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  • Ìyáwó – A Origem da Palavra e Seu Real Significado.

    Ìyáwó – A Origem da Palavra e Seu Real Significado.

    Ìyáwó é o segundo grande centro das atenções do Candomblé, só perdendo para o òrìṣà. Mas a grande roda do Candomblé gira em torno dessa figura tão importante para a religião, sua iniciação e as chamadas obrigações de ano. Antes do ìyáwó, há o abíyàn, e todos um dia foram um abíyàn.

    Toda ìyálórìṣà ou bàbálórìṣà, palavra que designa a pessoa que possui conhecimento para manipular as energias do òrìṣà, são em algum estágio de sua vida religiosa um ìyáwó, pois é neste período que ele adquire os conhecimentos mais básicos do culto. Até mesmo, pode-se dizer que uma pessoa sempre será ìyáwó diante de uma pessoa mais velha. Bem, são as guerras de Ego dentro da religião.

    A palavra significa esposa, essa é uma verdade já bem comum, mas há duas origens para o uso dela: Uma está atrelada à formação do candomblé no Brasil; outra se dá pelo corpus literário de Ọ̀rúnmìlà-Ifá, um culto à parte e com suas raízes bem fincadas na Nigéria e Benin.

    Ìyáwó no Candomblé

    A palavra foi usada pela origem da religião ter se dado inicialmente por mulheres, era um culto matriarcal. Esta origem podemos ver claramente em muitos pontos, como vestimentas (Gèlè – pano de cabeça, Aṣọ oke – pano da costa) e acessórios litúrgicos (Ààjà – sineta).

    No início, não havia manifestação pública masculina de òrìṣà, somente as mulheres que incorporavam esta energia divinizada da natureza. Aos homens cabiam a parte mais bruta dos terreiros, o ilé òrìṣà, a Pequena África, como também era conhecido. E sempre havia, como há, muito trabalho para todos em uma casa de òrìṣà!

    Nisso, a mulher ao se iniciar, firmava um compromisso com as divindades, um casamento, com elas figurando como as esposas (Àwọn ìyáwóàwọn é o formador de plural no idioma Yorùbá). E um tempo antigo, a dedicação era bem maior do que hoje, a abnegação da vida profana era enorme, com algumas simplesmente morando nos terreiros e se quer casando.

    Mas, com o passar dos tempos, os homens passaram também a serem iniciados da mesma forma que as mulheres e suas saídas serem públicas, mas o termo continuou: Ìyáwó. Porém, agora com o sentido de iniciado ao
    òrìṣà, conotativamente. Tornou-se uma palavra sem gênero definido, podendo tanto ser usado para a pessoa do sexo masculino, quanto para a pessoa do sexo feminino.

    A palavra foi usada por causa deste sentido de compromisso que as mulheres tinham com o òrìṣà. No entanto, há muitas outras palavras em Yorùbá que podem ser usadas para definir um iniciado, alguns cultos possuem palavras próprias:

    • Ọmọ òrìṣà = filho de òrìṣà;
    • Ẹlẹ́gùn = aquele que é possuído por energias (Não é aquele que é montado por espírito!!);
    • Ẹlẹ́sìn = devoto, religioso (Oní + èsin/ Aquele que possui + religião, culto);
    • Abòrìṣà = cultuador de òrìṣà, aquele que cultua òrìṣà.

    E muitos outros, mas usando qualquer um desses, torna-se facilmente compreendido que estamos falando de uma pessoa iniciada ao culto de òrìṣà.

    Ìyáwó – Segundo o Corpus Literário de Ifá

    Qualquer dicionário decente de idioma Yorùbá irá traduzir a palavra ìyáwó como esposa, disso não tenho sombra de dúvidas. Mas qual a origem desta palavra? Todos sabem que sou fã de etimologia das palavras, elas nos guiam para caminhos mais seguros quanto às traduções. Nunca engoli ìyáwó sendo – mãe do segredo.

    Segredo em Yorùbá é awo, sem acentuação indicando tom alto ao final. Só isso já denuncia, assim quando falam que òrìṣà significa guardião da cabeça (Orí é cabeça e não òrì!!).

    No corpus literário de Ifá, encontramos as explicações de tudo que nos rodeia, a origem de muitas coisas. Ele é a enciclopédia do povo Yorùbá e seu registro se deu todo de forma oral. Cada odù, ou filhos, omo odù, conta uma história, um ìtàn em seu ẹ̀sẹ̀, poemas divinatórios de Ọ̀rúnmìlà. Lá encontramos a origem da palavra ìyáwó, no odù Ogbè – Sùúrù!

    Conta o mito que: Uma bela princesa, filha do Ọba de Ìwó, estava disponível para o casamento. Ela era imensamente bela. Nenhum homem comum poderia desposá-la, apenas um homem com enorme qualificação e que ela mesma escolhesse. Mas a princesa também não estava tão disposta a casar, iria fazer de tudo para afugentar seus pretendentes.

