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  • Ìyáwó – A Origem da Palavra e Seu Real Significado.

    Ìyáwó – A Origem da Palavra e Seu Real Significado.

    Ìyáwó é o segundo grande centro das atenções do Candomblé, só perdendo para o òrìṣà. Mas a grande roda do Candomblé gira em torno dessa figura tão importante para a religião, sua iniciação e as chamadas obrigações de ano. Antes do ìyáwó, há o abíyàn, e todos um dia foram um abíyàn.

    Toda ìyálórìṣà ou bàbálórìṣà, palavra que designa a pessoa que possui conhecimento para manipular as energias do òrìṣà, são em algum estágio de sua vida religiosa um ìyáwó, pois é neste período que ele adquire os conhecimentos mais básicos do culto. Até mesmo, pode-se dizer que uma pessoa sempre será ìyáwó diante de uma pessoa mais velha. Bem, são as guerras de Ego dentro da religião.

    A palavra significa esposa, essa é uma verdade já bem comum, mas há duas origens para o uso dela: Uma está atrelada à formação do candomblé no Brasil; outra se dá pelo corpus literário de Ọ̀rúnmìlà-Ifá, um culto à parte e com suas raízes bem fincadas na Nigéria e Benin.

    Ìyáwó no Candomblé

    A palavra foi usada pela origem da religião ter se dado inicialmente por mulheres, era um culto matriarcal. Esta origem podemos ver claramente em muitos pontos, como vestimentas (Gèlè – pano de cabeça, Aṣọ oke – pano da costa) e acessórios litúrgicos (Ààjà – sineta).

    No início, não havia manifestação pública masculina de òrìṣà, somente as mulheres que incorporavam esta energia divinizada da natureza. Aos homens cabiam a parte mais bruta dos terreiros, o ilé òrìṣà, a Pequena África, como também era conhecido. E sempre havia, como há, muito trabalho para todos em uma casa de òrìṣà!

    Nisso, a mulher ao se iniciar, firmava um compromisso com as divindades, um casamento, com elas figurando como as esposas (Àwọn ìyáwóàwọn é o formador de plural no idioma Yorùbá). E um tempo antigo, a dedicação era bem maior do que hoje, a abnegação da vida profana era enorme, com algumas simplesmente morando nos terreiros e se quer casando.

    Mas, com o passar dos tempos, os homens passaram também a serem iniciados da mesma forma que as mulheres e suas saídas serem públicas, mas o termo continuou: Ìyáwó. Porém, agora com o sentido de iniciado ao
    òrìṣà, conotativamente. Tornou-se uma palavra sem gênero definido, podendo tanto ser usado para a pessoa do sexo masculino, quanto para a pessoa do sexo feminino.

    A palavra foi usada por causa deste sentido de compromisso que as mulheres tinham com o òrìṣà. No entanto, há muitas outras palavras em Yorùbá que podem ser usadas para definir um iniciado, alguns cultos possuem palavras próprias:

    • Ọmọ òrìṣà = filho de òrìṣà;
    • Ẹlẹ́gùn = aquele que é possuído por energias (Não é aquele que é montado por espírito!!);
    • Ẹlẹ́sìn = devoto, religioso (Oní + èsin/ Aquele que possui + religião, culto);
    • Abòrìṣà = cultuador de òrìṣà, aquele que cultua òrìṣà.

    E muitos outros, mas usando qualquer um desses, torna-se facilmente compreendido que estamos falando de uma pessoa iniciada ao culto de òrìṣà.

    Ìyáwó – Segundo o Corpus Literário de Ifá

    Qualquer dicionário decente de idioma Yorùbá irá traduzir a palavra ìyáwó como esposa, disso não tenho sombra de dúvidas. Mas qual a origem desta palavra? Todos sabem que sou fã de etimologia das palavras, elas nos guiam para caminhos mais seguros quanto às traduções. Nunca engoli ìyáwó sendo – mãe do segredo.

    Segredo em Yorùbá é awo, sem acentuação indicando tom alto ao final. Só isso já denuncia, assim quando falam que òrìṣà significa guardião da cabeça (Orí é cabeça e não òrì!!).

