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  • Formas de Agradecer em Yorùbá – Indo além do A dúpẹ́!

    Formas de Agradecer em Yorùbá – Indo além do A dúpẹ́!

    Mo júbà gbogbo!

    O idioma Yorùbá é complexo em suas possibilidades de uso. Nem sempre há apenas uma forma para no expressarmos, isso acontece principalmente na área de saudações, felicitações e pêsames.

    É comum eu explicar sobre determinado assunto, bênção por exemplo, e os alunos virem me questionar que eles aprenderam de outra forma e qual seria o correto. Mas isso se deve ao fato de manterem-se presos às estruturas fixas, o que não ocorre com o Yorùbá, idioma muito plástico e expansível.

    Nesta postagem iremos aprender formas de agradecer, indo além do famoso a dúpẹ́ ou mo dúpẹ́! Mas claro que esses serão explicados em por menores. Vamos aprender Yorùbá?

    Mo dúpẹ́

    Essa talvez seja a mais conhecida, sua tradução se faz de fácil explicação. Usaremos um pouquinho de gramática, por mais que muitos alunos acham que possam fugir dela para entender o idioma dos àwọn òrìṣà:

    Mo = Eu (Forma reduzida, pois há também Èmi com mesmo significado);

    Dúpẹ́ = verbo agradecer. É um verbo chamado de composto, pois nasce da união de + ọpẹ́, respectivamente “fazer algo” + “gratidão”.

    Ou seja, é o ato de ser grato, de se mostrar grato. Ele sozinho significa: eu agradeço, mas podemos melhorar essa expressão.

    Mo dúpẹ́ o/ Mo dúpẹ́ ẹ/ Mo dúpẹ́ gbogbo/ Mo dúpẹ́ fún gbogbo/ Mo dúpẹ́, bàbá mi/ Mo dúpẹ́, ìyá mi!

    Essas construções acima nos mostram as possibilidades fora do que todos usam o tempo todo. Vejamos as traduções:

    • Mo dúpẹ́ o = Obrigado(a) a você;
    • Mo dúpẹ́ ẹ = Obrigado(a) a vocês;
    • Mo dúpẹ́ gbogbo = Obrigado(a) a todos;
    • Mo dúpẹ́ fún gbogbo = Obrigado(a) por tudo;
    • Mo dúpẹ́, bàbá mi = Obrigado(a), meu pai;
    • Mo dúpẹ́, ìyá mi =Obrigado(a), minha mãe.

    Adúpẹ́ ou A dúpẹ́

    Muitas pessoas usam essa expressão como se significasse, “eu agradeço” ou “obrigado”. Certo e errado. Há um dicionário “famoso” que grafa junto, o que é errado.

    A = Nós, em sua forma reduzida. Normalmente é Àwa;

    Dúpẹ́ = agradecer.

    Se realmente conjugarmos o verbo, teremos: “nós agradecemos” e não “eu agradeço”. Mas pode ser usado como “eu agradeço em nome deles“, ou seja, como se estivesse agradecendo em nome de um grupo.


    Ọpẹ́

    Gratidão – Isso que significa. Mas aqui entramos em uma parte conceitual.

    Gratidão é um substantivo, mas usado com a intenção de agradecer por algo. Inclusive você poder chegar até o igbá òrìṣà e dizer:

    • Ọpẹ́, bàbá mi/ ìyá mi! Ọpẹ́ fún ire gbogbo!! (Gratidão meu pai/ minha mãe! Gratidão por toda sorte!)

    Digo conceitual pois há um grupo que critica uso dessas expressões que estão muito ligadas ao esoterismo, lei da atração, budismo e etc. OPINIÃO DELES!!!!!


    Ẹ ṣe o!/ Ẹ ṣe é o!

    De agora em diante começaremos a fazer uso de algumas expressões que se perdem no tempo e não tem como, por hora, ficar explicando a etimologia delas.

    Sempre que faço uso dela, percebo que as pessoas ficam confusas e perguntam o que significa: Todas elas a mesma coisa, “Obrigado(a)!”.

    Ẹ ṣe o! – Obrigado (Pronúncia: É XÊ Ô!)

    Variações:

    • Ẹ ṣe gbogbo!! – Obrigado por tudo!
    • Ẹ ṣe é o!! – Obrigado!
    • Ẹ ṣe púpọ̀!! – Muito obrigado!


    Ẹ ṣe gan!

    Essa foi a primeira expressão que aprendi como obrigado, tirando Mo dúpẹ́. Estou falando dos idos de 2003. Um noviço no aprendizado do idioma dos àwon òrìsà!!!

    Como o mesmo propósito das outras, visa tão somente agradecer por algo feito.

    • Ẹ ṣe gan!! – Obrigado! (Pronúncia: É XÊ GON!)


    Ẹ ṣeun!

    Mais uma estrutura estranha de explicar, porém presente em muitos cursos de Yorùbá pelo mundo. Possui a mesmo intenção: agradecer por algo feito!