    Ògún, Ọ̀sányìn e Ọ̀rúnmìlà souberam da fama e da beleza da princesa, logo se colocaram prontos para a missão. Ògún foi o primeiro a se arriscar na tarefa e após constatar a exuberante beleza da mulher, usou toda sua determinação para conquistá-la.

    A princesa, ardilosa, exigiu como acordo para o casamento, que ele ficasse na casa do pai dela e lhe contasse seus àwọn èèwọ̀ (interditos, tabus). Embebecido com a beleza da mulher, Ògún contou que era àdín e ver sangue menstrual – àṣẹ́. Passado um tempo, a princesa preparou um prato com àdín para Ògún e sentou-se ao seu lado sem conter seu sangue menstrual.

    Ògún ao saborear a comida, sentiu o gosto do àdín, assustou-se. A princesa se levantou e ele viu o ẹ̀jẹ̀ no assento. Ele enfureceu-se e atacou a princesa que correu para os aposentos do pai. Este, com seu poder, transformou Ògún em um malho para ferreiros. E assim Ògún fracassou. Ele havia deixado de fazer os sacrifícios indicados pelo bàbaláwo.

    Ọ̀sányìn caiu na mesma armadilha e quando tudo ocorreu conforme havia ocorrido com Ògún, o rei o transformou em um pote de água, quando a princesa correu para seus aposentos pedindo socorro.

    Ọ̀rúnmìlà foi instruído a fazer sacrifício antes de ir: um Òbúkọ para Èṣù e a ter muita paciência (Sùúrù), de nada reclamar ou se exaltar. Assim ele fez e seguiu em busca dos irmãos e para desposar a princesa.

    Ele disse à princesa que seus interditos eram: èkútè, ẹjá, ewurẹ́, adìẹ, bucho de cabra e àṣẹ́ (sangue menstrual), quando havia perguntado. Somente o àṣẹ́ é seu interdito, todos os outros são comidas favoritas de
    Ọ̀rúnmìlà. E assim, começou a princesa de Ìwó maquinar contraỌ̀rúnmìlà.

    Usando as desculpas de que não havia comida em casa, dia pós dia, ela foi oferecendo todas as comidas que ela pensava serem àwọn èèwọ̀ deỌ̀rúnmìlà e ele, mostrando-se calmo e compreensivo, dizia que por amor ele iria comer aquilo que ela oferecia. Ela nada entendia, pois o candidato não perdia a cabeça. Então, ela usou sua última arma: o sangue menstrual.

    Mas, apesar de por dentro enfurecido, Ọ̀rúnmìlà recordou-se do conselho de Ifá e surpreendeu a princesa indo lavar as roupas dela sujas de sangue, assim como a almofada onde ela se encontrava. Ela ficou confusa e recorreu a algo ainda mais provocador, pois não conseguira tirar Ọ̀rúnmìlà de seu centro: arrumou um amante para se deitar perante a presença dele!

    Havia chegado a hora, é dito que a Testemunha do Destino leva até 3 anos para se enfurecer e quando isso ocorre, faz uso das forças mais poderosas para se vingar e era agora. Ọ̀rúnmìlà foi buscar água para que o amante da da noiva se banhar pois já ia embora; invocou Èṣù fora da cidade quando o homem já ia embora e Èṣù deu uma cabeçada forte nele, nisso, Ọ̀rúnmìlà apontou seu ìrúkẹ̀rẹ̀ para o azarado que o transformou em ìgbín. O paciente noivo quebrou o ìgbín e com seu líquido, ẹ̀jẹ̀ funfun, lavou a mulher, purificando seu corpo dos atos tido com o amante.

    Atônita, a princesa contou ao pai os atos de bravura, paciência e sabedoria de Ọ̀rúnmìlà, escolhendo-o como seu marido para sempre. O Oba de Iwó concedeu a mão da filha e após ela ficar grávida, ele retornou para casa com a esposa. Após toda a aflição passada na casa de Iwó, Ọ̀rúnmìlà conseguiu sua bela esposa e daí o nome: Ìyáwó = ìyà = aflição, = em, no, na, ilé = casa, habitação, Ìwó = cidade onde a princesa morava, fica em Ìbàdàn.

    Ìyà ++ ilé + Ìwó = ìyáwó (Note como ìyà perde a acentuação indicativa de entonação baixa para e ilé, com o “a” de ìyáwó ganhando entonação e acentuação alta).

    Professor Vander – 2020
    @educayoruba

    Espero que tenha gostado e não esqueça dos direitos autorais antes de copiar e colar nos grupos dos Facebook e WhatsApp! Plágio é crime, não atribua a autoria do texto a quem não é de direito!

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  • Formas de Agradecer em Yorùbá – Indo além do A dúpẹ́!

    Formas de Agradecer em Yorùbá – Indo além do A dúpẹ́!

    Mo júbà gbogbo!