    No corpus literário de Ifá, encontramos as explicações de tudo que nos rodeia, a origem de muitas coisas. Ele é a enciclopédia do povo Yorùbá e seu registro se deu todo de forma oral. Cada odù, ou filhos, omo odù, conta uma história, um ìtàn em seu ẹ̀sẹ̀, poemas divinatórios de Ọ̀rúnmìlà. Lá encontramos a origem da palavra ìyáwó, no odù Ogbè – Sùúrù!

    Conta o mito que: Uma bela princesa, filha do Ọba de Ìwó, estava disponível para o casamento. Ela era imensamente bela. Nenhum homem comum poderia desposá-la, apenas um homem com enorme qualificação e que ela mesma escolhesse. Mas a princesa também não estava tão disposta a casar, iria fazer de tudo para afugentar seus pretendentes.

    Ògún, Ọ̀sányìn e Ọ̀rúnmìlà souberam da fama e da beleza da princesa, logo se colocaram prontos para a missão. Ògún foi o primeiro a se arriscar na tarefa e após constatar a exuberante beleza da mulher, usou toda sua determinação para conquistá-la.

    A princesa, ardilosa, exigiu como acordo para o casamento, que ele ficasse na casa do pai dela e lhe contasse seus àwọn èèwọ̀ (interditos, tabus). Embebecido com a beleza da mulher, Ògún contou que era àdín e ver sangue menstrual – àṣẹ́. Passado um tempo, a princesa preparou um prato com àdín para Ògún e sentou-se ao seu lado sem conter seu sangue menstrual.

    Ògún ao saborear a comida, sentiu o gosto do àdín, assustou-se. A princesa se levantou e ele viu o ẹ̀jẹ̀ no assento. Ele enfureceu-se e atacou a princesa que correu para os aposentos do pai. Este, com seu poder, transformou Ògún em um malho para ferreiros. E assim Ògún fracassou. Ele havia deixado de fazer os sacrifícios indicados pelo bàbaláwo.

    Ọ̀sányìn caiu na mesma armadilha e quando tudo ocorreu conforme havia ocorrido com Ògún, o rei o transformou em um pote de água, quando a princesa correu para seus aposentos pedindo socorro.

    Ọ̀rúnmìlà foi instruído a fazer sacrifício antes de ir: um Òbúkọ para Èṣù e a ter muita paciência (Sùúrù), de nada reclamar ou se exaltar. Assim ele fez e seguiu em busca dos irmãos e para desposar a princesa.

    Ele disse à princesa que seus interditos eram: èkútè, ẹjá, ewurẹ́, adìẹ, bucho de cabra e àṣẹ́ (sangue menstrual), quando havia perguntado. Somente o àṣẹ́ é seu interdito, todos os outros são comidas favoritas de
    Ọ̀rúnmìlà. E assim, começou a princesa de Ìwó maquinar contraỌ̀rúnmìlà.

    Usando as desculpas de que não havia comida em casa, dia pós dia, ela foi oferecendo todas as comidas que ela pensava serem àwọn èèwọ̀ deỌ̀rúnmìlà e ele, mostrando-se calmo e compreensivo, dizia que por amor ele iria comer aquilo que ela oferecia. Ela nada entendia, pois o candidato não perdia a cabeça. Então, ela usou sua última arma: o sangue menstrual.

    Mas, apesar de por dentro enfurecido, Ọ̀rúnmìlà recordou-se do conselho de Ifá e surpreendeu a princesa indo lavar as roupas dela sujas de sangue, assim como a almofada onde ela se encontrava. Ela ficou confusa e recorreu a algo ainda mais provocador, pois não conseguira tirar Ọ̀rúnmìlà de seu centro: arrumou um amante para se deitar perante a presença dele!

    Havia chegado a hora, é dito que a Testemunha do Destino leva até 3 anos para se enfurecer e quando isso ocorre, faz uso das forças mais poderosas para se vingar e era agora. Ọ̀rúnmìlà foi buscar água para que o amante da da noiva se banhar pois já ia embora; invocou Èṣù fora da cidade quando o homem já ia embora e Èṣù deu uma cabeçada forte nele, nisso, Ọ̀rúnmìlà apontou seu ìrúkẹ̀rẹ̀ para o azarado que o transformou em ìgbín. O paciente noivo quebrou o ìgbín e com seu líquido, ẹ̀jẹ̀ funfun, lavou a mulher, purificando seu corpo dos atos tido com o amante.

