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  • Ìyáwó – A Origem da Palavra e Seu Real Significado.

    Ìyáwó – A Origem da Palavra e Seu Real Significado.

    Ìyáwó é o segundo grande centro das atenções do Candomblé, só perdendo para o òrìṣà. Mas a grande roda do Candomblé gira em torno dessa figura tão importante para a religião, sua iniciação e as chamadas obrigações de ano. Antes do ìyáwó, há o abíyàn, e todos um dia foram um abíyàn.

    Toda ìyálórìṣà ou bàbálórìṣà, palavra que designa a pessoa que possui conhecimento para manipular as energias do òrìṣà, são em algum estágio de sua vida religiosa um ìyáwó, pois é neste período que ele adquire os conhecimentos mais básicos do culto. Até mesmo, pode-se dizer que uma pessoa sempre será ìyáwó diante de uma pessoa mais velha. Bem, são as guerras de Ego dentro da religião.

    A palavra significa esposa, essa é uma verdade já bem comum, mas há duas origens para o uso dela: Uma está atrelada à formação do candomblé no Brasil; outra se dá pelo corpus literário de Ọ̀rúnmìlà-Ifá, um culto à parte e com suas raízes bem fincadas na Nigéria e Benin.

    Ìyáwó no Candomblé

    A palavra foi usada pela origem da religião ter se dado inicialmente por mulheres, era um culto matriarcal. Esta origem podemos ver claramente em muitos pontos, como vestimentas (Gèlè – pano de cabeça, Aṣọ oke – pano da costa) e acessórios litúrgicos (Ààjà – sineta).

    No início, não havia manifestação pública masculina de òrìṣà, somente as mulheres que incorporavam esta energia divinizada da natureza. Aos homens cabiam a parte mais bruta dos terreiros, o ilé òrìṣà, a Pequena África, como também era conhecido. E sempre havia, como há, muito trabalho para todos em uma casa de òrìṣà!

    Nisso, a mulher ao se iniciar, firmava um compromisso com as divindades, um casamento, com elas figurando como as esposas (Àwọn ìyáwóàwọn é o formador de plural no idioma Yorùbá). E um tempo antigo, a dedicação era bem maior do que hoje, a abnegação da vida profana era enorme, com algumas simplesmente morando nos terreiros e se quer casando.

    Mas, com o passar dos tempos, os homens passaram também a serem iniciados da mesma forma que as mulheres e suas saídas serem públicas, mas o termo continuou: Ìyáwó. Porém, agora com o sentido de iniciado ao
    òrìṣà, conotativamente. Tornou-se uma palavra sem gênero definido, podendo tanto ser usado para a pessoa do sexo masculino, quanto para a pessoa do sexo feminino.

    A palavra foi usada por causa deste sentido de compromisso que as mulheres tinham com o òrìṣà. No entanto, há muitas outras palavras em Yorùbá que podem ser usadas para definir um iniciado, alguns cultos possuem palavras próprias:

    • Ọmọ òrìṣà = filho de òrìṣà;
    • Ẹlẹ́gùn = aquele que é possuído por energias (Não é aquele que é montado por espírito!!);
    • Ẹlẹ́sìn = devoto, religioso (Oní + èsin/ Aquele que possui + religião, culto);
    • Abòrìṣà = cultuador de òrìṣà, aquele que cultua òrìṣà.

    E muitos outros, mas usando qualquer um desses, torna-se facilmente compreendido que estamos falando de uma pessoa iniciada ao culto de òrìṣà.

    Ìyáwó – Segundo o Corpus Literário de Ifá

    Qualquer dicionário decente de idioma Yorùbá irá traduzir a palavra ìyáwó como esposa, disso não tenho sombra de dúvidas. Mas qual a origem desta palavra? Todos sabem que sou fã de etimologia das palavras, elas nos guiam para caminhos mais seguros quanto às traduções. Nunca engoli ìyáwó sendo – mãe do segredo.

    Segredo em Yorùbá é awo, sem acentuação indicando tom alto ao final. Só isso já denuncia, assim quando falam que òrìṣà significa guardião da cabeça (Orí é cabeça e não òrì!!).

    No corpus literário de Ifá, encontramos as explicações de tudo que nos rodeia, a origem de muitas coisas. Ele é a enciclopédia do povo Yorùbá e seu registro se deu todo de forma oral. Cada odù, ou filhos, omo odù, conta uma história, um ìtàn em seu ẹ̀sẹ̀, poemas divinatórios de Ọ̀rúnmìlà. Lá encontramos a origem da palavra ìyáwó, no odù Ogbè – Sùúrù!

    Conta o mito que: Uma bela princesa, filha do Ọba de Ìwó, estava disponível para o casamento. Ela era imensamente bela. Nenhum homem comum poderia desposá-la, apenas um homem com enorme qualificação e que ela mesma escolhesse. Mas a princesa também não estava tão disposta a casar, iria fazer de tudo para afugentar seus pretendentes.

