O idioma Yorùbá é complexo em suas possibilidades de uso. Nem sempre há apenas uma forma para no expressarmos, isso acontece principalmente na área de saudações, felicitações e pêsames.
É comum eu explicar sobre determinado assunto, bênção por exemplo, e os alunos virem me questionar que eles aprenderam de outra forma e qual seria o correto. Mas isso se deve ao fato de manterem-se presos às estruturas fixas, o que não ocorre com o Yorùbá, idioma muito plástico e expansível.
Nesta postagem iremos aprender formas de agradecer, indo além do famoso a dúpẹ́ ou mo dúpẹ́! Mas claro que esses serão explicados em por menores. Vamos aprender Yorùbá?
Mo dúpẹ́
Essa talvez seja a mais conhecida, sua tradução se faz de fácil explicação. Usaremos um pouquinho de gramática, por mais que muitos alunos acham que possam fugir dela para entender o idioma dos àwọn òrìṣà:
Mo = Eu (Forma reduzida, pois há também Èmi com mesmo significado);
Dúpẹ́ = verbo agradecer. É um verbo chamado de composto, pois nasce da união de dá + ọpẹ́, respectivamente “fazer algo” + “gratidão”.
Ou seja, é o ato de ser grato, de se mostrar grato. Ele sozinho significa: eu agradeço, mas podemos melhorar essa expressão.
Mo dúpẹ́ o/ Mo dúpẹ́ ẹ/ Mo dúpẹ́ gbogbo/ Mo dúpẹ́ fún gbogbo/ Mo dúpẹ́, bàbá mi/ Mo dúpẹ́, ìyá mi!
Essas construções acima nos mostram as possibilidades fora do que todos usam o tempo todo. Vejamos as traduções:
Mo dúpẹ́ o = Obrigado(a) a você;
Mo dúpẹ́ ẹ = Obrigado(a) a vocês;
Mo dúpẹ́ gbogbo = Obrigado(a) a todos;
Mo dúpẹ́ fún gbogbo = Obrigado(a) por tudo;
Mo dúpẹ́, bàbá mi = Obrigado(a), meu pai;
Mo dúpẹ́, ìyá mi =Obrigado(a), minha mãe.
Adúpẹ́ ou A dúpẹ́
Muitas pessoas usam essa expressão como se significasse, “eu agradeço” ou “obrigado”. Certo e errado. Há um dicionário “famoso” que grafa junto, o que é errado.
A = Nós, em sua forma reduzida. Normalmente é Àwa;
Dúpẹ́ = agradecer.
Se realmente conjugarmos o verbo, teremos: “nós agradecemos” e não “eu agradeço”. Mas pode ser usado como “eu agradeço em nome deles“, ou seja, como se estivesse agradecendo em nome de um grupo.
Ọpẹ́
Gratidão – Isso que significa. Mas aqui entramos em uma parte conceitual.
Gratidão é um substantivo, mas usado com a intenção de agradecer por algo. Inclusive você poder chegar até o igbá òrìṣà e dizer:
Ọpẹ́, bàbá mi/ ìyá mi! Ọpẹ́ fún ire gbogbo!! (Gratidão meu pai/ minha mãe! Gratidão por toda sorte!)
Digo conceitual pois há um grupo que critica uso dessas expressões que estão muito ligadas ao esoterismo, lei da atração, budismo e etc. OPINIÃO DELES!!!!!
Ẹ ṣe o!/ Ẹ ṣe é o!
De agora em diante começaremos a fazer uso de algumas expressões que se perdem no tempo e não tem como, por hora, ficar explicando a etimologia delas.
Sempre que faço uso dela, percebo que as pessoas ficam confusas e perguntam o que significa: Todas elas a mesma coisa, “Obrigado(a)!”.
Ẹ ṣe o! – Obrigado (Pronúncia: É XÊ Ô!)
Variações:
Ẹ ṣe gbogbo!! – Obrigado por tudo!
Ẹ ṣe é o!! – Obrigado!
Ẹ ṣe púpọ̀!! – Muito obrigado!
Ẹ ṣe gan!
Essa foi a primeira expressão que aprendi como obrigado, tirando Mo dúpẹ́. Estou falando dos idos de 2003. Um noviço no aprendizado do idioma dos àwon òrìsà!!!
Como o mesmo propósito das outras, visa tão somente agradecer por algo feito.
Ẹ ṣegan!! – Obrigado! (Pronúncia: É XÊ GON!)
Ẹ ṣeun!
Mais uma estrutura estranha de explicar, porém presente em muitos cursos de Yorùbá pelo mundo. Possui a mesmo intenção: agradecer por algo feito!
Ẹ ṣeun! – Obrigado(a)! Pronúncia: É Xê UN!)
Note que em todos você pode fazer um incremento já aprendido, como por exemplo: gbogbo, fún gbogbo, púpọ̀, etc!!
Ẹ ṣeunpúpọ̀ – Muito obrigado(a)!;
Ẹ ṣeun fún gbogbo – Obrigado(a) por tudo!;
Ẹ ṣeungbogbo – Obrigado(a) a todos!
Kò tọ́pẹ́ o!
Finalizando com o famoso “não há de quê!“.
Sempre que alguém lhe agradecer por algo, não precisa ir ao lugar comum que todos dizem indiscriminadamente: àse! A expressão que melhor podemos usar neste caso é:
Kò tọ́pẹ́ o!/ Kò tọ́pẹ́!– Não há de quê!
Essa expressão ela ao pé da letra fica estranha, pois estou dizendo que “eu não fiz nada o suficiente para você ser grato”. Mas pode-se entender como: “não há necessidade disso!”.
kò = advérbio de negação, não;
tó = suficiente;
Ọpẹ́ = gratidão como aprendemos acima.