    Atônita, a princesa contou ao pai os atos de bravura, paciência e sabedoria de Ọ̀rúnmìlà, escolhendo-o como seu marido para sempre. O Oba de Iwó concedeu a mão da filha e após ela ficar grávida, ele retornou para casa com a esposa. Após toda a aflição passada na casa de Iwó, Ọ̀rúnmìlà conseguiu sua bela esposa e daí o nome: Ìyáwó = ìyà = aflição, = em, no, na, ilé = casa, habitação, Ìwó = cidade onde a princesa morava, fica em Ìbàdàn.

    Ìyà ++ ilé + Ìwó = ìyáwó (Note como ìyà perde a acentuação indicativa de entonação baixa para e ilé, com o “a” de ìyáwó ganhando entonação e acentuação alta).

    Professor Vander – 2020
    @educayoruba

    Espero que tenha gostado e não esqueça dos direitos autorais antes de copiar e colar nos grupos dos Facebook e WhatsApp! Plágio é crime, não atribua a autoria do texto a quem não é de direito!

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  • O que significa Dofono, Dofonotin, etc?? (Não é Yorùbá)

    O que significa Dofono, Dofonotin, etc?? (Não é Yorùbá)

     

    O Candomblé e As Posições nos Barcos de Òrìsà

    Muitas pessoas, muitas mesmo… e isso faz tempo, sempre me perguntam sobre vários significados de várias palavras que são ditas dentro do Candomblé. Estranham quando em curso eu não cito algumas e logo perguntam sobre as mesmas. Hoje nós entenderemos sobre isso.

    Mas antes, um adendo: essa explicação foi dada por um professor de idioma Fon. Em outra vez um hater (Essas pessoas que usam a internet para atacar tudo e todos) disse que estava sendo copiado de um blog de um amigo. Mas não sabia ele que no orkut eu já havia explicado isso, ano de 2008, e o blog do amigo postou em 2011. Voltando ao assunto!!

    Ficar sem entender a fundo pelo menos o significado de algumas palavras era algo extremante irritante pra mim no começo dentro do Candomblé… me sentia como um cego numa avenida movimentada, muito barulho sem nada entender.

    Depois de muito estudo e contatos com pessoas diversas, algumas de outras religiões(Evangélicos Nigerianos, Muçulmanos Nigerianos), a cabeça começou a se abrir em relação ao idioma. Se você quiser, pode aprender um pouco nas aulas gratuitas que postei aqui no blog a tempos atrás, clique nos links abaixo que irá para cada aula dada:

    Aula 1Aula 2Aula 3Aula 4Aula 5

     

    Dofono – Dofotin – Gamo – Gamotin

    Uma das expressões mais usada dentro do Candomblé são essas acima, indicando geralmente a ordem de barco, que está associada ao òrìsà que a pessoa será inciada. Havendo uma pessoa para ser iniciada de Èsù e outra de Oyá…. quem for de Èsù será Dofono e de Oyá Dofonotinho… e havendo uma terceira pessoa de Ìyémojá, essa será Fomo.

    Tem muito mais, algumas casas adotam essa ordem também para pedir benção, comer e todos os outros afazeres. Por que digo algumas casas? Há aquelas que não seguem essa ordem. Assim como tem casa que a benção deve ser pedida por todo o barco que foi iniciado juntos.

     

    Mas Olùkó, o que significa essas expressões??? Qual a tradução do Yorùbá para Português?

    Eu digo: nenhuma. As palavras são do Fongbè, idioma do Candomblé Jèjè. Breve trarei outras palavras do Fon que as pessoas pensam ser Yorùbá, inclusive nomes de Òrìsà e as tidas qualidades. Mas lembro que a muito tempo atrás em contato com um amigo que leciona o idioma, ele me passou melhor o que viria a ser cada palavra e seu profundo simbolismo religioso.

