do
    òrìṣà, mas de uma maneira correta e sem misticismo? Conheça nosso cursos abaixo: Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá! O que está incluso no curso:

    • Aulas em vídeos;
    • Apostilas em PDF com resumo das aulas;
    • Dicionário ao final do curso;
    • Técnicas de estudo melhorando o aprendizado do idioma;
    • Certificado ao final;
    • Retirada de dúvidas diretamente com o professor!!
    http://eko.educayoruba.com/fundamentos-do-idioma-yoruba-oluko-vander/
  • A Fé Dentro Candomblé: Um Culto aos Òrìṣà ou aos Zeladores/ Zeladoras?

    A Fé Dentro Candomblé: Um Culto aos Òrìṣà ou aos Zeladores/ Zeladoras?

    Mo júbà gbogbo.

    Báwo ni o??? (Como vai?) Chegamos em nossa primeira postagem de 2019. Esse assunto já tinha vontade de tratar há um tempo, mas parece que ele quis vir neste ano mesmo.

    Não há dúvida que o Candomblé é originalmente um cultos aos àwọn òrìṣà, aos deuses Yorubanos e outros mais. Esse culto que nasce da resistência de escravos, lhes dando força para suportar o momento tenebroso da escravidão, é sem dúvida dado por uma forte característica de louvar a natureza sagrada e seu elementos, todos com sua devida representação em uma figura personificada: o òrìṣà.

    Cada pessoa, devido à semelhança energética, possui um que o protege, que o guia, sem necessariamente ser obrigado a se iniciar ao culto. Sim, há pessoas que não têm a necessidade de raspar o santo, apesar de muitos bàbálórìsà e ìyálórìsà caçarem cabeças desesperadamente, impondo uma iniciação à pessoa.

    Candomblé um Culto ao Pai/ Mãe de Santo?

    Hoje, com um pouco de pesquisa, você encontra o Candomblé polarizado: de um lado estão as pessoas que abandonaram a religião devido às decepções e amarguras; algumas pessoas abandonaram também o próprio òrìṣà, descrentes de que esses possam lhes ajudar em algo.

    Há uma postagem que falo sobre os Ìyáwó Sem Barracão – Um movimento de pessoas que não estão e nem querem se ligar à casa alguma. Clique Aqui e leia sobre.

    Do outro lado, temos aqueles seguidores cegos de zeladores que geralmente se auto-intitulam conhecedores de todas as verdades do Candomblé. Fazem longas postagens nas redes sociais explicando aspectos espirituais e claro, alfinetando os que pensam o contrário, pois somente eles conhecem “A Verdade” sobre a religião.

    E o pior, seus seguidores são verdadeiros marketeiros dos pais de santo, enchem o barracão de amigos convidados, que logo se tornam filhos de santos e mais tarde… seguidores marketeiros.

    Mas pera ai? Há algo de ruim nisso? Não seria bom um filho falar bem de seu zelador e convidar pessoas?

    Não há mal algum, desde que, explique-se a esta pessoa que a casa de santo, o ilé-àṣẹ é um local de culto aos òrìṣà e eles são os donos daquele lugar. É difícil aceitar, mas o zelador ou zeladoras como o nome diz, apenas zelam pelo templo e encaminham os iniciados… encaminham, não são eles, o pai ou mãe de santo o caminho em si. O Caminho é o òrìṣà, a devoção ao òrìṣà.


    Você conhece o significado do nomes em Yorùbá? Orúkọ é uma expressão importante no Candomblé e conhecer o significado dos nomes é de suma importância para a sabedoria dentro da religião. Conheça esse Curso Em Vídeos Com Apostilas – Orúko – Nomes Sagrados dos Òrìsà – Clique Na Imagem!!


    Candomblé, um culto ao òrìṣà e a espiritualidade!!!

    Longe de mim vir aqui definir o Candomblé, pois o que mais vejo hoje são detentores da verdade e seus rápidos dedos nas redes sociais tentando desmoralizar qualquer tipo de informação que não sejam as que eles acreditam ou propagam.

    Porém, de certo podemos falar que o Candomblé é o culto aos òrìṣà. E quem são os òrìṣà? Novamente, longe de mim definir òrìṣà, há livros e mais estudos para isso.

    Òrìṣà são os deuses yorubanos. Foram guerreiros, reis, rainhas, amazonas e grandes líderes que realizaram atos de bravura quando em terra, mesmo em tempos muito distantes; logo após sua desencarnação passaram a ser cultuados e possuem representação com algum elemento da natureza ou local específico da natureza.

    No Candomblé, como havia dito acima, cada òrìṣà se responsabiliza por uma pessoa e então essa pessoa passa a ser de determinado “santo”. Ele pede ou não a iniciação, apesar de hoje a totalidade das casas exigirem iniciação.

    A eles que as pessoas devem seu culto, sua fé, sua crença, dua devoção Ao surgir de problemas, e todos teremos problemas na vida, muitas pessoas esquecem, acredite, de seu próprio òrìṣà e muitas vezes pedem ajuda mentalmente ao òrìṣà do pai/ mãe de santo.

    Sim, o zelador/zeladora deveriam ser os grandes amigos de seus filhos na hora dos problemas, mas sabemos que isso há bastante não mais ocorre, devido aos filhos terem virado clientes e logo, nada se resolve se não gastar. Mesmo o filho tendo a ferramenta poderosa de por a cabeça no chão, pedir ao seu òrìṣà sabedoria e lucidez para resolver a questão, ainda assim, muitos preferem o culto ao pai ou mãe de santo!!!!

    Conclusão:

    O seu bàbálórìṣà/ ìyálórìṣà é uma pessoa importante em sua caminhada dentro do Candomblé, ele que no início lhe mostrou o caminho, jogou, rezou, fez os rituais necessários que não são poucos e enfim, seu òrìṣà nasceu. Muito se deve ao pai ou mãe de santo.

    Mas não mude a ordem e nem a natureza da religião, pois ao seu òrìṣà que você deve sempre por a cabeça no chão e pedir, clamar, suplicar por ajuda. Quando em terra ele pode ser novo, mas espiritualmente ele pode muito.

    Aprenda a manter um diálogo com seu òrìṣà, torne-se íntimo dele e não um estranho que ocupa seu corpo às vezes. Lembre-se, seu zelador ou zeladora é uma pessoa importante, mas não é a ela que você deve culto.

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    òrìṣà, mas de uma maneira correta e sem misticismo? Conheça nosso cursos abaixo: Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá! O que está incluso no curso:

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    • Apostilas em PDF com resumo das aulas;
    • Dicionário ao final do curso;
    • Técnicas de estudo melhorando o aprendizado do idioma;
    • Certificado ao final;
    • Retirada de dúvidas diretamente com o professor!!
    http://eko.educayoruba.com/fundamentos-do-idioma-yoruba-oluko-vander/