Há outras formas também de se dizer “não há de quê!” em Yorùbá, mas a postagem ficaria imensa e embolaria mais a cabeça do aprendiz!!
Finalizamos
E então espero que tenha gostado de aprender essas formas diferentes de dizer obrigado, indo muito além de mo dúpé ou a dúpé!
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O tradicional chapéu Yorùbá é uma parte do traje nativo que é usado tanto na vida cotidiana como em ocasiões especiais. É impossível ver um noivo Yorùbá sem uma roupa tradicional e seu chapéu. Embora os estilos sejam adaptados aos dias atuais e às modas modernas, as medidas de um Agbádá e Fìlà ainda é o mesmo de muitos anos atrás. O moderno e o antigo coexistem sem brigas!
Qual é o traje tradicional Yorùbá?
É um tanto surpreendente que os modernos homens Yorùbá, especialmente os que moram em Lagos, usem roupas tradicionais com muita frequência. Eles nem mesmo esperam por ocasiões especiais, como casamentos ou algum festival religioso, para se vestirem com roupas nativas bonitas e chamativas. Bem, não admira que as roupas tradicionais vestem mais confortavelmente para eles do que estilos europeus emprestados. O traje nativo foi criado em sua terra natal e é muito mais adequado para o clima e estilo de vida.
Existem vários tipos possíveis de roupa tradicional Yorùbá tradicional para os homens e isso não significa que eles sejam do culto ao Òrìṣà. Até mesmo muçulmanos, ateus e cristão os usam. Agbádá consiste em quatro peças e envolve um boné, buba, ou seja, bordado Agbádá e calças estreitas, todos esses itens muitas vezes vêm na mesma cor. O bordado pode combinar a cor do tecido ou contrastá-lo. Babariga também é composta por quatro peças, que são: um boné, uma camisa com mangas compridas, um bubão esvoaçante e calças bordadas. Gbarie consiste em três peças: um boné, uma camisa com mangas compridas e calças.
Mas nosso foco é o Fìlà: Um chapéu nativo Yorùbá é um elemento necessário de cada um deles, ele serve como um acessório que acentua características faciais e completa a roupa tradicional de um homem nigeriano. Para ler mais sobre vestimentas, clique no link lá em cima.
Quais são os modelos de chapéus tradicionais Yorùbá mais populares?
O chapéu Yorùbá tradicional que os homens usam chama-se fìlà, seja qual for o estilo. Geralmente é feito de Aṣọ Oke. Além da Aṣọ Oke, eles usam diferentes outros tecidos como damasco, veludo, linho ou algodão para criar o fìlà. A ideia principal, se você está escolhendo um tecido para um bom fìlà, é a sua capacidade de reter a forma.
Existem certos estilos de fìlà que parecem bons somente se o corte tradicional for reproduzido com precisão, ou seja, copiar só de olhar pode não dar certo.
Portanto, há os seguintes modelos de fìlà Yoruba:
Fìlà Gọbi. Esse tem a parte superior solta, maleável e permite que seu fìlà fique solto de um lado. Se estiver à esquerda, você sinaliza às pessoas ao redor que você não é casado. Se o seu fìlà estiver à direita, você deixará as pessoas ao seu redor saberem que você tem uma esposa;
Um estilo Kufi. Esse estilo é popular entre os homens Yorùbá que professam o Islã. Muitas vezes, esses chapéus combinam com roupas dashiki.
Fìlà Abetí Ajá. O nome significa “como orelhas de cachorro” ou “chapéu que possui forma de orelha de cachorro” em tradução para o português. Na verdade, a tampa realmente se parece com as orelhas de um cachorro que estão penduradas de lado. Este é um design engraçado e encantador que é especialmente popular entre os homens jovens hoje em dia.
Awolowo. É assim que o grande Obafemi Awolowo costumava usar seu boné. É uma escolha muito popular entre os jovens e velhos yorubanos. Leve esse nome em homenagem ao estadista nigeriano que foi fervoro lutador pela independência nigeriana.
Como usar boné Yoruba de uma maneira bonita?
Não há um padrão especial de usar um chapéu Yorùbá. Você pode fazê-lo como quiser e de tal forma que aumente a atratividade natural de suas características faciais ou que combine com sua roupa.. Alguns homens acham melhor quando seus chapéus estão mais baixos em direção à testa e sobrancelhas, enquanto os outros gostam mais quando seus fìlà são movidos para a coroa de suas cabeças.
Além disso, não há padrões especiais para usar um determinado estilo de chapéu com um tipo de traje preciso. Ou seja, pode usar com qualquer camiseta, social e etc! Cabe ao seu agrado o que escolher para cada situação. A única coisa que você deve ter em mente é o estilo correspondente se você estiver se vestindo para um evento especial como um casamento, evento religioso. Em tal situação, é melhor escolher um fìlà que tenha uma cor correspondente à sua peça principal. Se você está vestindo, digamos, Agbada com calças de cor contrastante, você tem que ver se o seu chapéu vai combinar com o Agbada.
Fìlà que são usados para casamentos e outros eventos festivos ficam ótimos se forem decorados com bordados. É especialmente elegante se o bordado de sua Agbádá e seu chapéu forem do mesmo estilo.
No caso de você estar usando um fìlà Abetí Ajá, você pode organizar suas “orelhas” pontiagudas como quiser, dependendo do seu humor ou situação, mas este não seria indicado, por exemplo, para um enterro. Você pode usá-las direitas para cima ou levemente dobradas como as orelhas reais de um cachorro. A última opção é popular entre os jovens.