    Tudo se concentra em cima da palavra “Fon” que vem a ser a cerimônia de acordar de cada iniciado e conforme vão dando os nomes. Essa ordem tem haver como disse a acima, com o òrìsà, no caso vodún que será iniciado o neófito.

    Seguem as ordens e os nomes:

    • 1-Donfonnu– Aquele que está “longe de ser um Fon”;
    • 2-Donfonnu tiin– Aquele que está “muito longe de ser um Fon”;
    • 3-Fonmu– É o “fon cru”;
    • 4-Fonmutiin– É o “fon muito cru”;
    • 5-Gànmu– Assimilado ao “ferro cru”;
    • 6-Gànmutiin– “ferro muito cru”;
    • 7-Vimu– A “ criança crua”;
    • 8-Vimutiin– É a “criança muito crua”.

    Algumas pessoas tem dificuldades em compreender o conceito por trás dessa classificação, não compreende que quando se diz “cru” é como se fosse uma criança que acaba de nascer.

    Mu” é o estado cru do iniciado, pois todos sabemos que a iniciação é um renascimento. Bom lembrar que assim como no Yorùbá, essas palavras foram sendo aportuguesadas, ganhando peso de gênero e tamanho.

    Dofono (masculino) e dofona (feminino). Temos também o tamanho: Dofono e Dofonotinho, não tendo na verdade uso lógico.

    Mas por que isso Olùkó, por que idiomas diferentes dentro do Candomblé?

    Ora, simples. O Candomblé pode ser considerado uma colcha de retalhos cultural. Uma forma de resistência cultural e religiosa que abrigou africanos de diversas etnias, aldeias, cidades e reinos. Natural foi a mistura de divindades, idiomas e costumes.

    Essa organização aconteceu num momento histórico que favorecia os da nação Ketú, mas lembre-se que antes já haviam candomblés acontecendo pela Bahia e Rio de Janeiro. Mas isso é assunto para outra postagem rs.

    Ficou curioso em aprender mais sobre o Idioma Yorùbá e aprender mais e mais…. No Youtube temos aulas gratuitas onde você pode aprender sem pagar nada. Venha e conheça o canal da Educa Yorùbá.

    Abaixo segue o nossa playlist com mais aulas:

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  • Crianças e o Candomblé!

    Crianças e o Candomblé!

    Mo júbà, gbogbo…

    Antes de começar a desenvolver o assunto, gostaria de esclarecer, já que tem tido confusão e ,por vezes, recebo e-mails desnecessários sobre os meus posts (Como no caso de Candomblé e Sexo – Leia Aqui). Gosto de expor o assunto para ser desenvolvido, debatido e não imponho minha opinião e nem de ninguém da Educa Yoruba nos posts – salvo quando o assunto é idioma e estamos em busca da correção de alguma palavra.

    Não considerem as coisas que escrevo como uma posição minha ou da Educa Yoruba do que é errado ou certo, abominamos este tipo de atitude. Então, o que se seguem são reflexões acerca do que vi e ouvi sendo debatido por praticantes do Candomblé. A Educa Yoruba não se considera dona de nenhuma verdade, ainda mais no que tange a religiosidade.

    As Crianças e O Candomblé

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    Ouço muitas vezes as pessoas falarem que são católicas porque foram batizadas crianças e nem tiveram essa escolha, pois do contrário iriam querer ser “batizada” no Candomblé. Mas também vejo algumas pessoas indo em desacordo com a iniciação de crianças muito novas na religião, pois alegam que se quer ela teve essa escolha, acabam carregando um fardo de iniciação sem saber o que era a religião ou mesmo professar fé nela.

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    Não podemos negar que elas são um verdadeiro encanto quando estão lá viradas em seu òrìsà e quando bailam no salão, todos tem os corações derretidos pela beleza e inocência das mesmas. Em contra partida, temos vistos situações de intolerância religiosa e até mesmo bullying (Tão comum nesta idade, não é de hoje este assunto, apenas assumiu um nome). Nesta idade já é crítico para quem vai para escola normalmente e tem um grupo que pega no pé, imagina indo de “contra-egun”, “pano de cabeça” ou gèlé (Leia mais sobre o pano de cabeça aqui)… um verdadeiro inferno para os pequenos.