    Ògún, Ọ̀sányìn e Ọ̀rúnmìlà souberam da fama e da beleza da princesa, logo se colocaram prontos para a missão. Ògún foi o primeiro a se arriscar na tarefa e após constatar a exuberante beleza da mulher, usou toda sua determinação para conquistá-la.

    A princesa, ardilosa, exigiu como acordo para o casamento, que ele ficasse na casa do pai dela e lhe contasse seus àwọn èèwọ̀ (interditos, tabus). Embebecido com a beleza da mulher, Ògún contou que era àdín e ver sangue menstrual – àṣẹ́. Passado um tempo, a princesa preparou um prato com àdín para Ògún e sentou-se ao seu lado sem conter seu sangue menstrual.

    Ògún ao saborear a comida, sentiu o gosto do àdín, assustou-se. A princesa se levantou e ele viu o ẹ̀jẹ̀ no assento. Ele enfureceu-se e atacou a princesa que correu para os aposentos do pai. Este, com seu poder, transformou Ògún em um malho para ferreiros. E assim Ògún fracassou. Ele havia deixado de fazer os sacrifícios indicados pelo bàbaláwo.

    Ọ̀sányìn caiu na mesma armadilha e quando tudo ocorreu conforme havia ocorrido com Ògún, o rei o transformou em um pote de água, quando a princesa correu para seus aposentos pedindo socorro.

    Ọ̀rúnmìlà foi instruído a fazer sacrifício antes de ir: um Òbúkọ para Èṣù e a ter muita paciência (Sùúrù), de nada reclamar ou se exaltar. Assim ele fez e seguiu em busca dos irmãos e para desposar a princesa.

    Ele disse à princesa que seus interditos eram: èkútè, ẹjá, ewurẹ́, adìẹ, bucho de cabra e àṣẹ́ (sangue menstrual), quando havia perguntado. Somente o àṣẹ́ é seu interdito, todos os outros são comidas favoritas de
    Ọ̀rúnmìlà. E assim, começou a princesa de Ìwó maquinar contraỌ̀rúnmìlà.

    Usando as desculpas de que não havia comida em casa, dia pós dia, ela foi oferecendo todas as comidas que ela pensava serem àwọn èèwọ̀ deỌ̀rúnmìlà e ele, mostrando-se calmo e compreensivo, dizia que por amor ele iria comer aquilo que ela oferecia. Ela nada entendia, pois o candidato não perdia a cabeça. Então, ela usou sua última arma: o sangue menstrual.

    Mas, apesar de por dentro enfurecido, Ọ̀rúnmìlà recordou-se do conselho de Ifá e surpreendeu a princesa indo lavar as roupas dela sujas de sangue, assim como a almofada onde ela se encontrava. Ela ficou confusa e recorreu a algo ainda mais provocador, pois não conseguira tirar Ọ̀rúnmìlà de seu centro: arrumou um amante para se deitar perante a presença dele!

    Havia chegado a hora, é dito que a Testemunha do Destino leva até 3 anos para se enfurecer e quando isso ocorre, faz uso das forças mais poderosas para se vingar e era agora. Ọ̀rúnmìlà foi buscar água para que o amante da da noiva se banhar pois já ia embora; invocou Èṣù fora da cidade quando o homem já ia embora e Èṣù deu uma cabeçada forte nele, nisso, Ọ̀rúnmìlà apontou seu ìrúkẹ̀rẹ̀ para o azarado que o transformou em ìgbín. O paciente noivo quebrou o ìgbín e com seu líquido, ẹ̀jẹ̀ funfun, lavou a mulher, purificando seu corpo dos atos tido com o amante.

    Atônita, a princesa contou ao pai os atos de bravura, paciência e sabedoria de Ọ̀rúnmìlà, escolhendo-o como seu marido para sempre. O Oba de Iwó concedeu a mão da filha e após ela ficar grávida, ele retornou para casa com a esposa. Após toda a aflição passada na casa de Iwó, Ọ̀rúnmìlà conseguiu sua bela esposa e daí o nome: Ìyáwó = ìyà = aflição, = em, no, na, ilé = casa, habitação, Ìwó = cidade onde a princesa morava, fica em Ìbàdàn.

    Ìyà ++ ilé + Ìwó = ìyáwó (Note como ìyà perde a acentuação indicativa de entonação baixa para e ilé, com o “a” de ìyáwó ganhando entonação e acentuação alta).

    Professor Vander – 2020
    @educayoruba

    Espero que tenha gostado e não esqueça dos direitos autorais antes de copiar e colar nos grupos dos Facebook e WhatsApp! Plágio é crime, não atribua a autoria do texto a quem não é de direito!

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  • Obrigação no Candomblé: Tudo Que Você Precisa Saber!

    Obrigação no Candomblé: Tudo Que Você Precisa Saber!

    Mo júbà, Báwo ni o? (Saudações, Como vai?)

    O assunto de hoje será obrigações de santo, ou também chamada de obrigações de anos no Candomblé. As obrigações geralmente determinam o grau de um iniciado, alguns até as usam para determinar uma certa hierarquia, pois após os 7 anos de iniciada, a pessoa passa a poder fazer algumas coisas que antes não poderia, passam a ter certa superioridade que os demais irmãos de santo.