Se você está usando um fìlà para uma cerimônia de casamento, provavelmente é melhor ter as “orelhas” retas e precisas. Não há regra de que os tradicionais chapéus Yorùbá devam ser usados apenas com trajes tradicionais. Se você gosta, você pode combinar com estilos de roupa europeus, terno e etc.
Um Kufi colorido brilhante com bordado tradicional pode ser um ótimo acessório para combinar com um terno tradicional ocidental. Há muitas maneiras interessantes de usar um fìlà. É impossível dizer que alguns deles são melhores que outros. O estilo escolhido depende de você, suas preferências, seu senso de conforto,seu gosto e seu humor.
Ficamos por aqui.
O dábò!!
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Aqui Olùkọ́ Vander trazendo uma postagem que na verdade é a resposta para um e-mail que recebi, recentemente, de um zelador que iniciou seu barracão – Ilê Orixá ou Ilé òrìṣà!
Basicamente, ele indagou-me como ele poderia ajudar no crescimento de seus filhos de santo, ọmọ òrìṣà. Ele não queria apenas um barracão cheio e toques, festas lotadas e luxuosas, saídas e obrigações cheias de pessoas e com muita bebida (Parece que para alguns isso seria a definição do sucesso como zelador ou zeladora, não é?).
Então, listei para ele, deixando claro que é somente uma opinião e baseada no contato que tenho com milhares de pessoas ligadas ao Candomblé e Umbanda que andam muito insatisfeitas, com seus filhos prósperos, as 7 principais lições.
As 7 lições para ser bom líder em um Candomblé se baseiam um pouco em outras postagem que já fiz…
Mas são:
Seja Íntegro;
Humildade;
Não Fale o Que Não Sabe;
Conheça Sua Religião;
Honre Suas Raízes (Quando Possível);
Seja Exemplo Dentro e Fora do Barracão;
Busque Conhecimento Sempre.
7 Lições Que Todo Bàbá/ Ìyálórìṣà Deveria Passar Para o Ìyáwó
1 – Seja Íntegro
Integridade, segundo o site Wikipedia: “Integridade vem do latim integritate, significa a qualidade de alguém ou algo a ser íntegre, de conduta reta, pessoa de honra, ética, educada, brioso, pundonoroso , cuja natureza de ação nos dá uma imagem de inocência, pureza ou castidade, o que é íntegro, é justo e perfeito, é puro de alma e de espírito.”
Um zelador íntegro seria aquele que o nome não está na praça (injustamente, claro); que age de maneira justa com seus iniciados e futuros iniciados, clientes. Não ataca a casa ou o nome alheio.
Um Pai de Santo ou Mãe de Santo que realmente tenha filhos e não somente números. Que faça o básico dentro da religião: iniciar pessoas que desejam ou que devam ser iniciadas ao òrìṣà, ser honesto nas respostas dos búzios não criando situações para tirar ẹbọ caros, consequentemente cobrar mais e não inventar fundamentos e coisas no orí dos outros.
Não agir com interesses escusos, tramando coisas para tirar filhos de santo de outros barracões; não ficar com fofocas principalmente se for de outros líderes de outro barracões. Muito comum ver o zelador difamando outros líderes das outras casas, até mesmo menosprezando as práticas de lá.
Ser justo e não passar a mão na cabeça de uns enquanto outros aprontam e nada é feito ou falado. Assim como evitar tratar melhor quem tem mais dinheiro em relação a quem tem menos, motivo que tira muita gente de barracões – Leia aqui sobre >>> Filhos de Santos Sem Barracão.
Integridade deve ser a máxima até mesmo na vida profana, comum e não somente quando se veste a farda religiosa para a batalha espiritual.
2 – Humildade
Estar na posição que se está – Pai de Santo ou Mãe de Santo – não é um prêmio que te faça melhor que ninguém.
Não há pedestal enquanto se está na lida diária, louvando os òrìṣà, ajudando os filhos de santo, os clientes, enxugando as lágrimas daqueles que lhe confiaram o orí, lhe confiaram problemas por vezes sérios.
A humildade está presente em grandes nomes do Candomblé, tanto os vivos quantos o que já se foram e, o que você verá, será uma pessoa simples que apenas é endeusada pelos que estão ao redor, pois eles mesmos se sentem pessoas comuns.
Pai de Santo ou Mãe de Santo deve sempre lembrar que quando vira, incorpora em seus orixás, fica de pés nos chão, em contato com a terra. Não há salto, tamanco, plataforma…. pedestal: os pés estão no chão.
Então, por mais tempo que se tenha dentro da religião, demostre a humildade de quem sempre tem a aprender, a conhecer. Sempre há alguém acima. Se não for na terra, é lá no ọ̀run. Reflita e passe isso para seus iniciados, pois eles terão suas casas também.
Humildade não é ser menos, infelizmente muitos trazem essa imagem na cabeça. Mas só os humildes são os fortes e poderosos.
3 – Não Fale o Que Não sabe
Sempre haverá quem saiba mais que você em algum assunto, compreenda isso.
Não é vergonha não deter todo o conhecimento do mundo dos Orixás. Por mais que jogue búzios há anos, sempre tem os Bàbáláwo, conhecedores dos segredos dos oráculos. Sempre há alguém com uma visão melhor, base melhor.
Por mais que você ache que saiba tudo de ervas, cuidado, há conhecedores maiores ainda na Nigéria e até no Brasil. Muitos desses conhecedores não levantam bandeiras de maiorais… são humildes!
Mantenha isso em mente e sempre explique isso a seu filhos, é importante que também eles não endeusem sua imagem.
Eu dou aulas de Yorùbá e por vezes os alunos do Curso de Fundamentos do Idioma Yorùbáme fazem perguntas de coisas que não sei, mas vou em busca para poder responder. Há doutores no idioma, mestres que têm o idioma de berço. Não posso me colocar como melhor nessa área, por mais que esteja desde 2008 dando aulas e desde 2003 estudando.