    O idioma Yorùbá é complexo em suas possibilidades de uso. Nem sempre há apenas uma forma para no expressarmos, isso acontece principalmente na área de saudações, felicitações e pêsames.

    É comum eu explicar sobre determinado assunto, bênção por exemplo, e os alunos virem me questionar que eles aprenderam de outra forma e qual seria o correto. Mas isso se deve ao fato de manterem-se presos às estruturas fixas, o que não ocorre com o Yorùbá, idioma muito plástico e expansível.

    Nesta postagem iremos aprender formas de agradecer, indo além do famoso a dúpẹ́ ou mo dúpẹ́! Mas claro que esses serão explicados em por menores. Vamos aprender Yorùbá?

    Mo dúpẹ́

    Essa talvez seja a mais conhecida, sua tradução se faz de fácil explicação. Usaremos um pouquinho de gramática, por mais que muitos alunos acham que possam fugir dela para entender o idioma dos àwọn òrìṣà:

    Mo = Eu (Forma reduzida, pois há também Èmi com mesmo significado);

    Dúpẹ́ = verbo agradecer. É um verbo chamado de composto, pois nasce da união de + ọpẹ́, respectivamente “fazer algo” + “gratidão”.

    Ou seja, é o ato de ser grato, de se mostrar grato. Ele sozinho significa: eu agradeço, mas podemos melhorar essa expressão.

    Mo dúpẹ́ o/ Mo dúpẹ́ ẹ/ Mo dúpẹ́ gbogbo/ Mo dúpẹ́ fún gbogbo/ Mo dúpẹ́, bàbá mi/ Mo dúpẹ́, ìyá mi!

    Essas construções acima nos mostram as possibilidades fora do que todos usam o tempo todo. Vejamos as traduções:

    • Mo dúpẹ́ o = Obrigado(a) a você;
    • Mo dúpẹ́ ẹ = Obrigado(a) a vocês;
    • Mo dúpẹ́ gbogbo = Obrigado(a) a todos;
    • Mo dúpẹ́ fún gbogbo = Obrigado(a) por tudo;
    • Mo dúpẹ́, bàbá mi = Obrigado(a), meu pai;
    • Mo dúpẹ́, ìyá mi =Obrigado(a), minha mãe.

    Adúpẹ́ ou A dúpẹ́

    Muitas pessoas usam essa expressão como se significasse, “eu agradeço” ou “obrigado”. Certo e errado. Há um dicionário “famoso” que grafa junto, o que é errado.

    A = Nós, em sua forma reduzida. Normalmente é Àwa;

    Dúpẹ́ = agradecer.

    Se realmente conjugarmos o verbo, teremos: “nós agradecemos” e não “eu agradeço”. Mas pode ser usado como “eu agradeço em nome deles“, ou seja, como se estivesse agradecendo em nome de um grupo.


    Ọpẹ́

    Gratidão – Isso que significa. Mas aqui entramos em uma parte conceitual.

    Gratidão é um substantivo, mas usado com a intenção de agradecer por algo. Inclusive você poder chegar até o igbá òrìṣà e dizer:

    • Ọpẹ́, bàbá mi/ ìyá mi! Ọpẹ́ fún ire gbogbo!! (Gratidão meu pai/ minha mãe! Gratidão por toda sorte!)

    Digo conceitual pois há um grupo que critica uso dessas expressões que estão muito ligadas ao esoterismo, lei da atração, budismo e etc. OPINIÃO DELES!!!!!


    Ẹ ṣe o!/ Ẹ ṣe é o!

    De agora em diante começaremos a fazer uso de algumas expressões que se perdem no tempo e não tem como, por hora, ficar explicando a etimologia delas.

    Sempre que faço uso dela, percebo que as pessoas ficam confusas e perguntam o que significa: Todas elas a mesma coisa, “Obrigado(a)!”.

    Ẹ ṣe o! – Obrigado (Pronúncia: É XÊ Ô!)

    Variações:

    • Ẹ ṣe gbogbo!! – Obrigado por tudo!
    • Ẹ ṣe é o!! – Obrigado!
    • Ẹ ṣe púpọ̀!! – Muito obrigado!


    Ẹ ṣe gan!

    Essa foi a primeira expressão que aprendi como obrigado, tirando Mo dúpẹ́. Estou falando dos idos de 2003. Um noviço no aprendizado do idioma dos àwon òrìsà!!!

    Como o mesmo propósito das outras, visa tão somente agradecer por algo feito.

    • Ẹ ṣe gan!! – Obrigado! (Pronúncia: É XÊ GON!)


    Ẹ ṣeun!

    Mais uma estrutura estranha de explicar, porém presente em muitos cursos de Yorùbá pelo mundo. Possui a mesmo intenção: agradecer por algo feito!

    Ẹ ṣeun! – Obrigado(a)! Pronúncia: É Xê UN!)

    Note que em todos você pode fazer um incremento já aprendido, como por exemplo: gbogbo, fún gbogbo, púpọ̀, etc!!