    Não se sabe ao certo a origem dessas obrigações, posto que na grande matriz, nos países de onde o Candomblé é originado não se têm notícia de obrigação de 1 ano de santo, obrigação de 3 anos de orixá ou a mais querida de todas, a mais almejada: obrigação de 7 anos, onde muitos passam erroneamente serem chamados de “Êbomi”.

    Hoje irei falar sobre:

    1 – Por que chamam de “Êbomi” quem faz 7 anos de santo?

    2 – Por que “Pagar Obrigação” e Por Que Essa Cobrança Toda?

    3 – Odu ou Odum? Como é a forma correta de falar a obrigação de anos?

    4 – Números em Yorùbá Para Comemoração de Iniciação Ao Òrìsà.

    Mas porque erroneamente, você deve estar se perguntando.

    Muitas coisas, muitas coisas mesmo são criadas, inventadas aqui no Brasil. Não há na Nigéria, Togo ou Benin vestígios de muitos absurdos que vemos hoje por ai. Claro que algumas coisas foram criadas, ou adaptadas, para melhor organizar as pequenas Áfricas, assim eram chamados os terreiros, as casas de Candomblé.

    Mas tantas outras não há fundamento, sendo que baila nos lábios de quem quiser criar conjecturas a respeito do que vem a significar ou de onde surgiu alguma coisa, sendo muitas coisas relegadas aos Ìtàn – Lendas. E nas lendas, não as do corpo de Ifá, mas aquelas que se quer sabem a origem, lá é onde nascem explicações para alguns absurdos.

    Mas vamos entender o erro do termo “Êbomi”. Não é um cargo, não é um posto e pasme, uma pessoa com um ano de santo pago ou não, pode ser “Êbomi” de outra. Você não precisa ter 7 anos de santo para ser “Êbomi”!

    O termo correto é Ègbón mi e significa meu irmão mais velho. Podemos reduzir ainda mais para Ègbón = irmão mais velho. Onde também há o seu antônimo, Àbúrò, que significa irmão mais novo. O termo Ègbón não é taxativo, não vem dizendo que só podem ser considerados tal quem tiver mais de 7 anos de santos pagos.

    Caso um Ìyáwo A tenha 1 ano de santo e um Ìyáwo B tenha 9 meses de iniciado, A é Ègbón de B e B passa a chamá-lo de Ègbón mi (Meu irmão mais velho). Simples assim! E o Ìyáwo A chama o Ìyáwo com 9 meses de iniciado de Àbúrò mi (Meu Irmão mais novo).

    Tem se um outro costume errado de chamar quem tem menos de 7 anos de Ìyáwo e quem tem 7 ou mais de “Êbomi”. ERRADO. Todos são Ìyáwo. Todos são filhos de alguém e são “casados”, assumiu um compromisso com seu Òrìsà.

    Ègbón = Irmão mais velho;

    Ègbón mi = Meu irmão mais velho (Quando seu irmão de santo tem mais tempo de santo que você).

    Àbúrò = Irmão mais novo.

    Àbúrò mi = Meu irmão mais novo (Quando seu irmão de santo tem menos tempo de santo que você).

    Pagar A Obrigação

    Há quem discorde, mas pelas pesquisas tudo indica que essa tal “pagar a obrigação” nasceu de uma época em que comprava-se a carta de alforria dos escravos e esse então passava a ter uma “Obrigação” com quem o libertou.

    Livre para poder trabalhar, o escravo pagava uma parte no primeiro ano solto, depois outra parte 3 anos após e 7 anos após, onde enfim, estava livre de verdade. Mas não irei jogar a responsabilidade disso em cima de nenhum itan ou algo assim, pois carece de mais fontes históricas.

    Mas uma coisa é certa, seu Orí, fonte de sua força, pensamentos, idéias… esse deve estar forte e merece comer todo ano. Somente com seu Orí forte é que seu Òrìsà pode atuar com mais precisão por você.

    Importante salientar que essa “Obrigação” é com seu Òrìsà e não com o povo que nada tem com sua vida espiritual. Ou seja, não precisa torrar rios de Dinheiro com festas, convites e comilanças sem fim.

    Há quem discorde, mas há muitas pessoas que não são adeptas das obrigações festivas. Dão de comer ao seu Òrìsà todo ano e estão com suas vidas prósperas e seguindo em frente.

    Sei que há quase uma lenda urbana que diz que quem não paga as obrigações perde emprego, Òrìsà larga a cabeça, perde amo, saúde e corre até mesmo o risco de morrer. Como dizem: – Òrìsà cobra!

    Sou contra tal ideia!

    Mas se sua casa prega tal ideia, respeite seu zelador ou zeladora e bola para frente. Mas sempre que houver espaço, pois muitos zeladores não dão espaço para uma conversa com seus iniciados, busque aprender mais sobre obrigações!