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    Conheci homens e mulheres que dizem que foram iniciados ainda pequenos ao Candomblé, mas logo depois, para decepção dois pais, preferiram seguir outros caminhos, caminhos às vezes nem religiosos. Aí vem a pergunta: faz bem iniciar uma criança ainda sem real noção do que quer a este compromisso com o òrìsà, com a religião? Há algum benefício, vantagem nisso? Ou o que há que pode prejudicar a criança, ou até mesmo adolescente?

    Não pode se negar que no Candomblé e Umbanda a criança tem contato com o respeito a hierarquia e a idade (coisa que alguns jovens estão deixando de lado), a disciplina e auto-controle. Percebo que alguns pais dizem ter os filhos que frequentam o Candomblé como mais obedientes e disciplinados do que aqueles que não frequentam, ou até que frequentam outra denominação. Ainda há os ensinamentos de trabalho em grupo, colaboração e os outros que incluem manutenção do ilè. A nível educação, realmente há muitas vantagens. O Candomblé ainda tem como um grande adjetivo a disciplina e ordem (alguns).

    No entanto, tem a turma do contra e o foco recai logo na estigma das religiões de matriz afro: o sacrifício animal! Mas será que realmente há problema nisso? Será que o psicólogo fica cheio porque uma criança viu ou participou de uma matança, sacrífico durante um corte?

    Este tema na verdade nos enche de perguntas né? Colocar inúmeras respostas seria algo bem complicado, pois sei bem o quanto a opinião sobre este assunto diverge e converge em vários momentos. Nos deparamos com N situações: uma ìyálórìsà que ama sua religião, mas só iniciará sua filha após os 15 anos e antes vai ter aquela longa conversa sobre ser a herdeira do àse; aquele zelador que se pudesse já iniciava o filho ali mesmo na mesa de parto rs! Ou há até mesmo líderes que incentivariam a não iniciação em nenhuma idade, devido a fatores externos e internos da religião.

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    Mas não podemos negar, elas são um encanto no ilè, o mimo de muitos zeladores e quando seguem a religião até a fase adulta, possui um grau de conhecimento prático da religião muito grande. Antigamente o Candomblé era o dia a dia de muitas crianças, era onde nasciam, cresciam, davam os primeiros passos, as primeiras palavras e enfim, ali que se tornavam, homens ou mulheres, que logo levavam adiante a cultura religiosa dos pais. E fica a pergunta: você iniciaria seu filho no Candomblé mesmo ele sendo tão novo ao ponto de não saber se é o que ele quer ou não? Deixe sua opinião nos comentários.

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  • [Grátis]Aula de Yorùbá para Candomblé – Aula #1

    [Grátis]Aula de Yorùbá para Candomblé – Aula #1

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    Aula de Yorùbá Para Candomblé #1

    Nesta série de posts irei explorar algumas palavras usadas dentro do Candomblé e suas devidas correções. Importante salientar que hoje, com as crescentes mídias sociais e a religião cada vez mais presente nelas, o uso correto dos termos nos fortifica enquanto religião e nos dá maior autoridade de conhecimento de causa.

    No Candomblé Ketu principalmente, se faz muito uso de algumas expressões que são escritas a torto e a direito. Vamos dar uma olhada em algumas. Lembrando que essa faz parte de algumas das lições que há meus Cursos de Yorùbá on line. Cada aula, cada post uma palavra para refletirmos e aprendermos mais. Caso for compartilhar, não esqueça de informar a fonte, por favor.


    Curso de Yoruba para Candomblé


    Abo/ àgbo/ àgbò

    Comumente toda casa em dia de função, principalmente, tem o seu grande “porrão” com água e ervas específicas maceradas, por vezes alguns outros elementos que tem sua serventia específica(Awo). Aqui no Brasil em nosso Candomblé essa mistura de ervas ganhou o nome de água de abô ou simplesmente abô. Mas muito cuidado!