Há uma prática errada nos Candomblés hoje em dia: os líderes não querendo perder poder, inventam, alteram e espalham coisas que não são verdades. Vejo isso em lendas de orixás (ìtàn), cantigas (orin), fundamentos (orò) e por aí vai. Tudo pelo medo de dizer: – Não sei isso!
Tudo para não ficarem com a cara de quem não sabe de algo: Não Fale o Que Não Sabe.
Se não sabe, deixe claro para seu filho de santo que irá buscar saber a respeito ou até mesmo indique quem saiba, não tenha medo de perder um filho só por causa disso. Ele pode, justamente por esta atitude, lhe admirar ainda mais.
4 – Conheça Sua Religião
Dentro do Candomblé e também da Umbanda é comum se ver explicações bizarras para coisas que com simples pesquisa se responde. Hoje temos a internet, antes tínhamos/temos os livros e antes os mais velhos, mas nunca esqueça o senso crítico.
Um coisa que vejo hoje são as pessoas da religião, não todas, tendo aversão às explicações muito técnicas e longas. Preferem explicações curtas e romantizadas. E isso é ruim quando se tem uma cultura tão forte, com tantas nuances, fases e personagens como a cultura negra aqui no Brasil. Sem contar a história lá na África, com suas batalhas, revoltas, golpes, reinos em queda e tudo o mais.
Tudo elas acham que uma conversa na saída de um Candomblé (geralmente sob efeito do álcool)se explica, ou um comentário no Facebook com as famosas enquetes.
Nem tudo se explica com religião, com òrìṣà, com lendas e etc. Há fatos históricos, há questões que estudando se entende. E se isso fosse aplicado, no mínimo estudado, entenderiam porque tantos homens usam por exemplo: pano de cabeça e ààjà (Adjá quando aportuguesado).
Entenderiam como um Bàbáláwo influenciou o jogo de búzios que temos hoje no Candomblé e isso geraria ainda mais discussões, quebrando por exemplo a questão: Ògá ou èkéjì podem jogar búzios?
Então, busque, pesquise sobre o candomblé. Quem foram as três senhoras que mudaram o rumo do Candomblé (Não, não tem nada a haver com as bruxas… pense em questões históricas, fatos históricos). Deixem um pouco o folclore de lado e busquem literaturas históricas.
Um pai/ mãe de santo tem que buscar ser um manancial de informações de sua religião e hoje, com internet e sebos, você pode aprender muito e passar o conhecimento adiante.
Informação está lá, só buscar. Conheça sua religião… faça esse favor a você mesmo(a)!
5 – Honre Suas Raízes Quando Possível.
Qual a sua linhagem religiosa? Quem é seu avô de santo e a história dele? Qual seu axé/ àṣẹ e o que nele não é bem visto? Quais os fundamentos do seu àṣẹ?
Candomblé não tem nomes como pai, mãe, filho e etc à toa. É uma família e apesar de hoje em dia isso não ter muito valor, perdermos valores morais até mesmo nas famílias sanguíneas, busque saber mais da sua espiritual.
Tente não fazer coisas que dentro de seu àṣẹ não seja permitido. Isso se chama respeitar o àṣẹ, a história dele e sua energia espiritual. Conheça e tente manter contato com as pessoas de seu àṣẹ, não só o barracão.
Um iniciativa interessante seria um grupo no Facebook com todos não só do barracão, mas do àṣẹ inteiro. Unindo barracões, zeladores e zeladoras que sejam todos do mesmo seguimento.
Por que “Quando Possível”?
Eu sei que hoje em dia, talvez antigamente também, as pessoas não se fixam em casas de santo, rodam de mão em mão. Mas quando sair de uma casa ou de um àṣẹ, não chegue no outro falando cobras e lagartos. Até porque, se você faz isso com o que saiu, quem garante que não irá fazer com o atual quando sair?
Todos são falhos, então se tiver alguma insatisfação, tente manter para sí e mostre a parte boa (deve ter tido, por favor).
6 – Seja Exemplo Dentro e Fora do Barracão
O que adianta você ser um exemplo de zelador dentro do barracão; tratar todos com educação e zelo, mas na rua humilhar um mendigo? No trânsito xingar a todos e se achar o dono da rua? Viver devendo e podendo pagar, mas evitando o fazer.
Eu sei, aqui algumas pessoas já deve estar assim: – Nossa, Olùkọ́ Vander achar que ser pai/ mãe de santo é ser um anjo de candura, não é?
Não, estou apenas dizendo que a pessoa deve ser sim um exemplo para a sociedade e para quem lhe confiou a vida espiritual. O cargo, posto, função sobe à cabeça e a pessoa acha que além de mandar dentro do barracão, também manda nos da rua, se acha superior aos da rua. Faça uma pequena pesquisa de como deve ser a conduta dos devotos de òrìṣà na Nigéria e depois me diga!
Você diria para seu filho de santo não trair a esposa, mas manteria um caso extraconjugal? Isso se chama incongruência. Exigir respeito dos iniciados, mas na rua desrespeitar os demais. Incongruência!
Vejo muitos adolescente que pegam todos os trejeitos, falas e características de seus pais de santo. Bom isso, mas e quando ele traz as características erradas: agressões ao filhos recolhidos, humilhações em público, mentiras e etc? O filho, aqui o adulto mesmo, não precisa ser criança, acaba seguindo as atitudes do zelador e não as palavras.
Lembrando que há ìyáwó que realmente cultua mais seus zeladores do que o seu próprio òrìṣà. Leia mais sobre isso na postagem que fiz recentemente – A Fé Dentro do Candomblé: Quem você Cultua?