    Odú, Odún, Odum…. Como se Fala Obrigações de Anos Em Yorùbá

    O motivo dessa postagem sem sombra de dúvidas foi essa parte. Onde nasceu a ideia de postar sobre como escrever corretamente “Obrigação de X anos” em Yorùbá. Recebo e-mails com muitas dúvidas e escrever corretamente um convite de comemoração de anos de iniciação é o campeão.

    Vejo que as pessoas escrevem ao seu bel prazer. Colocam acentos onde não existe, pronunciam como querem e dão significados trocados ou errados às palavras.

    Vamos então começar a entender por partes:

    Obrigação em Yorùbá

    A palavra “Obrigação” em Yorùbá, segundo o Dicionário são as seguintes:

    Oore – Obrigação

    Igbese oore – Obrigação

    Idè – Obrigação

    Logo podemos notar que o termo comumente usado atualmente em nada se aproxima ao termo “Obrigação” em Yorùbá. Mas na verdade, o que ocorre, é que o povo Yorùbá é muito festivo e nota-se isso em seus festivais muitos públicos, apesar de muitas vezes serem religiosos.

    Então podemos entrar na próxima explicação:

    Odù, Odum ou Odún … O que é o que?

    Vamos conhecer cada palavra para podermos analisar melhor essa questão. Lembrando que estarei escrevendo como geralmente escrevem em redes sociais, convites e afins!

    Odù – Signos de Ifá, sinais que trazem mensagem sobre a vida de uma pessoa. Alguns traduzem como destino, mas assim como a palavra àse, essa palavra também merece por vezes longas explicações.

    Odún – Festa, festividade, festival, aniversário. Também significa: ano, idade.

    Odum – Palavra inexistente nos dicionários de Yorùbá.

    Bem, de posse das duas palavras mais próximas do que queremos dizer (comemorar algo), podemos concluir que a segunda chega mais próximo do que realmente queremos, indicar que estamos comemorando um marco (1 ano, 3 anos, 7 anos etc).

    Mas caso você saiba seu Odù e em determinada data você quer fazer algo para poder comemorar a data, pode dizer: Irei comemorar o meu Odù (No caso, como disse, que saiba após consultar um Bàbáláwo e não o Odù da mesa de um zelador ou zeladora.).

    Mas se estamos falando realmente da comemoração de por exemplo 3 anos de santo, já sabemos que a palavra é Odún , pois esta significa uma comemoração, uma festa e até mesmo idade. Porém, precisamos aprender algo mais nessa lição: os números em Yorùbá.

    No Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá (Clique Aqui e Conheça Mais), você aprender todos os números em Yorùbá, mas para essa lição basta apenas saber 3 números: 1, 3 e 7. E novamente caímos em alguns erros bem comuns.

    Números em Yorùbá

    Assim como no português, em idioma Yorùbá os números se classificam em Ordinais (indicam ordem, colocação), Cardinal (indicam contagem), Fracionários e etc..

    Aqui teremos algumas considerações importantes: Há uma forma quase correta e outra corretíssima.

    Números Cardinais (Não especifica o que): 1 = Okan, 3 = E, 7 = Eje;

    Números Ordinais (Ordem): 1 = Kíni ou Ekini, 3 = Ekéta ou Kéta, 7 = Ekéje ou Kéje;

    Números Totais (Indicam quantidade de algo especificado): 1 = Kan, 3 = Méta, 7 = Méje.

    Os números totais são os corretos para usarmo em nosso caso, pois eles é que especificam o que está sendo contato. Gramaticalmente, eles que modificam o substantivo “anos”.

    Agora vamos ver como fica então a síntese, o resumo disso tudo:

    Um ano = Odún kan

    Três anos = Odún méta

    Sete anos = Odún Méje

    Em um convite impresso ou postado em alguma rede social, poderíamos escrever assim:

    “Gostaria de Convidá-los para meu Odún Méta, onde estarei recebendo todos em…”

    ou

    “Dia XX/XX acontece o meu Odún Méje t’Òrìsà. Venha louvar o Òrìsà na Rua…”

    Conclusão

    Chegamos ao fim da postagem onde aprendemos que esse termo “pagar Obrigação” é mais pejorativo do que outra coisa, sendo, possivelmente, reflexo histórico da época da escravatura, apesar de faltas de provas históricas.

    Vimos também que estão usando o termo errado, mais um termo errado, dentro do Candomblé. Mas podemos aprender a forma correta, mas apropriada, para “Obrigação de ano”, que na verdade significa “comemoração de ano”.

    Espero que tenha gostado e tenha visto como é importante aprender mais sobre essa linda cultura e também sobre o idioma Yorùbá, pois a maioria do Candomblé se utiliza deste idioma, de forma errada, mas usa muito.

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  • Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?

    Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?

    Pai/ Mãe de Santo Pode Proibir o Filho de Santo de Visitar Outro Barracão?

    Ao iniciar no Candomblé e até mesmo na Umbanda, nos segredos do culto ao orixás (Àwon Òrìsà), o filho de santo entra em uma rígida rotina. O Candomblé e a Umbanda possuem códigos próprios para o bem andar do culto, que é sempre levado com seriedade e responsabilidade, afinal de contas, está se lidando com energias espirituais fortes.