    • Ẹ ṣeun púpọ̀ – Muito obrigado(a)!;
    • Ẹ ṣeun fún gbogbo – Obrigado(a) por tudo!;
    • Ẹ ṣeun gbogbo – Obrigado(a) a todos!

    Kò tọ́pẹ́ o!

    Finalizando com o famoso “não há de quê!“.

    Sempre que alguém lhe agradecer por algo, não precisa ir ao lugar comum que todos dizem indiscriminadamente: àse! A expressão que melhor podemos usar neste caso é:

    • Kò tọ́pẹ́ o!/ Kò tọ́pẹ́! – Não há de quê!

    Essa expressão ela ao pé da letra fica estranha, pois estou dizendo que “eu não fiz nada o suficiente para você ser grato”. Mas pode-se entender como: “não há necessidade disso!”.

    = advérbio de negação, não;

    = suficiente;

    Ọpẹ́ = gratidão como aprendemos acima.

    Há outras formas também de se dizer “não há de quê!” em Yorùbá, mas a postagem ficaria imensa e embolaria mais a cabeça do aprendiz!!

    Finalizamos

    E então espero que tenha gostado de aprender essas formas diferentes de dizer obrigado, indo muito além de mo dúpé ou a dúpé!

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    òrìṣà, mas de uma maneira correta e sem misticismo? Conheça nosso cursos abaixo: Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá! O que está incluso no curso:

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    http://eko.educayoruba.com/fundamentos-do-idioma-yoruba-oluko-vander/
  • Kọ́jọ́dá – O Calendário Yorùbá Dedicando Cada Dia a Um Òrìsà!

    Kọ́jọ́dá – O Calendário Yorùbá Dedicando Cada Dia a Um Òrìsà!

    No mundo atual, nós estamos acostumados com o calendário de 7 dias na semana e 12 meses no ano, conhecido como calendário Gregoriano. Esse calendário foi quase que imposto pela igreja Católica, é o calendário promulgado pelo Papa Gregório XIII em 1582 e adotado imediatamente por Espanha, Itália, Portugal, Polônia e, posteriormente, por todos os países ocidentais e consequentemente suas colônias.

    Mas, sabemos que há outros modos de se contar o tempo e esse caso se aplica também ao povo Yorùbá e seu Kójódá. Geralmente ao perguntar para um nigeriano os dias da semana, ele irá responder assim: Aiku, Aje, Isegun, Ojoru, Ojobo, Eti e Abameta. Esses dias da semana inclusive são ensinado nos Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá – Curso com mais de 15 módulos com videoaulas e apostilas em PDF. Ao final tem certificado de conclusão.

    Mas há uma outra forma!

    O ano do calendário iorubá (Kójódá) vai de 3 de junho a 2 de junho do ano seguinte. De acordo com este calendário, o ano Gregoriano de 2018 é o ano 10061 da cultura Yorùbá. A semana tradicional de iorubá tem quatro dias e não os sete mencionados acima que são adaptações do nosso.

    Os quatro dias dedicados aos Òrìsà são os seguintes:

    Ojo Ògún;

    Ojo Jakuta;

    Ojo Ose;

    Ojo Awo.

    O Significado das Semanas

    Veremos agora o significado de cada dia e a quem, qual é o òrìsà é dedicado. Lembrando que não é um significado fixo, pois em cada cidade o significado muda e isso nos remonta ao que sempre digo: não há donos da verdade, há verdades diferentes para cada pessoa.

    Ojo Ògún

    Os Yorùbá contam esses quatro dias da semana a partir de Ojo Ògún (Dia de Ogum, o deus do ferro). Ojo Ògún é o primeiro dia da tradicional semana Yorùbá e é o dia em que o Ològún ou os adoradores e devotos de Ògún adoram esta divindade em particular.

    Em Ojo Ògún, os Ològúns adoram e comemoram com vários alimentos considerados os favoritos de Ogum. Estes incluem ekuru (um tipo de pudim de feijão cozido no vapor), ewa (feijão) e iyan (inhame picado). No entanto, o item mais importante do sacrifício em Ojo Ògún é o cão – Ajá. Já que Ògún gosta de dieta balanceada, parece que Ojo Ògún será meu dia favorito da semana.

    A propósito, em algumas outras partes das terras Yorùbá, também é chamado Ojo Osoosi, em homenagem a outro deus, Osoosi, que é considerado como o irmão de Ogum e Sango.

    Esse dia também pode ser dedicado aos òrìsà: Sopanna, Iyaami, and the Egungun.

    Ojo Jakuta

    Depois de Ojo Ogun vem o segundo dia da semana. Ojo Jakuta também é chamado Ojo Sàngó. Sàngó é o deus yorùbá do trovão, raio e (eletricidade). O dia em algumas partes das terras Yorùbá é chamado Ojo Oya. Neste dia dedicado a Sàngó, seus adoradores saem vestindo roupas vermelhas e brancas brilhantes como essas são as cores favoritas de Sàngó e fazem o culto apresentando itens comestíveis como amala com sopa gbegiri, obí amargo e guguru. (Tudo isso em terras nigerianas e nenhuma relação com o Candomblé no Brasil).