    Abo = prefixo designador de gênero feminino, também pejorativamente o modo de chamar vagina!

    Mas àgbo é òògùn, é remédio, é medicina. Um Bàbáláwo com perfeita formação é conhecedor de muitas ervas e está apto a prescrever àgbo, que por vezes pode ser bebido, por vezes pode ser tomado o banho dessas ervas e raízes e até mesmo posto em cima de feridas. Quando tomamos o famoso chá de Boldo, nada mais é que um àgbo. Saião com leite, nada mais é que àgbo. Essa “revelação” por assim dizer me veio de um nigeriano quando estudava o idioma.

    Claro que dentro das liturgias há àgbo que devem ter um òfò ativador(caso queira saber sobre Òfò, veja neste post), isso sem sombra de dúvidas, até porque há àgbo para casos de bruxaria ou enfeitiçamento…


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    Àgbò é carneiro!

    O correto é tomarmos banho de àgbo e não de abô, até pela inexistência do acento circunflexo no idioma Yorùbá! Então veremos abaixo as possíveis palavras usadas e seus verdadeiros significados, tirem suas próprias conclusões:

    • Ààbò =  Abrigo, refúgio, escudo, toca, proteção;
    • Ààbò(Som aberto devido o acento diferencial embaixo)= Meio, metade;
    • Abo =Fêmea. Pej. de Vagina. Exemplo: Abo Pépéye/ Pata – Abo màlúù/ vaca;
    • Abò= Retorno, a volta, a vinda… a chegada;
    • Àgbo = Infusão feita com ervas e usada em banhos nas iniciações. Infusão usada para curar e/ou prevenir doenças e enfermidades.
    • Àgbò = Carneiro.

    Conclusão:

    Ou seja, acentuações são importantes para que possamos escrever da melhor forma possível. E claro, influencia na pronúncia correta também, mas no final sempre dá um caráter de mais seriedade a nossa religião quando sabemos sobre e como escrevemos as coisas. Chato escrevermos algo e vir uma pessoa quem nem dá religião, mas entendida do idioma e corrigi-la… e eu já vi isso acontecer!


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  • O Idioma do Òrìsà – Aula 2 [Video]

    O Idioma do Òrìsà – Aula 2 [Video]

    Aula de Yorùbá – A língua dos Òrìsà

    Mo júbà gbogbo!!

    Olá, povo do Candomblé, venho lhe convidar para assistir às vídeos aulas no YouTube – aulas de Yorùbá de graça. Isso mesmo, gratuitas. Você não irá pagar nada para conhecer o idioma do Òrìsà. Você assisti às aulas, baixa sua apostila gratuita e ainda aprende como se comunicar melhor com seu Òrìsà.

    Nesta vídeo aula de número dois, você irá aprende mais sobre entonações e a melhorar sua pronúncia. Preste bastante atenção, só assim para arrebentar quando for cantar no barracão. Use a apostila para acompanhar, disponível abaixo no link:


    Não Assistiu à Aula de Yorùbá Número 1??

    Não se preocupe. Acesse aqui em baixo a primeira aula e conheça como o idioma Yorùbá começou sua jornada até hoje. Aula muito legal de acompanhar. Se inscreva em nosso canal clicando no botão abaixo, receba as novidades em primeira mão:


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    Ó dàbò!

  • Dia Nacional do Candomblé. Por que ainda não temos?

    Dia Nacional do Candomblé. Por que ainda não temos?

    dia-nacional-do-candomble-curso-yoruba

    Mo júbà gbogbo

    Atualmente andei pesquisando sobre o Dia do Candomblé, pois temos data para tudo neste Brasil né? Mas pasmem, acabei vendo que não existe oficialmente esta data e que já rolou alguns projetos de Lei, mas também não vingaram, sem aprovação ainda.

    O que acontece afinal de contas?

    O Dia Nacional das Religiões

    No dia (21 de janeiro) por meio da Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007, sancionada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, foi criado o Dia Nacional das Religiões. Deveria ser um grande passo para acabar com a intolerância religiosa tão forte em nosso país. Mas não o foi. 