    O pai de santo ou a mãe de santo, também chamados de bàbálórìsà ou ìyálórìsá, são os grande responsáveis por manter e conduzir de maneira harmônica todo o culto. A eles que os deuses africanos enviam, direta ou indiretamente, as mensagens de como deve ou pode ser conduzida uma comemoração de anos de iniciação (odún òrìsà) por exemplo ou a iniciação de um novo Ìyáwò, etc.

    Esses líderes espirituais escolhidos, sim escolhidos, pois não é qualquer um que possui o dom de ser pai ou mãe de santo, devem ser a base de ensinamento dos filhos de santos, aqueles que a eles confiaram a vida espiritual que muitas vezes vem atrelada à a vida amorosa, profissional, familiar e até mesmo sexual.

    Mas até onde vai o “poder” do zelador ou zeladora de santo? Qual o limite na relação filho de santo e o pai/mãe de santo?

    O Que Pode Um Zelador ou Zeladora?

    Quando uma pessoa entra para o culto ao orixá, busca soluções, alívio, um caminho e muitas vezes um reencontro. Quantos não se sentiam vazios antes de entrar para o Candomblé ou Umbanda, mas depois se sentiam fazendo parte de algo maior, se sentiam em contato com algo mais forte e que lhe dava direção na vida, base?

    A figura do pai ou mãe de santo entra nessas horas como aquela que guia, aconselha, transmite. Ao zelador cabe a transferência de àse, a transferência de conhecimento para que o noviço possa caminhar com mais segurança. A segurança espiritual para momento tribulados que sempre surgem na vida dos filhos de santo.

    Manter o ìyáwò fortalecido, informado e seguro espiritualmente deveria ser uma das funções de um zelador, pois na iniciação está havendo uma entrega de corpo, alma e mente. Ao filho de santo cabe respeitar e zelar por tudo que lhe é fornecido, gratidão constante.

    Um zelador pode sugerir ao filho de santo que não faça determinada ação, pois o pai de santo, conhecedor pela experiência de vida, sabe que aquilo pode influenciar o àse do filho, pode fazer o òrìsà reagir de uma maneira ruim, pode desandar o que está bem encaminhado!

    Uma zeladora deve, com toda certeza, proibir o filho de coisas que possam influenciar o barracão, ele próprio e os demais filhos do ilé. Imagina o filho de santo trazer energias ruins para o barracão. Imagina mexer onde não deve, sujando espiritualmente determinados locais!

    Dever do zelador nos momentos oportunos, aquele onde há tempo e maturidade espiritual, transmitir conhecimentos e práticas ao ìyáwò que somente os de mais tempo de casa podem saber (Aqui ìyáwò me refiro a qualquer pessoa que o pai de santo iniciou, não importa se tem 20 anos de santo 😉 ).

    Um babalorixá/ Yalorixá com certeza irá focar em ter um axé forte, unido e com capacidade de crescimento espiritual que transborda e influência positivamente a vida de todos que fazem parte daquele todo. E isso só se consegue com orientação, educação e muito zelo ao sagrado e aos ser humano.

    Os orixás daquela casa com certeza serão gratos, fortes, com muito axé e a vida de seus filhos com muita prosperidade, paz e harmonia.

    Mas…

    O Que Não Pode Um Zelador ou Zeladora?

    Fiz recentemente uma postagem sobre a violência dentro dos barracões, então será por aí mesmo que iremos começar: nenhum zelador ou zeladora pode, usando o nome da religião ou do òrìsà, agredir seu filho de santo. Se quiser ler mais sobre esta postagem – Clique Aqui. E mesmo não usando o nome de religião ou òrìsà não deve agredir um ìyáwò, e vise-versa.

    O zelador ou zeladora não é dono do corpo do iniciado, não é proprietário de sua vida. O contrário disso é escravidão, só nessa época vergonhosa que uma pessoa era proprietária de outras pessoas e nelas mandavam e desmandavam.

    Dessa forma, também não deve o zelador se meter na vida amorosa dos filhos, proibindo namoros, relações. Claro, se o jogo, em uma consulta mostrar que aquela escolha não trará boas consequências, já é outro assunto. Ai vai até mesmo um conselho.

    O título se refere a proibição que muitas casas têm de que seus iniciados não podem visitar outras casas, salvo em companhia do zelador ou de um ègbón da casa. Essa proibição se dá pela maldade que há no meio, pois é, não deveria, mas há maldade entre os candomblecistas que muitas vezes querem queimar (Influenciar com energia ruim) a casa alheia.

    Neste ponto, super compreensivo um zelador aconselhar o filho não andar por algumas casas. Vai que seja a casa de um rival do pai ou mãe de santo e o filho desavisado foi convidado para uma saída ou obrigação de ano.