    Orixá - Xangô

    Para Sàngó, o animal sacrificial mais importante é o carneiro. Jakuta significa “alguém que lutou com pedras”.

    Ojo Ose

    Este é o terceiro dia e é reservado para a adoração de Òrìsà Nlá (A Grande Deidade). O alimento favorito usado para este dia é o ake, mas os caracóis também são usados ​​para os sacrifícios. É um dia de grande respeito e que cada ato é bem planejado, respeitando principalmente o uso do branco e evita-se consumo de azeite de dendê e outras coisas que são èwo!

    Neste dia especial, todos os adoradores de Òrìsà Nlá usam roupas brancas e limpam todas as suas casas e arredores. Este mesmo dia pode ser dedicado à adoração de Obatala, Sonponna (deus da varíola), Iyaami (as Mães ou Grandes Bruxas) e os Egungun (Máscaras).

    Ojo Awo

    Ojo Awo (Dia da Divindade) é o dia reservado para Ifá (Oráculo) e, assim como Òrìsà Nlá, Ifá também prefere iguarias feitas com a carne. Este mesmo dia também pode ser dedicado para a adoração de Èsù, Òsun e Orunmila.

    Para se reconciliar com o calendário gregoriano, os yorùbá também medem o tempo em sete dias por semana e quatro semanas por mês. O calendário de quatro dias foi dedicado aos Òrìsà e o calendário de sete dias é para fazer negócios.

    Mas os sete dias também possuem significado para cada Òrìsà ou para determinadas atividades, vejamos:

    •  Domingo – ọjọ́ Àìkú/ọjọ́-ọ̀sẹ̀/àko-ọjọ́:
      • Dia da imortalidade – primeiro dia da semana.
    • Segunda-feira – ọjọ́ Ajé:
      • Dia do lucros, juros, ganhos. Dia em que Ajé veio a Terra.
    • Terça-feira – ọjọ́ Ìṣẹ́gun:
      • Dia da Vitória.
    • Quarta-feira – ọjọ́ rírú:
      • Dia do sacrifício.
    • Quinta-feira – ọjọ́ rúbọ;ọjọ́bọ:
      • Dia da nova criação, novo amanhecer.
    •  Sexta-feira – ọjọ́ Ẹtì:
      • Dia de impasses.
    • Sábado – ọjọ́ Àbámẹ́ta:
      • Dia de três moções, dia das sugestões.

    O meses em Yorùbá – Awon Oshu tabi OṢU KójóDÁ

    1. ṠḔRḔ -Janeiro
    2. ÈRÉLE (Irele) – Fevereiro
    3. ḔRḔNA -Março
    4. IGBE -Abril
    5. ḔBÍBÍ -Maio
    6. ÒKÙDÚ -Junho
    7. AGḖMṐ (Agẹmọ) -Julho
    8. ÒGÚN -Agosto
    9. OWḖRḖ (Owewe) -Setembro
    10. ṐWARO (Owara) -Outubro
    11. BḔLU (Bẹlu) -Novembro
    12. ṐPḖ (Ọpẹ) -Decembro

    Acima podemos ver os meses em Yorùbá e abaixo deixo a disposição um calendário Yorùbá – Kójódá antigo, do ano de 2017, mas você pode notar como são divididos os dias e meses e as semanas! Isso ajuda muito quem joga e precisa fazer as oferendas nos momentos certos, principalmente quem é do culto a Ifá ou Culto Tradicional Yorùbá.

    Finalizamos

    E então espero que tenha gostado de aprender como são os dias da semana e os meses do ano em Yorùbá, assim como ter conhecido o calendário Yorùbá de quatro dias.

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  • [Grátis] Aula de Yorùbá Para Candomblé – Nomes de Casas de Orixá – #6

    [Grátis] Aula de Yorùbá Para Candomblé – Nomes de Casas de Orixá – #6

    Aprendendo Idioma Yorùbá Para o Candomblé

    Mo júbà gbogbo!

    Estamos aqui para mais esta aula de idioma Yorùbá, lembrando que o foco da Educa Yoruba é justamente aulas deste idioma mágico que é o idioma iorubá ou Yorùbá, não ensinamos religião.

    Cada dia mais tem sido maior o apoio de nossos alunos e seguidores para que continuemos nessa jornada árdua, criticada mas que rende frutos como alunos dedicados e seguidores que são praticantes assíduos do Candomblé, Ifá, Culto Tradicional Yorùbá ou Umbanda.