7 – Busque Conhecimento Sempre
Citei duas dicas que envolvem conhecimento, estudo – Não Fale o Que NãoSabe e Conheça Sua Religião – e aqui eu gostaria de sintetizar melhor isso.
Que o Candomblé é uma religião de prática, de mão na massa, disso sabemos. Não é uma religião teórica. Porém, isso não quer dizer que não tenha conhecimentos teóricos para se obter e que sim, ele pode ser de muita valia para o pai de santo ou mãe de santo.
Há um preconceito vigente na religião, o de que o que se aprende em cursos e apostilas é algo sem valor. Só é certo o que se aprende de um zelador. Nada mais equivocado!!!
Caso por exemplo: como o Candomblé surge no Brasil? Caso seu zelador não saiba, você não pode pegar um livro para estudar???
É simples para qualquer um falar que foi através do tráfico negreiro ocorrido no período colonial e que assim eles mantiveram suas práticas e cultura aqui como forma de resistência e também sobrevivência.
Mas complica se a pessoa perguntar sobre o porque de haver diferentes nações e por que se chamam nações de Candomblé?
Se perguntarem sobre o sincretismo religioso? Sei, vão responder sobre disfarçar imagens pois eram proibidos de praticar a própria religião. Será que é só isso? Busque aprender mais!
Dentro do Candomblé não se canta em Português, mas sim nas línguas nativas da região de onde veio aquele culto. As pessoas cantam, respondem e dançam, mas você sabe o real significado? De cada 100, apenas uns 6 diriam que sim e olhe lá.
Não conhecer o idioma em que se canta para mim sempre foi o que mais não entrou na cabeça. Não tem a ver com religião, com tempo de santo, com obrigações tomadas ou não… tem a ver com querer saber o que é aquilo. Conhecimento cultural!
Nomes de Ìyáwó são em Yorùbá, nome dos barracões em Yorùbá, os utensílios em sua maioria Yorùbá, os cargos e postos também estão em Yorùbá. Rezas, cantigas, saudações, os nomes dos Orixás em Yorùbá e você… Sabe Yorùbá?? Claro que há outros idiomas, mas minha área é o Yorùbá. A sua qual é? Ewe Fòn, Bantu?? Busque! Estude!
E não, não digo saber os termos que é dito dentro de barracão que carregam vícios medonhos. Muitos acham que conhecendo as gírias de barracão as fazem conhecedoras do idioma… ledo engado!!
Como bom pai de santo, você deveria ser um conhecedor intermediário/ avançado do idioma. Saber no mínimo como pronunciar algo ao ler! Conseguir passar para seu filho um pouquinho daquilo que ele pode até mesmo usar quando for defender a religião.
Recentemente fiz uma postagem fazendo uma pergunta sobre o idioma, coisa simples. Uma menina marcou seu zelador e perguntou a respeito. Sua resposta foi drasticamente errada e para piorar, justificou dizendo que o que ele disse foi aprendido com seus mais velhos e assim por diante.
Bom, essas dicas acima dei para meu amigo e ele ficou muito feliz. Delas nasceu essa postagem que inclusive foi uma ideia dele e não estou tentando aparecer como alguém superior, mas quem olha de fora com o senso mais crítico e que converso com muitas pessoas insatisfeitas com a religião que andam destruindo com o ego!!
Por aqui fico… Ó dàbọ̀!!!
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O Candomblé é uma religião brasileira com raízes africanas, disso todos sabem, apesar de alguns afirmarem ser uma religião puramente africana. Ele nasce durante o vergonhoso período de escravidão onde os escravos eram comprados na Costa da Mina, sendo vítimas principalmente nativos de Benim e Daomé (século XIX – 1815), mas também Yorùbá, Jèjè, Minas, Haussás, Tapas e Bornus.
O Candomblé nasce como uma forma de resistência, uma maneira de manter viva, aqui no Brasil, a memória ancestral tão forte daquele povo que foi arrancado de sua terra às duras penas. Claro que essa não é uma definição que finaliza o assunto por aqui, apenas uma introdução!
O Candomblé: Uma Comunidade
Aqui no Brasil, quando se fala em Candomblé, logo vem à mente a figura de uma comunidade unida em torno de uma figura de liderança conhecida como Bàbálórìṣà ou Ìyálórìṣà, também conhecidos como Pai de Santo ou Mãe de Santo. Há também a expressão zelador ou zeladora de santo.
Essa é a figura principal de um ilé òrìṣà (casa de santo ou barracão), abaixo somente dos próprios àwon òrìṣà. Logo em seguida, há os seus auxiliares, como pai pequeno, ọ̀gá, èkéjì e vários outros postos e cargos com funções definidas nessa grande comunidade que tem como foco cultuar os deuses africanos.
Por fim, há duas figuras menores, são os que estão começando a caminhada neste mundo: o abíyán e o ìyáwó.
O Abíyán
Figura importantíssima dentro do Candomblé, mas que por vezes é marginalizada pelos que já são “feitos” no òrìṣà, o abíyán é aquela pessoa que está iniciando no caminho, mas que ainda não teve sua iniciação formalizada e o òrìṣà manifestado ao público. Seu corpo ainda não foi sacralizado para o transe ou incorporação.
No Candomblé, há o ato de tirar o nome do òrìṣà, o dia do orúkọ, onde o abíyán deixar de o ser e solta o seu nome de iniciado para o público presente tornando-se então em ìyáwó – uma pessoa oficialmente iniciado ao òrìṣà.
Mas antes desse dia super importante, o abíyán conhece a casa, realiza algumas tarefas e enfim vai conhecendo mais da rotina da religião. Ele também é observado para que a liderança possa sentir se ele tem jeito ou não para ser um devoto. O Candomblé não é para qualquer um, muitos dizem!