    Ẹ ṣeun! – Obrigado(a)! Pronúncia: É Xê UN!)

    Note que em todos você pode fazer um incremento já aprendido, como por exemplo: gbogbo, fún gbogbo, púpọ̀, etc!!

    • Ẹ ṣeun púpọ̀ – Muito obrigado(a)!;
    • Ẹ ṣeun fún gbogbo – Obrigado(a) por tudo!;
    • Ẹ ṣeun gbogbo – Obrigado(a) a todos!

    Kò tọ́pẹ́ o!

    Finalizando com o famoso “não há de quê!“.

    Sempre que alguém lhe agradecer por algo, não precisa ir ao lugar comum que todos dizem indiscriminadamente: àse! A expressão que melhor podemos usar neste caso é:

    • Kò tọ́pẹ́ o!/ Kò tọ́pẹ́! – Não há de quê!

    Essa expressão ela ao pé da letra fica estranha, pois estou dizendo que “eu não fiz nada o suficiente para você ser grato”. Mas pode-se entender como: “não há necessidade disso!”.

    = advérbio de negação, não;

    = suficiente;

    Ọpẹ́ = gratidão como aprendemos acima.

    Há outras formas também de se dizer “não há de quê!” em Yorùbá, mas a postagem ficaria imensa e embolaria mais a cabeça do aprendiz!!

    Finalizamos

    E então espero que tenha gostado de aprender essas formas diferentes de dizer obrigado, indo muito além de mo dúpé ou a dúpé!

    Quer aprender mais sobre o idioma mágico do Candomblé? O idioma do
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  • 6 Filmes Sobre Candomblé Que Você Tem Que Assistir.

    6 Filmes Sobre Candomblé Que Você Tem Que Assistir.

    6 Filmes Sobre Candomblé Que Você Tem Que Assistir.

    Filmes sobre Candomblé e Umbanda existem há um bom tempo, na verdade podemos dizer que atualmente há poucos filmes ou documentários sobre o assunto e antigamente, haviam mais. Não por ter se esgotado o assunto: impossível se esgotar quando o assunto é a cultura afro religiosa. Atualmente tem se o Documentário – Eu, Oxum – Leia Sobre Aqui!

    Em outra postagem falei sobre os bons livros sobre o Candomblé – 7 Livros Sobre Candomblé Que Você Tem Que Ler. Muito bom por sinal o feedback que obtive de pessoas que realmente buscavam aprender mais sobre a religião.

    Listei aqui alguns filmes e documentário sobre o Candomblé, Umbanda e Cultura Afro Religiosa em Geral. Claro, há outros por ai, às vezes faltando uma boa divulgação. Não somos responsáveis pelos canais onde se encontram os vídeos, por isso, podem sair do ar por algum motivo caso esteja lendo esta postagem muito tempo depois.

    Lembrando também que nem todos os filmes falam diretamente sobre o Candomblé, mas a religião está inserida no contexto.

    Lista de Filmes  e Documentários Sobre Candomblé e Umbanda:

    1 – Eu, Oxum – 2017

    Este documentário não figura aqui na posição 01 por qualidade ou conteúdo. Na verdade, as posições que estarei colocando não indicam nada. Apenas uma organização em lista.

    O documentário “Eu, Oxum” , dirigido e roteirizado por Héloa e sua mãe Martha Sales, conta a sua história e sua relação com o orixá Oxum, e com outras cinco mulheres “filhas” do mesmo orixá, incluindo a Yalorixá Maria José de Santana, responsável pelo “Ilê Axé Omin Mafé, mais conhecida como “Mãe Bequinha”, que, também conta sua história, como a mais antiga “filha de Oxum” do município de Riachuelo, localizado na região do Vale do Cotinguiba-SE.

    São 25 minutos de uma narrativa de imagens e memórias do processo individual e diferenciado de cada uma dessas mulheres, em idade, tempo de inserção na religião, relações de parentesco e as funções que ocupam dentro desse espaço sagrado, onde Héloa imergiu e se encontrou em sua busca de espiritualidade, força ancestral, e reafirmação da mulher negra, sergipana em uma caminhada religiosa e ancestral.

    O filme possui a trilha sonora assinada por Vinícius Bigjohn e Klaus Sena, com canções dedicadas ao Orixá Oxum por artistas contemporâneos a Héloa, trazendo o retrato do sagrado feminino personificado na figura do orixá Oxum e a natureza dos rios e mares, baseada na imagética, arquétipo, características e elementos da natureza, da simplicidade estonteante do lugar representado no filme.”

    2 – Bahia de Todos os Santos 

    Filme bem antigo, dos anos 60. Teve como direção José Hipolito Trigueirinho Neto. A trama gira em torno de um grupo de amigos inconformados com o marasmo e a vida monótona da capital baiana, na época da ditadura de Getúlio Vargas.