    Mas é natural as amizades, fortes laços de amizades entre filhos de ilé diferentes. Nesse caso pode o zelador não deixar o filho ir na casa do outro? Como foi dito, não pode ninguém proibir ninguém de nada, mas deve o zelador informar, deixar o ìyáwò consciente da escolha que irá fazer.

    Lembra de uma das atribuições do pai ou mãe de santo – informar – nessa hora que ela entra. Infelizmente muitos se sentem deuses e acham que tudo pode sem nada poder lhes impedir. Não, um zelador não é um ser supremo e solitário. Tanto que quando seu òrìsà toma sua cabeça, coloca os pés no chão.

    Zelador não é dono de ninguém, nem mesmo do òrìsà que ajudou a iniciar na cabeça do ìyáwò.

    Não pode o zelador se apropriar de bens comprados pelos filhos de santo e isso gera assunto para uma outra postagem em breve.

    Claro que aqui estamos falando da imaturidade de algumas pessoas que alcançaram essa posição de líder espiritual. Essa mesma atitude há também em outras religiões, infelizmente. Ou seja, é uma mau do ser humano e não do pai ou mãe de santo.

    Ìyáwò X Bàbá / Ìyálórìsá?

    Claro que não deve haver rivalidade entre as partes, em hipótese nenhuma. Assim como em uma família sanguínea, a desavença e brigas em uma família de santo só traz desarmonia, energias ruins e rupturas.

    Deve haver um diálogo constante entre as partes. Cada ponto deve ser debatido. Um ìyáwò bem informado, doutrinado sempre será compreensivo com seu axé. Haverá muitas vezes ingratidão, todo zelador ou zeladora sabe disso. Quanto suas mãos não ajudaram a levantar e se foram após estarem lá em cima?

    Deve o ìyáwò buscar a união com seu axé e zelador/ zeladora.

    Deve o zelador cuidar, educar e soltar as amarras de seus filhos, iniciados sobre suas mãos.

    E você, acha que o zelador ou zeladora pode proibir o filho de santo de visitar outras casas? Deixe sua opinião nos comentários!!

    Ó dàbò!

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  • O que significa Dofono, Dofonotin, etc?? (Não é Yorùbá)

    O que significa Dofono, Dofonotin, etc?? (Não é Yorùbá)

     

    O Candomblé e As Posições nos Barcos de Òrìsà

    Muitas pessoas, muitas mesmo… e isso faz tempo, sempre me perguntam sobre vários significados de várias palavras que são ditas dentro do Candomblé. Estranham quando em curso eu não cito algumas e logo perguntam sobre as mesmas. Hoje nós entenderemos sobre isso.

    Mas antes, um adendo: essa explicação foi dada por um professor de idioma Fon. Em outra vez um hater (Essas pessoas que usam a internet para atacar tudo e todos) disse que estava sendo copiado de um blog de um amigo. Mas não sabia ele que no orkut eu já havia explicado isso, ano de 2008, e o blog do amigo postou em 2011. Voltando ao assunto!!

    Ficar sem entender a fundo pelo menos o significado de algumas palavras era algo extremante irritante pra mim no começo dentro do Candomblé… me sentia como um cego numa avenida movimentada, muito barulho sem nada entender.

    Depois de muito estudo e contatos com pessoas diversas, algumas de outras religiões(Evangélicos Nigerianos, Muçulmanos Nigerianos), a cabeça começou a se abrir em relação ao idioma. Se você quiser, pode aprender um pouco nas aulas gratuitas que postei aqui no blog a tempos atrás, clique nos links abaixo que irá para cada aula dada:

    Aula 1Aula 2Aula 3Aula 4Aula 5

     

    Dofono – Dofotin – Gamo – Gamotin

    Uma das expressões mais usada dentro do Candomblé são essas acima, indicando geralmente a ordem de barco, que está associada ao òrìsà que a pessoa será inciada. Havendo uma pessoa para ser iniciada de Èsù e outra de Oyá…. quem for de Èsù será Dofono e de Oyá Dofonotinho… e havendo uma terceira pessoa de Ìyémojá, essa será Fomo.

    Tem muito mais, algumas casas adotam essa ordem também para pedir benção, comer e todos os outros afazeres. Por que digo algumas casas? Há aquelas que não seguem essa ordem. Assim como tem casa que a benção deve ser pedida por todo o barco que foi iniciado juntos.

     

    Mas Olùkó, o que significa essas expressões??? Qual a tradução do Yorùbá para Português?

    Eu digo: nenhuma. As palavras são do Fongbè, idioma do Candomblé Jèjè. Breve trarei outras palavras do Fon que as pessoas pensam ser Yorùbá, inclusive nomes de Òrìsà e as tidas qualidades. Mas lembro que a muito tempo atrás em contato com um amigo que leciona o idioma, ele me passou melhor o que viria a ser cada palavra e seu profundo simbolismo religioso.

    Tudo se concentra em cima da palavra “Fon” que vem a ser a cerimônia de acordar de cada iniciado e conforme vão dando os nomes. Essa ordem tem haver como disse a acima, com o òrìsà, no caso vodún que será iniciado o neófito.