O Ìyáwó – Um Casamento Com o Òrìṣà
Após iniciado, enfim a pessoa torna-se um ìyáwó e deve acostumar-se com essa posição por um bom tempo, pois você sempre será um ìyáwó aos olhos de pessoas mais velhas que vocês, os ẹ̀gbọ́n .
Ìyáwó significa esposa em alusão ao “casamento” que a pessoa tem com seu òrìṣà de cabeça. Com este òrìṣà, a pessoa irá caminhar até o dia de sua morte. Como ìyáwó, você é filho de santo de alguém, pois alguma pessoa iniciou você.
Não existe ìyáwó que se autoinicia. Impossível!! Você precisa ser iniciado através das mãos de outra pessoa mais velha que irá lhe transferir àṣẹ e assim você passa a pertencer à uma casa de santo, um ilé òrìṣà!
Mas…
Os Ìyáwó Sem Casa de Santo
Para que você pudesse compreender melhor o que ocorre hoje, tinha que mostrar como funciona, por alto, sem esmiuçar todos os termos e assuntos, uma casa de Candomblé.
Viu que um iniciado é ligado à uma casa que geralmente é a casa de quem o iniciou, mas hoje, cresce o número de pessoas que após a iniciação, seguem suas vidas sem ter nenhuma ligação mais com casas, pais ou mães de santo.
Entrevistei algumas pessoas que pediram o anonimato e em sua maioria preferiram esta vida, sem nenhuma ligação com casas, por decepções com o que ocorre dentro e também fora das casas, coisas que vão de assédio até mesmo à agressões físicas!
Renata do Rio de Janeiro disse que se encantou com o Candomblé, juntou dinheiro e logo se iniciou. Era encantada com tudo e adorava seu zelador e seu àṣẹ, até o dia em que foi agredida na frente de seus irmãos de santo, ela diz:
– Sempre amei meu orixá e o orixá patrono da casa onde fui iniciada, mas o dia em que fui jogada ao chão e chamada de lixo imprestável, vi que ali não era o meu lugar. Tomei todas as minhas obrigações em outra casa onde somente vou, pago o chão, compro os materiais e pronto, está feito. Não tenho outro vínculo ou obrigação como de ir ajudar em dia de feitura ou algum evento.
Maurício, advogado de São Paulo, disse que a casa onde frequentava mais parecia um motel e que quem fosse “algo mais do zelador” tinha muitos favores e sempre estava à frente. Quem tivesse mais dinheiro também tinha regalias e tinha um tratamento diferenciado, alguns nem sentavam no chão.
– Quando cheguei e era abiã, eu era super bem tratado e achava isso o máximo. Com o tempo percebi que os outros não eram assim tão bem tratados. Logo depois de minha saída como ìyawó, entrou uma empresária bem rica e ela então só faltava sentar na cadeira do zelador. Algumas noites percebia um entra e sai de rapazes na casa, gemidos e às vezes muitas camisinhas no lixo… às vezes no lixo da cozinha, onde são feitas as refeições do àse, as comidas dos santos e os ebós. Depois de 4 anos meu olhos se abriram e então conseguir ver onde tinha me metido. Conhecedor de direito que sou, levei todas as minhas coisas de santo, pois tinha as notas fiscais e tudo mais. Hoje falta somente minha obrigação de 7 anos que irei tomar na casa de um amigo, mas apenas isso, sem nenhuma ligação a mais com o àsé!! O orixá é belo, os humanos podres que estão acabando com a religião!
Letícia, da Bahia, disse que o sua zeladora a fez de empregada por um bom tempo e ela achava que estava servindo ao santo.
–Quando entrei vi que era normal as pessoas cozinharem, pois há ebó, comidas para o santo, comidas para a função… enfim, era normal. Com o tempo a zeladora pediu para ir até a casa dela ajudar em algumas coisas.
Faxinava, cozinhava, lavava quintal… mas acredite professor, tudo eu fazia com enorme felicidade, pois estava sempre cantarolando para o santo, treinando passos. Até que um dia a ficha caiu quando ela foi grossa comigo por eu não ter feito algo direito. Foi quando vi que eu não era mais filha de santo, mas empregada da zeladora.
Falta pagar meus 3 anos. Não sei como irei fazer, mas com certeza não fico mais em casa nenhuma. Não acredito nessa que o òrìsà irá castigar, orìsà é muito mais que isso e vê tudo isso que acontece. Cuido do meu santo do jeito que posso e tenho saúde, emprego, uma família maravilhosa, coisa que antes estava afastada por estar sempre cuidando das coisas da zeladora.
Só Pode Cultuar Òrìsà se Estiver Ligado à Uma Casa?
O receio de muitas pessoas que entrevistei, que querem sair de suas casas mas têm medo, é o famoso castigo do òrìṣà, medo esse que muitos dos entrevistados superaram. Conversei com mais pessoas e não coloquei todas as respostas aqui para não ficar uma postagem longa.
Eles aprenderam que não ficarão em falta com seu òrìṣà se mantiverem suas energias espirituais em dia. Continuam fazendo suas obrigações, e ẹbọrí, cortes para entidades de rua, mas tudo isso sem estar ligado a qualquer casa que seja. Pagam, fazem o que tem que ser feito e bola para frente!
Infelizmente, muitas pessoas não possuem maturidade para liderar uma casa, liderar pessoas, cuidar da saúde espiritual e também delas. Percebemos que não todos, mas uma parte dos zeladores e zeladoras se aproveitam da posição para inflar seus egos, desviar seus filhos de suas funções e, à base do medo, mantê-los cativos, presos ao barracão!