    Em prática pela laicidade de nosso país e também pela diversidade religiosa, étnica e outras mais, deveriam todos conviver em paz, pois não há religião certa ou errada. Ninguém é obrigado a professar uma fé que não esteja em seu coração. No entanto, bem sabemos que usar guias, panos brancos, respeitar preceitos, se tornam por vezes grande martírio para os Umbandistas e Candomblecistas, vide o caso da menina Kailane que sofreu uma pedrada – Reportagem Aqui.

    O Dia da Umbanda – 1° Vitória

    A nossa querida Umbanda já conseguiu o espaço dela. Através da LEI Nº 12.644, DE 16 DE MAIO DE 2012instituído o Dia Nacional da Umbanda e que é comemorado em todo dia 15 de Novembro.

    A data, no entanto, já era comemorada por milhares de pessoas – principalmente os umbandistas – há muito tempo. Na verdade, a escolha do dia foi uma decisão das entidades federativas do Rio de Janeiro, durante a I Convenção Anual do Conselho Nacional da Umbanda.

    De acordo com a história, em 15 de Novembro de 1908, um espírito teria se manifestado pela primeira vez em um jovem médium de 17 anos, Zélio Fernandino de Moraes, e mandado criar um novo culto, a Umbanda.

    Zélio estava sofrendo com uma paralisia que nenhum médico da época conseguia explicar. Um amigo da família do garoto aconselhou que o levassem para a Federação Espírita do Rio de Janeiro, onde o jovem foi “possuído” pelo denominado caboclo das Sete Encruzilhadas, anunciando a fundação da nova religião no Brasil.

    Já possuímos outras datas e mais próxima que temos do Candomblé é o Dia de Ìyémojá que já é bem conhecido e comemorado. O Dia de São Jorge para muitos logo é associado ao dia de Ògún e foi instituído por Lei –  Vide Dia de São Jorge – Aqui. O “Dia de Iemanjá” também vem através de uma Lei, o que muitos não sabem pelo visto – Vide Dia de Iemanja – Aqui.


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    Cadê o dia Nacional do Candomblé? 

    Pesquisando eu vi que um deputado (PAULO RAMOS) entrou com um Projeto de Lei que buscava o reconhecimento de uma determinada data como sendo o “DIA DAS TRADIÇÕES DAS RAÍZES DE MATRIZES AFRICANAS E NAÇÕES DO CANDOMBLÉ”, isso em 2006. Confira na íntegra (Original do Projeto de Lei)

    Entrei em contato antes de publicar e redigir este post com a assessoria do Deputado, mas até o fechamento não houve resposta. Breve, havendo, irei atualizar sobre a questão.

    Mas recentemente tivemos o  ex-deputado federal Carlos Santana (PT-RJ), em 2010. Aparentemente não foi para frente. Então ainda havia ou há luz no fim do túnel.

    Então, eis que surge o deputado federal Vicente Paulo da Silva, Vicentinho (PT). Em Outubro de 2015 foi presidida uma reunião justamente para que este Projeto de Lei fosse novamente apresentada à apreciação das pessoas competentes (Íntegra do Projeto de Lei – Clique Aqui). Entenda que um projeto de lei é um tipo de proposta normativa submetida à deliberação de um órgão legislativo, com o objetivo de produzir uma lei. Normalmente, um projeto de lei depende ainda da aprovação ou veto pelo Poder Executivo antes de entrar em vigor.

    E quando seria essa data?

    Tudo indica em todos os Projetos de Lei que seria no dia 30 de Setembro. Ainda desconheço o porque da escolha desta data. Dia de Sàngó na Umbanda – Xangô. Dia de São Jerônimo dos Católicos. Mas o que esta data representa para o Candomblé ainda desconheço, porém temos pessoa correndo atrás que tenhamos o nosso dia. Que esse dia seja de comemorações, terreiro cheios e os òrìsà em terra derramando seu àse para todos os presentes. 


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    Que o Candomblé possa se fazer forte cada vez mais com a união de seu povo e que tenhamos as devidas representações políticas nos defendendo, por mais que não seja bom misturar religião e política, mas sabemos que temos uma bancada forte evangélica que não nos veem com bons olhos.


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