    Saiba que essa é a aula de número 6. Perdeu as outras? Sem problemas, clique nos links abaixo e leia as outras 5 aulas gratuitas:

    Aula 1  –  Aula 2  –  Aula 3  –  Aula 4  –  Aula 5

    Hoje falaremos sobre nomes de  barracões de santo ou ilé t’òrìṣà… Espaço sagrado dos orixás, àwọn òrìṣà. Esse local merece todo o nosso respeito e carinho. Nesse espaço o idioma predominante sabemos que é o idioma Yorùbá, porém em alguns casos há a presença de outros idiomas.

    E onde o aprendizado do idioma Yorùbá, ou um Curso de Yorùbá pode ajudar você a colocar um nome em sua casa de santo?

    Em muitas coisas e principalmente para não passar a vergonha de ter o nome como menstruação, peneira e por aí vai associado a sua casa. Há casos de nomes totalmente desconexos e que na verdade nada significavam.

    Irá entender até o término da matéria, aguarde!

    Entender o idioma de nossa religião, nem que seja o básico, o fundamental, é de suma importância para todo iniciado, ainda mais os que tanto batem no peito para dizer que tem mais de 10, 20… 30 anos de iniciado! A idade é primordial, ainda mais quando atrelada ao fator conhecimento de causa.

    Por vezes, a pessoa tem 10 anos de santo, mas com conhecimento de alguém que tem somente 1 ano. E claro, há também o caso de pessoas com 2 anos de santo e com grande conhecimento (apesar dos entraves que muitos impõem aos que buscam conhecer mais da religião, resquício antigo).

    Então, vamos dar inicio ao estudo!

    Todos estão acostumados a ver os nomes das casas de Candomblé assim: Ilê Axé…, Igba/ Ibá Axé… ou até mesmo… Ebé/Egbe Orixá…. (Nomes deixei aportuguesados mesmo). Muito antigamente, antes dessa não mais nova globalização e boom da internet, tudo isso passaria despercebido de algum erro e uns até acham bonito sair do tradicional Ilê Axé e partir para outras nomenclaturas, para de fazer mais do mesmo.

    Não obstante, isso causa uma babel de termos que muitas vezes fogem dos significados mais básicos: Casa de Energia/ Força Espiritual… Claro que não é proposital, ainda mais em tempos que o acesso ao conhecimento era muito limitado e quem o tinha trancafiava até o caixão e ia-se por terra.

    Veja a palavra Àṣẹ (Axé):

    Escrita corretamente: Àṣs. Tradução mais comumente aceita: Energia espiritual, força espiritual. Bem, não me apegarei a traduções detalhadas, pois é uma palavra que pede um livro, mas todos compreendem bem o que significa.

    Mas na falta de conhecimento básico, Àṣẹ se transforma em Àṣẹ́. Comentei em um vídeo no Youtube sobre acentuações e a mania de algumas pessoas colocarem acentos onde não há necessidade, vezes por ignorância mesmo, mas um simples acento transforma sua casa em alvo de piada… Veja esse exemplo simples: Ilé Àṣẹ́ t’Ògún, que significa:

    Casa da Menstruação de Ògún!!!

    Pois é, Àṣẹ́ ou à (Não se prenda somente a um ponto embaixo, pode ser uma vírgula, traço e etc, desde que seja uma marcação embaixo do “s” e do “e”) significa menstruação e não ficaria nada bonito estampado em uma placa na frente de seu ilé; num convite para saída de ìyáwo ou obrigação; até mesmo em um jornal como anúncio para jogo de búzios. Agora entende a importância de um básico conhecimento de acentuações e um dicionário confiável?

    Ainda há Àṣẹ̀ = Festa/ e Aṣẹ́ = peneira.

    Esses dois menos inofensivos, mas da mesma forma merecem cuidado no uso. Ou seja, aprender Yorùbá não é banalidade, não é luxo… é uma necessidade dentro de nossa religião.

    E a moda do Egbé e Igbá? Vamos analisar.

    O primeiro termo eu via muito utilizado pelas pessoas de Ifá, que após iniciadas, formavam grupos para estudos e continuar o culto aqui no Brasil após o seu sacerdote retornar para Nigéria ou outra localidade.

    Ẹgbẹ́ significa uma reunião de pessoas ou uma sociedade, comunidade. Um grupo de pessoas e organizadas, não podemos esquecer deste fator. Não é qualquer turma de baderneiros que se tornam um Ẹgbẹ́.

    Porém, de uns tempos para cá, esse termo também é usado para casas de òrìṣà praticantes de Candomblé, posto que, acredite, nem todos que se reúnem para cultuar òrìṣà podem se enquadrar como Candomblé. E isso despendem longos debates que eu particularmente não acredito que muitos estejam prontos para tal.

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    Igbá já é mais filosófico e envolve o simbolismo da cabaça e esse é seu significado (Igbá = Cabaça). Pequeno espaço sagrado e muito especial para se usar em vários feitiços, akoṣe, ẹbọ e N utilidades, mas aqui é o poder sagrado do objeto que possibilita usar para nomear lugares. Uma casa de santo é um local sagrado… um igbáIgbá àṣẹ… Cabaça de àṣẹ.. cabaça de energia/ força!