    Seguem as ordens e os nomes:

    • 1-Donfonnu– Aquele que está “longe de ser um Fon”;
    • 2-Donfonnu tiin– Aquele que está “muito longe de ser um Fon”;
    • 3-Fonmu– É o “fon cru”;
    • 4-Fonmutiin– É o “fon muito cru”;
    • 5-Gànmu– Assimilado ao “ferro cru”;
    • 6-Gànmutiin– “ferro muito cru”;
    • 7-Vimu– A “ criança crua”;
    • 8-Vimutiin– É a “criança muito crua”.

    Algumas pessoas tem dificuldades em compreender o conceito por trás dessa classificação, não compreende que quando se diz “cru” é como se fosse uma criança que acaba de nascer.

    Mu” é o estado cru do iniciado, pois todos sabemos que a iniciação é um renascimento. Bom lembrar que assim como no Yorùbá, essas palavras foram sendo aportuguesadas, ganhando peso de gênero e tamanho.

    Dofono (masculino) e dofona (feminino). Temos também o tamanho: Dofono e Dofonotinho, não tendo na verdade uso lógico.

    Mas por que isso Olùkó, por que idiomas diferentes dentro do Candomblé?

    Ora, simples. O Candomblé pode ser considerado uma colcha de retalhos cultural. Uma forma de resistência cultural e religiosa que abrigou africanos de diversas etnias, aldeias, cidades e reinos. Natural foi a mistura de divindades, idiomas e costumes.

    Essa organização aconteceu num momento histórico que favorecia os da nação Ketú, mas lembre-se que antes já haviam candomblés acontecendo pela Bahia e Rio de Janeiro. Mas isso é assunto para outra postagem rs.

    Ficou curioso em aprender mais sobre o Idioma Yorùbá e aprender mais e mais…. No Youtube temos aulas gratuitas onde você pode aprender sem pagar nada. Venha e conheça o canal da Educa Yorùbá.

    Abaixo segue o nossa playlist com mais aulas:

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  • Fotos/ Vídeos no Candomblé. Pode?

    Fotos/ Vídeos no Candomblé. Pode?

    Fotografar ou filmar rituais é algo positivo?

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    Pierre Verger foi um dos personagens que em épocas que não havia as redes sociais ou nem mesmo a possibilidades de se ter acesso a uma máquina de tirar fotos com facilidade, trouxe à lume algumas facetas do Candomblé e de outros cultos através de fotos (Léopold Verger (1902-1996) foi um fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês). Por muitos criticado (normal no candomblé) e por outros ovacionado,  Pierre Verger teve seu primeiro contato com o Candomblé em 1948, mas não foi seu primeiro contato com religiões animistas. O mesmo já havia passado pelo Haiti e outras regiões, sempre clicando imagens lindas e eternizando momento belos.

    Mas assim como acontece com muitos, o Candomblé o fascinou e ele começou seus cliques imemoráveis e que até hoje cria uma certa divisão de opiniões. Verger ganhou uma bolsa de estudo para fotografar rituais religiosos, viajou para África, iniciou-se tanto lá quanto aqui  em diversos cultos (Teve seu orí consagrada ao Òrìà àngó), teve acesso a rituais que muitos nem sonhavam e sonham. E muitas coisas clicadas neste ínterim. No site de sua fundação há muita informação e fotos que esse excelente ícone de nossa religião registrou: www.pierreverger.org/br

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    E hoje em dia?

    Hoje em dia, com a possibilidade de se tirar fotos cada vez mais fácil com um simples celular, um simples toque na tela, a internet ficou lotada de registros por vezes belos e por outras vezes nada interessantes para a religião, lotando as redes sociais de coisas por vezes toscas e desnecessárias. Muito se critica o excesso de fotos e vídeos gravados, isso tudo porque algumas pessoas querem expor demais a religião, como por exemplo, ìyáwó no seu recolhimento tirando selfie, ou, um caso que um ìyáwó tirou foto do outro ìyáwó sendo raspado.

    Pierre Verger também tirou fotos fortes como a que podem ver abaixo. Fortes para quem não é do meio, fortes para quem não entende a essência e origem tribal da religião. Mas os meios antigamente eram outros e as finalidades também eram outras. Verger estava inserido em um mundo totalmente novo até para ele e sua função era também de pesquisador, mas o que vemos hoje em dia são fotos banais, sem fim nenhum.

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    Assim como no Brasil, no Benin ele também fotografou rituais o que para muitos, aqui em terras brasileiras, seriam secretos e para poucos, mas que muitas vezes, na verdade, eram realizados em praça pública. No entanto, ele também conheceu os lados secretos, sendo esses respeitados e não fotografados ou publicados, como boa parte de sua vida no Ifá e culto de Bàbá (Ancestralidade masculina)!

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    Está Beneficiando ou Não?

    Têm casas que não permitem fotografias ou filmagens nem mesmo em festejos e comemorações. Soube de casas em que os Òrìà são orientados a largar o ìyáwó ao ver um flash em sua direção e que Ògá são orientados a pararem os atabaques enquanto a pessoa não cessarem com o ato de fotografar ou filmar.