    Tonho, um jovem rejeitado pelos pais que vive de pequenos furtos no porto de Salvador, vive conflitos sociais, políticos e religiosos. Sua amante inglesa quer afastá-lo dos companheiros, mas ele se envolve num atrito entre grevistas e a polícia, terminando por roubar a amante para ajudar os perseguidos. Insatisfeita, ela o denuncia, comprometendo-o politicamente. Ele é preso e, quando volta para a família, seu drama permanece.

    3 – Jardim das Folhas Sagradas

    Com certeza um dos mais envolventes do filmes. Particularmente gosto muito. Trama muito bem amarrada e com gostinho de quero mais.

    Jardim das Folhas Sagradas conta a história de Bonfim, negro baiano que tem sua vida virada pelo avesso com a revelação de que precisa abrir um terreiro de candomblé. Com os espaços disponíveis cada vez mais raros, ele acaba procurando um lugar na periferia empobrecida e degradada. Afastado da tradição e questionando fundamentos como o sacrifício de animais, Bonfim cria um terreiro modernizado e descaracterizado, o que lhe trará graves conseqüências.

    Numa época em que o crescimento urbano acelerado e a favelização transformam as cidades em espaços cada vez menos habitáveis, o candomblé, religião ancestral trazida pelos escravos africanos, tem uma grande lição de convívio e preservação da natureza a oferecer. A Bonfim e a toda cidade de Salvador.

    4 – Atabaque Nzinga

    Documentário musical sobre a Cultura Afro Brasileira, cuja estrutura narrativa se traduz por um jogo de búzios, onde nossa protagonista Ana (Taís Araújo) chega atraída pelo “chamado do tambor” em busca de seu auto- conhecimento e seu caminho.

    Pela estrada da percussão nas locações de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, Ana encontra diferentes ritmos, grupos musicais e coreográficos, experienciando sua integração na sociedade brasileira. O material filmado em Angola, África, onde no séc. XVII viveu e reinou a Rainha Nzinga, guerreira famosa, cujo nome serve de batismo à protagonista do filme, é uma referência e ilustra o passado da história do negro no Brasil.

     

    5 – Casa de Santo

    Casa de Santo, documentário dirigido por Antonio Pastori, traz como tema chave esta influência a partir dos rituais desses terreiros de Candomblé, preservados pelo povo negro que acredita na força de sua religião. As quatro nações da religiosidade de matriz africana estão retratadas com fidelidade e emoção.

    O filme percorre os principais terreiros das nações Jeje, Ketu e Angola e registra uma Festa de Caboclo, onde a raiz africana se mistura a influências indígenas e européias. Uma engenhosa tradução da diversidade étnica e cultural desta região da Bahia. O filme tem cenas inéditas de rituais que nunca haviam sido mostradas de forma tão fiel, em uma reconstituição histórica.

    Terreiros que não haviam aberto as portas mesmo para os fotógrafos, deram licença para as câmeras deste documentário que mostra como os segmentos de cada nação são diferenciados pelo dialeto utilizado nos rituais, a liturgia e o toque dos atabaques.

    É em Casa de Santo que Pastori documenta pela primeira vez, o Terreiro do Pinho, que segue os preceitos Jeje e foi fundado em 25 de dezembro de 1658 numa área que hoje pertence ao município de Maragojipe, a 133 km de Salvador. A equipe pôde registrar o lugar onde fica o que pode ser o terreiro mais antigo do Brasil, de linhagem Jeje – o que muda a forma de contar a história da diáspora africana.

    O filme está na lista editada pelo Jornal da PUC-Campinas como um dos registros indicados para entender as relações raciais. (realizado em 2005)

    6 -Por Que Você Está Na Umbanda?

    Documentário simples com entrevista/ depoimentos onde as pessoas falam de suas experiência com a religião da Umbanda.

    “Quando descobrimos o motivo de estar onde estamos e de ser o que realmente somos, nossa vida muda. A percepção das vivências, os sabores que experimentamos no paladar, o significado da natureza e das cores, tudo fica mais intenso.

    Muitos falam e definem o que é a Umbanda. Uns dizem que é coisa do Diabo. Outros, que é a religião mais linda que existe na Terra. Venho pensando a muito tempo sobre isso, até que surgiu uma indagação: Por que estou na Umbanda?

    Não consegui responder de imediato. Pensei então, por que outros irmãos estão na Umbanda? É preciso dedicação, disciplina, fundamento e amor, muito amor. Salve a Umbanda. Saravá o povo de Branco. Saravá!”

    Termina Aqui?

    Absolutamente não. Há alguns clássicos como “Pierre Verger – Mensageiro de Dois Mundos” que com certeza emociona muitas pessoas pelo conteúdo, imagens, depoimentos. Há documentário sobre a saudosa Gisèle Omindarewa... enfim, há outros e não queria deixá-lo perdidos em tantas opções!

    O que importa é a mensagem de que sim temos uma cultura forte, presente em livros, filmes e documentário. Não tenha vergonha da sua fé. Seja de Àse e mostre que é.

    Ó dàbò!

    Olùkó Vander

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