    Ainda temos igbá òrìsà, igbá orí e a contração igbádu! Mas cuidado, veja a imagem abaixo:

    Vamos então deixar as palavras bem explicadas para ajudar no nome de seu Ilé. Claro que a intenção não é ensinar a você como colocar um nome em sua casa, pois cada àṣẹ age de uma maneira. Porém, é dar uma luz nos principais termos e também impedir que determinadas palavras estranhas vão parar em convites de saídas de ìyáwó, Fan Pages, Instagram, placas de barracões e até tatuagens, como já vi.

    Ilé (lê-se: ilê) = Casa, Moradia, habitação. Aportuguesado: Ilê. Não confundir com ilẹ̀ (lê-se: ilé) = terra!!!!!

    Àṣẹ = Energia espiritual. Aportuguesado: Axé.

    Ẹgbẹ́é= Sociedade, comunidade, associação, grupo. Aportuguesado: Egbé ou Ebé.

    Igbá = Cabaça. Aportuguesado, porém incorre em muito erro de tradução: Ibá. E a saudação é Ìbà!

    Lembrando que vejo muitas junções de três elementos: Ilé
    Àṣẹ Igbá…. ou Ilé Àṣẹ Ẹgbẹ́…

    Ou seja, agora basta você construir conforme a sua necessidade

    Ilé Àṣẹ…

    Ẹgbẹ́ Àṣẹ…

    Igbá Àṣẹ…

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    Imagine poder dominar todo este conhecimento e não mais cometer erros grosseiros de idioma e cultura Yorùbá. Ter a segurança de estar escrevendo e falando corretamente os termos básico do idioma do Candomblé.

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  • Gèlé (Pano de Cabeça): A Coroa da Mulher Negra! (I)

    Gèlé (Pano de Cabeça): A Coroa da Mulher Negra! (I)

    O Pano de Cabeça no Candomblé – O Gèlé

    Mo júbà!

    Você já viu aqueles panos lindos nas cabeças das mulheres nigerianas? Já reparou que aqui no Brasil, dentro do Candomblé, ele ganhou quase que um culto e até mesmo itan para justificá-los? Pois bem, trago hoje para vocês o Gèlé – Pano de Cabeça do Candomblé!

    Um amigo, nigeriano nativo, com qual mantenho trocas culturais e linguísticas simplesmente estranhou o uso por homens aqui no Brasil no Candomblé, não só o uso do pano de cabeça, como outras vestimentas femininas em homens. Apesar das explicações dadas, para ele é algo estranho. Em outras situações se usam sim os panos de cabeça, principalmente em desertos, mas em situações sociais e festivas ele estranhou.

    “Gele” ou “Gèlé” é uma palavra Yorùbá para um envoltório usado na cabeça das mulheres, ou seja, uma espécies de indumentária feminina. Pode jogar a palavra no Google e ficará espantado com a beleza desse item feminino. As mulheres Yorùbá são conhecidas por usá-los incrivelmente bem encaixados, fixados em suas cabeças, e apesar de ser apenas um apetrecho, pode ser encontrado em quase todas as culturas Africana.

    Se deseja saber mais sobre outras vestimentas e suas explicações, saiba que no Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá, trato de vestimentas femininas e masculinas. Excelente conhecimento para ser passado dentro do Ilè.

    Gèlé é mais do que apenas uma cabeça coberta, é uma forma de arte. Um grande pano retangular amarrado na cabeça da mulher em uma variedade de formas, cores e estampas. O material usado para fazer o Gèlé é geralmente duro, mas flexível, por exemplo, Aso-oke (o verdadeiro feito em tear e de seda), Brocado (algodão) e Damasco. Aqui no Brasil se usam materiais diversos, de bordado a chita.

    Estes materiais vêm em uma ampla variedade de cores, padrões e texturas. Quanto maior o pano (e maior a habilidade) mais elaborado aparenta e até confere um certo status. É quando a mulher negra se torna a rainha em toda sua plenitude e beleza!

    Amarrando um Gèlé

    Amarrar um Gèlé é uma forma de arte que requer prática, paciência e muitas vezes um braço bem tonificado, mas uma vez amarrado, um Gèlé pode fazer qualquer mulher aparentar um certa realeza, um ar de supremacia estética. É uma bela coroa de glória e honra, e hoje eles vêm em cores surpreendentes, padrões e desenhos.

    Para eventos glamourosos, como casamentos, aniversários, batismo, inaugurações ou até mesmo funerais – aparência de uma mulher é muitas vezes considerada incompleta sem um.
    Quando se fala em Brasil, dentro do Candomblé eles quase que tem uma amarração padrão, porém, estou começando a ver algumas àwon ìyá usando de maneira mais glamourosa, sem deixar a essência religiosa e respeitosa se perder.