    Claro que para muitos é um momento para se guardar além da memória, como um casamento ou festa de 15 anos. Uma iniciação ou o dia de dar o nome em público, uma festa de 7 anos ou 21 anos de iniciação, são realmente datas importantes para quem é de dentro do Candomblé. São aquelas fotos bonitas, com o salão arrumado, os filhos empenhados, os Òrìà dando o seu melhor e todos felizes com aquele momento. Acho válido fotos e filmagens para este fim.

    Mas fotos gratuitas, sem fim, como Ìyáwó dentro do “roncó” ou até mesmo um vídeo que soube que uma mulher ensina passo a passo uma feitura,  com corte de animais e tudo… creio ser demais. Outros registros só servem para desmerecer a própria religião, pois como disse em uma postagem – os inimigos vestem branco – e estão mais próximos que os pastores fundamentalistas que acham que tudo é diabo.

    E na sua opinião, devemos fazer uso de fotos e vídeos assim sem fim, sem motivos, apenas para registrar os momentos do dia-a-dia do Candomblé? E como fica a exposição em redes sociais principalmente com grupos que visam justamente caçoar destas fotos e filmagens? Detalhe: estes grupos são criados pelos próprios iniciados e muitos zeladores de nome e conhecimento participam!!

    Ó dàbọ̀!

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    http://eko.educayoruba.com/fundamentos-do-idioma-yoruba-oluko-vander/


  • [Grátis] Aula de Yorùbá Para Candomblé #3

    [Grátis] Aula de Yorùbá Para Candomblé #3

    Aula de Yorùbá – Escola de Yorùbá

    E aqui estamos com mais uma aula gratuita de Yorùbá totalmente voltada para o Candomblé, com termos, palavras e ideias de nossa amada religião e do nosso dia a dia nos barracões. Muitos estão gostando e os apoios não faltam, então, vamos que vamos meu povo aprender não ocupa lugar! Alguns não estão gostando, pois acreditam que aprendem o correto no barracão, não desmerecendo ninguém, mas não é a totalidade da verdade. Breve falamos sobre isso!

    Caso seja sua primeira vez aqui e tenha perdido as outras aulas, segue abaixo as que você perdeu:

    Aula de Yorùbá 1°Aula de Yorùbá 2°

    Image and video hosting by TinyPic

    Aula de Yorùbá: Abàdá/ agbádá/ ágbada. (Qual a diferença?)

    Voltando a tocar na importância das acentuações dentro da grafia yorùbá, nos deparamos com um termo que pode deixar a pessoa com cara de boba mesmo, frente a alguém que saiba falar ou/e ler o idioma. Daí a importância de não menosprezar um aprendizado básico do idioma dos òrìsà ou de se vangloriar de dizer que aprende dentro no dia a dia do Candomblé, mas na verdade aprende “candomclecês”.

    Abàdá é um adverbio com significado de algo para sempre, eternamente.
    Ex.: Mo fé òrìsà abàdá – Eu amo meu òrìsà eternamente.

    Ágbada é vasilhame, pote… bacia. Por favor, nunca vista um ágbada, você pode se machucar seriamente (rs).

    Ex.: Fún mi ìyen ágbada. – Me dê aquele pote/ Me dê aquela bacia. (Fún mi = dê-me/ me dê)

    Agbádá essa sim é a vestimenta masculina tradicional Yorùbá.  E como sempre, são vestimentas coloridas e muito bem adornadas, usadas por reis, sacerdotes e grandes dignatários da Nigéria e Benin. Volte às palavras anteriores e note a diferença nas acentuações, pois quando fala da sua importância na escrita e entonações quando faladas, é por ela ter o poder de mudar radicalmente o significado de expressões!

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    Agbádá na verdade é o manto que cobre o corpo dos ombros até os pés ou joelhos. Tendo ainda o Bùbá e sóóró. No Curso Intermediário de Yorùbá você encontra melhor as descrições de diversas vestimentas Yorubanas.


    CQuer Saber o Significado do Seu Nome de Iniciado – Seu Orúko? Clique Aqui!


    Mas hoje, o agbádá é usado normalmente por qualquer cidadão, inclusive por nigerianos muçulmanos, evangélicos e os de cultos tradicionais. Há uma tendencia aqui no Brasil de tudo se associar ao Candomblé por vir de lá, mas há muitos vídeos no YouTube onde vemos cultos em Igrejas onde eles usam o agbádá. Seu uso é bem rotineiro, assim como o gèlé – Se não leu sobre Gèlé, os panos de cabeças usados na Nigéria, clique aqui e leia, muito bom por sinal rs!

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    Então gente… não se vista com bacias e nem para sempre, vistam agbádá!! rs

    Assim terminamos mais esta curta aula de Yorùbá para o Candomblé, espero que tenha gostado e quero saber de você:  O que achou?  Deixe seu recado aqui embaixo ou se cadastre na lista de email e me envie sua opinião.:)

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    O dábò!!!