O Candomblé, sim, suga bastante as pessoas, as funções são corridas, com muitas coisas para se limpar, cozinhar, carregar e etc. Isso é normal, mas algumas coisas que vemos por aí são fora do normal. Por vezes um zelador ou zeladora pode agir com certa aspereza, mas não há a necessidade de agressões físicas e psicológicas.
Cresce o número de pessoas que não querem estar ligadas à uma casa pois sabem que ali o ambiente é terrivelmente viciado, onde as regras não são bem claras, onde há privilegiados e os desafortunados. Sabem que em algumas casas quem possui mais dinheiro vira queridinho do pai ou mãe de santo; outras vezes, manter um relacionamento, muitas vezes clandestino com o zelador ou zeladora, também rende benefícios…
Enfim, o Candomblé, assim também como a Umbanda precisa amadurecer mais em alguns aspectos. São as lideranças que levam essas religiões para frente. Falta hoje um pouco mais de seriedade, foco, pesquisa e estudo.
Ainda vivemos na época de que Candomblé bom é Candomblé com casa cheia, não importando a qualidade. Cuidado ao escolher uma casa para frequentar e não se deixe ser abusado de nenhuma forma, faça valer as leis vigentes e não tenha medo de denunciar.
O dábò!!
Quer aprender mais sobre o idioma mágico do Candomblé? O idioma do òrìṣà, mas de uma maneira correta e sem misticismo? Conheça nosso cursos abaixo: Curso Fundamentos do Idioma Yorùbá! O que está incluso no curso:
Aulas em vídeos;
Apostilas em PDF com resumo das aulas;
Dicionário ao final do curso;
Técnicas de estudo melhorando o aprendizado do idioma;
Muitas pessoas, muitas mesmo… e isso faz tempo, sempre me perguntam sobre vários significados de várias palavras que são ditas dentro do Candomblé. Estranham quando em curso eu não cito algumas e logo perguntam sobre as mesmas. Hoje nós entenderemos sobre isso.
Mas antes, um adendo: essa explicação foi dada por um professor de idioma Fon. Em outra vez um hater (Essas pessoas que usam a internet para atacar tudo e todos) disse que estava sendo copiado de um blog de um amigo. Mas não sabia ele que no orkut eu já havia explicado isso, ano de 2008, e o blog do amigo postou em 2011. Voltando ao assunto!!
Ficar sem entender a fundo pelo menos o significado de algumas palavras era algo extremante irritante pra mim no começo dentro do Candomblé… me sentia como um cego numa avenida movimentada, muito barulho sem nada entender.
Depois de muito estudo e contatos com pessoas diversas, algumas de outras religiões(Evangélicos Nigerianos, Muçulmanos Nigerianos), a cabeça começou a se abrir em relação ao idioma. Se você quiser, pode aprender um pouco nas aulas gratuitas que postei aqui no blog a tempos atrás, clique nos links abaixo que irá para cada aula dada:
Uma das expressões mais usada dentro do Candomblé são essas acima, indicando geralmente a ordem de barco, que está associada ao òrìsà que a pessoa será inciada. Havendo uma pessoa para ser iniciada de Èsù e outra de Oyá…. quem for de Èsù será Dofono e de Oyá Dofonotinho… e havendo uma terceira pessoa de Ìyémojá, essa será Fomo.
Tem muito mais, algumas casas adotam essa ordem também para pedir benção, comer e todos os outros afazeres. Por que digo algumas casas? Há aquelas que não seguem essa ordem. Assim como tem casa que a benção deve ser pedida por todo o barco que foi iniciado juntos.
Mas Olùkó, o que significa essas expressões??? Qual a tradução do Yorùbá para Português?
Eu digo: nenhuma. As palavras são do Fongbè, idioma do Candomblé Jèjè. Breve trarei outras palavras do Fon que as pessoas pensam ser Yorùbá, inclusive nomes de Òrìsà e as tidas qualidades. Mas lembro que a muito tempo atrás em contato com um amigo que leciona o idioma, ele me passou melhor o que viria a ser cada palavra e seu profundo simbolismo religioso.
Tudo se concentra em cima da palavra “Fon” que vem a ser a cerimônia de acordar de cada iniciado e conforme vão dando os nomes. Essa ordem tem haver como disse a acima, com o òrìsà, no caso vodún que será iniciado o neófito.
Seguem as ordens e os nomes:
1-Donfonnu– Aquele que está “longe de ser um Fon”;
2-Donfonnu tiin– Aquele que está “muito longe de ser um Fon”;
3-Fonmu– É o “fon cru”;
4-Fonmutiin– É o “fon muito cru”;
5-Gànmu– Assimilado ao “ferro cru”;
6-Gànmutiin– “ferro muito cru”;
7-Vimu– A “ criança crua”;
8-Vimutiin– É a “criança muito crua”.
Algumas pessoas tem dificuldades em compreender o conceito por trás dessa classificação, não compreende que quando se diz “cru” é como se fosse uma criança que acaba de nascer.
“Mu” é o estado cru do iniciado, pois todos sabemos que a iniciação é um renascimento. Bom lembrar que assim como no Yorùbá, essas palavras foram sendo aportuguesadas, ganhando peso de gênero e tamanho.
Dofono (masculino) e dofona (feminino). Temos também o tamanho: Dofono e Dofonotinho, não tendo na verdade uso lógico.
Mas por que isso Olùkó, por que idiomas diferentes dentro do Candomblé?
Ora, simples. O Candomblé pode ser considerado uma colcha de retalhos cultural. Uma forma de resistência cultural e religiosa que abrigou africanos de diversas etnias, aldeias, cidades e reinos. Natural foi a mistura de divindades, idiomas e costumes.