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    A arte de amarrar um Gèlé é como qualquer outra arte, o seu sucesso depende da criatividade e maestria. Um pano de cabeça, como é chamado aqui no Brasil, no Candomblé e Umbanda, quando devidamente amarrado, pode ser como uma coroa, porém, ao contrário, se feito de forma errada pode se tornar um desastre total. Imagine no alto de sua beleza, ele se desfazer no meio do salão? Não seria bom!!!! Apesar de acontecer por vezes.

    Cada Gele é único e não existe uma fórmula verdadeira para alcançar a aparência exata duas vezes. Se você der uma olhada mais de perto, você verá que não há dois Gèlé(s) – Àwon Gèlé –  (uma vez amarrados) iguais. O povo Yorùbá, absolutamente ama Gèlé porque não só eles são amarrados em vários estilos, mas eles são um aspecto da cultura que fazem as mulheres se sentir bonita e são em verdade, não importa a ocasião. O estilo das cores do Gèlé pode ser um reflexo do seu estado de espírito, o estilo ou personalidade. Assim como temos aqui no Brasil o tipo funkeira, pagodeira, executiva, hippie e etc. Um Gèlé tem a marca de sua dona, ou usuária. Tendo aí também reflexo de desleixo ou capricho; de luxo ou simplicidade.

    Criatividade é a chave!

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    Interessado em saber como amarrar seu próprio gele? Não perca no próximo post vídeos ensinado a marrar seu Gèlé e você chegar totalmente transformada em seu Ilè t’òrìsà!!

    Ó dàbò!!

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  • Documentário – “Eu, Oxum”.

    Documentário – “Eu, Oxum”.

    O Candomblé é uma religião que sofre muitos ataques indevidos e intolerantes. Apagado em seu canto e com seus segredos, muitas pessoas escondem os seus sentimentos em relação ao Orixá de cabeça (Òrìsà t’orí). Diferente dos evangélicos que sempre estão batendo no peito, dando depoimentos e se orgulhando de sua fé.

    Sim, há pessoas no Candomblé e na Umbanda, que também são orgulhosas de suas crenças e práticas religiosas, mas sabemos que são poucas. E dessas poucas nasceu um documentário que mostra a beleza de nossa fé: o curta Eu, Oxum.

    Trata-se de um curta independente dirigido por Héloa e Martha Sales. Ele narra o dia-a-dia de seis filhas de santo  de Oxum, orixá do amor e tantas outras qualidades e atributos!

    Acompanhando o terreiro Ilê Axé Omin Mafé, na pequena cidade de Riachuelo (SE), as diretoras contam as histórias de inserção na religião, respeito às hierarquias, fé e os preconceitos sofridos pelas personagens.

    Elas deram uma entrevista para o site Brasil de Fato, estaremos reproduzindo aqui para os leitores e alunos da Educa Yoruba.

    Brasil de Fato: Como surgiu a vontade de fazer este curta e abordar histórias de mulheres de Oxum?

    O desejo de fazer esse filme partiu da minha própria experiência de conexão com este lugar e essas mulheres e isso foi se tornando cada vez mais forte, no retorno, em vários retornos que eu fiz para Sergipe, para me cuidar espiritualmente e conviver nesse Ilê, que é o Ilê Axé Mafé.

    Quais foram as maiores dificuldades?  

    As dificuldades foram algumas. É um filme produzido de maneira independente. Então eu passei 20 dias na estrada, em busca de retratar esse filme, pegando os diálogos, pegando os depoimentos e até mesmo registrando as condições do espaço, do lugar. As dificuldades maiores foram de perpetuar esse espaço. Eu, enquanto filha da casa, em um outro papel, enquanto diretora do filme junto com a minha mãe Martha Sales, e entender toda relação de hierarquia que se constrói, de respeito aos espaços sagrados, até onde a gente poderia filmar, o que poderia ser registrado.

    Qual a importância que você vê no documentário em relação a questão da intolerância religiosa, já que tivemos tantos casos este ano?  

    Nós estamos vivendo um momento de muito retrocesso no país, de muito racismo religioso, que vai para além da intolerância religiosa, que é a relação de tudo que vem dessa matriz africana, principalmente as religiões de matriz africana: a umbanda, o nagô, o candomblé.  São vistas também através dessa perspectiva do racismo religioso, onde nós não podemos professar a nossa fé porque tudo aquilo que é de negro, que é advindo da África, é visto como ruim, muitas vezes como algo demonizado.

    Eu acho que trazer a tona essa coisa mais pura, mais leve, como eu tentei trazer no documentário, junto com a minha mãe, Martha Sales, que assina o roteiro e a direção do filme, é uma forma de quebrar paradigmas, uma forma de até mesmo acolher e de provocar., para que outras pessoas possam se apropriar desse discurso e falar desse lugar de fala de quem vivencia, de quem nasceu ou de quem perpetua a força através do candomblé ou das religiões de matrizes africanas.

    Fonte: Brasil de Fato

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