Essa organização aconteceu num momento histórico que favorecia os da nação Ketú, mas lembre-se que antes já haviam candomblés acontecendo pela Bahia e Rio de Janeiro. Mas isso é assunto para outra postagem rs.
Ficou curioso em aprender mais sobre o Idioma Yorùbá e aprender mais e mais…. No Youtube temos aulas gratuitas onde você pode aprender sem pagar nada. Venha e conheça o canal da Educa Yorùbá.
Abaixo segue o nossa playlist com mais aulas:
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Apostilas em PDF com resumo das aulas;
Dicionário ao final do curso;
Técnicas de estudo melhorando o aprendizado do idioma;
Dicionário Yoruba ou Dicioná de Yorùbá é uma ferramenta importante. Qualquer pessoa que se inicie ou passe a frequentar o Candomblé, logo percebe a mágica de sua liturgia impressa em cantos, rezas, entoações, roupas e toques de atabaques sagrados. Isso é inegável.
Mas a pessoa também fica perdida com a nova língua que toma contato – o dialeto Yorùbá, a língua do povo de santo. Muitas vezes recorrem ao tradutor yoruba do Google, o que não indico.
Logo, o iniciante aprende alguns termos isolado, geralmente alguém mais velho que ele – ègbón – lhe ensina pequenas palavras, algumas frases, cumprimentos e também lhe é dito para repetir outra durante os cantos – orin.
Assim é a iniciação de muitos dentro do Candomblé. Nenhum problema até aí, mas isso se perdura por anos às vezes. Normal encontrar pessoas de 5 anos de iniciação ao orixá (òrìsà) e essa pessoa não saber realmente o significado de algumas palavras – sabendo por alto às vezes.
Falta tempo por vezes, o dia-a-dia numa roça de candomblé – ilè t’òrìsà – é corrido e cansativo, sempre compensando pela dedicação ao orixá (òrìsà)!
Dicionário Yorùbá – Português
O que poucos sabem é que o idioma Yorùbá falado lá dentro da roça pode ser aprendido: com uso de um dicionário de Yorùbá ou através de aulas de iniciação ao idioma do candomblé. Ambas as formas hoje são acessíveis, coisa que antigamente nem tanto. Hoje há aulas presenciais e até mesmo on line.
Houve época em que nigerianos vinham algumas vezes ao ano ao Brasil apenas para ensinar o idioma aos candomblecistas, apesar desses geralmente não se interessarem tanto antigamente quanto hoje pelo aprendizado pela língua do orixá (èdè t’òrìsà).
Há dicionários de Yorùbá variados no mercado, mas dois autores se sobressaem: Eduardo Napoleão e Professor José Benistes. O último é um conceituado professor do idioma Yorùbá no Rio de Janeiro e já teve outros livros publicados como falamos em nossa postagem sobre indicação de livros sobre o Candomblé.
Eduardo Napoleão tem o dicionário – Yorùbá para aprender a linguagem dos orixás. Bom material apesar de ser apenas Yorùbá – Português não tendo a opção contrária.
São 220 páginas com alguns termos (Nem tudo se encontra lá.), sua correta gráfica, acentuação de tons e a classe que pertence. Tem também uma curta explicação sobre o idioma logo no início.
José Benistes como sempre nos brinda com Dicionário Yorùbá Português, material muito rico e bem pesquisado, são mais de 800 páginas de puro conhecimento desse professor que conhece bem a fundo a parte religiosa e também cultural do Candomblé – são mais de 35 anos de religião.
Esse já possui mais termos voltados para o Candomblé, mas nunca deixando de lado a necessidade do aprendizado do idioma para conhecimento das corretas regras gramaticais e de pronúncias do idioma.
Fáceis de Comprar a Um Clique
Os dicionários para Candomblé como também são chamados, estão fáceis de comprar…. A um clique. São vendidos em sites como Mercado Livre, Americanas, Saraiva.
Claro que apenas com um dicionário você não dominará o idioma, mas com ele já pode se explorar algumas palavras que geralmente as pessoas tem tantas dúvidas em saber, ou por vezes pensam que sabem e tomam susto ao ver que significa outra coisa.
Além também de ser possível adquirir nas lojas de artigos religiosos maiores e também nas livrarias mais genéricas.
O Futuro – Dicionário Yoruba PDF
Há também a opção de você baixar um dicionário de língua Yorùbá direto para seu computador, notebook, tablete ou celular (se tiver o app para ler esse tipo de arquivo). São os materiais em PDF, também chamados de Ebooks – tem desbancado a venda de livros impressos sem contar que são mais ecológicos.
Os citados autores acima ainda não trabalham com este tipo de material, mas abaixo você vê uma opção barata e com qualidade de ter seu dicionário e começar a desvendar o mundo das palavras do Candomblé.
Capa do Dicionário Para Candomblé – Material em PDF – Imagem Ilustrativa.
Candomblé – Uma Religião de Cultura Forte
O Candomblé é sem sombra de dúvida um forte reduto que mantém e preserva o idioma Yorùbá, posto que na Nigéria cada vez mais o idioma Inglês domina as rodas de conversas e alguns jovens abandonam seu idioma nativo por causa da modernidade.
Ainda há cursos na Nigéria e Benin sobre o idioma – Superior e Livres, algumas escolas ensinam para as crianças na alfabetização também. Mas o inglês, dos antigos colonizadores, cada vez mais toma conta.
A força do Candomblé com seus orixás (Àwon òrìsà), seu cantos, orações e pequenas conversas no idioma tem mantido viva a língua do povo nigeriano. Por mais que alguns não saibam dessa importância. Por mais que alguns lutem contra o ensino da língua do povo de santo.
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